quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Pink Floyd: crítica de The Endless River (2014)

 



 Na verdade, o trabalho é uma homenagem de David Gilmour e Nick Mason para Richard Wright, tecladista da banda, falecido em 2008. O guitarrista e o baterista, com a ajuda de outros músicos e produtores, retrabalharam e evoluíram ideias que Wright trouxe para The Division Bell, álbum lançado pelo grupo em 1994.

Sendo bem radical e arrumando pano pra manga, na verdade o tal “último disco” do Pink Floyd foi lançado há 35 anos atrás e atende pelo nome de The Wall. Após isso, a banda colocou no mercado um álbum praticamente solo de Roger Waters (The Final Cut, de 1983) e os esforços de Gilmour em manter o nome na ativa após vencer a batalha judicial contra o baixista (A Momentary Lapse of Reason, de 1987, e o já citado The Division Bell). Um progger mais chato pode até dizer que Animals seria o canto do cisne do Pink Floyd como banda, já que Waters foi o chefão/ditador em The Wall, mas isso é assunto para outro dia.

Dessa maneira, o que temos em The Endless River são 18 canções inéditas, sendo que 17 delas são instrumentais. Apenas “Louder Than Words” - título apropriado, não? - contém vocais. A dica para entender o disco é compreender o seu contexto: David e Nick homenageando Rick, trazendo ao público algumas das últimas composições em que o tecladista trabalhou. Não é um álbum do Pink Floyd, está longe disso. Não há termos de comparação com The Dark Side of the MoonThe Wall ou qualquer outro álbum clássico da banda inglesa. Mas por que tem o nome da banda na capa, então? Porque vende mais, só por isso.

Inegavelmente, trata-se de um belo requiém para a obra de Wright, um dos instrumentistas mais subestimados do rock. Com canções contemplativas e repletas de sentimento, The Endless River aproxima-se em diversos momentos da new age, estilo que não está assim tão distante do universo floydiano. Gilmour e Mason fizeram um belo trabalho, encaixando texturas, acordes, sons e batidas, formatando as faixas. Está longe de ser uma obra-prima, um “clássico”, um disco que irá mudar o mundo, mas esse nem era o objetivo.

The Endless River traz tranquilidade, traz paz, traz carinho e afeição para os ouvidos. Esqueça que o disco tem o nome do Pink Floyd estampado na capa. Não olhe para trás, viva apenas o presente. É dessa maneira que você curtirá canções sinceras e cheias de significado. Afinal, todo mundo que gosta de música sabe que uma boa melodia, um bom arranjo, uma boa canção, valem muito mais que as palavras. E é justamente isso que encontramos aqui.





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