sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Warrant - Dog Eat Dog [1992]

 



Provavelmente a morte de uma estrela de Rock mais sentida por mim até hoje foi a de Jani Lane. Não apenas por ser um grande fã de seu trabalho no Warrant, mas por ter presenciado tudo isso acontecer. Sou fã da banda desde os idos de 2004, quando o vocalista já estava sendo substituído por Jaime St. James por conta de diversos motivos, mas principalmente graças aos recorrentes problemas de abusos de drogas e álcool.

No dia de hoje, não foi apenas "o homem da banda que tocava a música da torta de cereja" que nos deixou. Nem "o cara do Hard Rock farofeiro". Além de um grande vocalista e frontman, Jani Lane foi um compositor de mão cheia (compôs todas as músicas dos álbuns que participou no Warrant) e multi-instrumentista habilidoso, que dominava também a guitarra, o baixo, o piano e a bateria. Em homenagem a um músico injustiçado pelo mega-hit Cherry Pie, nada melhor que trazer, a vocês, um álbum também injustiçado.

Da esquerda pra direita: Erik Turner,
Steven Sweet, Jani Lane, Jerry Dixon, Joey Allen

"Dog Eat Dog" é o terceiro da carreira do Warrant e, em toda a história do Rock, foi o único terceiro álbum a ser considerado um "segundo álbum". Com o lançamento do álbum "Cherry Pie", segundo da discografia, o sucesso do quinteto ultrapassou as barreiras do debut "Dirty Rotten Filthy Stinking Rich". A expectativa e a pressão sobre o grupo cresciam não apenas pelo êxito comercial que deveria ser continuado, mas também pelas mudanças que a indústria fonográfica sofreu naqueles anos: a sempre falada ascensão do Grunge e do Rock alternativo.

Tudo isso exigiu uma nova cara para o conjunto, tanto visual quanto musicalmente. Não dava pra fazer "mais do mesmo". O grupo optou por uma abordagem mais pesada, beirando o Heavy Metal. A evolução natural que uma banda sofre em sua carreira foi um pouco forçada, gerando momentos que, num primeiro instante, podem soar forçados no álbum - e provavelmente este é seu único defeito. Mas isso não impede que "Dog Eat Dog" seja um disco genial e brilhante, só precisa de uma segunda chance caso a aprovação não seja instantânea.


Durante todo o registro, o amadurecimento dos integrantes é notável. O trabalho instrumental soa mais diversificado e versátil, com todos se saindo bem desde as mais pauladas, passando pelas poucas "hardeiras" e pelas músicas mais densas, até chegar nas esperadas baladas, também mais densas. A cozinha, assumida por Jerry Dixon e Steven Sweet, finalmente deixa o básico e aposta em linhas mais trabalhadas, enquanto que as guitarras de Joey Allen e Erik Turner transmitem peso e técnica nas bases e maior criatividade nos solos. E o conceituado Michael Wagener acertou em cheio na produção.

Mas - e não é por ser uma homenagem ao próprio - o grande destaque é o próprio Jani Lane. Além de se superar na sua performance vocal, Lane compôs um trabalho muito bem elaborado, com direito a inserção de corais e instrumentos de cordas e sopro, bem como um flerte saudável e sem comprometimento de identidade com o Heavy Metal, o Hard Rock e o Rock alternativo. O disco é ótimo do começo ao fim, isento de qualquer faixa que mereça destaque particular.



Apesar da grandiosidade de "Dog Eat Dog", o reconhecimento não passou nem perto se comparado com o de seus anteriores. O álbum vendeu mais de 500 mil cópias nos Estados Unidos, mas não emplacou nenhum single. A turnê se limitou a pubs norte-americanos e europeus, com apenas uma aparição no Monsters Of Rock de 1992. Pouco para quem costumava lotar estádios em anos anteriores e, ironicamente, muito para os fracassos que o conjunto enfrentou no futuro.

Vale a pena conferir esse registro com calma e disposição, pois a sua abordagem diferente e mais pesada não anula sua genialidade. Por conta disso, não há nenhuma faixa que mereça destaque particular. "Dog Eat Dog" é fantástico do início ao fim. E que Jani descanse em paz.




01. Machine Gun
02. The Hole In My Wall
03. April 2031
04. Andy Warhol Was Right
05. Bonfire
06. The Bitter Pill
07. Hollywood (So Far, So Good)
08. All My Bridges Are Burning
09. Quicksand
10. Let It Rain
11. Inside Out
12. Sad Theresa

Jani Lane - vocal, violão
Joey Allen - guitarra solo, backing vocals
Erik Turner - guitarra base, backing vocals
Jerry Dixon - baixo, backing vocals
Steven Sweet - bateria, backing vocals

Músicos adicionais:
Scott Humphrey - teclados
Scott Warren - piano
Ron Feldman - piano
Dee Dee Bellson - backing vocals em 3
The Moron Fish & Tackle Choir - backing vocals em 11
Paul Buckmaster - orquestração
Suzie Katayama - orquestração

Warrant com o produtor Michael Wagener




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