Usualmente, descrito como um supergrupo, "Il Volo" (trad.: o voo) foi uma banda de estúdio formada por músicos muito conhecidos, todos egressos de outras bandas bastante famosas na época. Alberto Radius (guitarras, violões, cítara e vocais) e Gabriele Lorenzi (órgão, sintetizadores Moog e Eminent, cravo) haviam participado do "Formula 3", trio que entre 69-70 acompanhou o grande Lucio Battisti, que para ela escreveu diversas canções, confiando-os como executores de sua veia Rock mais profunda. O Formula 3 se separou em 74 devido ao desejo de Mogol (pseudônimo de Giulio Rapetti Mogol, letrista e produtor musical italiano) e da Numero Uno (gravadora criada por um grupo de compositores/músicos anteriormente ligados à Dischi Ricordi, na esteira de divergências artísticas) de criar o "Il Volo". Mario Lavezzi (guitarras, violões, bandolim, vocais) vinha da banda "Flora Fauna Cemento" (70-73, da qual permaneceria como produtor), Bob Callero (baixo) vinha de trabalhos nas bandas "Osage Tribe" (entre 71-73, projeto iniciado com Franco Battiato como algo bem experimental, mas que depois de sua saída seguiu como trio de Prog-Rock e lançou o álbum "Arrow Head", em 72) e "Duello Madre" (entre 73-74, grupo nascido em Gênova a partir de um desdobramente do Osage Tribe envolvendo, além de Callero, o virtuoso guitarrista Marco Zoccheddu e o baterista Dee Lo Previte, do Circus 2000, e Treviso Pippo Trentin nos sopros, que lançou o álbum autointitulado em 73). Gianni Dall'Aglio (requisitado bateria) vinha do "I Ribelli" (icônica banda dos anos 60, nascida para acompanhar o cantor Adriano Celentano, mas que depois fez carreira de forma independente) e de trabalhos com Lucio Battisti (entre 68-74) e inúmeros outros artistas italianos. Vince Tempera (compositor, arranjador, piano acústico e elétrico, clavinet) vinha de projetos como The Pleasure Machine (entre 69-72, trio com Ellade Bandini e Ares Tavolazzi), o álbum "Terra in Bocca" do I Giganti (1971, do qual foi arranjador, já destacado nesta coluna) e participações em diversos outros trabalhos. Perceba, então, por toda essa descrição, que realmente tratava-se de uma nova banda com alto gabarito (que foi vista, na época, como uma ampliação do Formula 3, que passava de trio para sexteto).
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| Gabriele Lorenzi e Mario Lavezzi (dois atrás), Alberto Radius e Bob Callero (dois no meio) e Gianni Dall'Aglio e Vince Tempera (dois na frente) |
Sob produção do próprio Mogol, este grupo estrelado e de pedigree, partiu para gravar o primeiro álbum, autointitulado "Il Volo". Gravado em mar/74 (nos estúdios Fono - Roma Sound Recordings, na cidade de Cologno Monzese, perto de Milão) e lançado logo depois, trouxe Rock Progressivo forte, com o mais alto calibre de musicalidade, combinando empolgação e ótimas interações instrumentais acústico/elétrico. Lindos e evocativos vocais em italiano (com várias vocalizações de apoio), letras escritas por Mogol, teclados não tão melódicos (liderados não pelo órgão, mas pelo piano ou pelo clavinete), muitos sintetizadores sustentando paisagens sonoras, emocionantes solos de guitarra por todo lado, baixo estrondoso e bateria ondulante, um verdadeiro monumento de elegância do Prog italiano. Este álbum é considerado por muita gente um clássico de tirar o fôlego com alguns dos melhores momentos do gênero já gravados. Há sim outros que apontam uma "sombra de Lucio Battisti", mas a música que dali brota é tão rica e gratificante, calorosa e acessível, emocional e sensível, tão apaixonante que tais aspectos ficam diminuídos no todo. A intenção da gravadora Numero Uno era usar o grupo e tê-lo disponível também como "banda de apoio" para diversos outros artistas (de fato, o Il Volo tocou em "Anima Latina", nono álbum de Lucio Battisti, lançado em 74, também em "Lucio Battisti, la batteria, il contrabbasso, eccetera", lançado em 75, porém as relações entre Alberto Radius e Mogol se deterioram e isto levou a uma alteração da formação da banda em outros trabalhos a partir de 76).
Antes disso, porém, eles conseguiram produzir um segundo álbum, "Essere O Non Essere?" (trad.: ser ou não ser?), quase totalmente instrumental (poucos vocais), no mesmo espírito da estreia (talvez, um pouco mais silencioso), com toda aquela deliciosa interação instrumental, melodias não tão cativantes (é verdade), mas com uma influência Jazz-Rock maior (sem incomodar) e um desbunte musical arremessando a banda para outros mundos sonoros. O foco nunca esteve no exibicionismo, mas na expansão de motivos musicais ao longo de jams elaboradas em que cada membro interagisse de forma fluída com os demais. Com dois guitarristas, dois tecladistas e sólida cozinha rítmica, o resultado é entusiático e genuinamente agradável, contendo uma complexidade que não assusta (apesar de existir). Surgem toques de harmônicos árabes em certas camadas exóticas de teclados, adornos percussivos, enquanto os solos de guitarra e as exigentes linhas de baixo assumem papel proeminente. Camadas de sintetizadores misteriosas (atitude Space Rock), compassos intrincados, diálogos bem ordenados, uso de prelúdios e interlúdios lentos (criando imaginários musicais alados), sempre com enorme classe e habilidade. Segundo Lorenzi, as escassas letras cantadas aconteceram por conta de uma briga entre Radius e Mogol, deixando-as inacabadas. Um incidente que levou à uma abordagem diferente (os vocais apenas esboçam melodias de maneira sussurada, usados como instrumento e criando uma originalidade involuntária). Prog, Jazz, atmosferas mediterrâneas e orientais, música fluente e sugestiva, sem pontos fracos. O grupo de apresentou no Festival del Proletariato Giovanile, em Parco Lambro (perto de Milão) organizado pela revista Re Nudo, e também no Festival pop di Villa Pamphili, em Roma, saiu em turnê com o cantor Francesco De Gregori e tocou no álbum "Amore dolce, amore amaro, amore mio", do cantor Fausto Leali. No final de 75, a banda se separou (nesta época, Bob Callero já havia saído e sido substituído por Michele Seffer). Vários dos músicos continuaram prestando trabalhos à gravadora Numero Uno, como no álbum "TIR", de Loredana Bertè (de 78), que contou com Mario Lavezzi e Vince Tempera nos arranjos e Gianni Dall'Aglio numa faixa,





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