"Manhole", de jan/74, foi o primeiro álbum solo oficial de Grace Slick. Foi lançado próximo de "Dragon Fly", a estreia do Starship, em out/74. Curiosamente, enquanto o primeiro do Starship traria foco renovado nas FMs comerciais, "Manhole" era o oposto, uma imagem de Slick, a modelo que virou hippie e depois a radical de esquerda musicalmente experimental. A faixa-título tinha quase 15 minutos e meio de Rock underground e uma orquestra de 42 instrumentos (sim, psicodelia orquestrada). Um troço amplamente alienígena, cabeça e longe de ser comercial. Uma excentricidade natural considerando-se a personalidade peculiar de Slick. Os ataques ao governo, a música densa, estimulante e totalmente exagerada, a ótima voz dela, em retrospectiva, "Manhole" tinha muito a oferecer aos fãs, uma magia, um charme típico dos dias de glória. "Dreams", de mar/80, seu segundo esforço solo, foi bem diferente, um set inconsistente, errático, embora às vezes atraente. Canções escritas após uma passagem pelos Alcoólicos Anônimos revisitando reflexões e expiações. O resultado eram letras muito menos obtusas, mais acessíveis do que o normal, uma verdadeira decepção para os fãs acostumados com seu lado mais poético e desafiador. Musicalmente, era algo menos focado, que prenunciava o Arena Rock insípido do próximo álbum solo. Havia, no entanto, alguns momentos fortes como em "El Diablo", "Full Moon Man", "Seasons" e na faixa-título. Uma aquisição indicada apenas para completistas.
"Welcome to the Wrecking Ball", de jan/81, foi lançado junto com um disco só de entrevistas, que na verdade era bem mais divertido (só foi enviado pelos Correios). Bem, o guitarrista Scott Zito aparecia como protagonista e Slick mais apenas como vocalista. A faixa-título era até surpreendentemente pesada, mas havia pouca coisa interessante e tudo servia mais para se descobrir qual era o humor de Slick naquela fase. "Software", de 84, seria seu quarto e último trabalho solo. Aqui, a análise é completamente outra. Um verdadeiro deleite, Slick apresentando canções Pop contemporâneas com sua visão de esquerda modernizada, num resultado altamente divertido. Há o lado mais esquizofrênico dela, há mantras Techno maravilhosos, há elementos inovadores, uma artista mainstream fazendo música maravilhosamente arrogante e verdadeiramente alternativo. Trabalhando com Ron Nevison (talvez em seu melhor trabalho), ela criou atmosferas descontraídas e acertar em cheio. Um álbum moderno e um capítulo de destaque em sua ilustre carreira. Em paralelo, entre 85-87, houve um momento em que ela se tornou o único membro do Airplane no Starship (época dominada pelo vocalista Mickey Thomas em que a banda alcançou três sucessos no topo das paradas: "We Built This City", "Sara" e "Nothing's Gonna Stop Us Now" com os álbuns "Knee Deep in the Hoopla" e "No Protection"). Apesar do sucesso, Slick sempre reportou-se negativamente à experiência desta fase. Ela deixaria o Starship em 88 e, no ano seguinte, junto com os ex-membros reformaria o Airplane. Após um álbum de reunião autointitulado e uma turnê de sucesso, a banda novamente se separou e Slick resolveu se aposentar do mundo da música. Numa entrevista em 98, ela disse nunca ter sentido vergonha de envelhecer e explicou as razões de sua aposentadoria da música: "Todos os roqueiros acima de 50 anos parecem estúpidos e deveriam se aposentar". Em 2007, ela repetiu sua crença: "Você pode tocar Jazz, música erudita, Blues, Ópera, Country até os 150 anos, mas Rap e Rock'n'Roll são realmente uma forma de os jovens descarregarem a raiva. É bobo tocar uma canção que não tem mais relevância no presente ou expressa sentimentos que você não tem mais". Apesar da aposentadoria, Slick apareceu duas vezes na versão renovada do Jefferson Starship de Paul Kantner (uma em 95 e outra em 2001). Nesta segunda vez, foi num show pós-11/set e ela subiu ao palco coberta de preto da cabeça aos pés com uma burca improvisada. Então, de repente, removeu a burca e revelou uma bandeira americana e as palavras "Fuck Fear". Ela disse: "Este traje não é sobre o Islã, é sobre opressão. Esta bandeira não é sobre política, é sobre liberdade". Após se aposentar da música, Slick começou a pintar e desenhar. Ela fez muitas interpretações de seus colegas músicos dos anos 60, como Janis Joplin, Jerry Garcia e outros. Slick é apaixonada pela arte desde criança, antes de se dedicar à música. Em 2000, ela começou a expor e vender suas obras de arte. Ela participou de muitas exposições de arte nos EUA. Na maior parte, ela se manteve longe da música, embora tenha participado da faixa "Knock Me Out", do álbum "In Flight", estreia solo de 96 da ex-cantora do 4 Non Blondes e amiga de sua filha China, Linda Perry. Grace Slick publicou sua autobiografia, "Somebody To Love? A Rock and Roll Memoir", em 98. Em um artigo em 2001, Slick disse: "Estou com boa saúde e as pessoas querem saber o que faço para ser assim... Não como queijo, não como carne - a questão é que eu sou vegana". No entanto, ela admitiu que "não sou vegana estrita, porque sou uma porca hedonista. Se eu vejo um grande bolo de chocolate feito com ovos, eu o comerei". Em 2006, Slick foi diagnosticada com diverticulite (inflamação no intestino). Após uma cirurgia inicial, ela teve uma recaída, necessitando de nova cirurgia e traqueotomia. Ela foi colocada em coma induzido por dois meses e depois teve que aprender a andar novamente. Também em 2006, Slick fez um discurso na inauguração da nova companhia aérea Virgin America, que batizou sua primeira aeronave de Jefferson Airplane. Em 2010, Slick co-escreveu "Edge of Madness" com a cantora Michelle Mangione para arrecadar dinheiro para esforços de remediação após o derramamento de óleo da BP no Golfo do México. Grace também fez backing vocals na canção. Nos últimos anos, Slick fez aparições esporádicas e deu entrevistas de rádio. Ela aceitou o prêmio Grammy Lifetime Achievement do Jefferson Airplane em 2016 e fez uma aparição para a inauguração da estrela da banda na Calçada da Fama de Hollywood, em 2022.







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