terça-feira, 29 de outubro de 2024

Gilberto Gil - Luar (A Gente Precisa Ver O Luar) 1981

 

Após os anos difíceis dominados pela convulsão social no Brasil, em que era exigido que todo artista explicitasse suas visões políticas, o fim da ditadura trouxe uma sensação inebriante e descompromissada de liberdade que foi traduzida em música por  "Odara" de Caetano Veloso (onde tudo o que o compositor queria fazer era dançar) para o horror dos ativistas políticos. Esta é a  versão de Gilberto Gil  daqueles dias. Um de seus álbuns mais dançantes, a maioria das músicas deixa claro que nenhuma outra consideração é levada em conta, apenas entretenimento de sábado à noite. Canções como "Luar", "Palco", "Sonho Molhado" (cuja maior virtude é o uso da sanfona e outros toques nordestinos), "Lente do Amor" (com uma sutil referência à liberdade sexual, que também coincide com a tanga de Fernando Gabeira, mais ou menos do mesmo período), "Morena", "Cara Cara" (um frevo de  Caetano Veloso  interpretado como música de dança), a bela "Cores Vivas" e "Axé Babá" (com sua pesada percussão afro-baiana) têm em comum o desejo pelo prazer e a fuga de questões mais profundas. As duas últimas canções quebram essa uniformidade, no entanto: "Flora" é uma bossa delicada com uma bela melodia no  estilo de Gil , na qual uma sequência melódica é transposta de forma ascendente, e "Se Eu Quiser Falar com Deus", uma canção lenta profundamente sentida onde  Gil  dialoga com sua própria relação com a religião. O álbum teve vários sucessos ("Palco", "Lente do Amor" -- que foi incluído em uma série de TV -- "Axé Babá" e "Se Eu Quiser Falar com Deus"), representando um documento de um período, e tendo pelo menos duas músicas melodicamente/liricamente altamente expressivas.




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