terça-feira, 8 de novembro de 2022

Recordando Clássicos: Tarkus dos Emerson, Lake & Palmer


emerson_lake_and_palmer-tarkus-front

Chegamos com um excelente álbum que também é essencial na coleção de todos os proggers das eras modernas e passadas, voltamos ao ano 1971 onde uma banda chamada Emerson, Lake & Palmer lança seu segundo álbum, chamado «Tarkus».

Tarkus é o segundo álbum da banda britânica de rock progressivo Emerson, Lake & Palmer, lançado em 1971 e por sua vez o primeiro álbum conceitual da banda. Este trabalho solidificou a fama da banda, após o celebrado LP de estreia; a capa do álbum é do artista gráfico William Neal e estabeleceria solidamente suas credenciais musicais, tanto no Reino Unido quanto além.

Neste curtinho álbum está um dos monumentos do nosso querido Keith Emerson, onde ele brilha com seus teclados (na verdade, esse tecladista incrível se destaca em todas as músicas).

O teclista Keith Emerson, o cantor e baixo Greg Lake e o Batería Carl Palmer começaram  a trabalhar nomesmo genero sobre uma idea que había cavilado Emerson durante la última gira, inspirado en parte por o compositor argentino Alberto Ginastera y gravado em seis días em fevereiro.

Formação:

  • Keith Emerson – órgão Hammond, órgão da Igreja de São Marcos, piano, celesta, sintetizador moog
  • Greg Lake – vocais, baixo, guitarra elétrica e acústica
  • Carl Palmer – bateria, percussão

Palmer, obcecado em fazer ritmos diferentes como um 5/4, começou a trabalhar com ideias em ritmos diferentes e, a partir disso, Emerson passou a escrever Tarkus . Greg não tinha tanta certeza; era muito estranho. Mas ele concordou em tentar e a ideia acabou aquecendo-o.

Você pode ouvir o álbum aqui:


Tracklist:

Lado a

  1. "Tarkus Medley": (Emerson, Lake) – 20:42

  • I Erupção (0:00 – 2:43)
  • II Pedras dos Anos (2:44–6:27)
  • Iconoclasta III (6:28–7:43)
  • IV Missa (7:44 – 10:55)
  • V Manticora (10:56 – 12:47)
  • VI Campo de Batalha (12:48 – 16:54)
  • VII Aquatarkus (16:55 – 20:42)

Lado B

  1. «Jeremy Bender» (Emerson, Lake) – 1:50
  2. «Bitches Crystal» (Emerson, Lake) – 3:57
  3. «The Only Way (Hymn)» (Johann Sebastian Bach – Toccata y fuga en fa mayor, BWV 540 y Preludio n.º 6 en re menor, BWV 851, de El clave bien temperado – Emerson, Lake) – 3:48
  4. «Infinite Space (Conclusion)» (Emerson, Palmer) – 3:20
  5. «A Time and a Place» (Emerson, Lake, Palmer) – 3:01
  6. «Are You Ready Eddy?» (Emerson, Lake, Palmer) – 2:09

Com um lado do vinil ocupando a suíte de mesmo título e um segundo muito mais baseado em faixas curtas, o álbum continua sendo um dos pontos altos da carreira musical do trio.

Recordando Clássicos: 90125 dos Yes


capa_4447171542016_r

 Nesta terceira edição do Recordando Clásicos voltamos a relembrar o clássico álbum de 1983 lançado pelos Yes, um álbum que incluiria o primeiro e único single da banda a chegar ao primeiro lugar nas paradas norte-americanas, O Clássico 90125.

Durante o ano após a separação do grupo (1981), Squire e White continuaram a trabalhar juntos em novos projetos, incluindo um com Jimmy Page, e é nessa época que o baixista da banda conhece um jovem guitarrista sul-africano chamado Trevor Rabin. , com a quem formam um novo grupo chamado Cinema. Então Trevor Horn se juntaria a eles para produzir o projeto e um velho conhecido se junta a eles, Tony Kaye, que sai momentaneamente por ódio aos sintetizadores e conflitos internos com o produtor Horn, mas faltava algo, um vocalista forte o suficiente para poder cantar o músicas que haviam composto, até que um dia Squire se encontra com Jon Anderson que, fascinado pelo material, decide voltar para a banda.

Enquanto lê… deixamos-lhe o álbum completo para que o possa ouvir

Após um breve envolvimento com Eddie Jobson, Kaye volta às suas funções de tecladista, com a condição de tocar apenas órgão, deixando os sintetizadores a cargo dos dois Trevor, e após pressão dos executivos para lançar o novo material como álbum do Yes é que surge em 1983, o álbum que marca o retorno da banda, chamado 90125. O álbum é totalmente diferente de qualquer álbum lançado pelo Yes, principalmente porque adotam um estilo mais comercial e eletrônico, cheio de sintetizadores e baterias eletrônicas, mas mesmo por isso fez sucesso graças ao single Owner of a Lonely Heart, o tema mais marcante do álbum.

Tracklist:

  1. Owner of a Lonely Heart  – 4:29
  2. Hold On  – 5:16
  3. It Can Happen  – 5:29
  4. Changes – 6:20
  5. Cinema – 2:08
  6. Leave It – 4:14
  7. Our Song  – 4:18
  8. City of Love – 4:51
  9. Hearts  – 7:39

Single:

O single "Owner of a Lonely Heart" representou o primeiro - e único - single de sucesso do Yes a alcançar o primeiro lugar nas paradas dos EUA. O sucesso do single empurrou o LP para o top 5 da parada de álbuns, elogio que elevou o álbum para tripla platina: só nos Estados Unidos, 90125 vendeu 3 milhões de cópias, sendo de longe o álbum de maior sucesso comercial da banda. Outras das inúmeras músicas de difusão, como "It Can Happen", "Leave It" ou "Changes" também alcançaram altas posições nas paradas da União.

Formação:

  • Jon Anderson – vocais
  • Tony Kaye – teclados
  • Trevor Rabin – guitarra, vocais, teclados
  • Chris Squire – baixo, vocal de apoio
  • Alan White – bateria, backing vocals

Talvez não seja o álbum mais famoso do Yes, mas deve-se notar que é um álbum que abriu o início de uma nova etapa, uma formação remodelada com um novo estilo do Yes que muitos de nós lembraremos por algumas músicas que talvez tenhamos ouvido no rádio, como Dono de um Coração Solitário… viva!

Sparks – The Seduction of Ingmar Bergman (2009)


 

Por onde andará Ingmar Bergman? Numa sala de cinema, perdido nas estrias de um disco, à conversa com Hitchcock ou tentando fugir do labirinto cinematográfico da sua própria imaginação? Para desvendar todos esses mistérios, nada melhor do que convocar o poder sedutor dos Sparks!

Os Sparks, como bem sabemos, é a banda dos irmãos Mael (Ron e Russell), que há muito andam nessas boas vidas de gravar álbuns e fazer música para contentamento de milhões de pessoas no mundo. O som é o seu caminho desde os anos setenta e ainda por cá andam, assíduos em estúdios e em concertos. Para mais, continuam a ser relevantes, até porque nunca se sabe o que poderão engendrar a seguir, e isso é sempre coisa de valor. Por outro lado, como também estamos cientes, Ingmar Bergman foi um prolífico realizador e diretor de cinema, assim como escritor. Deixou-nos em 2007, tendo criado um vasto número de obras de sucesso de crítica, mas nem tanto de público, reduzido apenas aos que entendem a sétima arte bem mais como intelectualidade do que como um meio e um espaço onde ver imagens e comer pipocas se conjugam. No entanto, o que poucos esperavam era que, em 2009, um inusitado musical visse a luz do dia juntando os irmãos americanos e o bom sueco dos Morangos Silvestres. Mas assim foi, e o resultado, ao fim de mais de uma década, continua delicioso, um autêntico prazer para os ouvidos e para a nossa imaginação.

A narrativa presente em The Seduction of Ingmar Bergman é intrincada, onírica e sedutora, pois então. A mistura de vozes e das linguagens faladas / cantadas contribui para esse fim, que mais não é o de nos seduzir, fazendo com que acompanhemos a par e passo as aventuras e desventuras do realizador sueco em solo hollywoodesco, assim como muitos outros factos de interesse em que se misturam diversos estilos de música, desde o pop ao rock, havendo também, para que o banquete sonoro seja farto e múltiplo, registos operáticos e de vaudeville, por exemplo. O que aparenta, pela descrição feita, ser festivo, nem sempre assim é, pelo que certos momentos de inquietação e de suspense fazem, e bem, parte do enredo musicado. Estamos, se para isso nos abstrairmos um pouco da realidade, imersos num curioso filme, numa película falada e cantada, com músicos e atores que transitam perante os nossos ouvidos, estimulando a nossa mais íntima imaginação.

Ora vamos lá ao enredo, que é como quem diz ao disco. Após o sucesso do seu filme Sorrisos de Uma Noite de Verão, obra premiada no Festival de Cannes de 1956, Bergman é um autor ainda mais na ribalta e em vias da consagração absoluta e mundial. Depois de regressar ao seu país natal, algo de impensável acontece: após sair de uma sala de cinema onde havia visto um filme de Hollywood, Ingmar Bergman, como que por magia, vê-se transposto para os Estados Unidos. Há um motorista que espera por ele com o ensejo de o levar até à presença dos homens que mandam no cinema da terra do Tio Sam. Hollywood quer, na verdade, seduzir o cineasta sueco, propondo-lhe que realize uma longa metragem ao estilo americano. Colocadas as coisas em pratos limpos, surge o dilema da aceitação (ou não) da proposta feita, sendo que nós, ouvintes, vamos habitando a cabeça de Bergman, pano de fundo para uma interessante metáfora entre o mundo europeu e o norte americano, entre duas realidades que dificilmente podem conjugar-se, artisticamente falando, mas não só. Bergman vê-se perseguido por fotógrafos, jornalistas, sentindo-se cada vez mais incapaz de lidar com todo o cenário que lhe é montado e oferecido, embora não rejeitando de forma perentória e imediata a proposta recebida. A meio de tão onírica viagem, cruza-se com vários cineastas europeus de prestígio que fizeram carreira em Hollywood, como Billy Wilder, Fritz Lang, F. W. Murnau, Jacques Tourneur, Josef von Sternberg e Alfred Hitchcock. Todos parecem satisfeitos com a experiência, facto que coloca ainda mais dúvidas em Bergman.

No entanto, o enredo à volta do autor de A Flauta Mágica vai ganhando contornos cada vez mais intrincados, lembrando, eventualmente, alguns dos sinuosos romances de Kafka, de tão labirínticos e sinuosos. Bergman está decidido a fugir, a deixar aquele lugar, embora não saiba como fazê-lo. É perseguido por várias pessoas, a própria polícia anda atrás dele. Está criado, como se vê, um cenário hollywoodesco em que o realizador sueco é personagem principal, embora sem jeito e sem vontade em ser estrela do pobre e precário filme onde se meteu. Esse não é o seu cinema, digamos assim. Bergman está perdido e busca, em desespero, regressar ao seu tranquilo espaço europeu, o que acaba por conseguir com a surpreendente ajuda da idiossincrática deusa Greta Garbo.

Quem melhor dos que os Sparks para unir todas estas pontas em forma de música? Ninguém, provavelmente. Por isso foram convidados por uma importante estação de rádio sueca para levarem a bom porto essa tremenda empreitada. O álbum The Seduction of Ingmar Bergman é, por assim dizer, uma peça única, sem intervalos ou interrupções. Deve ser ouvido de uma ponta a outra, para que o prazer da escuta seja mais óbvio e imediato. Tornou-se, desde que foi lançado, um objeto difícil de encontrar, e por isso teve reedição recente, tanto em cd como em vinil. Não será, à partida, o disco mais conhecido ou mais apreciado da extensa discografia dos Sparks, mas acreditem que é um dos mais curiosos objetos sonoros que os manos Mael alguma vez produziram. Muito interessante e muito bom! Ouça-o e veja-o e perceberá que talvez tenhamos razão no que afirmamos.

Bandas Raras de um só Disco

 

Buon Vecchio Charlie (1972)


Desconhecidíssima banda italiana do início da década de 70 que sequer chegou a lançar este disco na época e que ficou engavetado por vinte anos e foi lançado por um selo japonês, e que na primeira audição te remete a seguinte pergunta: Como é possível isso ter acontecido? ; pois trata-se de um soberbo e extraordinário trabalho de rock progressivo que além de muito inspirado é muito técnico, em que os músicos são muito competentes, os temas muito bonitos, quebradas primorosas, um baixo avassalador, bateria além de muito presente, possui muito vigor, excelente presença da flauta e do sax (sem exagero), interação perfeita com os teclados, vocal em italiano muito bem colocado, sábia fusão do jazz com o rock e passagens que lembram o erudito, no mais muita musicalidade fazem deste disco um dos mais injustiçados da história do rock progressivo.

Integrantes.

Richard Benson (Vocais, Guitarra)
Luigi Calabrò (Guitarra e Vocal)
Sandro Cesaroni (Sax, Flauta)
Sandro Centofanti (Teclados)
Paolo Damiani (Baixo)
Rino Sangiorgio (Bateria)
 
 
01. Venite Giù Al Fiume (12:06)
02. Evviva La Contea Di Lane (6:35)
03. All'Uomo Che Raccoglie I Cartoni (15:01)
A. Prima Stanza
B. All'Uomo Che Raccoglie I Cartoni
C. Terza Stanza
D. Beffa
E. Ripresa

Bonus Tracks.
04. Rosa (4:34)
05. Il Guardino Della Valle (2:29)


BIOGRAFIA DOS Peste & Sida


 

Peste & Sida

Os Peste & Sida são uma banda de rock portuguesa constituída no Verão de 1986, em Lisboa. A banda era formada por João San Payo (baixo), Luís Varatojo (guitarra) Eduardo Dias (bateria) e João Pedro Almendra que se junta ao grupo para se encarregar das vocalizações; Orlando Cohen entra pouco depois.[1][2]

Participaram pela primeira vez no 4º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vous, mas entretanto conseguiram contrato de gravação com a independente Transmédia e editaram logo de seguida o LP Veneno (1). Este disco revela uns Peste & Sida próximos da estética Punk em temas como VenenoFuro na CabeçaGingão ou Carraspana.

A capa do disco é uma cópia de London Calling, dos britânicos The Clash.

O som do grupo começa a ultrapassar as fronteiras do Punk e alarga-se a outros géneros como o reggae, o rock e o rap. Esta evolução nota-se no segundo disco, Portem-se Bem, um LP que tem no tema Sol da Caparica, uma versão de um tema americano dos anos 60, o seu maior sucesso. Outros temas são Chuta Cavalo...E Morrerás, a versão do tema popular alentejano Vamos Lá Saindo e Paulinha.(2)

A banda começa a dar muitos espectáculos e faz as primeiras partes dos ingleses P.I.L. (grupo liderado por John Lydon, então Johnny Rotten vocalista dos Sex Pistols).

O Máxi-single Homem da Sorte/Reggaesida, editado em 1989, foi gravado pelo quarteto San Payo, Varatojo, Almendra e Raposo.

Entretanto entra como segundo guitarrista, vindo dos Vómito, Nuno Rafael, ao mesmo tempo que João Pedro Almendra abandona o projeto. (3)

A banda prepara o seu novo trabalho discográfico, estreado em Abril de 1990, com o título Peste & Sida é Que é. Este disco inclui uma versão do tema A Morte Saiu à Rua de José Afonso e outros temas como o apelativo Vamos Ao Trabalho! e Maldição.

Raposo abandona a bateria e para o seu lugar entra Marco, ainda a tempo de participar nas gravações do seguinte álbum do grupo: Eles Andam Aí. Nele se encontram temas como No Meu Tempo Não Era Assim e RFM (Rock Faz Mal), uma crítica à estação de rádio RFM, que se recusou a passar os temas do grupo.

Em 1993 é editado o disco O melhor dos Peste & Sida, um somatório dos dois discos gravados para a editora Polygram.

Para o grupo entram João Cardoso (teclas) e Sérgio Nascimento (bateria), este último a substituir Marco. O grupo, com esta nova formação toca no Terreiro do Paço, em Lisboa, nas comemorações do 25 de Abril e apresenta uma versão de Bully Bull, clássico do rhythm'n'blues que intitulam Bule Bule.

Em 1994 participam no disco e no concerto de homenagem a José Afonso com a sua versão de O Homem da Gaita.

O grupo começa a ter uma actividade paralela sob o nome de Despe & Siga (4), interpretando versões em português de clássicos do rock. Durante algum tempo existiriam os Peste e os Despe, até que a saída de San Payo (que queria manter os dois grupos) leva à extinção dos Peste & Sida.

No dia 21 de Outubro de 2002, a Universal lançou a compilação A Verdadeira História dos Peste & Sida.(5)

Os Peste & Sida regressaram em força na Primavera de 2004. Um novo disco foi editado com o sugestivo título de Tóxico. A formação da banda é, agora, para além de João Sampayo (voz e baixo), Orlando Cohen (guitarra, voz), João Alves (guitarra, voz) e Marte Ciro (bateria e voz). Orlando Cohen tinha sido, já, membro da banda numa das suas formações anteriores.

Discografia[1]

Álbuns de Estúdio

  • Veneno (LP, Transmédia, 1987)
  • Portem-se Bem (LP, Polygram, 1989)
  • Peste & Sida é Que é! (LP, Polygram, 1990)
  • Eles Andam Aí! (LP/CD, BMG, 1992)
  • Tóxico (CD, DAS, 2004)
  • Cai no Real (CD,DAS;2007)
  • Não há Crise (CD; 2011)

Compilações

  • O Melhor dos Peste & Sida (Polygram, 1993)
  • A Verdadeira História (Universal, 2002)

Colaborações


Hurray for the Riff Raff – LIFE ON EARTH (2022)


 

Nome complicado de dizer, música simples de digerir e conquistar – assim podem ser descritos os Hurray for the Riff Raff.

É um daqueles fenómenos que parece já não ocorrer hoje em dia – com tantos canais de onde podem surgir novas descobertas musicais, os Hurray for the Riff Raff nunca se aproximaram de nenhum dos radares que tenho espalhados, qual Câmara Municipal de Lisboa à caça do motorista incauto. E no entanto, eis que existem desde 2007. Eis que já contam com oito álbuns na sua carreira. Eis que Alynda Segarra, que é a banda em si, é um poço de vida e que merece ser escutada.

LIFE ON EARTH surgir em Fevereiro. Como já lá vão uns meses, nem sei precisar como lá cheguei, mas o que importa é que desde então ficou a maturar, sempre em lume brando, aparecendo aqui e ali nas escutas aleatórias a que às vezes recorro para ser surpreendido pelo algoritmo. E as músicas foram entrando, primeiro a provavelmente mais catchy de todas, “RHODODENDRON“, um folk indie saboroso e aconchegante. Seguiu-se um trio de músicas delicadas e subtis que me faziam sempre olhar para o ecrã para ver de quem eram – “LIFE ON EARTH” canção, “ROSEMARY’S TEARS” e “nightqueen” e tornou-se inevitável ouvir o álbum de uma ponta à outra. Recorrentemente. Sucessivamente. Até ser conquistado pela beleza e aparente simplicidade que lhe está inerente em cada canção, em cada recanto, em cada verso que Alynda nos atira.

Segarra podia ser um porta-estandarte, uma amostra física do que é ser americana no século XXI. Com raízes porto riquenhas, cresceu no Bronx mas cedo percebeu que queria mais. Percorreu o país de comboio e boleias, só com uma mochila às costas, descobrindo-o, absorvendo-o, até se decidir por Nova Orleães como poiso para se dedicar à música. Uma “nature punk” como a própria se descreve, activista, não por acaso o nome da banda serve para celebrar os riff raff – forasteiros e indigentes que ameaçavam o status quo: “a ralé, os esquisitos e os poetas, as mulheres rebeldes e as ativistas” que a sociedade desconsidera. De tocar nas ruas aos concertos, aos discos em editoras independentes foi um saltinho e, repetindo-me, eis que já tem oito álbuns na sua bagagem.

Não podia terminar esta crónica sem mencionar a pérola perfeita de LIFE ON EARTH – “PRECIOUS CARGO”, uma ode dedicada aos refugiados e imigrantes que fogem dos seus países em busca de melhores condições de vida. Com uma sonoridade de fundo trip-hop, absorver tudo o que ali é retratado é desolador, inquietante, sobretudo quando entra em “cena” a voz de um detido no I.C.E., os centros de detenção de emigrantes nos EUA onde a própria Alynda passou uns tempos a trabalhar na defesa dos seus direitos.

Neste momento, a poucas semanas de se fechar a votação para os tops do ano, é claro como a água que faz o nosso planeta especial que LIFE ON EARTH lá estará. Quem não o escutou estranhará. Quem por lá passou os ouvidos anuirá.


Red Hot Chili Peppers – The Red Hot Chili Peppers (1984)


 

Uns muito jovens Red Hot Chili Peppers anunciam-se ao mundo cheios de funk enérgico mas ainda sem as canções que fariam deles gigantes.

Os Red Hot Chili Peppers (RHCP) nasceram em 1983 pelas mãos de quatro miúdos colegas de liceu, em Los Angeles. Anthony Kiedis (voz), Hillel Slovak (guitarra), Jack Irons (bateria) e Flea (baixo) partilhavam o gosto pela música urbana, com o funk e algum punk em destaque, bem como uma tendência para o excesso. Ou seja, criar uma banda de rock’n’roll era naturalmente o passo seguinte.

Dos quatro membros da banda, Slovak e Irons (que veio mais tarde a ser baterista dos Pearl Jam) andavam também numa série de outros conjuntos. Afinal, nessa altura, os RHCP eram pouco mais que um passatempo fixe. Acontece que o grupo foi dando uma série de concertos na sua cidade que foram gerando burburinho, pela grande energia e entrega funk com que se apresentavam nos minúsculos palcos. Por mais improvável que tal fosse, acabaram por conseguir um contrato com a EMI para gravar sete discos (!), ao mesmo tempo que os What is This?, a outra banda de Slovak e Irons, também assinou, com a MCA. Estes fizeram as contas e acharam que a melhor hipótese estava neste outro grupo, e abandonaram os RHCP. Como se pode ver, a instabilidade de membros dos Red Hot vem mesmo do seu início.

O guitarrista Jack Sherman e o baterista Cliff Martinez foram rapidamente recrutados, e foi com esse lineup que os Red Hot chegaram à primeira sessão de gravação a sério das suas vidas. Na cadeira do produtor estava Andy Gill, guitarrista dos Gang of Four, que apesar do seu pedigree underground procurou polir um pouco o som da banda e torná-lo mais mainstream.

Neste primeiro disco do que viria a ser uma longa discografia e uma carreira de grande sucesso, a grande curiosidade é ver o que já estava lá, há uns longooooos 38 anos. E o que estava, de origem, eram dois elementos marcantes da banda: o funk e o sentido de humor.

Em Red Hot Chili Peppers, há groove com fartura, e o que salta de imediato ao ouvido é o destaque dado ao baixo saltitante de Flea, que sendo uma das grandes forças motrizes da banda foi de certa forma perdendo preponderância na mistura dos discos, à medida que os Red Hot caminhavam para um campeonato mais pop. Neste primeiro álbum, o jovem Flea toca como um possuído, mesmo num registo algo show off. Kiedis, que nunca foi um grande cantor, estava claramente ainda à procura da sua voz, e praticamente não sai do registo rap. Martinez complementa bem o espectáculo de Flea, enquanto Sherman traz com a sua guitarra o swing funk com um travo de pós-punk, bem ao gosto de Andy Gill.

Os rapazes tocam com a natural confiança de quem acaba de criar uma banda e de assinar um contrato de sete discos com uma major. Mas, sendo honestos, não estava ainda à vista tudo aquilo que viriam a ser. É que o registo predominante é o da jam session, em que o groove e a espontaneidade da entrega são mais importantes do que uma verdadeira estrutura. Há convicção, há uma certa arrogância e energia juvenil, e há um ritmo funk inegável. O que falta, e só chegaria mais tarde, são as canções.

Essas seriam o elemento que fariam a diferença entre uma banda fixe ao vivo e um colosso mundial de estádios. Estavam a caminho, mas eram ainda só uma promessa, o que acaba por fazer com que este primeiro disco seja divertido mas não necessariamente memorável. Foi apenas o primeiro fôlego destes rapazes de Los Angeles, que passariam ainda por novos membros, perdas e muitos problemas até encontrar o sucesso.

Disco Imortal: Slipknot (1999)


Roadrunner / Sótão / Eu Sou, 1999

1999 foi um ano de glória para o nu-metal. Novas bandas e 'novos clones' de Korn ou Deftones surgiram e se espalharam como câncer. A maioria, se não todas essas bandas eram sanguessugas de estilo pioneiro, no entanto, uma banda provou que ainda havia alguma originalidade na cena musical americana e foi a que estreou oficialmente este ano. E surpreendentemente, era tudo menos uma banda de nu-metal, era uma brutalidade mascarada, atitude de morte e uma versão muito mais desequilibrada de tudo o que queríamos dizer com isso. Isso foi Slipknot e muito mais. Era apenas o começo, mas que maneira de se mostrar ao mundo!

Slipknot começou em 1995, como uma ideia/fantasia do percussionista Shawn Crahan. Naquela época, eles eram um conjunto de sete membros e apresentavam uma formação muito diferente da de hoje, incluindo um cantor há muito esquecido. Esta formação lançou uma demo muito rara e quase impossível de notar para aqueles anos intitulada “Mate. Alimentação. Matar. Repeat”, que apesar de mostrar alguma promessa não conseguiu deixar qualquer marca no radar do metalhead individual barulhento e sedento de sangue do mundo.

Shawn rapidamente chegou à conclusão de que a banda precisava melhorar, e a primeira coisa que fez foi se livrar de metade de seus músicos, incluindo o vocalista Anders Colsefni, cuja principal fonte de inspiração lírica eram os videogames e não convenceu apesar de ter boa voz. , no entanto, manteve os serviços do baixista Paul Gray e do incrível baterista Joey Jordison, ao mesmo tempo em que expandiu a "missão da banda" através da inclusão de um DJ e um sampler especializado. Slipknot tornou-se assim um exército de nove peças, um jogo de xadrez do mal, um número obscenamente alto para um conjunto de música, particularmente uma banda de rock/metal. Mas isso não foi suficiente, eles esconderam toda a sua imagem atrás de máscaras grotescamente deformadas (que sofreram mutações ao longo dos anos),

Em meados de 1999, a banda lançou o que se tornaria sua obra-prima (discutida, aliás, e no contra com o grande Iowa), o Slipknot. Essa estréia explodiu cabeças com sua mistura abrasiva de bateria primata, guitarras de metal e letras claustrofóbicas bastardas, já que o que o Slipknot fez foi basicamente misturar um ataque implacável de percussão de tarre e riffs de guitarra de death/black metal de ponta com samples atmosféricos. induzida pela paranóia e pela loucura da juventude incompreendida, DNA e sintoma de uma geração triste e chata querendo expulsar tudo de fora.

Essa marca de metal extremo tinha o pop, que era sentido em faixas como 'Wait and Bleed' ou '(Sic)', e ajudou a estabelecer a banda como um dos artistas (sim, artistas em TODOS os sentidos da palavra para originalidade) criando algo extremamente novo, que até hoje valorizamos.

Corey Taylor foi o presente que o metal nos deu, com sua voz gloriosa e brutal, que pudemos descobrir mais tarde quando ele também soube ser um gênio melodicamente. O homem, que preferia ficar horrível naquela máscara, apesar de seus cachos loiros e olhos claros, baseia suas letras em experiências pessoais e mostra um uso inteligente de metáforas, suas letras fogem um pouco dos clichês usuais do nu-metal, embora às vezes eles chegam perigosamente perto deles e o rap gutural é praticamente inigualável, mesmo depois de 20 anos e seus próprios clones vocais que surgiram em todos os lugares nessas duas décadas que foram tão vertiginosas para o rock e o metal.

Neste álbum, todos eles eram meio gênios, a comunhão foi fenomenal. O baterista Joey neste álbum é tão variado quanto poderoso, e o som do Slipknot claramente se beneficia de sua presença. Mas o verdadeiro triunfo aqui é a composição, com faixas tão furiosas quanto interessantes e tão envolventes quanto variadas. Músicas como '(Sic)', 'Purity', 'Eyeless' e 'Only One' são musicalmente muito bem construídas, enquanto 'Wait and Bleed' ou 'Spit It Out' são músicas brutais que serviram como singles (elas conseguiram soar nas rádios!!) e ir para Satanás, a investida de 'Surfacing' é grande, uma delícia de toca-discos e brutal (des)cuidado de tudo. ("Foda-se tudo, foda-se este mundo, foda-se tudo o que você representa. Não pertença, não exista, não dê a mínima, nunca me julgue.") Este é o caos no seu melhor. Perfeição brutal.

É claro que Iowa é uma melhoria na produção e no estilo, mas o que eles deixaram em sua estreia é o choque, algo novo e brutal. É saber que o mundo é melhor quando o terror, a angústia e o metal se unem. Ver a Califórnia pelos olhos de Marlon Brando pode ser a melhor coisa que já nos aconteceu. Simplesmente devastador. Um álbum para NUNCA largar.

“10DO10” DÁ NOME AO PRIMEIRO ÁLBUM A SOLO DO RAPPER KASTIÇO


10 do 10, o dia em que tudo começou. Dia este que dá nome ao primeiro álbum a solo do rapper Kastiço. Um trabalho de amor puro e superação.

Nos seus temas podemos encontrar esculpidos assuntos da atualidade, desabafos, sentimentos e não podia deixar de faltar a característica crítica social a que o rapper nos habituou.

Rimado e cantado num discurso direto com nuances melódicas, espelha um grão característico. O bonito grão da imperfeição traduz toda a superação pessoal ao conseguir construir este trabalho com o mínimo de investimento monetário possível. Para além das letras, daquela voz castiça gravada e misturada, dos vídeos, também 8 dos instrumentais foram produzidos pelo próprio.

A necessidade aguça o engenho e este álbum é prova de que é possível com poucos recursos fazer algo palpável.


 Este trabalho conta com 10 temas originais e com as participações dos artistas: Brutal, CADI, DJ Kope, Kamões, Ozias Filho, Ruben Portinha e Salucci.


VALE A PENA OUVIR DE NOVO

 

Rosinha de Valença - "Um violão em primeiro plano" [1971]




Destaque

The Rolling Stones - Foreign Tongues (2026) UK

  Falar sobre os Rolling Stones em 2026, mais de seis décadas após a sua génese, não é uma questão de medir a sua relevância — é um exercíc...