quarta-feira, 3 de junho de 2026

Ty Segall – Mr. Face (2015)


Ty Segall, que teve um 2014 em cheio graças a Manipulator, até pode ter prometido desacelerar o ritmo de edições este ano, mas a sua energia continua a levar a melhor.

Depois de ter feito, para a redacção Altamont, o quarto melhor disco do ano passado, já lançou, em Janeiro, a compilação $ingle$ 2 e este Mr. Face, que nos traz aqui hoje.

Mr. Face é um EP de quatro músicas, funcionando como um duplo single do antigamente, em dois discos de 45 rotações. Segall, seguindo eventualmente o exemplo de Jack White nas explorações dos limites físicos do vinil, apresenta a sua obra como “o primeiro par de óculos 3D tocável”. O que isto significa é difícil de dizer sem ter o objecto nas mãos, mas na prática a ideia será colocar cada rodela sobre cada olho, permitindo ver com nitidez os efeitos incorporados a capa e as gravuras de Mr. Face. Uma edição limitada destinada aos colecionadores, sem dúvida.

Mas exactamente o que temos nestes quatro novos temas, nestes 13 minutos de nova música do Senhor Segall?

Temos qualidade, mais uma vez.

O primeiro tema, o homónimo “Mr. Face”, é um som de base inicialmente acústica e que nos lembra as sonoridades das bandas britânicas e americanas do início dos anos 60. Uma óptima entrada, que nos apetece saltar para o carro e conduzir ao sol que começa a aparecer por terras lusas.

Segue-se “Circles”, igualmente uma delícia retro mas com pendor mais cheio e mais psicadélico, com a entrada em cena de uma flauta descontrolada que acelera tudo até final.

“Drug Mugger” é o tema que mais facilmente nos remete para a sonoridade e para o tipo de composição de Manipulator, na sua faceta mais drogada e relaxada, com um ligeiro toque glam.

“The Picture”, que encerra o EP, é o momento mais calmo e contemplativo, que nos leva quase ao universo dos Big Star. Poderia ser uma pista sobre para onde Segall se dirige, mas com este rapaz nunca se sabe o que virá a seguir.

Genericamente, Mr. Face é a prova de que a fonte de Ty Segall não dá mostras de secar. E que, quando ele não está simplesmente a dar largas ao fuzz e à pura energia, o seu trabalho eleva-se mais uns degraus de excelência.


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