terça-feira, 10 de dezembro de 2024

POEMAS CANTADOS DE CAETANO VELOSO

Noite de Cristal

Caetano Veloso

Noite centelha de noite

Noite luzidia

Nua na telha de vidro

Lua mãe Maria


Noite multiplica o brilho

Voz de agudo som

Chuva de arroz, trigo e milho

Noite de ano bom


Noite prisma

Momento total

O mundo cisma

Mas eu miro o teu cristal


E vejo e peço

Dias de outras cores

Alegrias para mim

Pro meu amor

E meus amores


Dias de outras cores

Alegrias para mim

Pra o meu amor

E meus amores

 


Noite de Hotel

Caetano Veloso

Noite de hotel

A antena parabólica só capta videoclips

Diluição em água poluída

(E a poluição é química e não orgânica)

Do sangue do poeta

Cantilena diabólica, mímica pateta


Noite de hotel

E a presença satânica é a de um diabo morto

Em que não reconheço o anjo torto de Carlos

Nem o outro

Só fúria e alegria

Pra quem titia Jagger pedia simpatia


Noite de hotel

Ódio a Graham Bell e à telefonia

(Chamada transatlântica)

Não sei o que dizer

A essa mulher potente e iluminada

Que sabe me explicar perfeitamente

E não me entende

E não me entende nada


Noite de hotel

Estou a zero, sempre o grande otário

E nunca o ato mero de compor uma canção

Pra mim foi tão desesperadamente necessário



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