sábado, 3 de setembro de 2022

Barão Vermelho completa 40 anos com projeto de releituras

 

SiteBARAO VERMELHO CREDITO MARCOS HERMES

Banda lança quatro EPs com novas versões para sucessos, Lados B e clássicos

Uma das bandas mais importantes e longevas do rock nacional, o Barão Vermelho — hoje formado por Rodrigo Suricato (guitarra, violão e voz), Fernando Magalhães (guitarra e violão), Guto Goffi (bateria) e Maurício Barros (teclados e vocais) — comemora 40 anos de estrada.

O grupo, que também já contou com nomes como Rodrigo Santos, Roberto Frejat e Cazuza, decidiu fazer releituras de canções de todas as fases da carreira. São quatro EPs que formarão um álbum e que também estão sendo apresentados no canal Bis.

Divididas em “Acústico”, “Clássicos”, “Blues & Baladas” e “Sucessos”, as canções vão aparecendo em verões bem diferentes das que foram registradas nos discos.

— Foi uma briga de foice no escuro escolher quais canções iriam fazer parte do projeto. Além dos membros da banda ainda tivemos nossos dois empresários participando do processo de escolha. No fim, decidimos que cada um iria escolhendo uma música e ninguém teria poder de veto — conta Fernando Magalhães, que faz parte do Barão desde 1985.

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Quem conferir as versões acústicas de “Bete Balanço” e “Por você” (com a participação de Chico César) vai entender a razão da longevidade da banda e o porquê dela continuar arrebatando novos fãs.

— O Barão está sempre em movimento. Não damos chance de alguém (e nós mesmos) enchermos o saco da gente. Sempre colocamos algum “molho” novo nas canções e isso agrada aos fãs mais antigos e aos que nunca viram um show nosso — explica Magalhães.

Aliás, além dos novos arranjos, a lista de convidados especiais ajuda ainda mais a mudar o sabor das canções. Samuel Rosa (“Maior Abandonado”), o já citado Chico César e um tal de Frejat (“Pro dia nascer feliz”) são alguns dos ótimos nomes que participam do projeto.

Mas, qual dos EPs deve ser ouvido (e visto) primeiro?

— O acústico foi o mais desafiador em termos musicais. O dos sucessos é sempre um prazer e um risco. O clássicos, recheado de canções “Lado B” é uma delícia, já que não tocamos muito várias dessas canções. O “Blues & Baladas” tem algumas das minhas canções favoritas. Portanto, é muito difícil escolher um para ouvir primeiro. Talvez seja melhor ir ouvindo na ordem que estão sendo lançados (risos) — conclui o guitarrista.

Toda sexta-feira chega nas plataformas digitais um EP e, no dia 3 de setembro (sábado) será exibido no canal Bis a última parte das apresentações gravadas em junho no Rio de Janeiro e que teve direção do jornalista Rodrigo Pinto

Rock in Rio começou sexta-feira (dia 2) com Iron Maiden e dia do metal!!

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O dia do metal vai abrir a edição de 2022 do Rock in Rio, nesta sexta-feira (2), com Iron Maiden como a atração principal. Esta é nada menos que a quinta vez que o grupo britânico marca presença no Rock in Rio – tocando inclusive na primeira edição, em 1985, quanto na mais última, em 2019.

A banda apresenta a turnê do Rock in Rio de três anos atrás, “Legacy of the Beast”. Ela é baseada em um jogo, com cenários do palco que lembram as fases desse game. Mas eles voltam renovados por “Senjutsu”, épico de 81 minutos, lançado em 2021.

O Sepultura abre o Palco Mundo do festival em 2022 em show com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Depois chega Gojira com destaque para “Amazônia”, música protesto contra a destruição da floresta brasileira. No palco mundo o destaque final fica com o Dream Theater, que fecha a noite em sua estreia no Rock in Rio.

O encontro de Steve Vai e Living Colour e o Bullet For My Valentine são os destaques do Palco Sunset. O Ratos de Porão vai estrear no festival no Palco Supernova. Outra atração é banda do Chef Fogaça, o Oitão, no Rock District.


Megadeath lança álbum inédito, escute “The Sick, The Dying… And The Dead!”

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Os Megadeath está lançando o seu 16º álbum de estúdio, “The Sick, The Dying… And The Dead!” com doze novas faixas. O disco está disponível em CD, vinil, cassete e também nos formatos digitais.

A primeira canção a ser liberada de “The Sick, The Dying… And The Dead! foi a música feroz, “We’ll Be Back”. Ela foi acompanhada por “We’ll Be Back: Chapter I”, um curta épico de ação que conta a trajetória do mascote do Megadeath, Vic Rattlehead. Produzido por Dave Mustaine, “We’ll Be Back: Chapter I” é uma história de bravura, sacrifício pessoal e força para sobreviver. Foi a primeira parte de uma trilogia de vídeos preparando a chegada de “The Sick, The Dying… And The Dead!”.

“Pela primeira vez em muito tempo, tudo que precisávamos está em seu devido lugar neste disco”, entusiasmou-se Dave Mustaine. “Mal posso esperar para que chegue ao público!”


O Megadeath revelou recentemente seu roteiro para a web 3.0, oferecendo experiências expandidas ao fã-clube Cyber Army. O primeiro lançamento em NFT será uma coleção chamada RATTLEHEADS, que se baseia em quase 40 anos de temas e imagens icônicas de Vic Rattlehead.

NO BAIRRO DO VINIL

 

Santinho das Neves - Arriba a leva

São poucos os artistas que conhecemos que conseguiram conciliar a actividade artística com qualquer outro tipo de actividade profissional. Em regra, a primeira era preterida em favor da segunda, face à escassez de espectáculos regulares e, sobretudo, porque do ponto de vista financeiro a vida artística era pouco atraente para a esmagadora maioria dos artistas.
Ainda mais raro era a conciliação das lides do espectáculo com o desporto. Não porque existisse um antagonismo necessário entre estas actividades, ou uma suposta incompatibilidade entre a vertente física e a vertente mais artística do ser humano, mas sim porque também neste domínio não existiam grandes oportunidades de prosseguimento de uma carreira desportiva em regime profissional. Ainda assim, de memória, relembramos, por exemplo, entre outros, o caso da cançonetista Manuela Novaes que se sagrou campeã nacional de lançamento do disco e do ex-futebolista Diamantino (não confundir com Diamantino Miranda, glória do Benfica) que também gravou discos, ou ainda de um caso bem mais conhecido a nível mundial: Júlio Iglésias, guarda-redes (suplente) do Real Madrid, que atingiu sucesso à escala planetária.


O caso que recuperamos hoje do esquecimento é também de um atleta do Sporting Clube de Portugal (entre outros clubes) de nome Manuel Santinho das Neves, que foi nada mais, nada menos do que 10 vezes campeão nacional de lançamento do dardo. Para uma parca biografia da sua carreira, socorremo-nos da contracapa do disco, onde se pode ler que Santinho das Neves começou a cantar e a tocar viola ainda em garoto, tendo começado a cantar em público nas suas deslocações ao estrangeiro, em Copenhaga, Malmo, Amsterdão e nas ex-colónias portuguesas. Contudo, o seu compromisso com o atletismo foi retardando a gravação do seu primeiro disco (e único que dele conhecemos), cuja produção, aliás, foi interrompida por diversas vezes devido a competições no estrangeiro.
Não deixa de ser curioso o facto de aí se escrever também que este era o primeiro disco de um português que, em Portugal era conhecido apenas como atleta mas que no estrangeiro era conhecido sobretudo como um artista. È que na verdade, em Portugal, Santinho destacou-se sobretudo no atletismo, principalmente na disciplina do Lançamento do Dardo, quand“na época de 1959, durante o Torneio Primavera, conseguiu um surpreendente lançamento de 64,03m, que era simultaneamente Recorde Nacional e Recorde Ibérico. Posteriormente melhorou várias vezes esse recorde, até o fixar em 71,38m, durante um Portugal-França disputado em Julho de 1966, uma marca que perdurou mais de 18 anos. A sua carreira teve altos e baixos, em grande parte porque se radicou em França, pelo que só vinha a Portugal na altura das competições principais, mostrando-se sempre disponível para ajudar o Sporting e destacando-se pela positiva com os 5 títulos de Campeão de Portugal do Lançamento do Dardo, obtidos entre 1962 e 1972, quatro dos quais em representação do Sporting (1962, 1967, 1971 e 1972) e um enquanto atleta individual (1965).” 

Foto e texto em itálico, da Wikipedia do Sporting, in http://www.forumscp.com/wiki/index.php?title=Santinho_das_Neves
Em termos de vida artística, desconhecemos se Santinho das Neves tenha gravado discos em França, ou se o disco que hoje apresentamos não terá passado de uma mera aventura isolada. No entanto, apesar de não se tratar de um disco surpreendente, não podemos deixar de salientar os interessantes arranjos de Jorge Machado, que dão aos quatro temas que compõem o disco um salutar equilíbrio entre a vertente orquestral e a vertente popular das canções que o compõem,  “Sapatinho” e “Arriba a leva” (de cariz popular)  e os restantes dois temas “De cabeça à roda“ e “Ver o mar”, curiosamente com música do também atleta e respeitado sportinguista Moniz Pereira, também elas num registo a lembrar o canto popular. 

Fica então um excerto destas quatro canções para os nossos leitores.


Santinho das Neves 
RCA Victor TP 596
A1) De cabeça à roda (Moniz Pereira - Fernando Correia)
A2) Sapatinho (Popular - Arranjos - Jorge Machado)
B1) Ver o mar (Moniz Pereira - Emílio Vasco)
B2) Arriba a leva (Popular - Arranjos Jorge Machado)

Os 10 melhores solos de guitarra de todos os tempos


 (10 de março) é dia do guitarrista, aquele músico que é o coração de qualquer banda de rock e quando é artista solo sempre chama atenção por sua técnica, seja virtuose ou criatividade. A lista de melhores guitarristas de todos os tempos é longa e gera alguns (naturais) conflitos de opinião, mas, quais os melhores solos de guitarra?

As opiniões também podem divergir, mas a britânica Classic Rock, em 2018, fez uma lista dos cem solos mais emblemáticos do rock, e a lista pode ser considerado dentro de um consenso. Vale notar a predominância da década de 70, com sete músicas das dez, provando que aquela foi mesmo a década de auge do gênero. Confira abaixo e veja se concorda com o ranking, mostrado em ordem crescente.

10. Black Sabbath – Paranoid (Tony Iommi, 1970)

O clássico do BS, que leva o nome do disco, é sempre lembrado por esse solo de arrepiar criado por Tony Iommi, e não poderia ficar de fora do Top 10.


9. Prince and The Revolution – Purple Rain (Prince, 1984)

Solo desconcertante da música título do álbum de 1984 (trilha sonora do filme homônimo), sem dúvidas um dos momentos mais inspirados da carreira de Prince.

8. Guns N’ Roses – Sweet Child O Mine (Slash, 1987)

Além do hit identificado em qualquer canto do planeta, a música que fez decolar a carreira do Guns rumo ao panteão das maiores bandas do mundo tem um solo matador tornando famosa a virulência de Slash com sua Gibson.


7. Queen – Killer Queen (Brian May, 1974)

Brian May é conhecido por seus solos extremamente engenhosos, e Killer Queen é um dos melhores exemplos do que esse artesão do instrumento é capaz para contribuir no brilhantismo de uma música.

6. Van Halen – Eruption (Eddie Van Halen, 1978)

Indiscutivelmente um dos maiores guitarristas do rock, Eddie Van Halen criou tantos solos inesquecíveis que é difícil escolher apenas um para um top 10. O escolhido aqui foi a música do álbum de estreia que levava apenas o nome da banda. Ali ele já mostrava o que tinha a dizer.

5. Jimi Hendrix – All Along the Watchtower (Jimi Hendrix, 1968)

Um dos maiores exemplos de apropriação bem sucedida na música é essa versão de Jimi Hendrix da faixa de Bob Dylan, aditivada com um riff marcante solo arrasador do maior guitarrista de todos os tempos.

4. Lynyrd Skynyrd – Free Bird (Allen Collins, 1973)

Um verdadeiro desafio para aspirantes a ases do instrumento é essa faixa de 1973 do Lynyrd Skynyrd. Se você consegue tocar o solo fielmente, qualquer outro ficará fácil.

3. Eagles – Hotel California (Don Felder e Joe Walsh, 1976)

É um momento de indiscutível beleza quando as guitarras de Felder e Walsh criam um verdadeiro balé de notas na música mais famosa do Eagles, e uma das mais emblemáticas do rock.

2. Pink Floyd – Comfortably Numb (David Gilmour, 1979)

Faixa do disco The Wall, ‘Comfortably Numb’ é uma das mais sofisticadas criações do Pink Floyd e mostra o auge de David Gilmour como guitarrista e compositor, fornecendo ao rock um dos seus solos mais importantes.


1. Led Zeppelin – Stairway to Heaven (Jimmy Page, 1971)
O solo de ‘Stairway to Heaven’ pode ser mesmo chamado de “o solo dos solos”. A faixa do álbum “Led Zeppelin IV” já foi acusado de plágio, com vitória para a banda, mas isso não tira o brilho da faixa, considerada uma das melhores composições do rock, e, sobretudo, do solo magistral de Jimmy Page.

10 solos de grandes nomes do jazz em músicas de rock

Digamos que você seja um músico de rock no estúdio. Você está trabalhando em uma música e sente que realmente gostaria de um solo de saxofone com um toque de Sonny Rollins. Suas duas opções básicas são: ver se alguém da sua banda pode chegar perto, ou sair e contratar um músico de sessão que possa chegar a algum lugar no bairro certo.


Mas se você é uma das maiores bandas do mundo, você tem uma terceira opção: pegar o próprio homem para tocar.

Foi isso que os Rolling Stones fizeram em seu single de 1981 “Waiting on a Friend”. E é isso que músicos de rock clássico têm feito, de tempos em tempos ao longo das décadas, quando estão procurando por um certo som, e têm dinheiro, prestígio ou pura sorte, para poder contratar um músico icônico que eles sentir seria perfeito para o trabalho.

Aqui estão 10 exemplos, em ordem cronológica, de discos de rock e pop aprimorados por um grande nome do mundo do jazz.

10) “Night Game”, Paul Simon com Toots Thielemans na gaita, de Still Crazy After All These Years (1975)

Uma das músicas mais estranhas e obscuras de Simon, “Night Game” é sobre um arremessador que não apenas estraga o jogo, mas na verdade morre no montículo. Certamente esta é uma metáfora para algo, mas o que exatamente, é difícil dizer. Você não vai perder muito se pular para o solo adorável e docemente melódico do mestre de gaita belga Thielemans na marca de 1:34. Thielemans, que morreu em 22 de agosto de 2016 aos 94 anos, trabalhou bastante com Simon, excursionando com ele em 1975 e fazendo aparições na televisão com ele no Saturday Night Live e no The Paul Simon Special (ambos em 1977).

9) “As”, Stevie Wonder com Herbie Hancock no piano elétrico, de Songs in the Key of Life (1976)

Wonder teve vários convidados de alto nível em sua obra-prima Songs in the Key of Life , incluindo George Benson, Minnie Riperton e Deniece Williams, mas Hancock causa, sem dúvida, o maior impacto, tocando um Fender Rhodes em “As”. Apenas ouça, na marca de 2:50, seu solo – cujo sabor corajoso parece inspirar uma explosão vocal de Wonder quando ele começa a cantar novamente – ou seus enfeites funky quatro minutos depois da música.

8) “Aja”, Steely Dan com Wayne Shorter no saxofone tenor, de Aja (1977)

Há uma influência de jazz em grande parte do trabalho de Steely Dan, mas Donald Fagen e Walter Becker nunca a exibiram tanto quanto fizeram em “Aja”, a faixa-título de seu álbum multiplatinado de 1977. Shorter - bem conhecido na época como membro do Weather Report e ex-colaborador de Miles Davis - chega aos 4:43 da música de oito minutos e domina o minuto seguinte, impulsionado pela bateria assertiva de Steve Gadd. “Demorou um pouco, se bem me lembro, para convencê-lo a descer e fazer isso”, disse Becker uma vez. “Acho que ele sentiu as chances de que estaríamos pedindo a ele para fazer algo que não era particularmente apropriado (para ele), um medo razoável dadas as circunstâncias.


7) “Just the Way You Are”, Billy Joel com Phil Woods no saxofone alto, de The Stranger (1977)

Uma das baladas pop mais bregas de todos os tempos é redimida, pelo menos um pouco, pelos preenchimentos de bom gosto e solo exuberantemente romântico de Woods. A carreira de Woods também incluiu participações especiais com Steely Dan (“Doctor Wu”) e Paul Simon (“Have a Good Time”); Joel disse uma vez que seu trabalho em “Just the Way You Are” o levou “para uma outra estratosfera. De repente, agora não era apenas uma balada de salão. Era potencialmente um clássico do jazz. … É apenas o jeito que o cara sopra. Seu fraseado, seu som, as notas que ele escolheu, como ele chegou a essas notas. Não sei como ele faz isso.”

6) “Street Player”, Chicago com Maynard Ferguson no trompete, de Chicago 13 (1979)

Chicago faz discoteca? Não é uma ideia particularmente boa. E, de fato, Chicago 13 foi um fracasso – o primeiro álbum da carreira da banda a não render um single de sucesso. Mas isso não foi culpa de Ferguson, cujas notas agudas distintivas animam a faixa de abertura do álbum, os nove minutos “Street Player”.

5) “Guilty”, Lou Reed com Ornette Coleman no saxofone alto, de The Raven (2003)

“ESTE É UM DOS MEUS MAIORES MOMENTOS”, escreveu Reed, em letras maiúsculas, sobre a participação convidada do inovador do free-jazz Coleman em “Guilty” de The Raven , a exploração de dois CDs de Reed sobre as obras de Edgar Allan Poe. O normalmente inexpressivo Reed também se entusiasmou, em loureed.com/guilty , “Ele fez sete versões – todas diferentes e todas incríveis e maravilhosas”. Coleman foi uma grande influência para Reed, que muitas vezes o viu se apresentar em Greenwich Village na década de 1960. “Eu tive essa ideia quando descobri a guitarra elétrica: não seria incrível se você pudesse tocar como Ornette Coleman na guitarra?” Reed disse à revista Creem em 1980. “Esse foi um pouco do ataque inicial – algo como 'European Son' (do álbum inovador de Reed de 1967 com o Velvet Underground,The Velvet Underground e Nico ) surgiram dessa coisa.”

4) “Shipbuilding”, Elvis Costello and the Attraction com Chet Baker no trompete, de Punch the Clock (1983)

Punch the Clock é o álbum pop mais espumoso de Costello, mas é baseado em “Shipbuilding”, uma música anti-guerra com o trompete dolorosamente triste de Baker. Costello ofereceu o trabalho a Wynton Marsalis primeiro, mas Marsalis não estava disponível, então Costello compareceu a um show em uma boate Baker, se apresentou (Baker nunca tinha ouvido falar dele) e perguntou se Baker faria isso. Baker, cuja carreira não estava exatamente florescendo na época, concordou imediatamente.

3) "Oh Patti (Don't Feel Sorry for Loverboy)", Scritti Politti com Miles Davis no trompete, de Provision (1988)

A banda britânica de new wave Scritti Politti conseguiu talvez o maior peixe de todos, Miles Davis, para tocar em seu single de 1988 "Oh Patti (Don't Feel Sorry for Loverboy)", um hit Top 20 na Inglaterra, embora não tenha gráfico t nos Estados Unidos. Este não foi apenas um show de estúdio aleatório para Davis: ele admirava a música de Scritti Politti o suficiente para incluir sua versão de sua música “Perfect Way” em seu álbum de 1986 Tutu , e depois disso, ele e o frontman do SP Green Gartside se tornaram amigos.

2) “The Road”, Everything But the Girl com Stan Getz no saxofone tenor, de The Language of Life (1990)

Ben Watt da dupla britânica Everything But the Girl cresceu ouvindo jazz – seu pai era músico de jazz – e tinha uma afinidade particular com os álbuns de jazz/bossa nova que Stan Getz e João Gilberto fizeram nos anos 1960. O som do EBTG, na verdade, é uma espécie de variação pop. O grupo teve seu primeiro hit no Top 10 do Reino Unido em 1989, "I Don't Want to Talk About It", e, no ano seguinte, conseguiu que o próprio Getz se apresentasse em uma de suas músicas, "The Road".


1) “Waiting on a Friend”, The Rolling Stones com Sonny Rollins no saxofone tenor, de Tattoo You (1981)

Aficionado de jazz residente dos Stones, o baterista Charlie Watts – que havia tirado um tempo durante a primeira turnê da banda nos Estados Unidos, em 1964, para ver Rollins no Birdland em Nova York – o sugeriu para o solo dessa balada melancólica, e Rollins acabou tocando em duas outras faixas do Tattoo You também, “Slave” e “Neighbours”. Mas foi em “Waiting on a Friend” – sem dúvida, o último single verdadeiramente indelével da carreira dos Stones, e um marco dos primeiros dias da MTV – que ele causou o maior impacto.

Rollins, nascido em 7 de setembro de 1930, completou 91 anos em 2021.

 

BIOGRAFIA DE Art Blakey

 

Art Blakey

Nascido dia 11 de outubro de 1919 na cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA), Art Blakey atuou como baterista de jazz desde o final da década de 1930 até meados dos anos 90. Músico enérgico, foi ao lado de Kenny Clarke e Max Roach, um dos inventores do ritmo "bebop" na bateria.

Filho adotivo de homem religioso, foi na Igreja Adventista do Sétimo Dia onde teve seu primeiro contato com a música. Porém, antes de se tornar um dos mais memoráveis bateristas da história, tocava piano até ser trocado pelo exímio pianista Erroll Garner. Na juventude, chegou inclusive a trabalhar para o lendário baterista Chick Webb, que lhe proporcionou grande aprendizado.

Em 1937, em sua cidade natal, formou sua própria banda com a pianista Mary Lou Williams. Em seguida começou uma turnê com Fletcher Henderson, que durou três anos, e ainda tocou em shows de artistas como Charlie Parker e Sarah Vaughan. Depois, em 1948, em visita à África, aprendeu tocar a bateria polirrítmica e se converteu ao Islamismo, adotando o nome Abdullah Ibn Buhaina.

Gravou um concerto ao vivo na casa de show Birdland em 1954, além das incessantes turnês ao longo dos anos, com suas bandas “Art Blakey & The Jazz Messengers”, e na “Art Blakey & The Afro-drum Ensemble”, até falecer cinco dias após completar 71 anos, em 16 de outubro de 1990.




Mosaic (1961)
01. Mosaic
02. Down Under
03. Children Of The Night
04. Arabia
05. Crisis

Creedence Clearwater Revival – Cosmo’s Factory (1970)


 

E eis que a obra-prima surgiu à quinta tentativa! Cosmo’s Factory vendeu mais de quatro milhões de cópias e continua a fazer a sua carreira de forma imparável. É mesmo um disco de exceção!

E vão cinco, neste Especial Creedence Clearwater Revival do Altamont! A boa nova é que este quinto disco, Cosmo’s Factory, não só se apresenta como o melhor qua a banda produziu, como também constará, seguramente, da lista dos melhores discos de sempre do bluegrass-rock. É um trabalho de excelência, sem sequer ter rugas à superfície, um disco que sobreviverá (e bem) à passagem do tempo. Ou, por outras palavras, Cosmo’s Factory é um clássico!

É curioso pensar que a banda, assim corria a ideia nos anos sessenta, nem sequer era muito dotada do ponto de vista da técnica musical, o que parece que era mesmo verdade, a princípio. O seu principal trunfo, provavelmente, residiria no facto de funcionarem bem como um todo, de serem um verdadeiro grupo. Isto até Tom Fogerty sair, pois claro. A partir desse momento, tudo se complicou. No entanto, como se percebe, ótimos discos ficaram para a história, e é por isso que os comemoramos agora, hoje e sempre. O charme dos Creedence era clear as water e poucos lhes ficariam indiferentes. Tom, John, Doug e Stu eram outro quarteto fantástico da época. A sua popularidade crescia de forma desmesurada.

O disco surge no exato momento em que a banda atingia o pico da sua criatividade. Os temas do álbum são, sem qualquer exceção digna de registo, de enorme qualidade. Até a capa (e a designação do disco, por que não dizê-lo?) é icónica. Embora já todos conheçam a história, Cosmo’s Factory é um título que surge como espécie de homenagem ao local onde a banda ensaiava, um armazém em Berkeley, São Francisco, que foi alcunhado The Factory pelo baterista Doug “Cosmo” Clifford, uma vez que John Fogerty os obrigava a ensaiar lá todos os dias e durante inúmeras horas seguidas. Acrescente-se, já agora, que a fotografia da capa foi tirada nesse exato local, enquanto a banda se divertia nos curtos intervalos dos ensaios.

Mas vamos ao que mais interessa, as canções! São onze, na sua versão original, e são, como já referimos, clássicos absolutos. Nem todas, claro está, mas quase. “Ramble Tamble” abre o lado A com um rock portentoso, vai oscilando no seu decurso de pouco mais de sete minutos, mas nunca desagrada, antes pelo contrário. As suas nuances fornecem-lhe uma beleza acrescida, assim como os solos que nela se escutam. Como faixa de entrada, não se poderia desejar melhor. Cosmo’s Factory traz várias releituras de temas antigos, como “Before You Acuse Me”, de Bo Diddley. Que belíssimo blues-rock, que e maravilhosa interpretação. A poderosa voz de John Fogerty faz mesmo milagres e arrepia quando deve arrepiar. Segue-se rock à antiga (à moda dos anos cinquenta) e em pouco mais de dois minutos, qualquer pista de dança tornar-se-á um inferninho saboroso. Alguns problemas surgiram com este tema. A acusação de plágio foi um deles. Ao que parece, Fogerty queria apenas homenagear (muito de perto, é um facto) o icónico Little Richard e o seu “Good Golly Miss Molly”, que havia aparecido no anterior álbum Bayou Country, de início de 1969. Mais ou menos na mesma esteira, “Ooby Dooby”o primeiro hit de Roy Orbison, ganha em Cosmo’s Factory nova releitura, roqueira até à medula. Tudo é festa, tudo é delírio. “Lookin’ Out My Back Door” é música de cowboys prontos a disparar de forma certeira às ancas de quem a escuta. A primeira face da rodela de vinil termina com “Run Through The Jungle”, mais contida do que todas as anteriores no que ao ritmo diz respeito, mas profunda e inquietante. Em “Up Around The Bend”, o estilo de riffs inconfundível dos Creedence volta ao ponto de partida em mais uma lição categórica de como fazer bem e de forma simples. Nesse conceito, digamos assim, a banda era insuperável. Não há que complicar, antes pelo contrário. Quanto mais simples e direto, melhor. E siga. “My Baby Left Me” é outra regravação. Elvis, por exemplo, também a tornou sua. No entanto, preferimos esta. By far! E só à nona faixa surge uma balada, a primeira de duas em todo o álbum. Chama-se “Who’ll Stop The Rain” e tem contornos políticos (o Vietnam, sempre o Vietnam, essa espinha encravada no coração do povo americano). É uma bonita e delicada canção, melódica, mas cheia de sofrimento. A última versão de clássicos anteriores gravada em Cosmo’s Factory chega quase ao fim do disco, com o superlativo tema “I Heard It Through The Grapevine”. É o som da negra Motown em versão roqueira, algo distinto do que Marvin Gaye nos entregou no seu álbum In The Groove, de 1968. Bastante distinto mesmo, até na duração: são onze minutos de magia e improvisações. É preciso ter algum cuidado com ela, porque enfeitiça. E, finalmente, “Long As I Can See The Light”, uma segunda balada a concluir Cosmo’s Factory, com direito a um bonito saxofone pelo meio. Ponto final.

Tom Fogerty gravaria ainda mais um disco com a banda, o igualmente histórico Pendulum, também de 1970. Mas isso é já toda uma outra conversa, toda uma outra escrita. Para conhecer melhor o disco, é estar atento ao nosso Especial, que ele não demorará a dar um ar da sua graça.


Destaque

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