Muitíssimo impressionante, a contribuição de Michal Urbaniak para a música! Aparentemente, ainda menino, ele teria partcipado de recitais de orquestra, com o violino, mas não consegui confirmar essa informação, postada pelo Progarchives. Fora da música clássica, um de seus primeiros trabalhos foi no grupo JAZZ ROCKERS, e com eles participou em 1961 do Festival Jazz Jamboree. Depois disso, integrou a banda de Andrzej Trzaskowski, que em 1962 seguiu em turnê,. Tocaram em festivais e clubes de Newport, São Francisco, Chicago, Washington e Nova York. Em seguida, entrou no KRZYSZTOF KOMEDA'S QUINTET, que por sua vez foi um dos músicos de jazz mais influentes e renomados de seu país. Seguiram para uma turnê na Escandinávia, no início dos anos 60. Urbaniak nessa época não estava tocando violino; segundo o Progarchives, por conta de uma promessa feita à mãe. Ele saiu desse grupo em 1964 e residiu na Escandinávia durante quase todo o decorrer dos anos 60. A volta à Polônia coincidiu com a retomada do violino.
E aí sua carreira solo começa a deslanchar. Na participação no Festival de Montreux de 1971, ganhou o "Grand Prix" como melhor solista e foi presenteado com uma bolsa de estudos no Colégio de Música de Berklee, localizado em Boston. Ele declinou da oferta, e após muitos concertos na Europa e Estados Unidos, em 1973 foi junto com Urszula Dudziak para os EUA, onde passou a gozar da condição de cidadão. E lá reside até hoje. Sua presteza para a inovaçao aparecem em situações como as seguintes:
- seu projeto Urbanator foi o que juntou rap e hip-hop no jazz.
- Desde 1970, seu violino é um criado especialmente para si; junta a particularidade de ter cinco cordas, com alguns recursos próprios de sintetizadores.
- ele também aprendeu a tocar lyricon pouco depois da invenção do mesmo.
Ele tocou com Billy Cobham, Buster Williams, Chick Corea, Harold Ivory Williams, Elvin Jones, Freddie Hubbard, George Benson, Herbie Hancock, Joe Henderson, Joe Zawinul, Kenny Barron, Larry Coryell, Lenny White, Marcus Miller, Quincy Jones, Ron Carter, Roy Haynes, Vladyslav Sendecki, Wayne Shorter, e Weather Report. Em 1985, participou da gravação de Tutu, com Miles Davis.
Ele segue ativo pelo menos até 2022, pelo que vi no site dele.
Quanto a esse disco, ele começa com um ritmo pobre, dá lugar a uma melodia no violino. Aí de repente dá uma acelerada, mas essa não se mantém. O restante da música segue sem os sobressaltos que vinha sofrendo, e uns belos solos de violino são entregues. As harmonias vão ganhando mais massa, tornando a música melhor e dando mais qualidade ao swing que constitui o eixo central dessa composição. Encerra com um baixão gostoso.
Um lindo fraseado tanto no sintetizador quanto no triângulo abrem os trabalhos da próxima faixa. Há algo que remete aqui a ritmos latinos, só não consigo indentificar exatamente qual(is). As vocalizações estão espetaculares. Outra coisa incrível nessa música é como fazem muitíssimo bem o entra-e-sai dos instrumentos e da seções rítmicas. O violino agora tem momentos fabulosos tanto de virtuosismo quanto de melodias. O baixo marca as posições com liberdade e um aconchegante carinho. Qual o resultado disso tudo? Eu cantarolando alegremente as vocalizações, hehe. o último terço de sua extensão, fazem algumas mudanças de compassos e arranjos, que encaixam muito bem na idéia central.
Nossa, quanta sensibilidade e leveza têm o baixista e o baterista nesse registro! A abertura da 3a música é linda, desperta os ouvidos e o coração para a Beleza. Melodias gentis e calmas são executadas; contudo, na metade se perdem um pouco, a mão fica um pouco pesada demais na bateria (se tivessem usado aquela baqueta em forma de vassourinha teria sido, para mim, substanciamente melhor). Enfim, é como se fossem duas músicas totalmente diferentes numa só, sendo que a primeira é maravilhosa, e a segunda, só boa.
A próxima faixa começa ligeira e dinâmica, com compassos difíceis, que eles interpretam com fluidez e consistência. Acontecem boas vocalizações. Em pouco tempo a composição apresenta várias mudanças de harmonias e compassos. Na segunda metade "atacam" os instrumentos com mais vigor ainda, e ficam mais inventivos do que já estavam. No final desacelera um pouco, uma decisão inteligente, para poder "combinar" melhor com a próxima música.
Que começa com um violino e harmonia levemente irlandeses. De repente, maliciosa e criativamente, entra uma transição psicodélica, após a qual retomam algumas das idéias iniciais dessa música, dessa vez sem o toque irlandês. Ótimas harmonias, entremeadas por fraseados do violino ora líricos, ora rítmicos. O baixo dá uma velocidade excelente à seção rítmica. Mudanças de cadência e de harmonia acontecem, sobrevém de novo aquele floreio psicodélico, que adquire um charme especial com as vocalizações, que dessa vez estão mais presentes e diversificadas. Dá para perceber que estavam se divertindo nessa execução.
Vocalizações interessantíssimas carregam, quase que sozinhas, o início da 6a faixa. Transitame entre o místico, o sombrio, o psicodélico, tanto melódica quanto ritmicamente. Acrescentam alguns efeitos sonoros às vocalizações. A experimentação aqui está alta, e embora não tenha ficado perfeita, foi incrivelmente original.
As vocalizações estão bem presentes na próxima música, com diversos psicodelismos, mas dessa vez logo passam a ser acompanhadas por uma seção rítmica consistente. Quando o violino entra, costura com destreza e habilidade as dissonâncias que estavam se dando entre os instrumentos. Só que quando a música vai começando a me cativar, termina do nada. E sem conexão com a próxima faixa.
Que tem uma cadência mais tranquila. Um baixo maravilhoso vai ditando a composição, e aos poucos os outros instrumentos vão entrando, pedindo licença, afinal ninguém quer atrapalhar um baixo tão encantador. Notas longas e suaves no violino, e uma marcação gentil na bateria, tá tudo combinando com genialidade. Até os solos de violino acontecem de um jeito que não competem nem rivalizam com o baixo. Perfeito! Só tem um pequeno porém: a transição para a próxima faixa não foi muito bem trabalhada, e não faz jus ao brilhantismo do restante da composição.
A última faixa dá seguimento à anterior, só que dessa vez as coisas não se encaixam tão bem quanto estava acontecendo antes. Inclusive, o solo de sintetizador está competindo demais com os outros instrumentos.
Faixas:
01. Mazurka (5:08)
02. Butterfly (7:13)
03. Largo (4:30)
04. Ilex (5:48)
05. New York Batsa (5:03)
06. Kama (part I) (2:24)
07. Kama (part II) (2:21)
08. Atma : yesterday (3:17)
09. Atma : today (3:30)
10. Atma : tomorrow (3:16)
Músicos:
-Michal Urbaniak/ violino elétrico, vi-tar violin e sax soprano
-Urszula Dudziak/ voz, percussão
-Czeslaw Bartkowski/ bateria
-Pawel Jarzebski/ baixo elétrico
-Wojciech Karolak/ teclados, Fender piano, Moog, Farfisa, Clavinete
-Ray Mantilla/ Congas, bateria, percussão

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