sexta-feira, 16 de maio de 2025

La Barra de Chocolate - Idem + Bonus (1969-1970)

 



La Barra de Chocolate foi um lendário grupo de Beat-Rock do nosso país, que teve uma vida muito curta. Durou apenas um ano, entre 1969 e 1970. Seu líder e cantor foi o lendário "Pajarito" Zaguri, ex-Beatniks e ex-Los Naufragos. A formação ficou completa com mais um grande nome: o guitarrista Nacho Smilari, Miguel Monti no baixo, Jorge "Yoryo" Mercury no órgão e Quique Sapia na bateria.
Esta é uma edição do selo independente Munster Records, publicada em 2011. Contém o único LP gravado pelo grupo, além de oito faixas bônus de diferentes álbuns de singles do grupo e de Pajarito como solista.
 
"La Cueva já era uma lembrança quando Pajarito propôs a Smilari formar uma banda. O músico tinha um grupo com o qual acompanhava cantores como Vico Berti ou Freddy Tadeo. O primeiro convidado foi o baixista dessa banda: Miguel Monti. Seu apelido era "Fender", já que havia sido o primeiro dos "homens das cavernas" a ter um baixo dessa marca. O grupo se completava com o tecladista Jorge Mercury e o baterista Enrique Sapia, que havia feito parte de Los Comanches. O artista plástico Martín "Poni" Micharvegas foi quem deu o nome ao grupo: La Barra de Chocolate, em alusão ao bar de haxixe. Em meados de 1969, o primeiro single foi lançado. O lado A incluía "Hippies y todo el circo", uma história frenética de Zaguri sobre as reações que ele despertava ao caminhar pela rua. Seu autor a definiu, para este escritor, como "o primeiro rap do rock argentino". O lado B apresentava "Qué es la forma?”, uma balada pacifista com reminiscências de guitarra do The Byrds.
Em setembro de 1969, o Primeiro Festival Nacional de Música Beat foi realizado no Teatro El Nacional. O concurso declarou vencedora uma música inédita de La Barra de Chocolate. “Alza la voz” era um grito de rebelião que refletia o espírito revolucionário da época. “Certa vez, um garoto me disse: 'Essa música me fez virar comunista'”, comentou Pajarito naquela reportagem de 2003. “Eu a escrevi em cinco minutos.” A apresentação contou com um solo pungente de Smilari e arranjos de sopro precisos de sua autoria. "Cantarolei-os para Francisco "Bubby" Lavecchia, que os tocou ao piano e depois os registrou em uma partitura", revela o guitarrista. A composição, lançada como single, vendeu mais de 50.000 cópias. O ano culminou com uma apresentação consagrada no Festival Pinap, na categoria Beat & Pop Music '69. Ambos os sucessos abriram caminho para a criação de um álbum. Antes do lançamento, surgiram mais duas peças: a sonhadora "Vivir en las nubes" (Viver nas Nuvens) e a, por vezes hilariante, "El Malecón" (O Malecón).
O LP do quinteto chegou às lojas de discos em abril de 1970. Os acordes introdutórios de Farfisa, de Mercury, definiram o andamento médio de "If This Girl Knew". "Às vezes tocávamos no Áfrika, um clube no Barrio Norte. Lá, Pajarito conheceu uma garota que era filha de um soldado", lembra Nacho. A peça retratou esse vínculo, prejudicado pelas diferenças de classe. “Ela era como 'A Loira Burra' do Sumo, mas com mais respeito”, descreveu Zaguri. A introdução sequencial de baixo, órgão, guitarra e bateria marcou o pulso do “Buenos Aires Beat”. Um retrato quase tango de uma cidade prestes a acordar. “Projects of a Captive Thief” emoldurou, numa atmosfera psicodélica, um texto escrito pela cantora durante um período na sombra. Depois de “Raise your voice”, veio “Você sabe o que é fé?” Uma canção de rhythm and blues que nasceu durante as sessões de gravação, tendo a cidade grande como cenário e referências a outras músicas da banda. O lado um fechou com “Outro lugar, que poderia ser”, onde o compositor propôs uma fuga para outro lugar, seja físico ou mental. A música continha arranjos de Smilari feitos com um pedal wah wah.
O lado dois começou com “Ella, la doncella”, uma balada inspirada em “Juan, el noble caballero” de Moris. A peça, com arranjos de sopros e cordas em sintonia com "She's a Rainbow", dos Rolling Stones, descreve uma mulher esperando por seu amado. Seguiu-se “El vagante”, um retrato comovente de Tanguito. O baixo sólido de Monti, o órgão de Mercury com referências ao som do The Doors e as intervenções de Nacho, através de um pedal fuzz, se uniram para criar uma joia pop. Em “Beatnick Waltz”, ele criticou uma sociedade que colocava o progresso material antes do amor. A música contou com mais uma participação certeira do tecladista. “The Giant” mostrou a banda em estado de graça. As contribuições do violão de doze cordas de Smilari, a presença decisiva de Mercury e a base de Monti e Sapia forneceram a estrutura para uma ótima performance de Zaguri, que mirou nos arrogantes e egoístas. O final veio com “Você viu?” uma jam pirotécnica de quase oito minutos que surgiu no estúdio. Nela, o cantor rejeitou veementemente tudo que o impedia de viver em liberdade.
A fotografia da capa do álbum mostrava o quinteto posando na entrada de um bar que, segundo Zaguri, ficava no cruzamento das ruas Paraguai e Reconquista. Na contracapa, um texto do vocalista afirmava que as músicas foram compostas sonhando “com uma expressão beat nitidamente argentina no conteúdo de suas letras”. As músicas foram gravadas no estúdio Audion, localizado na Ayacucho 614, com um console de quatro canais. O autor das peças foi Pajarito, mas elas adquiriram sua forma final graças a Smilari. "Ele me mostrou as melodias, com os acordes básicos, num violão crioulo. Depois, embrulhei tudo em celofane e dei um laço", explica Nacho. O processo de registro foi árduo. “Chegamos às cenas finais depois de várias tentativas, porque Monti e Sapia estavam ficando sem tempo”, diz ele. "Os técnicos não entendiam a nossa estética. Então, quando a agulha do gravador ficou vermelha, eles pararam de gravar", conta ele, ainda espantado.
O grupo apareceu na televisão e teve uma agenda lotada de shows na Capital Federal, Grande Buenos Aires e interior do país. "Ganhámos muito dinheiro. Tínhamos até um fã-clube!" Nacho exclama. A dupla chegou até as telonas em Con alma y vida, filme dirigido por David José Kohon. Em setembro de 1970, um novo single apareceu. O lado A apresentava “Vozes na Rua”, que descrevia uma “Rainha do Prata” um tanto hostil. O lado B apresentou “Doña Lucía”, um rock and roll soberbo com um Zaguri ardente e um Smilari brilhante. Naquela época, o quinteto estava sofrendo uma profunda separação devido a diferenças musicais. Após retornar de uma viagem aos Estados Unidos, o guitarrista deixou o grupo. Seu lugar foi ocupado por Juan “Gamba” Gentilini, ex-integrante do Conexión Número 5. Sem seu arquiteto de som, os dias de La Barra de Chocolate estavam contados. Em dezembro daquele ano, a Pajarito anunciou sua dissolução. 
Gabriel Cócaro (pagina12.com.ar)
 
 


Integrantes:

Pajarito Zaguri: Voz
Ignacio Smilari:
Guitarra Jorge Mercury:
Teclado Miguel Monti: Baixo
Quique Sapia: Bateria


Temas:

01- Si Supiera Esta Niña
02- Buenos Aires Beat
03- Proyectos De Un Ladron Prisionero
04- Alza La Voz
05- Usted Sabe Lo Que Es Fe?
06- Otro Lugar, Cual Puede Ser
07- Ella, La Doncella
08- El Divagante
09- Beatnick Waltz
10- El Gigante
11- Viste?
 
Bonus Tracks (La Barra):

12- El Malecón (Simple 1970)
13- Doña Lucia (Simple 1970)
 
Pajarito Solista:

14- Un Diablito En El Cielo (Simple-1969)
15- Navidad Espacial (Simple-1969)
16- El Pampero Libertad (Simple-1973)
17- Copado Y Colocado (Simple-1973)
18- Presidente Del País (Simple-1971)
19- Hombre Sin Nombre (Simple-1971)
 
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pass: naveargenta.blogspot





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