terça-feira, 25 de agosto de 2026

Rainbow: projeto de Ritchie Blackmore que produziu clássicos do Hard Rock

 


Joe Lynn Turner, Roger Glover, Chuck Burgi, David Rosenthal e Ritchie Blackmore
Para o álbum seguinte, "Bent Out Of Shape" (lançado em ago/83), o baterista Bobby Rondinelli (que havia substituído Cozy Powell) foi trocado por Chuck Burgi. Foi o terceiro com o vocalista norte-americano Joe Lynn Turner. O Rainbow manteve-se "ampliando horizontes" com um som crossover pronto para as rádios (pense AOR bem americanizado), entretanto buscando não perder a força e garantindo a essência Hard Rock. O resultado foi um álbum que, na superfície, tinha impacto instrumental, mas abaixo dessa superfície as canções não tinham ganchos fortes e nem eram memoráveis em si mesmas. Como de costume, havia algumas performances sensacionais de Ritchie Blackmore, mas também havia uma forte sensação de "fórmula". Os singles da vez foram "Street Of Dreams" e "Can't Let You Go". A turnê de divulgação do álbum trouxe a banda de volta à Inglaterra e também ao Japão, em mar/84, quando tocou com uma orquestra completa num concerto filmado. Então, em abr/84, foi anunciada a tão sonhada volta da formação MK II do Deep Purple (Blackmore e Glover vindo do Rainbow, Gillan vindo do Black Sabbath, Lord vindo do Whitesnake e Paice vindo da Gary Moore Band), que gravou um novo álbum em ago/84, "Perfect Strangers" (lançado em out/84). Isto levou à dissolução temporária do Rainbow. Em mar/86, no entanto, surgiu o álbum "Finyl Vinyl", montado a partir de faixas ao vivo e lados B de singles (principalmente da era Joe Lynn Turner, mas também das era Dio e Bonnet). O álbum acabava oferecendo uma "história" alternativa e casual da banda projetada para fãs hardcore (em 86, vamos ser realistas, era quase só eles que o Rainbow tinha). Para eles, aliás, o álbum era realmente um deleite. O Rainbow sempre soou melhor nos palcos do que em estúdio. Neles, o som era mais cru, mais Hard, mais vivo. As canções que soavam mal acabadas em estúdio, ao vivo ganhavam vida nova. Bem, isso não quer dizer que "Finyl Vinyl" fosse um disco perfeito. Os lados B eram interessantes, mas não exatamente essenciais. A sequência das faixas não fazia sentido e havia as pretensões eruditas de Blackmore (como a instrumental "Difficult To Cure", que incluía a 5ª sinfonia de Beethoven, gravada no último show deles no Budokan com acompanhamento de uma orquestra completa). Entretanto, era uma adição bem-vinda à discografia da banda e uma boa maneira de fechar um ciclo. Uma curiosidade: a foto icônica da capa com Ritchie Blackmore foi tirada por Ross Halfin após um concerto no Deutschlandhalle, em Berlim, em nov/82. 
Doogie White, Paul Morris, Ritchie Blackmore, John O'Reilly, Greg Smith
Em 93, Blackmore saiu novamente do Deep Purple (desta vez, definitivamente) devido à "diferenças criativas" com outros membros. Ele decidiu reformar o Rainbow com um novo quinteto (repleto de músicos semi-desconhecidos), incluindo Doogie White (cantor escocês), Greg Smith (baixo), Paul Morris (teclados) e John O'Reilly (bateria), mais Candice Night (nos vocais de apoio) e Mitch Weiss (na harmônica) como convidados. Originalmente, a ideia de Blackmore era gravar um álbum solo, mas por pressões da gravadora o trabalho recebeu o nome "Ritchie Blackmore's Rainbow" tornando-se "Stranger In Us All" (lançado em ago/95), o oitavo álbum de estúdio do Rainbow e o primeiro em doze anos. Esta nova versão da banda não era inovadora (quanto a versão original com Ronnie Dio), nem a versão AOR voltada às rádios (com Joe Lynn Turner). Era basicamente um esforço semi inspirado de reconexão à sua base de fãs de Hard Rock. É preciso reconhecer: todas as encarnações do Rainbow são reverenciadas nos círculos do bom e velho Hard Rock. Há os roqueiros (como eu) que preferem infinitamente a fase Dio, mas há fãs apaixonados pelas fases Graham Bonnet e Joe Lynn Turner. De alguma maneira, a música criada pelo Rainbow se tornou muito influente, quase tanto quanto à do Deep Purple em seus anos com Blackmore. Aliás, é preciso contextualizar: Blackmore havia conhecido Candice Night, em 1989. Ela era fã do Rainbow e lhe pediu um autógrafo. Nesta época, Candice trabalhava numa rádio em NYC. Os dois começaram a viver juntos em 1991 e descobriram uma paixão mútua pela música renascentista (música europeia dos séculos XV e XVI, uma coda para a música medieval). Na época da remontagem do Rainbow, o duo já planejava um projeto próprio com sabor renascentista, o Blackmore's Night. Por isso, a presença de Candice em algumas letras e nos backing vocals. O álbum "Stranger In Us All" tinha algumas canções bem decentes e os destaques claramente eram "Hunting Humans (Insatiable)" e "Black Masquerade", as que melhor recapturavam a energia, o drama e a dinâmica do Rainbow clássico. Havia ainda a gravação de estúdio para "Still I'm Sad", cover dos Yardbirds que o Rainbow de Dio sempre executava em shows. Doogie White era um vocalista capaz, mas sem a personalidade própria e cativante de seus antecessores. Outra questão relevante foi que o disco foi lançado no pós-Grunge e isto dificultou resenhas favoráveis. Alcançou um modesto sucesso, particularmente na Europa e Japão. Houve uma longa turnê mundial em 95 (o show em Düsseldorf, Alemanha, foi filmado para o programa de TV Rockpalast - DVD "Black Masquerade", lançado em 2013). Este álbum foi o último do Rainbow e rapidamente caiu no esquecimento na medida em que Blackmore decolou seu projeto com Candice. O último show do Rainbow foi em Esbjerg, Dinamarca, em mai/97. Em jun/97, surgiu "Shadow Of The Moon", a estreia do Blackmore's Night.
Então, novamente o Rainbow acabou em 1997. Mas várias das canções da banda seguiram sendo tocadas ao vivo por novos projetos de seus ex-membros e até pelo Blackmore's Night. Em 2009, Joe Lynn Turner, Bobby Rondinelli, Greg Smith e Tony Carey criaram a banda tributo "Over The Rainbow" com Jürgen Blackmore, filho de Ritchie, como guitarrista. O projeto tocava canções de todas eras da banda. Surpreendentemente, em 2015, Blackmore anunciou que iria retornar ao Rock e fazer um concerto no verão de 2016 sob o nome de "Ritchie Blackmore's Rainbow" (seu primeiro show do gênero desde 97). Uma nova formação do Rainbow foi anunciada: Ronnie Romero (vocais), Jens Johansson (tecladista), David Keith (bateria) e Bob Nouveau (baixo). Esta "volta" foi apresentada como headliner na edição alemã do Monsters of Rock Festival. Eles estrearam em 17/jun/2016 em Loreley Freilichbühne, num show ao ar livre. Em 18/jun, tocaram em outro show ao ar livre, em Bietigheim-Bissingen e o terceiro e último show aconteceu no Birmingham Genting Arena, na Inglaterra. Em jun/2017, houve uma pequena turnê de quatro datas no Reino Unido (um deles, em Manchester, não aconteceu). Em 2018, surgiu "Memories In Rock II (Live)", com um show na Alemanha. Em abr/2018, a banda tocou em Moscou, San Petersburgo, Helsinque, Berlim e Praga. O futuro do Rainbow se tornou incerto, desde então. Ritchie Blackmore voltou seu foco para o Blackmore's Night, mas novos shows nunca estão realmente descartados. 



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