E aqui vai uma dica para vocês. Comprei este álbum junto com uma pilha de outros discos de jazz funk (mais este) por um preço bem em conta. Mas assim que vi a lista de artistas neste álbum, soube que seria o melhor de todos.
Por onde começar? Eu digo que devemos culpar Sylvester Levay e partir daí. Quem? Ele é o húngaro que tocou no lendário álbum underground de Krautrock, Vita Nova, junto com um Eddy Marron pré-Dzyan. Enquanto estava na Alemanha, ele percebeu (com muita perspicácia) que a disco music poderia ser a próxima moda. Então ele forma o Silver Convention, reúne umas beldades, lança "Fly, Robin, Fly" e é "um sucesso estrondoso". Uau! Dança, dança, dança!
Seguindo uma linha semelhante, há alguns anos deparei-me com um álbum de disco do ORS (Orlando Riva Sound) que contava com algumas figuras ilustres do Krautrock no Moog. O precedente havia sido estabelecido.
Com esse prelúdio, permitam-me apresentar Dieter Reith. Ele se provaria o Wolfgang Dauner da próxima geração. Dauner era um tecladista de jazz que flertava com o jazz rock pesado e até mesmo com o Krautrock. Mas ele não estava acima das normas da cultura pop e também se aventurou um pouco na psicodelia em sua época (alguém se lembra de The Oimels?). Reith também era um tecladista de jazz que tocava jazz rock pesado. Mas sua cultura pop seria a disco, com D maiúsculo. Para acompanhá-lo nessa jornada, ele trouxe Siggi Schwab e Dave King, ambos com passagens por bandas como Embryo, entre muitas outras. E Curt Cress na bateria. Ele até mesmo recrutou Ralf Nowy no saxofone. Todos esses são nomes de peso no underground alemão.
Então, independentemente do estilo, as composições (principalmente de Reith) serão de primeira classe, com melodias memoráveis. E muitos teclados analógicos encorpados dos anos 70 para dar o toque final perfeito. Tudo isso com uma orquestra de cordas (do Helmut Geiger Group, que não teria a menor chance de ser popular de outra forma) e uma batida 4/4, elementos obrigatórios para fazer deste um álbum disco. Curt Cress deve ter adorado o cachê que recebeu por isso. Sem firulas ou improvisos, apenas manter o ritmo. Uma tarefa difícil.
Mais divertido ainda é o próprio título do álbum. Foi lançado na Alemanha, país de origem da banda, com o nome de Power Sandwich. A que se refere isso? Estamos décadas antes de o termo "Power Lunch" (almoço de negócios) se popularizar no meio empresarial. Melhor ainda, na Espanha, optaram por Disco Sandwich. Disco Sandwich ? Que genial! Deveriam ter chamado de Tuna Taco (taco de atum) para ir direto ao ponto. Falando em mulheres, parece que Schwab aproveitou uma boa noite de luxúria. Ele também esteve envolvido com os álbuns do Vampyros Lesbos.
Nos Estados Unidos, esses títulos não iam pegar, por assim dizer. Que tal "Fly Disco Fly"? É, de jeito nenhum a gente ia tentar lucrar com a Convenção de Prata nem nada do tipo. Quer dizer, eles só venderam milhões de cópias. Obviamente não funcionou, já que quem diabos já ouviu falar desse álbum?

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