António Zambujo tornou-se a voz masculina portuguesa mais reconhecida internacionalmente do momento. Nas suas canções, Zambujo funde elementos de jazz, bossa nova, morna, chorinho e cante alentejano com fado, criando algo que muitos artistas procuram durante toda a vida sem nunca encontrar: um estilo próprio.O seu talento para compor é o de um músico de alguma habilidade que, apesar da sua juventude, cria canções profundas com bordados finos no seu novo álbum, Quinto . Zambujo é um representante essencial da saudade bem cantada, mas, ao mesmo tempo, é um músico atípico e difícil de classificar. A sua formação musical baseou-se principalmente no chamado cante alentejano, um estilo de canto polifónico com influências norte-africanas, típico do sul de Portugal. O seu instrumento de infância não foi a guitarra, mas sim o clarinete (que frequentemente aparece em muitas das suas canções). O seu primeiro álbum, lançado aos 27 anos, foi inteiramente focado no fado (aliás, em 2006 ganhou o Prémio Amália Rodrigues de "Melhor Intérprete Masculino de Fado"), mas a partir daí o músico ganhou confiança suficiente para tocar com subtil ousadia fora dos moldes do género e aventurar-se no que, na ausência de um novo rótulo, a crítica tem chamado simplesmente de neo-fado. Zambujo é um dos poucos homens de destaque da atualidade neste subgénero, até agora povoado por estrelas femininas.
E ele aperfeiçoou cuidadosamente sua arte, reunindo ao seu redor um consórcio surpreendente de artistas. A escrita do romancista angolano José Eduardo Agualusa e da maravilhosa poetisa portuguesa Maria do Rosário Pedreira está em perfeita sintonia com a delicadeza do canto de Zambujo, especialmente adequada às suas narrativas curtas e cativantes. A maior surpresa de Quinto (nomeado não só porque é o seu quinto álbum, mas também porque foi gravado ao vivo com o seu quinteto em digressão) não é apenas a elegante adição do cavaquinho cabo-verdiano Jon Luz, mas também o par de canções primorosas escritas por Pedro da Silva Martins, idealizador do grupo Deolinda .
António Zambujo é, indiscutivelmente, uma das joias mais valiosas que a música portuguesa deu ao mundo nos últimos anos. Uma voz capaz de iluminar cada palavra sem esforço.
tracklist :
01. Desconcertado Fado
02. A casa dada
03. Algo estranho acontece
04. Rua dos meus ciúmes
05. Flagrante
06. Não vale mais um dia
07. Lambreta
08. Madrugada
09. Milagrário pessoal
10. Só pode ser amor
11. Noite estrelada
12. Queria conhecer-te num dia
13. Fortuna
14. Maré

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