Ano: 2000 (CD 2000)
Gravadora: Disky Communications (Holanda), SI 990322
Estilo: Classic Rock, Glam Rock, Progressive Rock
País: Londres, Inglaterra
Duração: 72:37
O cantor e compositor, embora não tenha conseguido destronar David Bowie, produziu sucessos bem elaborados, com destaque para "Make Me Smile (Come Up and See Me)".
Steve Harley era muitas coisas, mas um homem modesto não era uma delas.
Em sua primeira grande entrevista para a imprensa musical – antes do lançamento do álbum de estreia do Cockney Rebel, quando tudo o que haviam lançado era um único single com uma orquestra de 40 músicos, que não conseguiu entrar nas paradas do Reino Unido – ele proclamou sua banda "uma força musical que outros seguirão" e se colocou diretamente contra os maiores nomes do pop britânico. O Cockney Rebel, sugeriu ele, daria um "chute na bunda" de David Bowie: "ele vai dizer 'Preciso pisar fundo para me manter no topo'".
Quando chegou, o álbum de estreia do Cockney Rebel trazia uma música chamada Mirror Freak, que anunciava em alto e bom som que ele iria suplantar Marc Bolan – “bonitinho demais para ser uma grande estrela do rock” – no coração do público: “Podemos sentir que uma mudança está a caminho… um novo homem parece estar conquistando… você é a mesma coisa de sempre”.
Harley tinha o hábito de desdenhar de qualquer banda que tivesse um guitarrista solo, um músico notavelmente ausente da formação do Cockney Rebel, e em outra ocasião, afirmou que a banda era tão boa que só poderia ter havido intervenção divina: “Sinto que Deus me tocou e disse: 'aqui está uma missão e alguém tem que cumpri-la'”.
Essa era uma grande declaração que talvez revelasse algo sobre a experiência de Harley como jornalista: ele pode ter trabalhado apenas para jornais locais, mas sabia o que rendia uma matéria interessante. A questão é que, pelo menos por um momento, Harley pareceu ter o que era preciso para sustentar suas declarações mais extravagantes.
Os dois primeiros álbuns do Cockney Rebel, The Human Menagerie e The Psychomodo, chegaram junto com os primeiros sinais de que o glam rock estava em declínio, ou pelo menos que seus expoentes mais talentosos estavam seguindo em frente – Bowie havia acabado com Ziggy Stardust, Bolan havia declarado o gênero “morto” e “constrangedor” – e sugeriam a chegada de uma nova abordagem.
Independentemente da opinião de Harley sobre guitarras elétricas, sua relativa, senão completa, ausência no som do Cockney Rebel lhes conferia um claro diferencial. Impulsionados pelo piano elétrico e pelo violino elétrico de Jean-Paul Crocker, era possível perceber a influência de Bowie e do rock'n'roll dos anos 50 que foi uma referência constante no glam, mas seu som também se inspirava na psicodelia, no cabaré de Brecht e Weill, no folk (Harley havia se apresentado em clubes de folk na Grã-Bretanha e como músico de rua com violão) e, ocasionalmente, na música clássica.
Sua voz era um escárnio afetado que por vezes lembrava um pouco Ray Davies, dos Kinks, e por vezes parecia prenunciar a chegada do punk – certamente combinava perfeitamente com suas letras, repletas de imagens sensacionalistas – “viciado em absinto e narcisos/contando histórias de gardênias brancas” – e carregadas de desprezo mordaz.
01. Make Me Smile - Come Up And See Me (04:03)
02. Love - Compared With You (04:23)
03. Judy Teen (03:43)
04. Mr. Raffles - Man, It Was Mean (04:36)
05. Mr. Soft (03:22)
06. Sebastian (06:58)
07. That's My Life In Your Hands (03:51)
08. Here Comes The Sun (02:59)
09. All Men Are Hungry (04:49)
10. Roll The Dice (03:28)
11. The Best Years Of Our Lives (05:47)
12. Star For A Week - Dino (04:39)
13. Rain In Venice (04:53)
14. The Last Time I Saw You (05:40)
15. Psychomodo (04:06)
16. Irresistable - Remix (05:12)

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