terça-feira, 25 de agosto de 2026

Grandes álbuns do Prog-Rock: Paladin - "Charge!" (1972)


Paladin foi uma banda de Rock Progressivo inglês e lançou dois álbuns pelo selo Bronze Records. Foi fundada em 1970 em Gloucestershire pelo multi-instrumentista de formação erudita Peter Solley e pelo baterista de Jazz Keith Webb, ambos ex-membros da Terry Reid Band (pela qual, em turnês norte-americanas, abriram para o Cream em 1968 e para os Rolling Stones em 1969 - Reid era empresariado por Mickie Most, sócio de Peter Grant, o que levou Jimmy Page a se interessar pelo trabalho de Reid. Quando os Yardbirds se separaram, Page procurou Reid para ser o novo cantor. Reid já estava comprometido nas turnês citadas acima, não pode e indicou um jovem cantor de Birmingham, Robert Plant, que ele havia conhecido quando a Band Of Joy abriu um de seus concertos).
Peter Solley, Derek Foley, Keith Webb, Lou Stonebridge e Peter Beckett
A ideia de Solley e Webb era se livrarem das restrições criativas impostas como músicos de apoio numa banda de outro e criar sua própria banda. A dupla levou meses procurando os músicos certos, compondo repertório e ensaiando. Os demais membros do Paladin eram Derek Foley (guitarras, ex-Grisby Dyke), Lou Stonebridge (teclados e vocais, ex-Glass Menagerie e também ex-Grisby Dyke) e Peter Beckett (baixo, ex-Winston G/The Whip e também ex-World of Oz). Durante os ensaios, ficou claro que o Paladin iria ser uma banda boa ao vivo. Ao invés de gravarem uma demo tape, eles convidaram pessoas da indústria fonográfica para assisti-los nos ensaios (que aconteciam numa sede de fazenda, a Slowwe House, em Arlingham, Gloucestershire - uma enorme construção antiga na qual eles estavam vivendo).
Eles faziam uma mistura rica de Rock, Blues, Soul, Jazz e música latina. O emprego de dois tecladistas (Solley e Stonebridge) produzia também sons únicos. No final de 1970, a banda caiu na estrada e passou a fazer shows ao vivo. O primeiro deles foi no importante The Revolution Club, em Londres. Essas apresentações foram notadas pelo então novo selo Bronze Records (que também gravou Uriah Heep e Manfred Mann). Após algumas negociações, o Paladin assinou contrato e começou a trabalhar mirando a produção de um álbum.
Em 8/jan/71, o Paladin entrou no Olympic Studios em Londres para gravar seu primeiro álbum homônimo, produzido por Philamore Lincoln (partes do disco também foram gravadas no Island Studios, também em Londres). Quase tudo foi gravado ao vivo no estúdio, com mínimos overdubs. Esta estreia da banda sempre permanecerá à sombra do seu magnífico sucessor. Certamente, nele havia indícios do que viria, mas no geral o resultado ficava a desejar. Havia o belo trabalho de teclados, porém prejudicados por alguns vocais medianos. Havia uma faixa instrumental apenas razoável (arruinada por um longo solo de bateria), a produção poderia ter sido mais imaginativa e havia até um rap (!) inacreditável numa faixa (isto anos antes da popularização desta praga). Havia uma falta de direção musical em meio a um monte de ideias atiradas (Art Rock, Country-Rock, Santana, trilha do filme Shaft, Caravan, Wishbone Ash). Não era uma porcaria, apenas uma estreia mediana (considerando a qualidade dos músicos envolvidos), que não levava a lugar algum, embora promissora. As resenhas até foram boas, mas as vendas foram desapontadoras. Eles excursionaram pela Inglaterra e Europa, tocando em todos os grandes clubes da época. O vocalista/tecladista Lou Stonebridge se acidentou quando uma mesa usada como extensão do piso do palco colapsou durante um show. Ele deslocou o ombro e isto trouxe problemas para a banda. Apesar deste fraco desempenho nas vendas, o Paladin foi autorizado a gravar um segundo álbum. Então, um ano depois, sob produção de Philamore Lincoln e Geoff Emerick (que foi engenheiro de som no álbum "Sgt. Pepper", dos Beatles), a banda entrou no famoso Apple Studios, em Londres.
Lançado em 1972, "Charge!" trouxe arte da capa feita por Roger Dean (instantaneamente reconhecível e alegada pelo artista como um de seus trabalhos mais difíceis) e representou um enorme salto à frente em relação à estreia sem brilho. Recorrentemente considerado pela imprensa especializada como uma obra-prima do Hard Prog dos anos 70, "Charge!" explorou interessantes áreas do gênero combinando influências Folk ("Watching The World Pass By") com R'n'R ("Well We Might") e Rock Psicodélico (a maravilhosa "Mix Your Mind With The Moonbeams", toda atmosférica, vocais viajantes). Melódico, soando algo como o Uriah Heep do início, elementos de Beatles e Procol Harum, órgão Hammond, mellotron, adicionando Hard Rock, guitarras vibrantes, camadas de teclados, interlúdios, violino, gaita, um álbum realmente soberbo, que mesmo sendo um retrato de seu tempo ainda permanece muito agradável. O instrumental era excelente (afinal, todos ali já eram "veteranos" de outras bandas) e o Prog se misturava à tantos elementos gerando um álbum sólido e bem eclético. Os vocais foram compartilhados pelos membros da banda. Infelizmente, foi outro trabalho sem sucesso comercial, o que levou à frustração e à decisão de Stonebridge e Foley de saírem da banda em abr/72. Eles seriam substituídos por Joe Jammer (vocais e guitarras) e como quarteto o Paladin excursionaria por toda a Europa e Inglaterra. Entretanto, essa formação não duraria muito e, no final de 72, a banda anunciaria o fim.
Peter Solley iria tocar em diversas outra bandas (inclusive com Eric Clapton, Whitesnake e Procol Harum) e atuar como produtor (para Peter Frampton, por exemplo). Keith Webb teve um clube em Stafford por onde passou muita gente famosa (incluindo o Dire Straits do início). Ele também tocou com diversos grandes nomes e depois migrou para a Espanha. Lou Stonebridge tocou com McGuinness Flint e depois com David Byron (ex-Uriah Heep). Peter Beckett mudou-se para os EUA, fundou a banda "Player", virou vocalista e teve um hit nº. 1 com "Baby Come Back". Derek Foley tocou com Graham Bond e formou a Snafu (com o guitarrista Micky Moody). O Paladin, durante sua vida, gravou também versões das canções presentes em seus dois único álbuns vertidas mais para um Jazz-Rock. Estas gravações ficaram esquecidas por quase 25 anos (!) até o lançamento da compilação "Jazzattack", em 2002. A banda também, durante sua existência, gravou ao vivo para a BBC, mas estas fitas devem estar guardadas nos arquivos da empresa e até hoje nunca vieram à luz. 


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