sexta-feira, 3 de abril de 2026

Cholo Visceral - Cholo Visceral (2013)

 

Em nossa jornada pelo melhor do rock peruano, e se você está procurando algo para te tirar da zona de conforto, o álbum de estreia autointitulado do Cholo Visceral é como um tapa na cara de psicodelia e prog. Esses caras não estão para brincadeira, e embora seja um álbum instrumental (quase inteiramente), ele tem tanta potência que não precisa de ninguém gritando. É como se o Van der Graaf Generator tivesse se mudado para Lima e começado a improvisar depois de fumar muita erva. Tem de tudo aqui, não só psicodelia; você encontrará prog pesado, jazz fusion e até toques de punk graças à energia que eles colocam no álbum. É uma música perigosa, cheia de tensão, com muita distorção e metais furiosos, tornando-o um dos álbuns mais picantes do rock experimental moderno.

Artista: Cholo Visceral
Álbum: Cholo Visceral
Ano: 2013
Gênero: Heavy Prog / Hard Rock Psicodélico
Duração: 36:50
Nacionalidade: Peru



Cholo Visceral é uma banda de Lima com um estilo único de hard rock psicodélico. Embora não se encaixe estritamente na estética do Stoner Rock (um tipo de rock psicodélico com elementos e sons principalmente do hard rock e do metal), neste caso, tudo é permeado por uma sonoridade que oscila entre o funk e o tipicamente latino-americano, conferindo às suas faixas instrumentais um caráter singular. Recentemente, participaram de festivais do gênero ao lado de bandas que já apresentamos, como Liquidarlo Celuloide , e outras que ainda não conhecemos, como Tabla Espacial, entre outras.

Vamos então à resenha do álbum, do blog de um amigo:
Hoje em dia, é difícil encontrar bandas latino-americanas cujas capas de álbuns façam jus à qualidade da sua música. Cholo Visceral é uma dessas exceções, e consegue isso com perfeição. Originária do Peru, a banda lançou seu álbum de estreia homônimo em 2013, que é justamente o que apresentamos aqui.
O grupo é formado por um baterista, duas violas, um saxofone, um baixista e um DJ, e nos transporta para o coração da era colonial. Eles transitam por diversos gêneros, do stoner rock e jazz ao funk (onde o baixo e o saxofone assumem o protagonismo), mas com a característica singular de incorporar ritmos andinos e pré-hispânicos. O
álbum contém apenas seis músicas, que não estagnam nem permanecem estáticas; pelo contrário, se reinventam, impactando os ouvintes com suas mudanças rítmicas. Cada faixa é construída sobre uma base psicodélica e ancestral, mas as guitarras nunca perdem sua ferocidade. Elas são como pequenas estrelas em uma constelação, alinhando-se e conectando-se para dar ao álbum uma forma concisa.
O trabalho incrível do DJ merece destaque especial; seus efeitos sonoros criam uma atmosfera que serve como trilha sonora do álbum. É como se as músicas fossem construídas sobre um cemitério indígena, já que todo o disco é permeado por cantos indígenas, brisas andinas e os gritos desesperados de um povo massacrado.
Resumindo, se você curte rock pesado, dê uma ouvida. Se jazz e funk te agradam, vá em frente. E se você tem uma queda por folclore peruano e cumbia, seja bem-vindo também.
A fumaça está sob os holofotes.

 
O álbum homônimo, lançado em 2013 e aparentemente um grande sucesso na Europa, demonstra o talento da banda. Eles apresentam um som poderoso com uma execução precisa e impecável. E vejamos o que nosso comentarista sempre presente, ainda que involuntário, tem a dizer...
Desta vez, apresentamos o jovem grupo peruano CHOLO VISCERAL, formado por João Orosco na bateria, Manuel Villavicencio no baixo, a dupla de guitarristas Arturo Quispe e Kevin Lara, Max Vega no saxofone e Nagel Díaz responsável pelos efeitos sonoros. O grupo lançou seu álbum de estreia homônimo no Bandcamp em janeiro passado (link: http://cholovisceral.bandcamp.com/album/cholo-visceral), mas já possui um certo status de veterano na cena underground de Lima. Há um movimento psicodélico que está gerando festivais fantásticos de rock psicodélico e experimental: conjuntos vigorosos e desafiadores como LIQUIDARLO CELULOIDE MACONDO, TABLA ESPACIAL e outros incorporam esse ideal de desconstruir e remodelar o discurso do rock para refletir a escuridão elétrica da nossa psique. CHOLO VISCERAL pertence a essa esfera, ocupando uma de suas posições mais fortes: confirmaremos isso após uma análise detalhada do repertório deste álbum. No início de maio, boas notícias chegaram para os fãs de edições físicas: este álbum foi finalmente lançado em CD pela gravadora Tóxiko Records.
Ocupando os primeiros seis minutos e meio do setlist, "La Rataza" (um termo da gíria crioula peruana com fortes conotações fálicas) trilha um caminho de vigor sombrio que estabelece claramente as regras artísticas da banda. Momentos de requintada selvageria lisérgica, onde gritos ocasionais oscilam entre o ritualístico e o catártico, fornecem um contraponto assombrosamente perfeito à energia relativamente comedida que se desenrola em grande parte das passagens centrais da jornada musical. Após o breve mantra de fade-out que conclui "La Rataza", surge "Menú De 4", uma faixa que se entrega completamente desde o início com uma sequência bem elaborada de riffs eletrizantes e diversas demonstrações de vigor rock que mantêm um magnetismo consistente ao longo de suas variações. O trabalho de guitarra cria uma amálgama furiosa, porém inteligente, uma mistura perfeita de stoner rock e space rock, enquanto o saxofone se integra perfeitamente a essas interações. Merece destaque também a fluidez soberba com que o baixo transita de instrumento rítmico em algumas passagens para a bússola que guia o desenvolvimento temático em outras. Em seguida, surge "Kión", encarregada de traduzir a força essencial do CHOLO VISCERAL em uma verdadeira tempestade cósmica, a partir da qual os músicos exploram sua capacidade de inserir texturas misteriosas em meio a passagens energéticas. Mais uma vez, o baixo aproveita um momento específico do interlúdio para definir o tom para as guitarras gêmeas; esse interlúdio elabora as projeções do feroz motivo de abertura, que retorna para uma conclusão bem desenvolvida. Os caras do GURU GURU teriam se orgulhado de ter concebido essa ideia para um de seus três primeiros álbuns… mas isto é CHOLO VISCERAL, senhoras e senhores!
'Silvia Escarmiento' serve como uma janela para a dimensão introspectiva da visão sonora da banda: baseada no esquema de trabalho da dupla de guitarristas, a peça percorre uma variedade controlada de atmosferas que culminam em uma interação evocativa semelhante ao padrão do pós-rock. Os 10 minutos e 50 segundos finais do set são ocupados por 'Luzbel: El Pasaje Infernal' (Luzbel: A Passagem Infernal), uma faixa que assume a missão de estabelecer um sólido clímax psicodélico, alternando momentos em que o grupo recapitula e capitaliza em sua sonoridade rock impactante com outros em que brinca com fluxos sonoros livres que servem para aliviar a tensão latente, mergulhando em uma escuridão misteriosa onde a razão não consegue explicar sinais ou vestígios. O violinista convidado Armando Córdova se mostra o cúmplice perfeito nessa empreitada.
CHOLO VISCERAL é, sem dúvida, uma banda que vale a pena acompanhar: sua combinação de energia, preocupações ecléticas e execução precisa são virtudes que não devem ser ignoradas. Psicodelia peruana, agora e para sempre!
César Inca
 
 

Mas façam um favor a vocês mesmos e ouçam um pouco disso por si mesmos...


 

O álbum é muito bom e cumpre seu propósito com maestria; é um disco curto e conciso. Diria que eles estão muito focados em seu estilo, pecando um pouco na textura, e alguns elementos ambientais não fariam mal para acalmar momentaneamente toda essa adrenalina. Mas isso é apenas um detalhe, porque, quando você menos espera, o álbum acaba. Vamos agora aos comentários de terceiros:
Cholo Visceral possui um som distinto e bastante distorcido. Essa banda peruana toca rock psicodélico com nuances progressivas, incorporando sons atmosféricos que se misturam perfeitamente com elementos de jazz sutilmente presentes em todas as suas faixas instrumentais.
Este projeto, que descobri no festival Woodstaco de 2015, é verdadeiramente fascinante. Ouvir a banda ao vivo foi uma surpresa tão grande que naturalmente me perguntei como seria o som deles em estúdio. Isso me levou a procurar o álbum "Cholo Visceral – ST", gravado em abril de 2014, que eu simplesmente precisava resenhar.
A explosão experimental de Cholo Visceral, "St", começa com "La Rataza", uma música que combina uma infinidade de ingredientes sonoros, tornando-a uma oferta verdadeiramente original, já que você nunca sabe aonde tudo isso vai levar. Os ritmos dessa faixa alternam constantemente entre riffs psicodélicos e animados que beiram o experimental e o inexplorado. Os instrumentos de sopro incluídos na faixa conferem-lhe um contexto sonoro único, e a distorção da guitarra adapta-se perfeitamente aos vários estilos interpretados com eficácia.
“Menú de 4” começa com uma melodia incerta que cativa e depois evolui para vários sons que lembram o ska, mas sempre executados com toda a potência e virtuosismo do jazz. Sons atmosféricos também são essenciais nesta faixa, que dura cerca de nove minutos e, claro, visa manter a atenção do ouvinte. Por isso, são adicionadas várias passagens sonoras, apresentando breves toques de funk em diversas ocasiões.
“Silvia escarmiento” é uma faixa que incorpora plenamente um som pós-punk mais experimental, apresentando uma guitarra melódica e precisa que conduz o ritmo final da música, entregando um som distintamente melancólico e triste.
“kion” começa com muita energia, sendo, aliás, uma das músicas mais animadas deste álbum, rock progressivo de qualidade, pura vanguarda, apresentando um coquetel de sons espaciais próximo ao rock puro.
“Luzbel - The Infernal Passage” é o final desta obra épica. Com 10 minutos de duração, a faixa é dividida em diferentes passagens sonoras, começando com algo atmosférico e sombrio, dominado pelo som característico do baixo, que evolui para todo o rock progressivo que o Cholo Visceral sabe executar. A isso se soma o som inconfundível do violino, tocado por Armando Córdova, que, sem dúvida, dá um toque especial a essa fusão de ritmos do rock. Uma ótima faixa para encerrar este ótimo álbum, que é, sem dúvida, uma contribuição para a cena independente latino-americana, entregando um trabalho honesto com identidade própria e, principalmente, muita distorção. Espero vê-los novamente no Chile, pois foi uma experiência incrível.
Rodrigo Damiani:


Um álbum muito interessante que recomendo que vocês ouçam... e por falar nisso, ainda resta alguma dúvida, depois de todos os grupos que apresentamos aqui, sobre o alto nível técnico e criativo das bandas latino-americanas? E pensar que quase ninguém as conhece... bem, é por isso que estamos aqui.
Aproveitem, não percam este álbum.
 
Você pode ouvir o álbum na página deles no Bandcamp:
https://godrecordsgardenofdreams.bandcamp.com/album/cholo-visceral-st 
 
 
Lista de faixas:
1. La Rataza
2. Menu de 4
3. Silvia Escarmiento
4. Kion
5. Luzbel: El Pasaje Infernal

Formação:
- João Orosco / bateria
- Manuel Villavicencio / baixo
- Arturo Quispe / guitarra
- Kevin Lara / guitarra
- Max Vega / saxofone
- Nagel Diaz (Dj Aeon) / efeitos especiais


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