domingo, 15 de junho de 2025

Traffic Sound - Same (Tibet's Suzettes)

 




Em termos de estilo e técnica, o Traffic Sound poderia facilmente ter se destacado em Londres em 1970, um feito e tanto para uma banda peruana. No entanto, a composição não é das melhores, e a engenharia e a qualidade sonora, essenciais para tocar esse tipo de rock improvisado e dominado por instrumentos, não são lá essas coisas, então só três estrelas.

Estou prestes a ter uma verdadeira surpresa com o Traffic Sound enquanto escrevo estas palavras. Estou ouvindo Yesterday's Game, excelente... Vale a pena ouvir o trabalho deles. Ouvi muito pouco rock latino daquela época. Como mexicano, acompanho Ritual, Los Dugs e Bandido, mas me apaixonei pelo Traffic Sound. É sempre um prazer descobrir mais músicas da era de ouro dos anos 60 e 70...

Duvido que tenha sido uma coincidência, mas sim uma consequência, eu diria…
Solimão

É muito legal!!!!!!!

Fusões de um Sonho: A Rota Mística do Som do Tráfego

Em meio à efervescência dos anos 60, quando o mundo estava em turbulência com flores, tumultos, expansão mental e wah-wah com esteroides, algo especial estava germinando em Lima, Peru. Uma cidade até então um tanto afastada do epicentro da contracultura anglo-saxônica começou a ouvir um tipo diferente de trovão: guitarras elétricas com sabor latino, percussão com raízes afro-andinas, travelling fuzz e letras que, mais do que canções, eram cartões-postais lisérgicos de uma juventude ávida por novas formas de expressão. Dessa explosão nasceu o Traffic Sound , uma banda formada por jovens de classe média de Lima, a maioria deles graduados da exclusiva escola britânica Markham. Eles começaram tocando covers de The Doors, Cream e Iron Butterfly, mas logo se lançaram no abismo de sua própria criação.

O álbum de estreia da banda, comumente conhecido como Traffic Sound (embora sua versão original se chamasse "Traffic Sound / Tibet's Suzettes" ), foi lançado em 1968 pelo lendário selo MAG. Este primeiro LP foi lançado originalmente apenas no Peru e, apesar de sua circulação limitada, acabou se tornando um dos discos mais cobiçados entre os colecionadores do mundo psicodélico underground. Sua estrutura híbrida — parte tributo, parte manifesto — combinava versões altamente pessoais de clássicos do garage e do soul com composições próprias que já começavam a mostrar a coragem e a identidade que mais tarde definiriam a banda.

Este álbum é um limiar: a transição da imitação para a invenção. Das sombras de ícones britânicos e americanos para uma identidade psicodélica peruana com um toque muito local e um groove muito universal.

Impressão pessoal: Folk, Fuzz e um pouco de Flauta

Há álbuns que chegam com um estrondo, com a batida da lenda, com os adereços do cânone. E há outros que chegam como memórias verdadeiras: em voz baixa, com o aroma de um quarto trancado, com a textura empoeirada da autodescoberta. Tibet's Suzettes, do Traffic Sound , caiu sobre mim assim, como um segredo que alguém deixou esquecido numa prateleira do tempo.

Lembro-me de quando o ouvi pela primeira vez, sem grandes expectativas, simplesmente me deixando levar pelo nome enigmático e pela capa austera, sem perceber que estava prestes a mergulhar em um álbum que, apesar de suas limitações, se abria como uma flor rara no meio do deserto. Naquele dia, a tarde estava daquelas quentes e sem graça. Mas foram necessários alguns compassos de "Chicama Way" para que algo se agitasse dentro de mim. Era como se as guitarras, com aquele timbre contido, mas curioso, buscassem algo além do rock. Era um espírito errante falando, um espírito que não se contentava em repetir fórmulas: queria encontrar sua linguagem, mesmo que eu ainda não soubesse bem como conjugá-la. E lá estava eu, ouvindo alguns jovens de Lima tentando se infiltrar na grande conversa do rock global. Eles o fizeram timidamente, sim, mas também com uma coragem estranha, como alguém que sabe que pode não ser aclamado por todos, mas ainda tem algo a dizer. O álbum não é perfeito, nem precisa ser. Há algo na modéstia deles que sempre me comoveu: aquele desejo de ascender, de abraçar o prog britânico enquanto se apega ao ritmo desta parte do mundo. É como se em "Yesterday's Game" ou nas passagens mais ácidas do álbum, pudéssemos ouvir a banda perscrutando o abismo do possível.

Sim, os ecos de Jethro Tull são sentidos, e há uma certa falta de jeito em algumas das composições. Mas isso faz parte do charme. É como ver alguém dançar com passos emprestados, e ainda assim encontrar nessa falta de jeito uma beleza sincera, sem pose. Uma verdadeira busca. As Suzettes do Tibete não mudaram a história do rock, mas foi uma semente. E hoje, com ouvidos mais sábios e uma alma mais cansada de tanto barulho, eu o ouço como se ouve cartas antigas: com carinho, com nostalgia, com gratidão. Porque não há nada mais bonito do que uma tentativa genuína. E o Traffic Sound , neste álbum, tentou com todo o coração. Até mais. 

01. Suzettes do Tibete
02. Aqueles Dias Acabaram
03. O Jogo de Ontem
04. América
05. O Que Você Precisa e o Que Você Quer
06. Chicama Way
07. Você Tem que Pagar
08. Tem que Ter Certeza
09. Vazio

CÓDIGO: @

MUSICA&SOM ☝





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