sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Há 56 anos, em novembro de 1969, Jorge Ben lançava o homônimo Jorge Ben

Há 56 anos, em novembro de 1969, Jorge Ben lançava o homônimo Jorge Ben, sexto álbum de estúdio do artista fluminense. 🇧🇷
No fim da década de 1960, a popularidade de Jorge Ben encontrava-se em baixa, sendo considerado por parte da crítica como um artista ultrapassado mediante a tropicalia emergente no país em 1969. Naquele ano, portanto, Jorge tentaria modernizar seu som para uma abordagem mais contemporânea aos colegas Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, em destaque na época.
O violão de Jorge Ben já tornado-se um marco em seu álbum de estreia, Samba Esquema Novo (1963), ao misturar samba e rock num ritmo que remetia às rodas de um umbanda. Desde então, manteve aquela fórmula ao longo da década, arrastando-se com O Bidú: Silêncio no Brooklyn (1967), onde flerta com a jovem guarda. Seu álbum homônimo de 1969, portanto, seria considerado como o álbum tropicalista de Jorge Ben.
A psicodelia, elemento fortemente presente na sua tradução brasileira através do movimento tropicalista, aparece de forma explícita logo na capa do álbum, ricamente colorida, trazendo uma série de referências às origens do artista: desde a estampa no violão desenhado com logo do Flamengo, time do coração de Jorge Ben, ao detalhe das correntes quebradas no pulso da caricatura, representando Jorge como um artista negro livre.
Sonoramente, o álbum mostrou-se como um show de renovação, com Jorge Ben pela primeira vez acompanhado pela banda Trio Mocotó & Os Originais do Samba, com arranjos de José Briamonte e de Rogério Duprat. As gravações do álbum ocorreram nos estúdios Scatena, em São Paulo, e C.B.D., no Rio de Janeiro, sob produção de Manoel Barenbein, que havia produzido vários discos tropicalistas.
Os arranjos de cordas criados pelos maestros José Briamonte e Rogério Duprat, criam uma colcha sonora psicodélica que casa muito bem com o ritmo dançante e animado do Trio Mocotó e a batida inconfundível do violão de Jorge Ben. Os temas das canções giram em torno da vida cotidiana nas favelas, a afirmação da identidade racial e cultual dos negros, o ufanismo, o amor de Jorge Ben pelo ser feminino, e claro, o futebol.
As letras continuam com traços cômicos, como em "Quem Foi Que Roubou A Sopeira De Porcelana Chinesa Que A Vovó Ganhou Da Baronesa?" e nos versos "a semana acaba no domingo/ o dia acaba na tarde/ a tarde acaba na noite/ a noite acaba na madrugada/ e na madrugada eu me acabo".
O álbum ainda contém “País Tropical”, música que não só é a mais famosa do álbum como é um dos maiores sucessos de toda a carreira de Jorge Ben. Embora Jorge seja o autor da música, o primeiro a gravá-la foi o cantor Wilson Simonal em 1969, meses antes de Jorge Ben -- através de Simonal, a música foi um grande sucesso no rádio e na TV. Na época em que “País Tropical” foi lançada, os militantes de esquerda criticaram Jorge Ben acreditando que o tom ufanista dos versos da canção seriam uma espécie de apoio ao regime ditatorial militar que estava no comando do Brasil, o que é um raciocínio completamente equivocado.
Jorge Ben, o álbum, foi muito bem recebido pelo público e pela crítica, e foi responsável por trazer de volta o cantor carioca para as paradas de sucesso. Faixas como “País Tropical”, “Cadê Tereza”, “Bebete Vãobora”, “Take It Easy my Brother Charles”, e “Que Pena”, se tornaram clássicos da carreira de Jorge Ben. A parceria Jorge Ben e Trio Mocotó rendeu mais dois discos, Força Bruta (1970) e Negro É Lindo (1971).



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