O grupo chileno Quilapayún formou-se em 1965, compondo letras inspiradas em questões sociais do país e combinando-as com arranjos musicais autóctones. Em 1966, a banda conquistou o primeiro lugar no Festival de Festivales, lançando seu primeiro álbum no mesmo ano. O cantor e compositor folclórico Victor Jara auxiliou a banda na promoção de sua música e na produção do álbum Canciones Folkloricas de America. Como embaixador da Nova Canção Chilena, o Quilapayún realizou sua primeira turnê europeia em 1968. Devido às mudanças políticas e sociais no Chile no início da década de 1970, o grupo viveu em outros países por mais de uma década.
Basta (Chega!/Das genügt!) é um álbum lançado por Quilapayún em 1969. Reúne uma coleção eclética e diversificada de canções populares/folclóricas e hinos de diferentes partes do mundo: da América Latina, da antiga URSS e da Itália. Este álbum inclui "La muralla"/O muro - uma das canções folclóricas mais populares da América Latina - baseada no texto de um poema do poeta cubano Nicolás Guillén.Os arranjos vocais são meticulosos na maioria das canções e atingem seu ápice nas gravações de "Bella Ciao", "Por montañas y praderas" e "Patrón". Este álbum – assim como X Vietnam – exemplifica uma das características mais inovadoras e distintivas da Nova Canção Chilena: seu internacionalismo.
A declaração a seguir foi feita por Quilapayun e constava nas notas do encarte do álbum original Basta, lançado em 1969 , e na reedição do álbum na Itália, em 1974. (Portanto, não está presente nesta edição). Esta declaração, contudo, pode não constar nas reedições em CD mais recentes desta gravação.
A importância do papel que a arte desempenha para os movimentos revolucionários do nosso povo foi abordada pela primeira vez em nosso país por uma carta histórica – que serve de introdução a esta gravação – assinada pelo primeiro líder da causa proletária no Chile, Luis Emilio Recabarren.
Desde a sua criação, o nosso grupo definiu o seu trabalho como comprometido com os interesses do proletariado e não ocultou, nem jamais ocultará, os seus objetivos políticos. Isto nasce da necessidade de permanecermos sempre fiéis à verdade nascente que impulsiona e mobiliza o nosso povo rumo à hora da sua autêntica realização histórica.
Todos os artistas que têm a oportunidade de dedicar seu trabalho à causa revolucionária devem fazê-lo, cumprindo assim não só sua responsabilidade para com a classe trabalhadora, mas também para com a própria arte. Em uma era de exploração e miséria, de subjugação, de guerras cruéis e injustas, de egoísmo desenfreado e de repressão que viola a vontade do povo, que busca se libertar do imperialismo e do capitalismo, os artistas que se mantêm neutros e se beneficiam de sua posição privilegiada na sociedade – que, de mil maneiras, visa suborná-los e aliená-los – traem a própria essência da arte.
Uma essência que anseia por libertar, educar e elevar a humanidade.
A sociedade burguesa quer que a arte seja mais um fator que contribui para a alienação social; nós, artistas, devemos transformá-la em uma arma revolucionária, até que a contradição existente entre arte e sociedade seja finalmente superada.
Essa superação se chama revolução, e seu motor e agente fundamental é a classe trabalhadora. Nosso grupo, fiel aos ideais de Luis Emilio Recabarren, vê seu trabalho como uma continuação do que já foi alcançado por muitos outros artistas populares/folclóricos. Este lado das trincheiras foi ocupado por artistas cujos nomes estão para sempre ligados à luta revolucionária do nosso povo; o primeiro Luis Emilio Recabarren, os mais recentes: Violeta Parra e Pablo Neruda. O exemplo que nos deram é a luz que nos guia.
Lista de faixas:
1. “A la mina no voy” (Não volto à mina) (Folclore colombiano)
2. “La muralla” (O muro) (Nicolás Guillén - Quilapayún)
3. “La gaviota” (A gaivota) (Julio Huasi – Eduardo Carrasco)
4. “Bella ciao” (Folclore italiano - Hino dos Partisans italianos)
5. “Coplas de Baguala”/Canções Copla de Baguala (Folclore argentino)
6. ”Cueca de Balmaceda” (Dança Cueca para Balmaceda) (Popular)
7. ”Por montañas y praderas (Sobre montanhas e pradarias) (Hino do Exército Vermelho Soviético)
8. ”La carta” (A carta) (Violeta Parra)
9. ”Carabina 30-30" (da Revolução Mexicana)
10. ”Porqué los pobres no tienen...” (Porque os pobres não têm...) (Violeta Parra)
11. ”Patrón” (Senhorio)(Aníbal Sampayo - povo uruguaio)
12. ”Basta ya” (Das genügt!) (Atahualpa Yupanqui)
Pessoal
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