Mama Kalunga é o quinto álbum de Virgínia Rodrigues , uma narrativa mitológica e terrena sobre a presença negra no Brasil e no mundo, que lhe rendeu o prêmio de "Melhor Cantora de MPB" no 27º Prêmio da Música Brasileira.
Tiganá Santana , produtor do álbum ao lado de Sebastian Notini, escreve no texto de apresentação do disco: "sujo de barro e espírito" . É a síntese do álbum, lançado sete anos após o anterior Recomeço (2009). Em seus 56 minutos, da primeira à última faixa, apresenta-se como uma narrativa mitológica e terrena, filosófica e afetiva, dos caminhos negros na Terra e seu rastro de lama e espírito.
Sua abertura a cappella o anuncia. Em "Ao senhor do fogo azul" (Gilson Nascimento), endereçada a Nkosi/Ogum (a entidade guerreira e forjadora a quem dedica o álbum), Virgínia evoca a "Essência de Tudo" com "Para o mundo ser/Para eu ser no mundo" . Um tom ritualístico que continua na segunda faixa, "Mama Kalunga" (Tiganá Santana), desta vez uma prece à "mãe d'água", a quem ela se apresenta dizendo: "Eis-me aqui/Serei a voz que nunca sai" . A sonoridade é camerística, com atabaque, violoncelos e viola-tambor (instrumento modificado por Tiganá) que condensa essa proposta do álbum, afinada em diferentes níveis com os violões de Dorival Caymmi e João Gilberto.
Após pedir permissão ao Senhor do Fogo e à Senhora das Águas, Virgínia aprofunda seu ritual (no barro e no espírito), distanciando-o do ritualismo, afastando-se da referência direta aos orixás e ingressando na leitura do cosmos proposta por Paulinho da Viola em "Nos horizontes do mundo", que vincula os movimentos do universo ao pensamento solitário de cada um de "superar a solidão". Mais uma vez, violão e violoncelo (com inserção de "Choro negro", também de Paulinho) tratam a negritude com delicadeza.
Assim como o afoxé "Luandê", "Vá cuidar de sua vida" (de Geraldo Filme, significativamente regravada por Itamar Assumpção) aborda outro tema transversal do disco em seus arranjos e letras: a dicotomia preto/branco. Tratada aqui com humor seco e samba de roda, ela se traduz em imagens como a do negro indo à missa enquanto o branco vai à macumba, um retrato leve e incisivo de uma dinâmica cultural profunda, forjada, mais uma vez, no barro e no espírito, na voz especial de Virgínia.
tracks list:
01. Ao senhor do fogo azul
02. Mama Kalunga
03. Nos horizontes do mundo
04. Vá cuidar de sua vida
05. Babalaô/amor de escravo
06. Mukongo
07. Teus olhos em mim
08. Cântico tradicional afrocubano/Belén Cochambre (feat. Susana Baca)
09. Mon´ami
10. Luandê
11. Yaya zumba (feat. Ruth de Souza)
12. Sou eu (feat. Tiganá Santana)
13. Dembwa (10 de agosto)
01. Ao senhor do fogo azul
02. Mama Kalunga
03. Nos horizontes do mundo
04. Vá cuidar de sua vida
05. Babalaô/amor de escravo
06. Mukongo
07. Teus olhos em mim
08. Cântico tradicional afrocubano/Belén Cochambre (feat. Susana Baca)
09. Mon´ami
10. Luandê
11. Yaya zumba (feat. Ruth de Souza)
12. Sou eu (feat. Tiganá Santana)
13. Dembwa (10 de agosto)


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