quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Nina Simone – 1966 – Wild Is The Wind

 



Um álbum feito para ser tocado num bar esfumaçado e mal iluminado nas primeiras horas da manhã, quando o efeito do álcool já passou e a névoa da depressão já se instalou. A bebida pela metade no balcão, encostando no seu cotovelo, a mão apoiando a cabeça, a cinza do cigarro caindo no chão. Você fica ali sentado, pensando em romances passados, oportunidades perdidas e amores não correspondidos.

Considerado por muitos como o maior triunfo artístico de Simone, Wild is the Wind é uma coleção de canções muito diferentes que se complementam em múltiplos níveis. Funcionam como um comentário social, expressando a frustração da cantora com as oportunidades limitadas das mulheres afro-americanas de maneiras tanto explícitas quanto sutis. Também servem como uma vitrine para a versatilidade da artista, que transita entre o soul sensual e o pop suave, do folk tradicional ao blues visceral. Simone não era apenas capaz de transitar por esses diversos estilos; ela conseguia transformar cada um deles em uma performance artística fascinante, uma poderosa expressão pessoal composta de elegância e drama simultaneamente.

Faixas
A1 As Long as There’s an Apple Tree 2:05
A2 Up, Up and Away 2:38
A3 You’re My World 3:05
A4 (Theme From) Valley of the Dolls 3:35
A5 Silent Voices 3:07
B1 Do You Know the Way to San José 2:50
B2 For the Rest of My Life 3:07
B3 Let Me Be Lonely 3:35

Se você nunca ouviu falar dessa mulher, não sei onde você esteve. Ela é uma lenda no mundo da música, pianista de jazz profissional, ativista dos direitos civis e conhecida por seu temperamento extremamente forte. Sua música me define em uma palavra: deslumbrante. É assim que eu a descreveria. Fico literalmente impressionado com a presença dela nessas canções. Quando você ouve Nina Simone, você SENTE Nina Simone. Você consegue sentir a paixão dela ao tocar piano, cantar e a energia que ela transmite.

 

Wild Is the Wind foi lançado em 1966 e está entre os muitos lançamentos que ela teve durante seu auge criativo em meados da década de 1960 (ela disse mais tarde que sofreu física e mentalmente por causa dessa produtividade). Vamos começar com as músicas lendárias. Claro que temos que falar de " Four Women ", a VERDADEIRA faixa de abertura do álbum. A palavra que me vem à mente é avassaladora, porque realmente é de tirar o fôlego. Sua interpretação vocal é comovente e a letra sobre o racismo contra os afro-americanos faz qualquer coração já partido se despedaçar. É também, provavelmente, sua música mais conhecida, que você provavelmente já ouviu em alguma aula de história ou literatura, devido à sua relevância para o movimento dos direitos civis durante a década de 1960.

“ Lilac Wine ” e a faixa-título (esta última regravada por David Bowie) demonstram sua maestria no piano e como ela utiliza o silêncio para criar um efeito dramático (se você não sentir nada durante a faixa-título, meu amigo, você não é humano). Por fim, “ Black Is the Color of My True Love's Hair ” é outro clássico do álbum. O restante está no mesmo nível: “ What More Can I Say ”, “ That's All I Ask ” e “ Either Way I Lose ” são muito subestimadas. A única decepção é “ Break Down and Let It All Out ”, que na verdade não é tão ruim, mas os metais a estragam.

Imagine se eu dissesse que este álbum é uma coletânea de sobras que a gravadora reuniu e lançou sem o consentimento dela. Mesmo assim, é incrível. É inspirador e prova que Nina Simone será imortalizada por sua arte até o fim da humanidade. Se você nunca ouviu falar dessa mulher, não sabe o que está perdendo.

 

MUSICA&SOM ☝


Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

THE CONTENTS ARE - Live Davenport, Iowa [US RAREST 1968 Hard Blues Acid Rock]

  AQUI TEMOS UMA GRAVAÇÃO AO VIVO NO "THE EAGLES LODGE DANCELAND, EM DAVENPORT, IOWA, EM 1968!! É UMA GRAVAÇÃO INÉDITA RETIRADA DAS MAS...