Climbing!, a estreia da banda de hard rock Mountain é uma fatia épica de fúria de explosão de guitarra e batidas de metal dinossaurianas dos anos 70, cortesia do prodígio da guitarra homem-montanha Leslie West. Climbing! tem a música (Mississippi Queen) que tornou Mountain famosa, é uma explosão pura de acordes poderosos e mordazes e foi uma das músicas mais pesadas do planeta na época de seu lançamento. Assim como Climbing!, foi um dos álbuns mais pesados já feitos naquela época. Sua importância para o Heavy Metal e o Hard Rock realmente não pode ser superestimada. E o álbum certamente cimentou o lugar de Leslie West no panteão dos deuses da guitarra. Há muitos outros destaques em Climbing!, no entanto. Como o expansivo épico Theme for an Imaginary Western. A pausa estrondosa Never In My Life. O cintilante e adorável Silver Paper. E o tributo proto-metal a Woodstock For Yasgur's Farm.
Mountain: O rugido da América em vinil: puro e sem filtros.
À Mountain, por nos ensinar que as alturas também podem rugir lá de baixo. Por aquele som de botas sujas escalando o céu elétrico do rock americano. Porque antes do metal aprender a rugir, vocês já gritavam.
Nem todas as noites têm cheiro de eletricidade antiga. Algumas simplesmente te acordam.
Foi recentemente, durante uma daquelas sessões em que o tempo se evapora em meio à luz quente do pôr do sol, que decidi colocar Climbing! de volta no toca-discos. Peguei-o como quem abre uma garrafa de vinho que espera seu momento há décadas. Limpei-o com um gesto lento, quase ritualístico. Não me lembrava bem do que estava prestes a encontrar, mas assim que o disco começou a girar e o equipamento disparou furiosamente, com um murmúrio antigo, soube que havia retornado a um lugar familiar, embora não totalmente explorado.
Montanha. O nome já carrega peso. Montanha. Elevação. Rugido. Mas o que eu encontrei foi mais do que apenas volume: foi direção. O álbum de estreia desta banda, lançado no final dos anos 1960, é um trabalho de força concentrada. Suas músicas não têm apenas força: elas têm intenção. Há um molde do Cream, sim, ninguém nega isso. Mas há também uma tentativa consciente de romper com ele, de chutar o molde e moldar algo mais americano, mais terreno, mais disposto a sujar as mãos nas minas do hard rock. E não digo isso apenas por causa da energia, mas por causa da cor de suas guitarras. Há um sopro de Cream, é claro, como uma rajada passageira, mas eles não param por aí. Climbing! abre caminho através de riffs cortantes, linhas vocais que acariciam e mordem ao mesmo tempo, e uma produção que cheira a válvulas fervendo. O álbum é compacto, sólido, e sua voz não treme. Eles sabem o que querem dizer. Embora — e aqui a honestidade prevalece — haja momentos em que o açúcar transborda um pouco. Há trechos doces que são um pouco enjoativos, admito. Músicas que, embora não mal construídas, me desviam um pouco da jornada. Mas isso não diminui seu mérito. São apenas solavancos em uma estrada de pedras fundamentais. Porque Climbing! não é apenas uma estreia. É uma espécie de elo evolutivo.
Uma obra proto-metal, por assim dizer, um marco onde o hard rock e o que mais tarde se tornaria o heavy metal se encontram de passagem. E eles não se limitam a teorias: executam-nas com maestria, com equilíbrio, com aquela atitude de "vamos fazer soar bem" que tão raramente aparece num álbum de estreia.
![]() |
| Contracapa onde podemos ver Leslie West e Felix Pappalardi |
Retornar a este álbum foi como revisitar uma velha conversa. Daquelas que você não entendia direito na época, mas que, com o passar dos anos, faz sentido. Ele restaurou minha fé em certas guitarras, me lembrou por que colecionar discos é mais do que um hobby. Climbing! não escala apenas: ele te agarra pela lapela e não te solta. A voz, por sua vez, se mistura perfeitamente ao som geral. Ela se mistura perfeitamente — como dizem os técnicos de antigamente — e cria aquela harmonia de garagem bem afinada que é tão apreciada. É um álbum que merece ser revivido, não apenas por seu valor histórico, mas por quão bom ainda soa. Outra joia que emergiu do exílio para reinar suprema nos decks de discos por um tempo. Até mais.
01.Mississippi Queen
02.Theme from an imaginary western
03.Never in my life
04.Silver Paper
05.For Yasgur's farm
06.To my friend
07.The Laird
08.Sittin' on a rainbow
09.Boys in the band


Sem comentários:
Enviar um comentário