Para os fãs, este é um mix interessante de músicas novas e um set ao vivo que revisita seus maiores sucessos, solidificando a maturidade e a evolução da banda em sua fase mais recente. As quatro novas canções dão continuidade à trajetória emocional e artística traçada em seu álbum anterior, "The Tipping Point", mas com uma perspectiva mais otimista e luminosa, celebrando a vida, o amor e o crescimento pessoal — em perfeita sintonia com os tempos meritocráticos em que vivemos. No entanto, o álbum também se destaca pela profundidade lírica, abordando temas contemporâneos como ansiedade social e a busca pela paz interior. Com produção excelente e meticulosa, arranjos elegantes e diversas sutilezas, "Songs For A Nervous Planet" combina nostalgia com uma força criativa que apresenta novas facetas nesta fase, incorporando inclusive influências do rock progressivo e da new wave que remetem aos seus melhores momentos, representando emoção, profundidade e esperança em tempos complexos.
Artista: Tears For Fears
Álbum: Songs For A Nervous Planet
Ano: 2024
Gênero: Synth-Pop / Pop Rock
Duração: 94:09
Referência: Discogs
Nacionalidade: Inglaterra
Não sei se você vai gostar do álbum, mas não há dúvida de que os tempos estão difíceis. É um álbum com músicas que misturam um tom aparentemente otimista com letras que criticam a loucura social, enquanto outras faixas se destacam como verdadeiras joias emocionais. O álbum também inclui versões ao vivo de sucessos como "Everybody Wants to Rule the World" e "Sowing the Seeds of Love", mostrando a energia inabalável da dupla no palco. Então, se você sempre gostou deles, vai continuar gostando muito.
O próprio desenvolvimento de Songs for a Nervous Planet exala autoafirmação e orgulho de dois artistas que surgiram nos anos oitenta, uma década tão propícia ao excesso barroco e à produção extravagante. O pop eletrônico sempre pareceu menos propício do que o pop com guitarras para imortalizar performances ao vivo, mas o Depeche Mode lançou álbuns ao vivo à exaustão, e agora Orzabal e Smith decidiram publicar suas apresentações ao vivo pela primeira vez, reconhecendo que este álbum "levou 40 anos para ser feito", exatamente o mesmo tempo que a banda está na ativa desde sua estreia deslumbrante com The Hurting, em 1983. E que ninguém duvide: The Fears incendeia a plateia com duas de suas joias mais recentes, No Small Thing e The Tipping Point, e o efeito é convincente e até mesmo avassalador.
A noite se desenrola no Anfiteatro FirstBank em Graystone Quarry (Franklin, Tennessee), embora isso não seja mencionado, e os cinco músicos e três vocalistas de apoio são mais do que suficientes para preservar aquele som magnífico e melódico, com sua inclinação para o soul de olhos azuis e, claro, o legado dos Beatles — uma influência dupla que converge na excepcional e pouco conhecida "Secret World" (de *Everybody Loves a Happy Ending*, 2004), que sutilmente incorpora um verso de "Let 'em In" do Wings. As 18 faixas apresentadas para a casa lotada servem como uma retrospectiva urgente dos grandes clássicos, de *Pale Shelter* a *Everybody Wants to Rule the World*, *Shout* (que serve como um grande final arrebatador) e a cativante "Sowing the Seeds of Love", novamente muito ao estilo de McCartney, e talvez a mais exuberante e bem executada de todo o show. Mas a performance de *The Tipping Point* é abundante, para grande desgosto dos preconceituosos e dos meramente melancólicos. Entre as faixas redescobertas, destacam-se as mais antigas, como "Suffer the Children", o primeiro single da dupla, ou a frenética "Change", que também apareceu em seu álbum de estreia.
Claro, devemos mencionar o elemento mais inovador e atípico deste lançamento: este LP duplo ao vivo abre com quatro faixas de estúdio inéditas, quase como um EP que serve de prelúdio, isca e cortesia da gravadora. As quatro músicas são tão boas quanto memoráveis, com "The Girl That I Call Home" remetendo ao estilo de *Songs from the Big Chair* (1985), "Emily Said" muito na linha de *The Seeds of Love* (1989), e "Astronaut" sendo o melhor exemplo de como a composição de Orzabal se tornou cada vez mais intrincada e substancial ao longo dos anos. É uma verdadeira sorte que eles estejam tão dispostos a continuar alegrando nossas vidas.
E se você não estiver muito nervoso, convido você a dar uma olhada e ouvir algumas das músicas deste álbum...
Por fim, vamos à última análise do álbum... já existe muita coisa escrita sobre ele, caso você queira se aprofundar no assunto.
Após um hiato de dezoito anos, o Tears For Fears retornou em 2022 com o aclamado álbum “The Tipping Point” (Concord, 2022). O próximo passo na carreira de Curt Smith e Roland Orzabal é “Songs For A Nervous Planet”, uma espécie de simbiose entre material inédito de estúdio e um álbum ao vivo. Trata-se de uma mistura um tanto ininteligível que, de fato, reúne faixas de origens e estilos diversos sob o mesmo título. Além das complexidades logísticas inerentes a este lançamento, vale a pena considerar os motivos por trás da decisão da dupla britânica de lançar seu primeiro álbum ao vivo em mais de quatro décadas.
Seria um capricho dos artistas? Um presente de despedida para os fãs? Ou mera coincidência? Todas as hipóteses são válidas em relação a um produto que, seja qual for sua origem, abre com quatro faixas: o pop com influências dos anos 80 de “Say Goodbye To Mum And Dad”, a adorável “The Girl That I Call Home” se destacando como a melhor do conjunto ao lado da igualmente inspirada “Emily Said”, e “Astronaut”, que parece ter servido de base para a arte da capa do álbum. Todas as músicas são bem construídas, até mesmo esplêndidas em sua aparência, com uma luminosidade clara e um toque épico, talvez até um pouco polidas na produção, embora, em todo caso, carreguem a valiosa marca de seus autores.
Após o quarteto de faixas inéditas que comporiam um hipotético EP, vem (como que por mágica) o material ao vivo, gravado em Franklin, Tennessee, durante a já mencionada turnê “The Tipping Point”. Um concerto que ostenta com orgulho um som tão poderoso quanto meticulosamente definido, alternando harmoniosamente faixas recentes como “Long, Long, Long Time”, “My Demons” e “No Small Things” com os clássicos duradouros e cativantes da banda, como “Everybody Wants To Rule The World”, “Sowing The Seeds Of Love”, “Woman In Chains”, “Mad World”, “Head Over Heels”, “Break It Down Again” e “Change”, culminando na apoteose de “Shout”.
Teria sido mais lógico lançar as novas composições (na forma de um EP bem elaborado) e esta performance ao vivo impecavelmente ressonante separadamente, em vez de optar pela solução um tanto forçada de juntar tudo. Mas é sempre um prazer vivenciar um trabalho do Tears For Fears, que são capazes de transformar qualquer dia cinzento em uma experiência calorosa e convidativa. E, se por acaso a dupla estiver disponibilizando a gravação deste concerto como um canto do cisne, o resultado é representativo de sua essência e também de um legado de merecida transcendência, situado entre uma lágrima de emoção e um sorriso de satisfação.
Você pode ouvir o álbum na página deles no Bandcamp:
https://tearsforfears.bandcamp.com/album/songs-for-a-nervous-planet
Lista de faixas:
1. Say Goodbye To Mum And Dad
2. The Girl That I Call Home
3. Emily Said
4. Astronaut
5. No Small Thing (Ao vivo em Franklin, TN)
6. The Tipping Point (Ao vivo em Franklin, TN)
7. Everybody Wants To Rule The World (Ao vivo em Franklin, TN)
8. Secret World (Ao vivo em Franklin, TN)
9. Sowing The Seeds Of Love (Ao vivo em Franklin, TN)
10. Long, Long, Long Time (Ao vivo em Franklin, TN)
11. Break The Man (Ao vivo em Franklin, TN)
12. My Demons (Ao vivo em Franklin, TN)
13. Rivers Of Mercy (Ao vivo em Franklin, TN)
14. Mad World (Ao vivo em Franklin, TN) 7:3
15. Suffer The Children (Ao vivo em Franklin, TN)
16. Woman In Chains (Ao vivo em Franklin, TN)
17. Badman's Song (Ao Vivo de Franklin, TN)
18. Pale Shelter (Ao Vivo de Franklin, TN)
19. Break It Down Again (Ao Vivo de Franklin, TN)
20. Head Over Heels (Ao Vivo de Franklin, TN)
21. Change (Ao Vivo de Franklin, TN)
22. Shout (Ao Vivo de Franklin, TN)
Alinhamento:
- Sem informações



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