
O lendário tecladista/vocalista do Moody Blues, Mike Pinder faleceu em 24 de abril. Tendo saído para se juntar ao baterista Graeme Edge e ao flautista/vocalista Ray Thomas, ele tinha 82 anos.
O som Moody Blues é dele (sem esquecer a flauta de Ray Thomas) onde é um dos primeiros a usar o Mellotron. O instrumento polifônico apareceu confidencialmente no início dos anos 60, mas explodiu no final dos anos 60. Antepassado do sintetizador que reproduz sons previamente gravados em fitas magnéticas. Com excelente maestria obtemos sons sinfônicos, pomposos, melancólicos, irreais, espaciais... Enfim, nada de Mellotron, nada de Moody Blues. Nada de Moody Blues, nada de King Crimson, nada de Genesis, nada de Tangerine Dream… nada de Mike Pinder, nada de rock progressivo! Para explicar, e não menos importante, Mike Pinder trabalhou para os irmãos Bradley, diretores da empresa Bradmatic (com sede em Birmingham, cidade do grupo) que projetaram e comercializaram este instrumento.
Mike Pinder nasceu em dezembro de 1941 em Erdington, um subúrbio de Birmingham. Quando jovem, tocou em vários grupos que tiveram algum sucesso regional, onde conheceu o vocalista Ray Thomas e o baixista John Lodge.
Seguindo os passos dos Beatles, os músicos voltaram da Alemanha depois de visitarem alguns clubes. De volta a Birmingham, eles formaram um grupo chamado The Moody Blues.
Depois de alguns singles (incluindo o hit “Go Now”), um álbum lançado em 1965 voltado para o ritmo e blues e algumas mudanças de pessoal, The Moody Blues lançará Days of Future Passed dois anos depois (com a música lenta matadora, “Night In Cetim branco").
Um álbum nas lojas em plena agitação musical. Estamos em 1967 entre o blues rock encarnado pela selvageria dos Rolling Stones e o pop psicodélico simbolizado pelos Beatles de vanguarda. Um magnífico álbum conceitual, o primeiro do gênero que combina Sgt Pepper's dos quatro meninos nos ventos, The Piper at the Gates of Dawn do Pink Floyd, Axis: Bold as Love de Jimi Hendrix… Precursor, destaca-se pela fusão do rock e da música clássica. O quinteto interagindo com uma orquestra filarmônica, falamos então de rock sinfônico. Mais atraente, é este instrumento que fascina, o Mellotron maravilhosamente explorado por Mike Pinder que vai brincar muito com os ambientes e as emoções. Depois disso, King Crimson e Genesis assumiriam a invenção do rock progressivo.
Cinco LPs depois, The Moody Blues se desfez em 1974. Mike Pinder partiu para a Califórnia para tentar carreira solo. Entre 1975/1976 trancou-se no Indigo Ranch Studios em Malibu com uma infinidade de músicos de estúdio, dos quais o mais conhecido foi o saxofonista Bobby Keys (Rolling Stones, John Lennon, Joe Cockers, George Harrison, Eric Clapton, Barbra Streisand, BB Rei…). Dessas sessões, The Promise foi lançado em abril de 1976 com um cover colorido, caleidoscópico e esotérico em nome da Threshold Records (selo criado pelos Moody Blues).
Feito de nove peças num total que mal ultrapassa os 31 minutos, sentimos a influência que Mike Pinder pode ter tido no seu antigo grupo com a nostálgica “I Only Want to Love You” cruzada com camadas de Mellotron, a desencantada “Message” onde Mike Pinder experimenta o sintetizador para obter um resultado estranho, bonito e transcendental auxiliado por uma cítara cósmica. No processo, ele nos leva ao outro extremo do universo com o breve “A Semente”, bom para uma busca espiritual através deste enigmático Shakuhachi (flauta japonesa) e desta harpa perturbadora. Mas acima de tudo está a faixa final, o título homônimo. Com 6 minutos de duração e tocando prog, esta magnífica canção melancólica poderia muito bem ter aparecido em qualquer LP de Moody Blues, apesar da ausência da emblemática flauta de Ray Thomas. Através destes ataques Mellotron algo árabes e sombrios, desta guitarra com refrões sublimes, destes sintetizadores celestiais, desta decoração irreal e misteriosa só podemos lamentar naquele momento que os Moody Blues se separaram.
Mas obviamente a vida californiana inspira o tecladista inglês. Como prova dessa abertura, “Free As a Dove” é um folk country rock que cheira a despreocupação com essas percussões trazendo um toque de exotismo. Bom começo, onde Mike Pinder se torna um cantor sentimental. Sem falar naquelas deliciosas harmonizações de violão. O mesmo acontece com a balada mid-tempo, “You'll Make It Through” com seu clima dramático que flerta com o Southern Rock através desse piano boogie melodioso, dessa seis cordas elétrica que desenvolve glissandos fabulosos e claro desses coros femininos que parecem o sol. E no lado ensolarado e despreocupado encontramos “Carry On” para um bom ritmo e blues rico em melodia e groove. Mais adiante, encontramos a jazzística “Someone to Believe In” para uma balada suingante liderada por uma flauta sonhadora, bem como um trompete e um saxofone encantador. Sem esquecer o clima mariachi do eufórico instrumental “Air” que, é preciso admitir, aqui é incongruente.
Se este disco não for essencial para completar a discografia do Moody Blues, pode ser cativante apenas ouvindo “The Promise” repetidamente.
Mas este ensaio solo parece ser um parêntese. Mike Pinder retornando ao serviço do Moody Blues que fundou o Octave em 1978. No entanto, esta será sua última contribuição para o grupo de Birmingham. Ele tentará retomar sua carreira solo nos anos 90 com sucesso limitado antes de partir um dia em abril de 2024. Olá artista!
Títulos:
1. Free As A Dove
2. You’ll Make It Through
3. I Only Want To Love You
4. Someone To Believe In
5. Carry On
6. Air
7. Message
8. The Seed
9. The Promise
Músicos:
Mike Pinder: Vocais, Teclado, Piano
Fred Beckmeier, Jimmy Johnson: Baixo
Steve Beckmeier: Guitarra
Bill Berg: Bateria
Joel DiBartolo: Contrabaixo
Jim Dillon: Guitarra, Cítara
Bobby Teclas: Saxofone
Steve Madalo: Trompete
Susann McDonald – harpa
Dean Olch : Shakuhachi
Tom Peterson: flauta, saxofone
William D. “Smitty” Smith: órgão
Mike Azevedo: percussão
Jeannie King, Julia Tillman Waters, Maxine Willard Waters: backing vocals
Produzido por: Mike Pinder, Robert Margouleff
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