segunda-feira, 15 de setembro de 2025

POEMAS CANTADOS DE CAETANO VELOSO


Reconvexo
Caetano Veloso

Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança
A destemida Iara
Água e folha da Amazônia
Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega
Você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você?
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô
E que não riu com a risada de Andy Warhol
Que não, que não e nem disse que não

Eu sou um preto norte-americano forte
Com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música
A mais velha
A mais nova espada e seu corte
Sou o cheiro dos livros desesperados
Sou Gitá Gogóia
Seu olho me olha mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo


Regresso (part. Cesária Évora)
Caetano Veloso

Mamãe velha, venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão
É um bater de amigo
Que vibra dentro do meu coração

Venha, Mamãe velha, venha ouvir comigo
Recobre as forças e chegue-se ao portão
Que a chuva amiga já falou mantenha
E bate dentro do meu coração

A chuva amiga, mamãe velha
A chuva que há tanto tempo não bate assim
Ouvi dizer que a Cidade Velha
Que a ilha toda em poucos dias já virou jardim

Dizem que o campo se cobriu de verde
Da cor mais bela que é a cor da esperança
Que a terra agora é mesmo em Cabo Verde
É tempestade que virou bonança

Venha, mamãe velha, venha ouvir comigo
Recobre as forças, chegue-se ao portão
Que a chuva amiga já falou mantenha
E bate dentro do meu coração

A chuva amiga, mamãe velha
A chuva que há tanto tempo não bate assim
Ouvi dizer que a Cidade Velha
E a ilha toda em poucos dias já virou jardim

Dizem que o campo se cobriu de verde
Da cor mais bela que é a cor da esperança
Que a terra agora mesmo em Cabo Verde
É tempestade que virou bonança

Bonança



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