quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Grandes álbuns do Prog-Rock: Fruupp - "Seven Secrets" (1974)

Este grupo foi reunido pelo guitarrista/compositor Vincent McCusker no início de 1971, em Belfast, capital da Irlanda do Norte, e consistia dos músicos (todos com formação em conservatório) Peter Farrelly (baixo e vocais principais), Stephen Houston (teclados e oboé) e Martin Foye (bateria e percussões). McCusker (nascido na pequenina cidade de Maghera, no condado de Londonderry, perto de Belfast) já havia sido membro da "The Blues By Five", uma banda de bailes que atuava pelos clubes da região indo até Dublin (capital da outra Irlanda). Não havia tantos lugares para se tocar por ali naquela época e McCusker pretendeu montar uma banda de Rock Progressivo e migrar para Londres. Ele passou alguns meses lá procurando músicos para trabalhar em suas ideias, mas desapontado retornou à Belfast e recrutou a turma acima. Eles se denominaram "Fruupp", uma palavra surgida de um Letraset usado (aquelas cartelas com adesivos de letras do alfabeto maiúsculas e minúsculas) - a cartela estava toda usada, exceto pelas letras F, R, U (2x) e P (2x). 
Martin Foye, Stephen Houston, Vincent McCusker e Peter Farrelly
A banda foi morar e ensaiar numa casa em ruínas em Belfast. Isto foi no verão de 1971. O primeiro show aconteceu no Ulster Hall, na capital, em 23/jun/71, abrindo para Rory Gallagher (em carreira solo). Não demorou, eles compraram uma van Ford Transit 1967 meio sambada e passaram a viajar. Vince McCusker chamou seu amigo de infância Paul Charles, que já havia gerenciado o "The Blues By Five", para ser o empresário/agente/engenheiro de som/roadie/faz-tudo do Fruupp. No período entre jul/71 e jul/73, a banda tocou muito por todo lado (inclusive no Cavern Club original), abrindo para artistas como Queen, Supertramp, Electric Light Orchestra, Focus, Hawkwind, Man, Focus, Genesis com Peter Gabriel, entre outros. O Fruupp fez parte de um circuito de apresentações ao vivo e, por isso tocava muito (neste início, foram cerca de 230 noites por ano e algumas tardes também). Em 29/mar/73, a banda visitou um pequeno estúdio na Fulham Palace Road, em Londres, onde gravou uma demo tape com quatro canções autorais. Entre elas, estava "Decision", uma canção muito bonita que encantou Robin Blanchflower, diretor de A&R da Pye Records (gravadora inglesa de Cambridge, que estava montando um selo só para música underground e Prog chamado Dawn Records). Em jul/73, o Fruupp assinou com a Dawn.
Em ago/73, a banda fez uma pausa nas constantes viagens e entrou no Escape Studios, em Kent, para gravar seu álbum de estreia, "Future Legends". Este disco foi praticamente tirado dos sets ao vivo que a banda fazia (e que já estavam bastante testados). Por isso, o resultado foi bastante sólido. Trabalho de guitarras abrasador, teclados contemplativos, o oboé de Stephen Houston, algumas faixas instrumentais, impressionante interação e destreza instrumental. Era um Prog-Rock com influências Blues Rock/Irish Folk e voltado ao então emergente sinfônico (com grande senso de melodias, drama, letras orientadas à fantasia - delineadas pela arte da capa feita pelo baixista/cantor Farrelly). O resultado ficava entre o Barclay James Harvest, o Curved Air e o Camel. "Lord Of The Incubus"(6:25), "Song For a Thought"(7:30), "Olde Tyme Future"(5:37) e "Decision"(6:26) eram quatro das melhores canções feitas pela banda em toda sua vida. O álbum foi lançado em out/73 e o Fruupp embarcou imediatamente numa turnê que terminou em 29/nov com um show mágico no The Whitla Hall, em Belfast, com participação da Ulster Youth Orchestra. Aquele ano terminou em alta e as coisas pareciam encaminhadas para um futuro promissor. O Fruupp era uma real banda de shows e este tipo de banda tinham público cativo. Este público comprou o álbum "Future Legends" (que era realmente bem bom), que deu-lhes um novo perfil nacional trazendo mais gente ainda para os shows. Em jan-fev/74, entre shows, a banda voltou ao Escape Studios, em Kent, para gravar seu segundo álbum. O Fruupp tinha apenas seis novas canções quando entrou no estúdio. Uma sétima canção, "Seven Secrets", nome que viria a ser dado ao álbum, foi criada dentro do estúdio. Os destaques eram "White Eyes"(7:16), "Wise As Wisdom"(7:07), "Garden Lady"(9:00) e "Three Spires"(5:00). Um trabalho aventureiro que confirmou todas as boas ideias anteriores. Melhor do que a estreia, embora semelhante em vários aspectos, com partes épicas lentas, pitadas de Jazz, desbunde instrumental, cordas, arranjos preciosos, composições sinuosas e com mudanças dramáticas, Prog sinfônico atmosférico com passagens do Folk irlandês, canções suaves na maior parte do tempo. "Seven Secrets" era, portanto, mais elaborado, menos cru, mantendo os arranjos eruditos e as boas melodias Prog-Folk Rock. Orquestrações suaves, ótimos teclados, vocais sensíveis e calorosos e, desta vez, a guitarra de McCusker ficando numa posição coadjuvante. Provavelmente, "Seven Secrets" seja o melhor álbum completo do Fruupp. Um trabalho relaxante, acolhedor e capaz de transportar o ouvinte. O álbum foi lançado em abr/74 e a banda iniciou outra turnê que só terminou em junho em Londres. A essa altura, o Fruupp já havia desenvolvido todo um lado visual e teatral em suas performances (pense Genesis). A banda seguia em direção ascendente. Começou uma nova turnê pelo Reino Unido com a fabulosa banda Man. Seus shows ficaram maiores e melhores.
Ainda lançaria outros dois álbuns. O terceiro foi o conceitual "The Prince of Heaven's Eyes" (sobre as aventuras de um garoto que, com a morte de seus pais, resolvera sair pela Irlanda em busca do fim do arco-íris) lançado em nov/74 (e que superou as vendas dos dois primeiros e os catapultou para shows lotados). Entretanto, em jan/75, o tecladista Stephen Houston resolveu sair (por motivos religiosos!). A banda seguiu como trio até recrutar John Mason, em mar/75. Seymour Stein, chefão da Sire Records em NYC, havia agendado para estar presente num show do Fruupp. Sua ideia era contratá-los e promovê-los nos EUA. Infelizmente, com a partida de Houston, este show foi em trio e não foi legal. Deu tudo errado. Entre jul-ago/75, o novo Fruupp com Mason e sob produção Ian McDonald (ex-King Crimson) entrou no Island Studios, em Londres, e gravou o quarto e último álbum, "Modern Masquerades", lançado em nov/75, suportado por uma turnê até fev/76. Entretanto, o ímpeto foi diminuindo. O movimento Punk/New Wave já ameaçava o Prog-Rock. Eles até começaram a trabalhar num quinto álbum, mas optaram em se separar.




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