Aposto que os beatmakers que desenterram caixas de vinil adoram este álbum. É groovy pra caramba! Talvez não seja o melhor jazz-funk na opinião de todos, mas tem sua própria garra única.
Afreaka!: Percussão, delírio e funk na neblina
Há discos que você não encontra: eles te encontram. Eles te perseguem de alguma lata de lixo empoeirada, do murmúrio de um blog perdido, do comentário errático de alguém que nunca reapareceu. Afreaka! é um deles. Um artefato sonoro com o nome de um grito ritual, que parece ter surgido de uma intersecção impossível entre as vibrações do continente africano e o caos elétrico dos subúrbios britânicos. Você não ouve esse disco, você o fuma. Você o respira. Você o segue. Como se a agulha do toca-discos atravessasse a selva e a fumaça de uma cidade industrial ao mesmo tempo. Foi assim que ele entrou na minha vida, entre perplexidade e fascínio. E desde então, tem sido um farol psicodélico iluminando aquele "lado B" da história que amamos explorar na The Mothman Records.
Impressões pessoais: Um feitiço chamado Afreaka!
Mais uma daquelas preciosidades que brotam do underground... ou pelo menos daquele canto misterioso onde a música se torna cult por acidente, por contexto ou simplesmente por raridade. Não sei se Afreaka! se encaixa exatamente nessa categoria, mas o que eu sei é que este álbum sempre esteve envolto em uma aura de misticismo que nunca deixa marcas. Para mim, seu nome soa como um feitiço: Afreaka! ...e quando eu digito, um portal se abre.
É um pastiche sonoro carregado de fusões: um caleidoscópio musical que me surpreendeu desde a primeira audição. Tem aquela cor e aquela eletricidade que faz você não saber exatamente de onde vem, mas te sacode. Imediatamente tive a sensação de ouvir algo entre Traffic, Colosseum e Air Force, de Ginger Baker. Metal rock vigoroso, salpicado de funk, adornado com percussão afro e progressões lúdicas. Tem aquele gancho que gruda em você sem que você perceba e um ritmo tão delicioso que é impossível não se mexer. A capa te prepara para qualquer álbum de fusion rock dos anos setenta, mas não. O que está dentro é uma história diferente. Quando você mergulha no álbum e descasca suas camadas, ele se revela como algo mais profundo: um experimento entre dois mundos . Não é apenas jazz + funk + prog, é um diálogo entre duas identidades culturais. A banda, nascida na África do Sul, mas radicada na Inglaterra, mistura sem esforço o britânico com o africano. A percussão parece raízes pulsando sob o concreto de Londres, e isso a torna hipnotizante.
Há jams que te tiram do sério, swings que se transformam em progressões inesperadas e um calor que parece quase físico. O Demon Fuzz trilha sem medo esse caminho escorregadio da fusão, e o faz com estilo. O álbum respira mudança, ritmo, improvisação e um groove tão denso quanto a selva depois da chuva. E em meio a tudo isso, há algo no Demon Fuzz que sempre me pareceu especial. Nunca os vi como uma banda exagerada ou um daqueles nomes de ouro que todo mundo venera. Mas eles têm aquele "je ne sais quoi", aquele brilho semi-underground que os faz brilhar com uma loucura só deles. A música deles é leve no conceito, mas pesada no impacto. Não é superproduzida nem superpensada, mas é cheia de ideias que brilham. Não é um álbum perfeito, e é justamente por isso que o considero inesquecível. Tem personalidade. Tem fogo. Uma banda memorável. Um álbum único. Até logo.
02. Disillusioned
03. Another Country
04. Hymn to Mother Earth
05. Mercy (Variation No. 1)
CODIGO: H-48

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