quinta-feira, 4 de abril de 2024

CRONICA - THE BLUES PROJECT | Live At Town Hall (1967)

 

A publicação de Projeções em novembro de 1966 foi um fracasso comercial, provavelmente devido à falta de promoção. Decepção que causa o deslocamento do Projeto Blues. O tecladista/vocalista Al Kooper abandonou o navio para formar o Blood, Sweat & Tears no ano seguinte. Isso não impediu o guitarrista/vocalista Danny Kalb, o baixista/flautista Andy Kulberg, o guitarrista/harmônico Steve Katz e o baterista Roy Blumenfeld de imprimir um terceiro álbum intitulado Live At Town Hall em 1967 em nome da Verve.

Do show no local localizado na 123 West 43rd Street, em Nova York, entre a Sexta Avenida e a Broadway, sai apenas a faixa de abertura "Introduction / (Electric) Flute Thing". O resto vem de live, cuja origem é desconhecida. Existem até títulos de estúdio onde os aplausos são colados. As gravações foram feitas em 1966, muitas contam com a participação de Al Kooper.

Obviamente o atrativo deste LP é esse instrumental que inicia o disco. Com mais de 10 minutos de duração, os nova-iorquinos embarcam em um lindo blues e jazz psicodélico que emociona o público. Obviamente é a flauta que nos encanta o tempo todo. Torna-se jovial, mágico, vaporoso, até medieval e experimental. Mas ela sabe harmonizar-se com um teclado colorido para nos mergulhar num ambiente descontraído. A guitarra solo desenvolve solos sedutores, ora agudos, ora misteriosos. E como na versão de estúdio não podemos fugir do refrão de bateria de estilo tribal e estranho.

Outro ponto forte, “Wake Me, Shake Me” dos Coasters na conclusão, estendeu-se por 8 minutos para um ritmo e blues selvagem e apertado que cheira a urgência com guitarras ácidas em pânico, órgão galopante e improvisação galopante de ácido rock.

No meio está a devastadora garagem “I Can't Keep from Crying”. Deparamo-nos com “Mean Old Southern” que soa como um comboio que nada pára, atravessado por trocas entre as seis cordas eléctricas e a gaita.

Para as peças de estúdio que a Verve tenta traduzir em faixas ao vivo, há o folk rock árabe "No Time Like The Right Time" que cheira a dinamite, o sombrio e nostálgico "Love Will Endure" com esta gaita que respira amplos espaços abertos como bem como o pop caleidoscópico suavemente picante “Where There's Smoke, There's Fire”.

Feito às pressas, este LP é cativante, mas não consegue mascarar um grupo à beira da implosão. Em junho de 1967, o Blues Project, então reduzido à metade, deu seu último concerto no prestigiado festival de Monterey.

Títulos:
1. Introduction / (Electric) Flute Thing
2. I Can’t Keep From Crying
3. Mean Old Southern
4. No Time Like The Right Time
5. Love Will Endure
6. Where There’s Smoke, There’s Fire
7. Wake Me, Shake Me

Músicos:
Andy Kulberg: baixo, flauta
Roy Blumenfeld: bateria
Danny Kalb: guitarra, voz
Al Kooper: órgão, voz
Steve Katz: guitarra, gaita, voz

Produção: Projeto Blues



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