terça-feira, 23 de abril de 2024

FADOS do FADO...letras de fados

 



A Oliveira

Frederico de Brito / Miguel Ramos *fado oliveira*
Desconheço se esta letra foi gravada
Publico-a na esperança de obter informação credivel
Letra transcrita do livro editado pela Academia da Guitarra e do Fado

Sentei-me à sombra fagueira
Duma frondosa oliveira
Posta à beira dum caminho
Nem uma folha tremia
E no silêncio, eu ouvia-a
Murmurar muito baixinho

Foi um moço cavador
Que me pôs com todo o amor 
Neste chão abençoado
E depois de estar criada
Eu dei-lhe o cabo da enxada 
E o timão do seu arado

Quis dar-lhe a trave do lar
Dei-lhe a lenha p’ra queimar 
Dei-lhe o azeite da ceia
Dava-lhe a sombra no estio
E em noite d’inverno frio 
Dava-lhe a luz da candeia

Vi-o velhinho e cansado
Dei-lhe o nodoso cajado 
Mas, fosse lá p’lo que fosse
Farto da vida, buscou-me
Veio a meus braços, mirou-me 
E neste ramo enforcou-se

Olhei a triste oliveira
A dar-me a sombra fagueira 
Nesse dia abrasador
Estava cheiinha de fruto
Como coberta de luto 
P’la morte do cavador

A origem

Tiago Correia / José Mário Branco *fado penélope*
Repertório de Tiago Correia


A história que vos conto aconteceu
No tempo em que o amor nos fala ausente
Diante do meu povo em mim nasceu
A vida que eu sentia em mim presente

Entrou, assim ficou, não maís saiu
Chorou, riu e rezou com a verdade
Segredou-me nessa noite e me pediu
Que andasse sempre ao lado da saudade

Estranhei o seu pedido e perguntei
Porquê escolher-me a mim se era menino
E foi na minha voz que decifrei
Que estava assim marcado o meu destino

Caminho nessa estrada sem ter fim
Andando c’oa verdade lado a lado
Transporto o tempo a vida que há em mim
Na história do meu povo, no meu fado

A origem do fado

Manuel Alegre / José Fontes Rocha e João Braga 
Repertório de João Braga 

A origem do fado não importa 
Ele é a própria origem ou "talvez" 
D. Pedro coroando Inês já morta 
Ou a história escondida atrás da porta 

Onde se aninha o medo português 
Não procures a origem: ele é a origem 
Antes do antes e antes do começo 
Como oiro no avesso da fuligem 

Ou Lisboa e Pessoa e aquele verso 
Onde os sentidos sentem o que fingem 
Não procures na história: ele está fora 
E estando fora ele é o próprio centro 

A hora antes da hora e aquela hora
Onde o dentro está fora e o fora dentro
Do momento que passa e se demora
Não busques noutro lado: ele é aqui

E sendo aqui é sempre o outro lado
O presente e o passado e o nunca achado
País que é e não é dentro de ti
Onde tudo começa e tudo é fado




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