terça-feira, 22 de setembro de 2026

Morreu o músico Jorge Palma, tinha 76 anos


 A família recorda que Jorge Palma, com uma carreira com mais de meio século, "deixa uma obra assinalável que faz parte da história" portuguesa, bem como "muitos amigos pelo mundo, pessoas que conquistou com a sua generosidade e genialidade".

O músico Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu na segunda-feira à noite, aos 76 anos, anunciou esta segunda-feira a família.

"É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória", refere a família do músico, numa mensagem partilhada nas redes sociais.

Num momento descrito como de "dor incalculável", Rita Tomé, mulher do músico, os filhos, Vicente e Francisco Palma, e os seus agentes, André Sebastião e Tiago Branco, pediram que Jorge Palma seja recordado através daquilo que melhor o definiu: as suas canções e as suas palavras. A família agradeceu também as manifestações de amizade recebidas ao longo dos anos. As informações sobre as cerimónias fúnebres serão divulgadas posteriormente.

Uma carreira de várias décadas

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma entrou cedo no universo da música. Aos seis anos começou a ter aulas e, quatro anos mais tarde, ingressou no Conservatório de Música de Lisboa.

Mas aos 14 anos decidiu afastar-se da música clássica e virar-se para o pop-rock, iniciando um percurso que viria a atravessar várias gerações da música portuguesa.

Antes de começar a editar em nome próprio, passou pelos grupos Sindicato, que participou na primeira edição do Festival de Vilar de Mouros, em 1971 e Black Boys. Paralelamente, começou a trabalhar em áreas como a composição, a orquestração e a gravação.

Em 1972, editou o primeiro single a solo, "The Nine Billion Names of God". Pouco depois, foi chamado para o serviço militar. Optou então por deixar Portugal e fixar-se na Dinamarca.

Regressou a Portugal depois do 25 de Abril

O regresso aconteceria em 1974, depois do 25 de Abril. De volta ao país, trabalhou como orquestrador e, no ano seguinte, lançou o primeiro álbum, "Como uma viagem na palma da mão".

Ao longo da carreira, acrescentaria mais 13 discos de originais. Para Jorge Palma, cada álbum funcionava como um retrato de uma determinada fase da sua vida. Numa entrevista à Lusa, em 2022, explicava que as pessoas com quem se relacionava, os lugares onde vivia, o quotidiano, aquilo que ouvia e o que lia acabavam por deixar marcas diferentes em cada disco.

Na década de 1980, novamente em Lisboa, retomou os estudos de piano no conservatório, que concluiu em 1990. No ano seguinte surgiu "Só", um trabalho em que revisitou, apenas ao piano, canções dos seus discos das duas décadas anteriores, tornando-se a primeira coletânea da sua carreira.

Os anos 1990 trouxeram novos caminhos. Jorge Palma criou a Palma's Gang, ao lado de Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e de Flak e Alex Cortez, dos Rádio Macau. Compôs para teatro e para outros artistas e integrou o projeto Rio Grande. Depois de uma década de múltiplas experiências, regressou aos álbuns de originais com "É proibido fumar", em 2001.

Seguiram-se "Norte", em 2004, "Voo nocturno", em 2007, e "Com todo o respeito", em 2011. O último álbum de estúdio, "Vida", chegou em 2023.

A música acabaria também por aproximá-lo dos filhos em palco. Em maio do ano passado, Jorge Palma estreou "3 palmas na mão", espetáculo em que atuava ao lado de Vicente Palma, nascido em 1983 e integrante da banda que acompanhava o pai há cerca de duas décadas, e de Francisco Palma, nascido em 1995.

Ao longo dos anos, o seu trabalho foi distinguido com vários prémios. Em 2002, recebeu o Prémio José Afonso pelo álbum "Jorge Palma". Dez anos depois, venceu a primeira edição do Prémio Pedro Osório, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, com "Com todo o respeito".

Recebeu várias distinções

Em 2020, no final de um concerto que assinalou os seus 70 anos, foi distinguido pela Câmara Municipal de Lisboa com a medalha de mérito cultural. Nesse mesmo ano, recebeu do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a condecoração de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Já em abril deste ano, Jorge Palma recebeu o Prémio Carreira dos 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa, atribuído por decisão da direção da Audiogest, entidade que representa e gere os direitos das editoras multinacionais, nacionais e independentes.

Entre discos, palcos, colaborações e palavras transformadas em canções, Jorge Palma construiu uma carreira marcada por diferentes fases e geografias, mas sempre com a música como ponto de encontro.

A família recorda que Jorge Palma, com uma carreira com mais de meio século, "deixa uma obra assinalável que faz parte da história" portuguesa, nem como "muitos amigos pelo mundo, pessoas que conquistou com a sua generosidade e genialidade".

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