Fundada em Bolton, Inglaterra, em 1967, esta banda de Prog Folk Rock lançou três álbuns entre 1971-73, antes de encerrar atividades no ano seguinte. Originalmente, o Spirogyra começou como um duo Folk formado por Martin Cockerham (um grande fã de Bob Dylan e The Incredible String Band) e Mark Francis (com experiências numa banda de Blues), no verão de 67 (eles eram amigos de escola). Era a época do "Flower Power". Entretanto, esta encarnação não produziu gravações e acabou no final de 68, quando Cockerham resolveu viajar pela Europa e Israel.
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| Martin Cockerham |
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| Steve Borril, Julian Cusack, Barbara Gaskin e Martin Cockerham |
Nesta época, eles fizeram gravação de duas demos na sala de música da Keynes College e elas foram usadas por Max Hole para lhes conseguir um contrato com Sandy Robertson e sua September Productions (aliás, estas gravações passariam 30 anos num sótão até ressurgirem na compilação "Burn The Bridges: The Demo Tapes 1970-1971", lançada em 2000). Com as viagens se estendendo por toda a Inglaterra, eles precisaram solicitar uma licença na universidade (e ver até onde a carreira musical os levaria). Também passaram a viajar para a Holanda, Dinamarca, França e Alemanha. O nome "Spirogyra", lá atrás, havia sido ideia de Cockerham tendo uma ameba, um organismo vivo elementar e primordial em mente, e assim, depois de tudo isto, em 1971, surgiu o álbum de estreia intitulado "St. Radiguns" (nome da rua em que ficava a casa de cinco quartos nos fundos da catedral). Com produção de Robert Kirby (que também produziu Nick Drake), foi gravado no Sound Techniques Studio (em Londres, onde o mesmo Drake e a Incredible String Band gravaram com o mesmo engenheiro de som, Jerry Boys). Uma experiência incrível, emocionante estar num estúdio de gravação de verdade, essencialmente com a banda tocando numa sala e o som sendo mixado ao vivo em estéreo, sem overdubs. O resultado foi vibrante, vivo, cheio de uma intensidade apaixonada. Lançado via B&C Records (na Inglaterra, mas com acordos de distribuição pontuais em diversos países), teve adição de Kirby ajudando nos arranjos (e também cordas/trompete), Tony Cox no sintetizador e Dave Mattacks (do Fairport Convention na bateria, que também trabalhava como "session musician"). Embora fosse um grupo saído de Canterbury, o Spirogyra não se encaixava no famoso som de lá e desenvolvera um dos melhores exemplos de Prog Folk Rock caprichosamente inglês. Música aventureira, muito climática, letras com consciência política e românticas, tudo repleto de ótimas interações instrumentais e com um ótimo duo de vozes (Cockerham e Gaskin). Acid Folk excelente, evitando clichês tradicionais, super inventivo (o suficiente para poder ser chamado de "Prog Folk"), com algumas faixas estupendas e fascinantes, musicalmente complexas, belas melodias, impregnado da então cultura da época e de humor inglês. O álbum era repleto de uma abordagem renovada do Folk, tomando as raízes e acrescentando ideias imaginativas atemporais. Inspirado, com os sublimes vocais mezzo sopranos de Gaskin, com mudanças surpreendentes de andamento, cheio de joias cintilantes, em performances ardentes, criando dimensões Prog a todo instante (com piano, violino, contrabaixo, sintetizador, flauta etc.). As ricas melodias pareciam brincar com as texturas, andamentos e estilos, de um modo completamente envolvente.
Entretanto, a música do Spirogyra possuía uma atmosfera peculiar. Folk básico de violões, um ou dois vocais (os de Cockerham soando confrontadores e libertários), aumentado moderadamente por vários outros instrumentos (principalmente violino e baixo). Violões energéticos, linhas precisas de baixo e violino em uníssono, com ou sem percussão, adições de cordas e um nível emocional mais cru e autêntico. Muitos já classificaram esta música como "Folk psicológico", talvez pelos comentários sociais da época, mas a maioria a considera um grande disco de Prog Folk (pela infusão criativa do Folk britânico tradicional, outrora plácido, agora criativo e trilhando caminhos até então inexplorados).





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