sexta-feira, 3 de abril de 2026

Cholo Visceral - Vol. II (2016)

 

Mais rock progressivo peruano de primeira! Estou falando do glorioso grupo peruano Cholo Visceral, uma das vozes mais influentes do movimento progressivo peruano, que vem se desenvolvendo desde o início do novo milênio. Eles estão de volta com seu segundo álbum, apropriadamente intitulado "Vol. II". Mais uma vez ambientado em um contexto inca, mas quando o baixo entra, seguido pela bateria que anuncia a entrada para o êxtase final com saxofone e mellotron, voltamos a falar de jazz fusion com elementos progressivos e experimentais, mas com um toque latino-americano inconfundível. Um álbum que vai te fazer queimar seu sintetizador Moog!

Artista: Cholo Visceral
Álbum: Vol. II
Ano: 2016
Gênero: Heavy Prog / Hard Rock Psicodélico / Jazz Fusion
Nacionalidade: Peru


Cholo Visceral
 é uma banda peruana que surgiu no cenário musical há alguns anos com um notável álbum homônimo. Eles tocavam um rock progressivo à la King Crimson com nuances psicodélicas e um som poderoso que beirava o heavy prog, exibindo uma sonoridade dinâmica baseada mais em estruturas sonoras intrincadas do que na espontaneidade e liberdade das improvisações. Depois disso, parece que a banda se concentrou em tocar no pequeno circuito progressivo peruano, chegando a se apresentar no Chile e na Argentina no final de 2015 (e eu nem sabia!), enquanto o álbum foi lançado em vinil por uma gravadora grega (toma essa!).
Este novíssimo "Vol. II" reafirma que o Cholo Visceral tem muito a oferecer, reforçando a visão ambiciosa já delineada em seu álbum de estreia. As composições expansivas são construídas com tantas mudanças de compasso e reviravoltas estruturais surpreendentes que às vezes é difícil lembrar como começaram, e você nunca sabe como vão terminar. Há sempre um riff de guitarra ou baixo que surge aparentemente do nada, ou passagens onde a banda diminui ou acelera o ritmo, com o saxofone assumindo o protagonismo em alguns momentos, e trechos que remetem ao funk e ao acid rock, tudo entregue com um groove implacável que agride os tímpanos. Vale ressaltar também que eles incorporam elementos da música andina ("Muca", "Cholo Visceral"), incluindo uma faixa acústica com vocais femininos ("Jarjacha") e um final conduzido pelo piano ("El paso entre las lomas"). Cholo Visceral não é uma banda que teme o desafio de seguir seus instintos psicoprogressivos, mesmo correndo o risco de deixar alguns ouvintes de fora nesse processo de complexificação do seu som.
 
Mas, para uma boa descrição, recorramos aos sábios comentários do nosso sempre presente e involuntário comentarista...
Após as variações cruciais de força psicodélica eclética apresentadas nos primeiros 37 minutos do álbum, 'Jarjacha' muda drasticamente, retornando a atmosferas introspectivas sob a orientação principal de violões, elaborando assim uma abordagem ao modelo acid-folk. Os vocais de Silvana assumem um papel ritualístico, enquanto os fragmentos de guitarra elétrica exibem uma inquietação mágica. A faixa apropriadamente intitulada 'Cholo Visceral' nos traz de volta às expansões ressonantes da energia expressiva da banda, agora composta por seis membros. Começando com um ritmo andino vibrante e um claro espírito festivo, a folia logo explode em um carnaval psicodélico agressivo, sustentado por uma batida afro-peruana inspirada na fusão. Aos três minutos, as vibrações andinas retornam em uma roupagem mais sofisticada, anunciando a chegada iminente de duas jams poderosas e sucessivas que remetem à essência mais recorrente da banda: a primeira se baseia em uma estrutura rítmica assumidamente complexa, enquanto a segunda se apoia em uma pegada mais visceral, sem, no entanto, sacrificar o perfeccionismo progressivo típico. Aproximamo-nos do final do álbum e encontramos "10 Years of Terror", uma faixa que, assim como "Visceral Cholo", dura pouco mais de 11 minutos. Sua estrutura segue claramente o caminho das duas primeiras faixas do álbum, embora com uma abordagem similar à da terceira em sua busca por refinamento e contenção ao longo da construção dos diversos temas. A seção final de "10 Years of Terror" se concentra em uma languidez pós-metal sombria e lânguida, com nuances de space rock: o solo de guitarra que se inicia é simplesmente primoroso. A faixa de encerramento deste repertório é "El Paso Entre Las Lomas", um exercício minimalista em tons acinzentados que flerta com o padrão pós-rock do GODSPEED YOU! BLACK EMPEROR. Com apenas 4 minutos e 45 segundos, é claramente concebida para exorcizar reflexões solipsistas ao cair da noite.
Tudo isso fez parte de "Vol. II", uma declaração honesta de intenções quanto ao desejo de crescimento artístico e ao ímpeto de retratar as esferas mais sombrias e perturbadoras da psique humana com a rica paleta proporcionada pela linguagem do rock psicodélico. Os membros do CHOLO VISCERAL demonstraram inequivocamente seu lugar de destaque na atual cena de vanguarda progressiva peruana e latino-americana. Recomendado 100%!
César Inca 


E, além de toda a conversa fiada, o melhor é vocês ouvirem por si mesmos... 



O grupo expande-se de um quinteto para um sexteto com a adição de Silvana Tello no theremin, vocais e percussão, enquanto Israel Tenor junta-se às guitarras e efeitos. Esta é a enésima colaboração de Tenor com Arturo Quispe, com quem já trabalhou em RAPA NUI e THE TERRORIST COLLECTIVE. Retornam do primeiro álbum o baterista João Orosco, o baixista Manuel Villavicencio (que também contribui com vocais e guitarra eletroacústica) e Quispe nas guitarras, sintetizador, efeitos e vocais. Todas as faixas do álbum foram originalmente composições coletivas do sexteto, com exceção de "Jarjacha" (escrita por Villavicencio) e "El Paso Entre Las Lomas" (Quispe). O repertório do “Vol. II” foi gravado entre agosto e dezembro de 2015, sendo disponibilizado no Bandcamp no final de abril e lançado em CD físico em junho deste ano, fruto de uma colaboração entre as gravadoras Necio Records, Cuaderno Roto e Tóxiko Productores. Acreditamos que a ambiciosa duração deste novo repertório esteja em perfeita sintonia com a ambição estética que o grupo projetou para sua composição. 
A obra começa em grande estilo com "Explosión Del Misti", uma exibição telúrica de fogo, lava e névoa transformada em uma engenharia sonora vibrante e inquietante, uma jornada repleta de dinamismo rock espetacular levado ao extremo. Em pouco mais de 12 minutos, os riffs de guitarra entregam doses generosas de potência cortante, e os floreios do saxofone ecoam essas vibrações intensas; o theremin voa livremente enquanto a seção rítmica estabelece a base para uma exploração lúdica de diversos temas. O álbum combina perfeitamente a magia única do King Crimson da era 1973-74, a bravata visceral dos três primeiros álbuns do Guru Guru e a sólida presença do avant-prog contemporâneo (pensando na extinta Perhaps e na banda japonesa Happy Family) com os lampejos deslumbrantes do Hawkwind do período 1971-73; essa demonstração de polimorfismos progressivos eletrizantes constitui um excelente ponto de partida. 'Muca' cumpre a difícil tarefa de suceder uma faixa de abertura tão impactante, e o faz criando uma rotina psicodélica intensa em sua passagem inicial, que sem dúvida ecoa o núcleo sonoro furioso de 'Explosión Del Misti'. No entanto, não termina aí, pois em uma segunda seção o grupo se concentra em um dinamismo mais contido, construído sobre um swing de tenor com toques de fusion: o solo de saxofone é incrivelmente evocativo, provocando a entrada de uma guitarra complementar, enquanto o baixo estabelece uma base harmônica atraente. O epílogo desta faixa nos surpreende, conduzindo-nos, guiados por uma das guitarras, a uma paisagem tranquila envolta em névoa outonal. A terceira faixa do álbum é também a mais longa – com 16,5 minutos – e se chama 'Cholacos'. Esta maratona musical explora, com uma abordagem mais contida, as esferas da complexidade psicodélica já exploradas nas faixas anteriores, aprofundando seu potencial mais épico: assim, atinge-se o ápice decisivo do álbum. Com o reforço de elementos de math rock operando dentro da estrutura musical predominante, a banda alcança uma vivacidade revigorante para suas aventuras sonoras. Tudo flui naturalmente, mantendo seu pulso robusto, culminando em um pouso relativamente estoico onde a luminosidade revela sua mais pura serenidade.
A maioria das faixas deste lançamento segue o estilo clássico da banda: um rock progressivo bom, versátil e intenso. No entanto, encontramos algumas faixas que revelam tendências novas e interessantes em sua música. É aí que reside o fator surpresa.
O rock progressivo tem poucos, mas excelentes, expoentes em nossa capital, e o Cholo Visceral é um deles. Depois de causar um forte impacto na cena local há alguns anos com o lançamento de seu EP de estreia, a banda nos surpreende novamente com Vol. II, seu segundo álbum. Uma produção na mesma linha de seu antecessor, mas com algumas surpresas que demonstram maior versatilidade no som da banda.
Como definir o som do Cholo Visceral? Em resumo: estridente, acelerado e imbuído de misticismo. As influências da música andina, do rock psicodélico e do jazz são evidentes e conferem à música da banda sua própria identidade. Eles já demonstraram tudo isso em seu primeiro EP, Cholo Visceral, lançado há mais de três anos. Nesse contexto, ouvimos este novo trabalho na esperança de encontrar um elemento inovador.
O começo não parecia muito promissor. Explosión del Misti segue a mesma linha das faixas do primeiro álbum: músicas longas repletas de mudanças de ritmo, com a guitarra, a bateria e o saxofone disputando a atenção a cada minuto. Nessa mesma linha, surgem Muca, com um ritmo mais calmo, e Cholacos, que possui uma atmosfera particularmente sinistra. Esta última é a música mais longa do álbum, uma peça complexa que reflete novamente o virtuosismo da banda na composição.
Até aqui, o álbum pode parecer uma continuação do que a banda já havia feito (mais do mesmo), mas então vem a surpresa. Jarjacha é uma música com influências tanto folk quanto contemporâneas. Com o violão acústico em destaque, acompanhado por uma linha vocal sutil, representa um sopro de ar fresco em relação às faixas progressivas extraordinariamente longas mencionadas anteriormente. A guitarra elétrica entra e sai como bem entende em cada seção, no momento exato.
Em seguida, vem a faixa que dá nome ao grupo, Cholo Visceral. Com a abertura energética característica da banda, a música gradualmente se dissipa, retornando ao estilo folk da faixa anterior. O saxofone desempenha um papel fundamental na criação dessa nuance no som do grupo, e os instrumentos irrompem repetidamente ao longo da canção. Em seguida, começa "10 Years of Terror", com um início poderoso, alguns momentos intensos e uma atmosfera sombria, mas nada que já não tenhamos ouvido antes.
O álbum encerra com "El paso entre las lomas" (O Passo Entre as Colinas), a música mais curta e possivelmente a mais sutil de todas. Os teclados e efeitos sonoros são muito bem colocados e contribuem para a autenticidade da faixa, diferenciando-a completamente das demais. Talvez não seja exatamente a faixa de encerramento que esperávamos, mas sem dúvida é uma das mais cativantes deste álbum.
Vol. II é, em grande parte, uma continuação do que já havia sido estabelecido no EP de estreia do Cholo Visceral. A banda demonstrou sua capacidade de criar faixas longas e complexas que apenas destacam sua versatilidade e domínio dos instrumentos. No entanto, as faixas mais curtas são a maior novidade desta produção. Diferentemente das demais, ambas foram compostas exclusivamente por dois membros do grupo: Arturo Quispe contribui para "El paso entre las lomas" e Manuel Villavicencio faz o mesmo com "Jarjacha". Em ambas, encontramos novas nuances e linhas que a banda poderia, e deveria, explorar em trabalhos futuros para evitar a estagnação musical.
Classificação: 7/10
Franco Martinez




E agora, o último comentário, que ilustra o seguinte...

O segundo álbum do Cholo Visceral, simplesmente intitulado "Volume II", serve como confirmação. Ele reafirma seu estilo progressivo, hilário e visceral, penetrando em espaços inexplorados e forjando um som único e distinto.
As faixas do álbum demonstram claramente essa ambição progressiva de criar músicas completas, sustentadas por sua longa duração e virtuosismo instrumental. Ao contrário de outros estilos, a execução bem-sucedida de uma abordagem progressiva requer não apenas profundidade emocional, mas também a habilidade instrumental dos músicos. E os membros do Cholo Visceral provam que possuem essas credenciais.
"Cholacos" se destaca como uma das faixas que melhor encapsula a visão do grupo. A atmosfera não uniforme, com suas constantes subidas e descidas, acelerações e pulsações, nos coloca em uma montanha-russa. Nesta faixa, essa dinâmica se desenrola naturalmente, sem artifícios ou pretensões, mas com muitas surpresas.
Outras passagens do álbum revelam referências inegáveis ​​às raízes andinas. Embora alguns títulos de músicas já sugiram uma origem cultural fora da capital (“Muca”, “Explosión del Misti”), é em “Jarjacha” e “Cholo Visceral” que o simbolismo e as referências a sons locais se tornam mais evidentes. O surgimento dessas conexões confere uma certa identidade nacional à música do grupo. No entanto, esses artifícios também podem interromper o fluxo natural da performance. Vale lembrar que a fusão é comum na produção estilística atual e possui um forte apelo.
A capacidade de criar atmosferas densas é um dos pontos fortes do grupo. A partir dessa base, eles podem explorar diversos caminhos. Esperemos que continuem a explorar essa ampla gama de possibilidades para evitar a repetição.
Nota: 7,2/10
Oscar Bermeo Ocaña

 
 
Você pode ouvir o álbum na íntegra na página do Bandcamp:
https://cholovisceral.bandcamp.com/album/vol-ii
 
 
Lista de faixas:
01. Explosión del Misti
02. Muca
03. Cholacos
04. Jarjacha
05. Cholo Visceral
06. 10 años de terror
07. El paso entre las lomas

Alinhamento:
Arturo Quispe / Guitarras, ruído, teclados e vocais
Israel Tenor / Guitarras e ruído
Manuel Villavicencio / Baixo, guitarra acústica/elétrica e vocais
João Orosco / Bateria
Silvana Tello / Theremin, vocais e percussão
Max Vega / Saxofone alto
 



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