A Oliveira
Frederico de Brito / Miguel Ramos *fado oliveira*
Desconheço se esta letra foi gravada
Publico-a na esperança de obter informação credivel
Letra transcrita do livro editado pela Academia da Guitarra e do FadoDesconheço se esta letra foi gravada
Publico-a na esperança de obter informação credivel
Sentei-me à sombra fagueira
Duma frondosa oliveira
Posta à beira dum caminho
Nem uma folha tremia
E no silêncio, eu ouvia-a
Murmurar muito baixinho
Foi um moço cavador
Que me pôs com todo o amor
Duma frondosa oliveira
Posta à beira dum caminho
Nem uma folha tremia
E no silêncio, eu ouvia-a
Murmurar muito baixinho
Foi um moço cavador
Que me pôs com todo o amor
Neste chão abençoado
E depois de estar criada
Eu dei-lhe o cabo da enxada
E depois de estar criada
Eu dei-lhe o cabo da enxada
E o timão do seu arado
Quis dar-lhe a trave do lar
Dei-lhe a lenha p’ra queimar
Quis dar-lhe a trave do lar
Dei-lhe a lenha p’ra queimar
Dei-lhe o azeite da ceia
Dava-lhe a sombra no estio
E em noite d’inverno frio
Dava-lhe a sombra no estio
E em noite d’inverno frio
Dava-lhe a luz da candeia
Vi-o velhinho e cansado
Dei-lhe o nodoso cajado
Vi-o velhinho e cansado
Dei-lhe o nodoso cajado
Mas, fosse lá p’lo que fosse
Farto da vida, buscou-me
Veio a meus braços, mirou-me
Farto da vida, buscou-me
Veio a meus braços, mirou-me
E neste ramo enforcou-se
Olhei a triste oliveira
A dar-me a sombra fagueira
Olhei a triste oliveira
A dar-me a sombra fagueira
Nesse dia abrasador
Estava cheiinha de fruto
Como coberta de luto
Estava cheiinha de fruto
Como coberta de luto
P’la morte do cavador
A origem
Tiago Correia / José Mário Branco *fado penélope*
Repertório de Tiago Correia
A história que vos conto aconteceu
No tempo em que o amor nos fala ausente
Diante do meu povo em mim nasceu
A vida que eu sentia em mim presente
Entrou, assim ficou, não maís saiu
Chorou, riu e rezou com a verdade
Segredou-me nessa noite e me pediu
Que andasse sempre ao lado da saudade
Estranhei o seu pedido e perguntei
Porquê escolher-me a mim se era menino
E foi na minha voz que decifrei
Que estava assim marcado o meu destino
Caminho nessa estrada sem ter fim
Andando c’oa verdade lado a lado
Transporto o tempo a vida que há em mim
Na história do meu povo, no meu fado
Repertório de Tiago Correia
A história que vos conto aconteceu
No tempo em que o amor nos fala ausente
Diante do meu povo em mim nasceu
A vida que eu sentia em mim presente
Entrou, assim ficou, não maís saiu
Chorou, riu e rezou com a verdade
Segredou-me nessa noite e me pediu
Que andasse sempre ao lado da saudade
Estranhei o seu pedido e perguntei
Porquê escolher-me a mim se era menino
E foi na minha voz que decifrei
Que estava assim marcado o meu destino
Caminho nessa estrada sem ter fim
Andando c’oa verdade lado a lado
Transporto o tempo a vida que há em mim
Na história do meu povo, no meu fado
A origem do fado
Manuel Alegre / José Fontes Rocha e João Braga
Repertório de João Braga
A origem do fado não importa
Ele é a própria origem ou "talvez"
D. Pedro coroando Inês já morta
Ou a história escondida atrás da porta
Onde se aninha o medo português
Não procures a origem: ele é a origem
Antes do antes e antes do começo
Como oiro no avesso da fuligem
Ou Lisboa e Pessoa e aquele verso
Onde os sentidos sentem o que fingem
Não procures na história: ele está fora
E estando fora ele é o próprio centro
A hora antes da hora e aquela hora
Onde o dentro está fora e o fora dentro
Do momento que passa e se demora
Não busques noutro lado: ele é aqui
E sendo aqui é sempre o outro lado
O presente e o passado e o nunca achado
País que é e não é dentro de ti
Onde tudo começa e tudo é fado
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