Uma manifestação contundente do rock progressivo que ressoa fortemente embora careça de certas conotações Proto-Metal, porém este primeiro e único trabalho de Walrus consegue deixar uma pequena marca em nossas vidas graças à sua atuação louvável. É uma obra que se caracteriza pela robustez e grande contundência dos seus arranjos, é um rock que penetra diretamente através dos seus riffs cativantes e daquelas posturas ligadas ao Brass Rock. O álbum tem muito carisma, potencial e dinâmica, é um delírio de ecletismo e é possível perceber certas posições progressivas que nos lembram bandas como: Mogul Trash, Colosseum e até Zappa. Uma obra primorosa que o tempo tem conseguido dar o reconhecimento que merece porque com todas as suas limitações se situa estoicamente dentro da fauna progressista da época e mais do que cumpre o objectivo pretendido, por isso temos nas nossas mãos um álbum que com a sua graça tem ultrapassou o tempo, tornando-se assim mais um daqueles álbuns CULT. Aqui minhas impressões.
Walrus é um álbum que tem muito a oferecer porque a sua “maquinação” é simplesmente elegante, distinta e cheia de pequenos detalhes que fazem da “sessão” uma experiência agradável e divertida; Tomemos como exemplo a suite Rags And Old Iron/BlindMan/Roadside e deixemo-nos levar pelas suas sonoridades marcadas entre progressões, scraps psicadélicos e texturas desgastadas do Jazz, a experiência será bastante reconfortante. O álbum é impregnado de um swing muito intenso, cada peça traz uma explosão colorida e em alguns momentos parece que a banda bebeu de certos “elementos” da cena de Canterbury, entre arranjos florais, mudanças de tempo e posturas de tons psicodélicos . as melhores apresentações progressivas; Infelizmente o álbum não teve sucesso comercial e após inúmeras tentativas de superar a crise financeira - e apesar das brilhantes apresentações ao vivo, em 1972 - a banda se separou. Um segundo álbum nunca viu a luz do dia. Uma pena já que a banda tinha muitas qualidades e a sua rica experiência fez com que evoluíssem para algo maior, sinto que perdemos uma obra-prima, no entanto nada está perdido, Walrus deixa-nos uma obra de CULT, um pastiche sonoro que soa a um jazz -rock com arranjos de sopro cuidadosos e improvisações muito boas . Uma obra que merece uma chance porque dentro de sua “fórmula” já ouvida antes ela brilha com uma intensidade vibrante. Até nos vermos novamente.
Minifatos:
*Walrus foi uma banda inglesa fundada em 1969, em Londres, pelo baixista Steve Hawthorne.
*Diz a lenda que a banda estava em turnê fora de Londres, quando foram avistados por pessoas do selo "Decca". Propuseram gravar um álbum, então nesse mesmo ano (1969) entraram em estúdio de gravação. Em dezembro daquele ano já tinham o material pronto, mas por problemas técnicos não conseguiram lançá-lo naquele mesmo ano, tiveram que esperar um ano depois. O álbum contou com liderança criativa do baixista Steve Hawthorn e produção de David Hitchcock.
01. Who Can I Trust?
02. Rags and Old Iron/Blind Man/Roadside
03. Why?
04. Turning/Woman/Turning
05. Sunshine Needs Me
06. Coloured Rain/Mother's Dead Face in Memoriam/Coloured Rain (Reprise)
07. Tomorrow Never Comes
08. Never Let My Body Touch the Ground

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