Power trio lendário (que fez música entre o Hard Rock e o Prog-Rock), formado em Londres, em 1969, por J. Peter Robinson (teclados), John Gustafson (baixo) e Mick Underwood (bateria). Underwood havia tocado anteriormente com Ritchie Blackmore no The Outlaws. Gustafson havia sido membro do Cass & the Cassanovas, no Big Three, no The Seniors e no The Merseybeats (bandas de Liverpool do início dos anos 60). J. Peter Robinson havia estudado piano e composição na prestigiosa Royal Academy of Music. Os três se encontraram no Episode Six, banda londrina que tinha Roger Glover e Ian Gillan na formação (Mick Underwood já estava na bateria, desde 68). Quando, em jun/69, Ritchie Blackmore e Jon Lord vieram assisti-los tocar (e ofereceram a Gillan e a Glover trabalho no Deep Purple). O Episode Six ainda tentou continuar com Gustafson no lugar de Glover e agregou um novo tecladista, Pete Robinson (que estava ensaiando com a vocalista Sheila Carter, que havia criado a banda em 64 junto com Glover), mas foi aqui que Robinson, Gustafson e Underwood decidiram formar um novo projeto (era set/69). O nome escolhido saiu de um tal professor Bernard Quatermass, um cientista (personagem ficcional) que havia sido herói em três programas de ficção científica produzidos pela BBC nos anos 50. Após alguns shows, a banda conseguiu assinar com a Harvest Records, então um novo selo voltado para o Rock Progressivo de propriedade da gigante EMI.
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| Gustafson, Robinson e Underwood |
O órgão Hammond era o instrumento principal no som do Quatermass e a música que o trio começou a criar era compacta, rica de ideias, com vocais fortes (de Gustafson), arranjos complexos e tudo enriquecido por arranjos espaçosos nos moldes do The Nice. Gravado nos estúdios Abbey Road (da EMI), com produção do sueco Anders "Henkan" Henriksson e com capa feita pelo estúdio Hipgnosis, "Quatermass", o álbum de estreia surgiu em mai/1970. Obrigatório hoje para entusiastas do Rock Progressivo, especialmente para os amantes da vertente dominada por teclados, este disco trouxe música colorida, poderosa e comovente. Sim, uma mistura de Blues, Rock, erudito e sinfônico, mas o som do Quatermass estava longe de cópia. Havia força, direção, personalidade marcante e instrumental voluptuoso. O formato Power Trio funcionou muito bem, inclusive com o trabalho de cordas (em duas faixas: 16 violinos, 6 violas, 6 violoncelos e 3 contrabaixos acústicos). Peter Robinson desfilava seu esplêndido talento no órgão Hammond A3, mas também no piano, no clavinete Hohner, no cravo (harpsichord), nos sintetizadores, nos moduladores e nos arranjos para as cordas e no geral. Claramente, a ideia era fazer um Prog com base Hard (pense numa mistura entre ELP e Deep Purple). Não era um som complexo e ultra elaborado, mas música entusiasmada e cheia de energia. As resenhas foram boas, a banda excursionou por todo o Reino Unido para promover o álbum (houve performances em rádios/TVs europeias coincidindo com o lançamento do álbum em vários países) e lançou dois singles ("Black Sheep Of The Family" e "One Blind Mice", sem grande repercussão).
Na sequência, partiu em turnê pelos EUA, na esperança de entrar no lucrativo mercado americano, mas a falta de apoio empresarial (entenda: falta de grana por trás) prejudicou os seus esforços (esta turnê nos EUA teve muitos problemas) e o Quatermass se separou no retorno à Inglaterra, em abr/71. Mick Underwood se juntou a Paul Rodgers no projeto "Peace" (trio de curta duração que existiu entre a primeira separação do Free na primavera de 71 e a volta no começo de 72), tocou em projetos menores (Sammy, Strapps), atuou como baterista de sessões de gravações e também na banda solo de Ian Gillan. Pete Robinson tocou com muita gente (Brand X, Phil Collins, Mike Rutherford, Shawn Phillips, Carly Simon, Bryan Ferry, Stealers Wheel, The Hollies etc.), tornou-se um arranjador profissional de sucesso (trabalhou para Eric Clapton, Manhattan Transfer, Al Jarreau, Melissa Etheridge etc.) e fez muitas trilhas de filmes (de TV e cinema) e séries. Johnny Gustafson acabou se tornando muito bem sucedido também: participou do projeto "Bullet / Hard Stuff" (entre 71-73, com pessoal do Atomic Rooster), tocou com Chi Coltrane, Kevin Ayers, Ian Hunter, Bryan Ferry, Steve Hackett, ingressou no Roxy Music (entre 1973-76 e participou dos álbuns "Stranded", "Country Life", "Siren" e "Viva!"), Ian Gillan Band (entre 76-78), tocou com muita gente, mas morreu em 2014 aos 72 anos.
A curta vida do Quatermass (e o fraco desempenho nas paradas da época) fez com que o trio fosse rapidamente esquecido. Entretanto, quando Ritchie Blackmore resolveu incluir um cover da faixa "Black Sheep Of The Family" em seu "Ritchie Blackmore's Rainbow" (de set/75) - aliás, originalmente o guitarrista fez sessões em Tampa Bay/FL em dez/74 quando gravou um single experimental testando o vocalista Ronnie James Dio com esta canção e mais "Sixteenth Century Greensleeves" - isto chamou muita atenção e o interesse no único álbum do Quatermass voltou, o disco foi relançado e vendeu mais de 20 mil cópias instantaneamente. Desde então, ganhou status de cult e resenhas retrospectivas muito positivas. Todo aquele Hard-Prog setentista, com toda a base Blues-Rock, um caldeirão de elementos da época, puxando a música para um lado mais pauleira, porém com toques eruditos/sinfônicos, foi revalorizado. O trio ganhou proporções míticas, de pérola perdida na história.
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