sábado, 25 de outubro de 2025

CRONICA - ROUSSEAU | Flower In Asphalt (1980)

 

Embora o cenário do rock progressivo estivesse longe de ser animador no início dos anos 80, ainda havia algumas bandas que continuaram a incendiar o cenário e tentaram, cada uma à sua maneira, revitalizar o gênero. A banda alemã ROUSSEAU foi uma delas.

A aventura do ROUSSEAU começou em 1977. Formado por cerca de 5 músicos, o grupo alemão teve que esperar até 1980 para que seus esforços finalmente dessem frutos, ou seja, a criação e o lançamento de seu primeiro álbum. O álbum em questão, produzido pelo próprio grupo, intitula-se "  Flower In Asphalt" .

Pouco antes de analisar este álbum em detalhes, vale ressaltar que ele é 100% instrumental. Menciono isso porque ROUSSEAU posteriormente incorporou vocais em seus álbuns posteriores. Três faixas parecem se destacar das demais à primeira vista. Primeiro, há "Glockenrock", uma faixa com conotações hispânicas que SANTANA não teria rejeitado, caracterizada por texturas de guitarra soberbas e envolventes, um ritmo sincopado, às vezes tribal, que confere ao título um lado ligeiramente exótico e, pensando bem, esta faixa poderia ter aparecido na trilha sonora de um faroeste spaghetti. "Flower In Asphalt" começa suavemente e, após cerca de 1:30, torna-se mais animada, mais lúdica e, repleta de melodias sutis, leva o público a uma jornada sonora mágica. "Dancing Leaves", que é o título mais longo com seus 8'42 no relógio, evolui em um ritmo médio por 3 minutos, depois se torna resolutamente mais rock, mais intenso, os músicos tecem melodias eficazes, bem construídas (especialmente no nível da guitarra) e a peça, que faz a ponte entre os anos 70 e o início dos anos 80, foi bem construída, permite escapar para um mundo imaginário. Quanto aos outros títulos, "Fool's Fantasy" é o arquétipo da peça progressiva instrumental dos anos 70 com suas melodias refinadas, seus teclados quentes, sem excesso de demonstração técnica; "Skylight" é uma peça que vê passagens suaves e outras mais elétricas, tempestuosas se alternam, progride em crescendo no nível melódico e uma certa sensibilidade emerge aí; "Le Grande Rêveur" evolui em um ritmo médio, tudo em suavidade, em finesse com melodias suaves que dão uma certa serenidade à peça. Coberta por camadas de teclados que tecem uma tela sonora atmosférica, "Entrée" foi construída com requinte, consegue manter o interesse do ouvinte do início ao fim e é preciso ressaltar que há no final partes soberbas de guitarras, bandolim finamente cinzelado.

Musicalmente bastante próximo de CAMEL, ASIA MINOR,  Flower In Asphalt  é um álbum agradável e prazeroso, com peças finamente construídas. Algumas semelhanças, aqui e ali, com o único álbum da banda holandesa LETHE também podem ser percebidas. Portanto, é claro, não é um álbum essencial, não vou exagerar, não compete com os grandes álbuns dos anos 1980, mas mostra o início de um grupo que tinha a vontade de se dar bem, de perseverar e que estabeleceu um primeiro marco discográfico em sua carreira. Porque ROUSSEAU não parou por aí e lançou outros álbuns depois disso...

Tracklist :
1. Skylight
2. Glockenrock
3. Flower In Asphalt
4. Le Grande Rêveur
5. Entrée
6. Fool's Fantasy
7. Dancing Leaves

Formação :
Jörg Schwarz (guitarras)
, Georg Huthmacher (baixo, piano),
Rainer Hofmann (teclados, piano, mellotron, sintetizadores, órgão elétrico),
Christoph Huster (guitarra, flauta, percussão),
Ali Pfeffer (bateria).

Gravadora : Steyrer Disco

Produtor : Rousseau




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