Noite de Cristal
Caetano Veloso
Noite centelha de noite
Noite luzidia
Nua na telha de vidro
Lua mãe Maria
Noite multiplica o brilho
Voz de agudo som
Chuva de arroz, trigo e milho
Noite de ano bom
Noite prisma
Momento total
O mundo cisma
Mas eu miro o teu cristal
E vejo e peço
Dias de outras cores
Alegrias para mim
Pro meu amor
E meus amores
Dias de outras cores
Alegrias para mim
Pra o meu amor
E meus amores
Noite de Hotel
Caetano Veloso
Noite de hotel
A antena parabólica só capta videoclips
Diluição em água poluída
(E a poluição é química e não orgânica)
Do sangue do poeta
Cantilena diabólica, mímica pateta
Noite de hotel
E a presença satânica é a de um diabo morto
Em que não reconheço o anjo torto de Carlos
Nem o outro
Só fúria e alegria
Pra quem titia Jagger pedia simpatia
Noite de hotel
Ódio a Graham Bell e à telefonia
(Chamada transatlântica)
Não sei o que dizer
A essa mulher potente e iluminada
Que sabe me explicar perfeitamente
E não me entende
E não me entende nada
Noite de hotel
Estou a zero, sempre o grande otário
E nunca o ato mero de compor uma canção
Pra mim foi tão desesperadamente necessário
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