Valsa de Uma Cidade
Vento do mar no meu rosto
E o Sol a queimar, queimar
Calçada cheia de gente
A passar e a me ver passar
Rio de Janeiro, gosto de você
Gosto de quem gosta
Deste céu, desse mar
Dessa gente feliz
Bem que eu quis escrever
Um poema de amor e o amor
Estava em tudo que eu quis
Em tudo quanto eu amei
E no poema que eu fiz
Tinha alguém mais feliz que eu
O meu amor
Que não me quis
Vampiro
Caetano Veloso
Eu uso óculos escuros
Pras minhas lágrimas esconder
E quando você vem para o meu lado
Ai, as lágrimas começam a correr
E eu sinto aquela coisa no meu peito
Eu sinto aquela grande confusão
Eu sei que eu sou um vampiro
Que nunca vai ter paz no coração
Às vezes eu fico pensando
Porque é que eu faço as coisas assim
E a noite de verão, ela vai passando
Com aquele seu cheiro louco de jasmim
E eu fico embriagado de você
Eu fico embriagado de paixão
No meu corpo o sangue não corre, não
Corre fogo e lava de vulcão
Eu fiz uma canção cantando
Todo o amor que eu sinto por você
Você ficava escutando impassível
E eu cantando do teu lado a morrer
E ainda teve a cara de pau
De dizer naquele tom tão educado
Oh! Pero que letra más hermosa
Que habla de un corazón apasionado
Por isso é que eu sou um vampiro
E com meu cavalo negro eu apronto
E vou sugando o sangue dos meninos
E das meninas que eu encontro
Por isso é bom não se aproximar
Muito perto dos meus olhos
Senão eu te dou uma mordida
Que deixa na sua carne aquela ferida
Na minha boca eu sinto
A saliva que já secou
De tanto esperar aquele beijo
Ai, aquele beijo que nunca chegou
Você é uma loucura em minha vida
Você é uma navalha pros meus olhos
Você é o estandarte da agonia
Que tem a Lua e o Sol do meio-dia

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