
Se em Dystopia (2011) ouvimos um Iced Earth renascido com a entrada do vocalista Stu Block, entregando um álbum consistente e com força para apagar a má impressão deixada pelos medianos Framing Armageddon (2007) e The Crucible of Man (2008) - tentativas frustradas de retomar os melhores momentos da banda ao lado do indeciso Matt Barlow -, em Plagues of Babylon a história é outra.
Décimo-primeiro trabalho da banda liderada pelo guitarrista Jon Schaffer, o disco não apresenta a energia e a qualidade do álbum anterior. O que ouvimos aqui é, com raros momentos de exceção, uma banda que repete fórmulas que já utilizou à exaustão no passado. O fato de o timbre de Block ser extremamente parecido com o de Barlow transmite até mesmo a incômoda sensação de estarmos ouvindo uma banda cover, tamanha falta de criatividade salta aos ouvidos.
Sigmund Freud utilizou o termo “compulsão à repetição” para definir o processo de reviver interminavelmente determinada situação na tentativa de descarregar a energia acumulada até alcançar, finalmente, o êxito em determinada situação. Schaffer parece sofrer de algo parecido. Muda o vocalista, e o seu substituto é um clone mais jovem da melhor voz que já passou pelo Iced Earth. Trocam-se os bateristas - o brasileiro Raphael Saini, que gravou o disco, já não faz mais parte da banda, substituído por Jon Dette -, mas o estilo segue sempre o mesmo em todos os álbuns do grupo. Baixistas e guitarristas são meros coadjuvantes, instrumentistas sem rosto e personalidade que estão ali apenas seguindo ordens.
Essa compulsão se repete na estrutura das músicas. Bons riffs seguidos por linhas vocais pegajosas - que, em sua maioria, oferecem um amargo sabor de dejà vú e remetem aos discos antigos do grupo - que, inevitavelmente, levam a refrãos em coro e passagens instrumentais que prestam tributo a uma das principais influências de Jon, o Iron Maiden. O ápice disso se dá em “If I Could See You”, balada que é praticamente uma irmã siamesa debilitada de “I Died For You”.
O Iced Earth já foi um dos principais nomes do metal tradicional, clássico, e tinha tudo para alçar vôos muito mais altos e estáveis. Da estreia lançada em 1990 até Horror Show, de 2001, todos os seus discos são, no mínimo, muito bons. No entanto, a centralização exagerada nos conceitos e ordens de Jon Schaffer, que levou à inevitável e praticamente infinita troca de integrantes, puxou a banda para baixo. E Plagues of Babylon, infelizmente, traduz esse momento em um álbum muito aquém de tudo que a banda já produziu. Os mais apaixonados negarão isso, em uma postura que mais uma vez encontra a sua explicação nos ensinamentos de Freud. No entanto, é inegável que estamos diante de um trabalho que, com muito otimismo, pode ser classificado apenas como fraco.
As exceções citadas no início deste texto se aplicam à faixa-título, a única capaz de pegar a indentidade forte da banda e transformar essa musicalidade em algo criativo e empolgante, e na surpreendente versão para “Highwayman”, composição de Jimmy Webb que traz Schaffer dividindo os vocais com Michael Poulsen (Volbeat) e Russell Allen (Symphony X, Adrenaline Mob). No entanto, o outro convidado especial, Hansi Kürsch (Blind Guardian), não consegue tirar a genérica “Among the Living Dead” do lugar comum.
Já que a própria banda é incapaz de se desenvencilhar do seu passado e soa como uma cover de luxo dos seus melhores momentos, siga o caminho apontada por Schaffer e passe reto por Plagues of Babylon, indo direto para os clássicos The Dark Saga (1996) e Something Wicked This Way Comes (1998), responsáveis pelo ápice criativo do Iced Earth.
Faixas:
1 Plagues of Babylon
2 Democide
3 The Culling
4 Among the Living Dead
5 Resistance
6 The End?
7 If I Could See You
8 Cthulhu
9 Peacemaker
10 Parasite
11 Spirit of the Times
12 Highwayman
13 Outro
Décimo-primeiro trabalho da banda liderada pelo guitarrista Jon Schaffer, o disco não apresenta a energia e a qualidade do álbum anterior. O que ouvimos aqui é, com raros momentos de exceção, uma banda que repete fórmulas que já utilizou à exaustão no passado. O fato de o timbre de Block ser extremamente parecido com o de Barlow transmite até mesmo a incômoda sensação de estarmos ouvindo uma banda cover, tamanha falta de criatividade salta aos ouvidos.
Sigmund Freud utilizou o termo “compulsão à repetição” para definir o processo de reviver interminavelmente determinada situação na tentativa de descarregar a energia acumulada até alcançar, finalmente, o êxito em determinada situação. Schaffer parece sofrer de algo parecido. Muda o vocalista, e o seu substituto é um clone mais jovem da melhor voz que já passou pelo Iced Earth. Trocam-se os bateristas - o brasileiro Raphael Saini, que gravou o disco, já não faz mais parte da banda, substituído por Jon Dette -, mas o estilo segue sempre o mesmo em todos os álbuns do grupo. Baixistas e guitarristas são meros coadjuvantes, instrumentistas sem rosto e personalidade que estão ali apenas seguindo ordens.
Essa compulsão se repete na estrutura das músicas. Bons riffs seguidos por linhas vocais pegajosas - que, em sua maioria, oferecem um amargo sabor de dejà vú e remetem aos discos antigos do grupo - que, inevitavelmente, levam a refrãos em coro e passagens instrumentais que prestam tributo a uma das principais influências de Jon, o Iron Maiden. O ápice disso se dá em “If I Could See You”, balada que é praticamente uma irmã siamesa debilitada de “I Died For You”.
O Iced Earth já foi um dos principais nomes do metal tradicional, clássico, e tinha tudo para alçar vôos muito mais altos e estáveis. Da estreia lançada em 1990 até Horror Show, de 2001, todos os seus discos são, no mínimo, muito bons. No entanto, a centralização exagerada nos conceitos e ordens de Jon Schaffer, que levou à inevitável e praticamente infinita troca de integrantes, puxou a banda para baixo. E Plagues of Babylon, infelizmente, traduz esse momento em um álbum muito aquém de tudo que a banda já produziu. Os mais apaixonados negarão isso, em uma postura que mais uma vez encontra a sua explicação nos ensinamentos de Freud. No entanto, é inegável que estamos diante de um trabalho que, com muito otimismo, pode ser classificado apenas como fraco.
As exceções citadas no início deste texto se aplicam à faixa-título, a única capaz de pegar a indentidade forte da banda e transformar essa musicalidade em algo criativo e empolgante, e na surpreendente versão para “Highwayman”, composição de Jimmy Webb que traz Schaffer dividindo os vocais com Michael Poulsen (Volbeat) e Russell Allen (Symphony X, Adrenaline Mob). No entanto, o outro convidado especial, Hansi Kürsch (Blind Guardian), não consegue tirar a genérica “Among the Living Dead” do lugar comum.
Já que a própria banda é incapaz de se desenvencilhar do seu passado e soa como uma cover de luxo dos seus melhores momentos, siga o caminho apontada por Schaffer e passe reto por Plagues of Babylon, indo direto para os clássicos The Dark Saga (1996) e Something Wicked This Way Comes (1998), responsáveis pelo ápice criativo do Iced Earth.
Faixas:
1 Plagues of Babylon
2 Democide
3 The Culling
4 Among the Living Dead
5 Resistance
6 The End?
7 If I Could See You
8 Cthulhu
9 Peacemaker
10 Parasite
11 Spirit of the Times
12 Highwayman
13 Outro
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