
Artista: Alexl
Álbum: Triz
Ano: 2004
Gênero: Eclético progressivo
Duração: 60:00
Nacionalidade: Brasil
Cuidado, não vou apresentar o Axel, por favor, leiam com atenção!!!
"Triz" impressiona pelos seus arranjos elaborados e extremamente sutis, doses generosas de instrumentação com tendências puramente ecléticas, oscilando entre rock progressivo com grandes doses de música sinfônica, música de câmara, RIO, jazz-rock e um certo toque folk brasileiro, tudo num único álbum.
Mas atenção, as músicas e peças instrumentais são frequentemente densas, intensas, complexas, hostis e sutis, mas têm aquele toque local especial, cheio de energia, frescor e sol, que as distingue e eleva a sua fusão já rica e original.
Este é mais um álbum brasileiro, mas é um álbum muito original, muito eclético, muito especial... eles são como o Gigante Gentil brasileiro , com muitos instrumentos e músicos acompanhantes. Mas o peixe se come em partes, como diz o ditado, então vamos começar do começo, e apresentar este projeto e o chefe que o dirige:
Este é o álbum de estreia do Alexl , um projeto do brasileiro Alexandre Loureiro , que toca baixo, bandolim, bateria eletrônica, E-Bow, flauta doce, lira, violão, percussão, sequências, teclados, guitarras, canto e um espanador (este último ele não usa para fazer música, esclareço), que para esta produção é acompanhado por uma infinidade de músicos.
Alexandre Loureiro levou oito anos para produzir este CD, pensando em todos os detalhes necessários para fazer o álbum que ele queria ouvir. Ele se interessa apaixonadamente por música desde pequeno. Começou a ter aulas aos 13 anos, mas sua relação com a música começou muito antes disso. No início de 1982, ele começou a estudar na Escola de Música Villa-Lobos.
Vamos colocar em ordem cronológica: os primeiros rascunhos de "Triz" surgiram por volta de 1987. O processo de gravação do álbum foi extenso, com a participação de muitos músicos, muitos convidados e até contratados (incluindo xilofones, violinos, harpas e violoncelos). "Triz" é um álbum conceitual; o tema do "tempo" aparece em muitas formas; o álbum tem 12 faixas (uma para cada hora) e deve durar exatamente uma hora.
Longas introduções pontuam as composições, que embelezam as harmonias. Um álbum aperfeiçoado em cada detalhe, este álbum se destaca pela diversidade e pela qualidade de sua execução. Alternadamente, as faixas mudam de humor, cores e ritmos antes de retornar ao seu Brasil natal (já que abrange até mesmo a música popular brasileira), revelando um álbum rico, fresco, imaginativo e carinhosamente construído. Gostei do álbum como um todo, tanto quanto gostei de cada faixa individualmente, pois todas são verdadeiras obras de arte.
Então, o resultado é um álbum diferente. Você pode gostar ou não, mas não dá para negar que é diferente de todos os ângulos...
Alexl é o nome artístico adotado por Alexandre Loureiro, multi-instrumentista, ex-integrante das bandas Raika e Turangalîla, compositor de música para teatro, vídeo, cinema e dança, formado em Composição pela Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.João
É assim que Alex se apresenta em seu site, um músico que combinou com perfeição o que há de mais clássico, sinfônico, camerístico e folclórico brasileiro, criando uma obra complexa e densa em suas estruturas musicais, mas também rica em elementos identitários, como o folk. ... o único inconveniente do álbum é o uso de bateria programada.
Após uma introdução instrumental ao crago de piano de cauda e sintetizadores, como é a faixa que abre o álbum (1) "Todo o tempo do mundo". dá lugar a um tema de sabor Yes"esiano como (2) "Trancado por dentro", outros Genesis"anos como (3) "Limites", (9) "Relatividade" e o instrumental (4) "Por enquanto"... mas a grande influência de Alex é GENTLE GIANT e isso é bem evidente em (5) "Circulos" (8) "Nos" e (11) "A prece" onde se ouvem aqueles jogos polifónicos de vozes, os contrapontos e os ritmos sincopados tão característicos do GG.
Depois temos temas mais ecléticos onde as referências aos clássicos são mais difusas e a aproximação ao jazz rock ou à música de câmara ou a outros estilos é mais evidente, desta forma podemos ouvir (6) "Vozes...vozes..." embora a passagem instrumental seja claramente sinfônica, (7) "Porem.. quanto? é o tema instrumental e mais elétrico e energético do álbum. (10) "Passatempo" um tema calmo, acústico e nostálgico com muito sabor brasileiro.
Em suma, gostei bastante deste trabalho do AlexL, música complexa, densa em alguns momentos, muito rica instrumentalmente que certamente fará as delícias dos fãs de rock sinfônico clássico, Yes, Genesis e Gentle Giant.
Vamos agora passar para alguns comentários de terceiros...
Este álbum é uma joia da música progressiva, com sua conotação antiga, é claro. E antigo entre aspas, já que ainda é relevante hoje, tanto que este álbum é de 2004; tanto que tendências progressivas (diluídas entre tantas outras influências) continuam a produzir música. Mas, ei, isso não importa; o que importa é este álbum. Eu o definiria em três palavras: "Progressivo sinfônico eclético". Este, eu acho, está no seu melhor. Suas influências diretas são: Yes, Gentle Giant (nos ritmos sincopados), PFM, Frank Zappa e um pouco de folk brasileiro; e muito pouco Genesis. Para mim, o melhor álbum progressivo do país amazônico e orgulhosa terra da ayahuasca.Transporte Musical
Um projeto maravilhoso de Alexandre LOUREIRO, que confessa que antes de se tornar músico ou compositor sempre foi curioso. Ele diz que sua sede por conhecimento e intensa necessidade de comunicação sempre o levaram a criar e experimentar novos caminhos, e que, apesar disso, muito mais do que ser um artista de vanguarda, ele se vê como uma ponte entre a diversidade cultural que permeia nosso planeta.http://www.manticornio.com/
Em 1980, quando Alexandre tinha 13 anos, iniciou aulas de violão e compôs seu primeiro solo para esse instrumento. Em 1982, enquanto cursava técnico em eletrônica, começou a se aprofundar em teoria musical na Escola de Música Villa-Lobos, enquanto ouvia programas de rock clássico dos anos 1970 no rádio expandia seus horizontes musicais. Entre 1985 e 1987, continuou tocando violão e em 1988 compôs 20 minutos de música para seu álbum de estreia, que nunca viu a luz do dia. Em 1991, começou a tocar baixo profissionalmente na banda ÁGAPE, que não durou muito, mas permitiu que LOUREIRO começasse a compor músicas para seu próximo álbum, "Triz". Mais tarde, juntou-se a RAIKA, TURANGALÎLA e HÀ 3, bandas nas quais desenvolveu projetos que espera um dia serem lançados em CD.
Em 2001, enquanto desenvolvia os primeiros esboços para a capa de "Triz", adotou o nome ALEXL, que já usava em seu endereço de e-mail, como identidade artística. Em 31 de março de 2004, o álbum foi finalmente lançado.
Alex Loureiro foi integrante da lendária banda carioca Turangalila, famosa por suas apresentações inovadoras e música experimental (influenciada por Gentle Giant). Este trabalho levou "alguns anos" para ser concluído em breve. Seu nome artístico deveria ser Tempus Fugit, mas, com medo de ser confundido com a banda carioca homônima de rock progressivo, preferiu mudar.Contramão Brasil
O CD é um trabalho bastante elaborado, onde Alex toca quase todos os instrumentos, além de ser conceitual. As letras (todas de Alex) abordam o tema TEMPO e a música (algumas instrumentais) transita pelo rock progressivo, MPB e música erudita. Alex deve muita importância à produção deste trabalho. Uma camada (de Bernard), uma parte multimídia (com 4 idiomas - português, inglês, espanhol e esperanto, vários projetos de camadas, 3 músicas extras, entre outras), os vocais começam (à la Gentle Giant) como composições (algumas lembrando bastante ou rock progressivo brasileiro dos anos setenta, como A Barca do Sol, por exemplo).
A obra do músico carioca Alexl, 'Triz', impressiona pelas raízes refinadas e doses generosas de tendências puramente ecléticas, oscilando entre rock progressivo, música de câmara e MPB. O músico se consolidou na década de 1990 dentro do movimento progressivo carioca por meio de sua participação no grupo Turangalîla, que teve uma breve carreira encerrada antes de um registro oficial. Sua habilidade como multi-instrumentista criou o conhecimento necessário para conceber sozinho este trabalho, traçando a concepção de 'Tempo'.Gibran Felippe
Alexl toca diversos instrumentos, além dos dois vocais principais, como: baixo, violão, glokenspiel, violões, pandeirola, triângulo, bandolim, surdo, guizos, flauta transversal e efeitos diversos, contando também com a contribuição de uma dezena de colaboradores não integrantes das obras. A abertura do álbum traz badaladas de 'Time', do Pink Floyd, mas a música é mais séria e soturna no instrumental 'Todo o Tempo do Mundo', devido à imposição melancólica do piano de Marcos Nogueira e do clarinete de Gabriel Gagliano. O efeito musical surge como se o tempo de descanso não tivesse acabado, onde essa escassez é subitamente quebrada na segunda fase com o toque do despertador para uma sequência neurótica como 'Locked Inside'. O violino tocado por André Santos cria uma atmosfera muito interessante com uma base de baixo pesada, outro destaque é a percussão de Henrique Ludgero, encaixando adequadamente todos os efeitos e criando um clímax espetacular para o guitarrista solo Toninho Mota. Não se pode deixar de mencionar que o baixo de Alexl é bastante semelhante ao de Chris Squire, do Yes. Ótimo momento do álbum!
Nessa sequência, 'Limites' explora outra grande virtude de Alexl, assim como suas últimas letras, como pode ser visto a seguir: 'E cada qual com seu medo e loucura/E un modo próprio de olhar e saber que/O que Limita a visão, provavelmente,/É ter o dom de enxergar/O que o Amanhã nos guarda?/O que o amanhã nos mostrará?'. A flauta de Artur Andrés, integrante do grupo Uakti, cria um instigante anticlímax na música. A dupla vocal entre Alexl e Marco Assumpção traça ecos da excelente MPB de nomes como Beto Guedes e Flávio Venturini, referências estas que permeiam toda a obra, principalmente quando os vocais brotam com maior suavidade. 'Por Enquanto...' é outro número totalmente instrumental, traçando novamente ou correndo o tique-taque do andamento marcado pelo relógio não insistente, sua curta duração funciona como um interlúdio para a obra. Aqui a guitarra está balançando e lembrando Gary Green do Gentle Giant.
A polifonia vocal, característica marcante desta obra, toma forma plena em 'Círculos', canção pungente interpretada exclusivamente por Alexl. O instrumental é complexo, com diversas quebras de ritmo e muitas alterações de andamento, onde Alexl desfila todo o seu leque de recursos, desde a linha quebrada do baixo, até a desenvoltura no comando dos violões, principalmente no melhor número de 'Triz'. A letra da música não encerra uma poesia concreta, remetendo aos 'círculos' que muitas vezes nos assaltam, paralisando nossas ações. 'Vozes...Vozes...' é como uma mistura suave entre Gentle Giant e MPB. O vocal de Vani Ribeiro apresenta um tom acalanto puro, contrastando com a força instrumental dos violões de Alexl, dos violinos de Daniel Andrade e do violoncelo de Gabriel Sepúlveda. A abertura e o encerramento no coro contam com as vozes de André Poyart, Maurício Rizzo, Débora Garcia e a própria Vani Ribeiro.
Uma quebradeira instrumental à la Gentle Giant em seu auge, com a faixa 'Porém... Quanto? ', com diversos músicos: Cléber Soares - trompetes, Eduardo Guimarães - trombone, Einar - sax, Liliane Farias - xilofone, Sérgio - trombone tenor, além dos dois violonistas Rômulo Mattos e Henrique Costa Lima. Outra referência seriam os experimentalismos de Arrigo Barnabé. Os movimentos elaborados e frenéticos não param em 'Nós', outro grande momento do álbum. O solo de guitarra executado por Alexl com exatos quatro minutos e meio de música é excelente, vale a pena experimentar, ele encarna a profusão musical muitas vezes acaba suplantando-a. A junção das vozes de Alexl com o coro formado por Guilherme Schnabl, Lôis Lancaster e Maurício Rizzo cria um efeito bastante sugestivo com o título da música. Assim é 'Triz', tudo é muito conectado, encadeado, relacionado, onde as peças se encaixam com coerência.
Uma construção musical com adobe, argamassa, concreto, se transforma em uma 'Relatividade' instrumental, com vozes incidentais de Penélope. A reminiscência instrumental da melodia de 'Trancado Por Interior' surge de forma muito sutil no final da música. A sequência final com 'Passatempo', 'A Prece' e 'Enfim' combina harmoniosamente todos os elementos presentes ao longo do álbum; poesia, mistura de Gentle Giant com MPB, toques experimentais e complexidade de duas raízes. Vale a pena tentar nos últimos segundos do álbum ter uma sincronia e um tempo obsessivos, que tanto controlam nossas vidas, quanto restringem nossa liberdade e capacidade criativa. Mais uma ótima performance do músico!
Alexl concebe um ótimo álbum, passando pelo crivo da estréia num segmento vanguardista que é muito exigente e restrito. Portanto, já se passaram praticamente seis anos, o que significa que 'Triz' passará a fazer parte de um grupo cada vez maior de obras únicas na discografia de um artista...
Para mais informações, aqui está um relatório feito pela nossa seguidora Marcia Tunes. Obrigada, Marcia, por me poupar trabalho.
Sobre o álbum... como posso dizer? Vamos ver:
Você gosta de Zappa ? Ouça.
Você gosta de Gentle Giant ? Ouça
Você gosta de Spock Beard ? Ouça.
Você gosta de King Crimson ? Ouça.
Você gosta de Genesis ? Ouça.
Bem, eu não sei como te dizer, é um álbum especial, não sei se você vai gostar, experimente você mesmo.
Está claro?
1. Todo o Tempo do Mundo
2. Tracado por Interior
3. Limites
4. Por Enquanto
5. Circulos
6. Vozes-Vozes
7. Porem Quanto
8. Nos
9. Relatividade
10. Passatempo
11. A Prece
12. Enfim
Com:
André Poyart, Débora Garcia, Guilherme Schnabl, Lôis Lancaster, Marco Assumpção, Maurício Rizzo, Penélope & Vani Ribeiro / vocais
André Santos & Daniel Andrade / violinos
Artur Andrés / flautas
Cléber Soares / trompete
Eduardo Guimarães / trombone baixo
Einar / saxofone Tenor
Gabriel Gagliano / clarinete
Gabriela Sepúlveda / violoncelo
Henrique Costa Lima, Rómulo Mattos
Toninho Mota / guitarras
Henrique Ludgero / bateria e pratos de ataque
Léo Fuks / oboés
Liliane Farias / xilofone
Marcos Nogueira / piano
Sérgio / trombone tenor
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