A alta rotatividade no The Fall e a lendária briga em 1998
As mudanças de formação do The Fall viraram assunto lendário no R'n'R. Já virou até desafio catalogar todos os ex-membros que passaram pela banda. Só para você ter ideia, uma tecladista chamada Ruth Daniels durou apenas um dia na banda. Um jornalista do jornal The Guardian dedicou-se à tarefa e alcançou um número de mais de 66 ex-membros. Parece até que esta rotatividade toda era parte de um projeto, algo como a ideia de um time de futebol, de vez em quando era necessário trocar peças, segundo uma declaração do próprio líder Mark E. Smith. É mole? The Fall era uma banda ligada ao movimento Pós-Punk capaz de shows (e álbuns) totalmente imprevisíveis. Há inúmeros casos, mas vou destacar aquela noite de 7/abr/98, no Brownie's, no Lower East Side, em NYC. Neste show, estourou uma briga feia entre o baterista de longa da data da banda Karl Burns (com eles, desde 1977) e o vocalista Mark E. Smith. Antes do amanhecer do dia seguinte, Smith seria preso por agressão. Pior: ele descobriria que os outros três membros da banda (entre eles, Steve Hanley, baixista fundamental na história do The Fall, na banda desde 1979) haviam desistido e aquele havia sido, portanto, o último show daquela formação. Foi foda, afinal a junção de Hanley com o guitarrista Craig Scanlon (que havia deixado o Fall em 95) havia permitido a criação de álbuns fenomenais como "Perverted By Language", "This Nation's Saving Grace" e "Hex Enduction Hour". Até mesmo para um turrão como Mark E. Smith, não deve ter sido fácil ver esses caras irem embora. Smith era dono de um gênio volátil, rabugento, autossuficiente e não devia mesmo ser fácil conviver com ele por muito tempo, ainda mais trabalhando. Neste show em abr/98, as frustrações transbordaram. Reza a lenda que três dias antes, os ânimos já haviam explodido durante um show na Filadélfia no qual Hanley e Smith já havia brigado fazendo metade da banda sair do palco enojada, deixando apenas Smith e a tecladista Julia Nagle para segurar a apresentação (o que voltou a acontecer no Brownie's). Uma turnê pelo Reino Unido antes da viagem para os EUA também já havia sido uma bagunça (parece que a banda havia recebido uma conta de impostos e a irritação pela ameaça de perda de bens etc. fora o estopim de discussões ríspidas). Fato é que ninguém queria dividir quarto com Smith e houve muitas brigas (inclusive físicas) naquele período. Lamentável. No Brownie's, a primeira metade do show foi até de ótima qualidade, mas aí começou a confusão. Num certo momento, Smith pegou as baquetas extras de Burns e jogou-as no chão. O baterista então saltou sobre a bateria e partiu para cima de Smith. Foram empurrões, expressões "elogiosas", mas fato é que a banda acabou retomando o show e tocando mais seis canções. Mas a briga continuou no hotel, que chamou a polícia e esta prendeu Smith. Ele passou 48 horas preso. Hanley, Burns e Tommy Crooks (que era então o guitarrista) se demitiram e voaram de volta para Manchester, na Inglaterra. Uma pena porque este fantástico núcleo nunca mais seria reconstituído. Para o "difícil" Mark E. Smith, isto não foi problema. The Fall continuaria até jan/2018, quando Smith morreu de câncer no pulmão e nos rins. Era o fim de uma banda ícone do Pós-Punk. E veja só o que eu encontrei o YouTube (onde mais?): imagens deste show do The Fall no Brownie's. Pelas barbas do profeta! Uau!
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