domingo, 15 de junho de 2025

Deep Purple – Nobody’s Perfect [1988]

 



Esse não é o melhor disco ao vivo do Purple (Made in Japan é).

Essa não é a melhor coletânea do Purple (Anthology é).

Mas esse é um registro histórico, digno de nota na trajetória de uma das melhores bandas da história do rock.

Mesmo com um hit (Perfect Strangers) e um quase hit (Knocking at your back door), o Deep Purple estava fora de moda nos anos 80. Nada mais era novidade e o cenário musical estava pautado em uma evolução natural do som dos anos 70.

O shred e o hair metal dominavam em uma ponta, enquanto, na outra, amargavam os dinossauros. O tão aguardado retorno da excelente MKII serviu para deleitar os fãs ardorosos, sem, contudo, atrair uma gama considerável de novos adeptos.

Mesmo sendo uma pedrada na cara, a Zeppeliniana Perfect Strangers (a comparação acaba sendo inevitável, principalmente com o riff de Kashmir) não vinha acompanhada de grandes canções, como a banda fizera em In Rock e Machine Head. O play era bom, mas tinha aspecto de disco feito sobre um único hit. Sabemos que não é isso, mas as vendas foram muito aquém do esperado para o grande retorno.




Depois veio The House of Blue Light e a coisa desandou. Flertando descaradamente com o pop dos anos 80, o som nem de longe lembrava a grandiloquência dos áureos tempos. The call of the wild tem um clip que, se cortarmos o áudio, lembra Duran Duran. Os velhos desentendimentos internos estavam mais latentes do que nunca e o fim do tão aguardado retorno mostrava-se próximo. Foi nesse clima que resolveram gravar o disco ao vivo que posto hoje.

Entupido de overdubs de estúdio, sequer é citado como disco oficial pelo site da banda. Sequer aparece por lá. Mas é um grande disco. Gravado em 6 de setembro (Verona, Itália), 22 de agosto (Oslo, Noruega), 23 de maio (Irvine Meadows), 30 de maio de 1987 (Phoenix, Arizona) e 26 de fevereiro de 1988 (Hook End Manor, Inglaterra), é parte da turnê do então novo disco.

De olho na fatia perdida do mercado fonográfico, é nesse disco que está a versão de estúdio de Hush com Ian Gillan nos vocais. Billy Joe Royal compôs esse clássico que foi primeiramente gravado no disco de estreia do Purple, de 68, com Rod Evans nos vocais.





Depois disso, o Purple foi bastante inconstante, trocando diversas vezes seu staff, mas sempre mantendo a qualidade dos músicos. Joe Lynn Turner assumiu os vocais, Gillan voltou, Blackmore deu lugar a Morse e Jon Lord saltou fora.

Posso dizer, do alto da minha condição de fã da banda, que este disco mostra o fim de uma era. Do auge das grandes performances da clássica MKII, com Ian Gillan ainda destruindo nos vocais e Blackmore tendo hard rock circulando em suas veias. O trio Paice, Glover e Lord nunca perdeu o pique, por isso qualquer registro deles não é menos que espetacular.

Se você já tem, beleza. Se não tem, vai a dica.

Track List

1. "Highway Star" - 6:10
2. "Strange Kind of Woman" - 7:34
3. "Perfect Strangers" - 6:25
4. "Hard Lovin' Woman" - 5:03
5. "Knocking at Your Back Door" - 11:26
6. "Child in Time" - 10:35
7. "Lazy" - 5:10
8. "Black Night" - 6:06
9. "Woman from Tokyo" - 4:00
10. "Smoke on the Water" - 7:46
11. "Hush" - 3:30





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