sábado, 15 de novembro de 2025

CRONICA - CURVED AIR | Air Cut (1973)

 

A faixa de abertura, "The Purple Speed ​​Queen", surge como uma homenagem ao Deep Purple e ao seu "Speed ​​King"! É verdade que está bem longe da fúria crua do Deep Purple. Mas o Curved Air, com seu quarto álbum , Air Cut, parece ter trilhado um caminho musical mais direto, roqueiro, menos bombástico e, para grande desgosto dos fãs, menos voltado para o pop. Vale ressaltar que, desde o lançamento de Phantasmagoria no ano anterior, houve uma mudança significativa na formação da banda. Florian Pilkington-Miksa, Daryl Way e Francis Monkman saíram para se dedicar a projetos diferentes. Os membros restantes, a vocalista Sonja Kristina e o baixista Mike Wedgwood, recrutaram novos integrantes: o baterista Jim Russell, cujo estilo era mais espontâneo que o de seu antecessor; o guitarrista Kirby Gregory, que flertava com o hard rock; e o tecladista/violinista Eddie Jobson, que, com apenas 17 anos, faria maravilhas. Este trio de novos membros se permitiu o luxo de compor uma faixa instrumental, a galopante "Armin", que apresenta um violino diabólico e uma guitarra pesada e atmosférica. Em suma, como sugere o título do álbum, isso representa uma ruptura radical para a banda com seu passado e seu estilo.

No entanto, o Curved Air não abandona composições complexas e floreios sinfônicos. Eles são até capazes de oferecer novamente momentos delicados, como a faixa folk outonal "Elfin Boy", onde reconhecemos a voz doce e angelical de Sonja Kristina, e a curta "Word", onde o violino se aventura no jazz cigano.

Em termos de complexidade, temos a faixa de 10 minutos "Metamorphosis". Ela começa com um piano dramático. Em seguida, a banda estabelece um ritmo marcial. Num andamento de rock pesado, o órgão cria um refrão fluido. Depois, surge um piano desencantado e isolado, que se perde na distância. Ele é rapidamente suplantado por um órgão celestial e imponente, bem como por um solo de guitarra elétrica etéreo e pungente. Até que o ritmo militar retorna para um final que lembra uma banda recém-chegada à cena prog: Camel.

Outro destaque é "UHF", onde o riff estrondoso da guitarra assume o protagonismo, intercalado com uma ponte de melodias suaves e oníricas. E para completar, Sonja Kristina divide os vocais com Mike Wedgwood em "Two-Three-Two" e na faixa de encerramento, "Easy", entregando belíssimas harmonias vocais. Lembra Jefferson Airplane, mas decididamente com uma pegada progressiva.

O Curved Air acabara de lançar seu quarto álbum, provavelmente o mais acessível de sua carreira e, pessoalmente, meu favorito. Um experimento promissor, então? Infelizmente, não. Jim Russell e Kirby Gregory saíram rapidamente para formar o Stretch. Mike Wedgwood se juntou ao Caravan. Já Eddie Jobson substituiu Brian Eno no Roxy Music antes de se juntar a Frank Zappa. Sozinha, Sonja Kristina não desistiu. Mas essa vulnerabilidade a obrigou a deixar a Warner Bros. Para continuar a aventura em outra gravadora, a cantora, após um álbum ao vivo com o quarteto original, trouxe de volta Daryl Way e recrutou Mick Jacques na guitarra e, o mais importante, Stewart Copeland na bateria.

Títulos:
1. The Purple Speed Queen
2. Elfin Boy
3. Metamorphosis
4. World
5. Armin
6. U.H.F.
7. Two-Three-Two
8. Easy

Músicos  :
Sonja Kristina: Voz, Violão;
Kirby Gregory: Guitarra, Baixo, Voz;
Eddie Jobson: Teclados, Voz;
Mike Wedgwood: Baixo, Voz;
Jim Russell: Bateria

Produção: Martin Rushent



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