sábado, 12 de novembro de 2022

Donovan na 'Temporada das Bruxas': 'O Assustador Era Real'

 

Donovan Phillips Leitch nasceu na Escócia em 1946 e se mudou com sua família para os arredores de Londres quando tinha 10 anos. Com a música folclórica escocesa e inglesa como suas primeiras influências, ele abandonou a escola de arte para seguir a vida na estrada como músico . Seu sucesso inicial com as músicas acústicas “Catch the Wind”, “Colours” e “Universal Soldier” fez com que alguns o chamassem de Bob Dylan britânico. Joan Baez e Pete Seeger o apresentaram ao público americano no Newport Folk Festival de 1965.

Juntando-se ao produtor pop de sucesso Mickie Most, os discos de Donovan ganharam um novo som e ele teve seu primeiro hit número 1 com "Sunshine Superman" em 1966. Foi no mesmo ano que ele se tornou o primeiro pop star britânico conhecido a ser preso por porte de maconha. Com o sucesso seguinte “Mellow Yellow” e sua linha “banana elétrica vai ser uma mania repentina”, alimentando o mito de que fumar cascas de banana secas poderia deixá-lo chapado, Donovan foi rotulado como um garoto-propaganda da cultura hippie de drogas que tinha emergiu.

Donovan e o autor

Embora ele eventualmente superasse essa imagem, ela serviu como parte da inspiração para uma de suas músicas mais memoráveis, “Season of the Witch”. Ele falou sobre isso com a lenda do rádio de Nova York, Dennis Elsas, em julho de 2004, enquanto promovia seu último álbum, Beat Café .

Primeiro, ouça uma nova versão de “Season of the Witch” lançada por Donovan a tempo do Halloween 2021

Dennis Elsas: Eu estava andando hoje em Midtown Manhattan e pensei, Halloween, é a temporada da bruxa. Quer dizer, isso é definitivo. Como surgiu essa música?

Donovan: Eu me lembro de ter sido agarrado por dois jovens estudantes do Eton College, depois de uma palestra que eu estava dando, e eles me levaram para o dormitório deles. No dormitório havia pôsteres por toda a parede de grandes guitarristas de rock. Eles me trancaram no quarto e eu disse: “O que você quer?” E eles disseram: “Os acordes de 'Season of the Witch'”. Era como algum contrabando ou algum segredo que eu tinha que ninguém mais sabia.

Acontece que os dois acordes vão juntos em um casamento muito incomum e o segundo acorde D7#9, eu aprendi com Bert Jansch. Alguém estava lá, John Renbourn e outro guitarrista, na Inglaterra. Quando John Renbourn me viu aprender esses dois acordes, ele disse: “Você tocou 12 horas, sem parar e escreveu a música na cozinha, neste bloco boêmio em que estava”. Eu não poderia colocá-lo para baixo.

Era sobre a Temporada da Bruxa. Era sobre beatniks para torná-lo rico. Era a boemia se infiltrando na cultura popular. Era irônico, mas também era sobre uma escuridão que estava caindo. Essa escuridão foram as liberdades de que falei, que abriram as portas, e os Beats nos anos 50 que nos ajudaram a falar o que queríamos falar: Dylan deste lado do mundo e eu e os Beatles do outro lado. Podemos agora falar o que pensamos em nossos registros.

Essa escuridão estava chegando para fechá-la, e “Season of the Witch” foi profética de certa forma, porque eu fui o primeiro a ser preso por fumar haxixe, e essa escuridão caiu. E foi como uma Temporada da Bruxa. Estávamos em 1966, então era coisa séria. E aquele assombro no disco era real.

Elsas é uma das mais respeitadas personalidades de rock do país, e recentemente comemorou seu 51º ano na rádio de Nova York. De um período de mais de um quarto de século como DJ e diretor musical na WNEW-FM até seus empreendimentos hoje como apresentador da tarde no estimado  WFUV  e como co-apresentador da conversa semanal dos Beatles e do programa de “call-in”, “Fab Fourum”, ouvido exclusivamente no canal Beatles Sirius/XM (18) e nos turnos de fim de semana no Classic Vinyl Channel (26) do Sirius/XM, ele conquistou a consideração de ouvintes e artistas.

Drugdealer — Hiding in Plain Sight (2022)


 

Hiding in Plain Sight é um verdadeiro álbum pop que, desavergonhadamente, rouba influências ao yacht rock dos late 60 ’s e de toda a década de 70 ’. Deste modo, do início ao fim, o álbum é uma brisa musical que refresca os sentidos de quem o escuta.

Ouvir música é fácil; fazê-la é bem mais difícil. Quase sempre, ignoramos os obstáculos, pessoais ou profissionais, contra os quais os nossos músicos preferidos chocam. É justo: no trabalho, cada um tem os seus próprios problemas. (Os artistas que tanto escutamos também não pensam em nós.) Ainda assim, dá que pensar o facto de que determinados trabalhos, que nos enchem verdadeiramente as medidas (dos ouvidos…), terem estado perto de não existir, pelo facto de os seus intérpretes não se sentirem confortáveis com o seu talento musical.

O mais recente álbum do conjunto Drugdealer, Hiding In Plain Sight, esteve para não existir.

O mais recente álbum do conjunto Drugdealer, Hiding in Plain Sight, esteve para não existir. Entre o lançamento do bem recebido Raw Honey (2019) e o início e fim da pandemia, o vocalista, Michael Collins, deixou de acreditar nas suas capacidades vocais — não que tivesse perdido a vontade de fazer música, mas ficou tentado a oferecer o microfone aos outros, nomeadamente a Weyes Blood, com que colabora desde 2016, aquando do lançamento do primeiro LP, The End Of Comedy. Será este o problema de trabalhar com as grandes vozes?

Não fosse Michael Collins a encontrar-se com a produtora Annette Peacock e o projeto Drugdealer estaria, não extinto, mas certamente distinto. Durante um festival organizado pela label Mexican Summer, que acabaria, mais uma vez, por fechar um disco do grupo, Collins levou, não literalmente, na cabeça de Peacock, que lhe aconselhou simplesmente a cantar mais alto. Conselhos simples dados por quem sabe, assumiria, mais tarde, Collins, que também admitiu ter passado por um curto período de tempo em que considerou apostar numa carreira em filmmaking, pondo a música em segundo plano.

O cinema teria de ficar para mais tarde. Assim, Collins prometeu a si mesmo começar a cantar mais alto e o resultado é bem audível. Hiding in Plain Sight pode ser o melhor trabalho de Drugdealer até à data: apresenta as virtudes dos dois primeiros LP ‘s, sendo analógico, cool e groovy, e mostra-se mais organizado, na medida em que cada faixa (são 9 no total) está no sítio certo e tem o comprimento certo. Tanto The End Of Comedy, como Raw Honey, são dois álbuns mais ácidos e compostos por temas mais psicadélicos. Hiding in Plain Sight é um verdadeiro álbum pop que, desavergonhadamente, rouba influências ao yacht rock dos late 60’s e de toda a década de 70’. Deste modo, do início ao fim, o álbum é uma brisa musical que refresca os sentidos de quem o escuta.

Assim, Collins prometeu a si mesmo começar a cantar mais alto e o resultado é bem audível. Hiding In Plain Sight pode ser o melhor trabalho de Drugdealer até à data.

O amor é o tema central em Hiding In Plain Sight, diz-nos Collins. Os dois primeiros temas, o single “Madison” (que soa a medicine, porque o amor é um remédio) e “Baby”, referem-se à busca, talvez platónica, da pessoa perfeita. Em “Madison”, Collins parece aproximar-se de Van Morrison; em “Baby”, a ideia passou por montar uma canção que pudesse ter sido interpretada por um grupo sock hop que nunca tivesse experimentado drogas na vida, isto de acordo com Collins — conseguiram-no. Em “Someone To Love”, o início é prometedor: uma sucessão de notas sensuais de baixo e bateria preparam a chegada vocal do vocalista, que chega acompanhado por um coro angelical, representativo da West Coast, e um conjunto de instrumentos de sopro que espalham suspiros no interior dos nossos ouvidos. 

Um dos melhores momentos de Hiding in Plain Sight acontece em “Pictures Of You”, que é, sem dúvida, um dos grandes temas da produção. Desta vez, o canto ficou a cargo da doce e hipnótica Kate Bollinger, cuja voz se confunde com guitarradas mais líquidas do que o Oceano Pacífico. (Por alguma razão, à data em que escrevo este texto, “Pictures Of You” é a canção mais escutada do álbum, a seguir a “Madison”.)

No interior de Hiding in Plain Sight, vive uma proeza bastante rara. O quinto tema do registo, “New Fascination”, idealizado, montado e interpretado no século XXI, parece ter sido furtado a Donald Fagen e Walter Becker. Nem todos conseguem fazer música que se assemelhe ao reportório de Steely Dan; trata-se de um feito que está ao alcance apenas dos músicos que vivem com um pé nos anos 70’, como Michael Collins, que, nesta faixa, pegou no microfone com uma confiança de campeão, própria de quem aprendeu a tocar saxofone, tocou o que lhe apeteceu, bebeu scotch a noite inteira, e morreu atrás do volante

O refrão do tema que se segue, “Valentine”, é novamente elétrico, não fosse esta mais uma canção de amor. Nesta fase, já nos deixámos vencer pelos Drugdealer; queremos apenas absorver toda a música que foge da guitarra dourada e da voz refrescante de Michael Collins, cuja confiança a cantar é viciante. Depois, vem “To Live and Drive In LA”, um tema instrumental que prova que Hiding in Plain Sight é um trabalho que deve ser ouvido na estrada, à medida que queimamos os pneus do nosso carro.

A penúltima canção do projeto chama-se “Hard Dreaming Man”. É neste período do álbum que Collins demonstra a sua aptidão para escrever letras, deixando bem claro que o que o move são as histórias. Nesta canção, o assunto continua a ser o amor, mas é um tipo de amor diferente: é o que existe entre o Homem e tudo o que o rodeia. De uma forma algo imprevisível, o álbum termina com um registo próximo de sonoridades downtempo. Em “Posse Cut”, estamos definitivamente longe da década de 70’, mas o groove não desaparece. À primeira audição, o tema parece afastar-se do caminho traçado pelas músicas anteriores, contudo, à medida que escutamos e escutamos Hiding in Plain Sight, “Posse Cut” torna-se numa das canções mais fortes, representando um ponto final bem soulful no terceiro trabalho de Drugdealer.

Hiding in Plain Sight, não só é um dos melhores álbuns do ano, como é o álbum perfeito para ouvir vezes sem conta no verão de 1978.

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Regina Spektor – Home, Before and After (2022)

 

Home, Before and After não ficará destacado na história da carreira da artista, mas não deixa de ser um agradável álbum para se ouvir que nos transporta para o mundo mais ou menos encantado de Regina Spektor.

Home, Before and After é o oitavo álbum de estúdio de Regina Spektor, lançado em Junho de 2022, pela Sire e Warner Records, tem a produção partilhada da própria Spektor e John Congleton (que colaborou com Sharon Van Etten e St. Vincent).

Quase 20 anos depois de Soviet Kitsch (um dos meus “all time favorites”) podemos dizer que as canções de Regina Spektor evoluíram musicalmente. Mas os temas abordados, esses, continuam os mesmos. A cantora e compositora é uma notável contadora de histórias, fazendo jus aos autores da sua terra natal, a Rússia. Versando sobre temas como a vida, a morte, as conexões e o amor, com a sua voz doce e ao mesmo tempo pujante. Na verdade, aquilo que encontramos nas canções não são mais do que pequenos romances, baseados no quotidiano e nas suas excentricidades.

A maior parte da sua vida foi passada nos EUA, e por isso o cenário para as suas canções é, muitas das vezes, Nova Iorque. Durante o álbum acabamos por acompanhá-la nas suas viagens pela cidade. Logo na primeira do álbum, “Becoming All Alone”, presenciamos um encontro casual com Deus onde Ele a convida para uma cerveja. Já não é primeira vez que Regina “encontra” Deus nas suas canções, mas a primeira em ela O questiona: “Why doesn’t it get better with time?”.

Apesar de fiel às suas raízes musicais de piano clássico, que continua a ser centro das suas canções, conseguimos encontrar neste disco uma aproximação diferente, com vários instrumentos e composições musicais complexas. De destacar a épica canção de quase 9 minutos, “Spacetime Fairytale”, uma faixa em que remete para o caos da nossa cabeça que se revê bem na música interpretada. Tanto ouvimos uma orquestra completa (como em muitas das faixas do disco), como encontramos uma vibração jazzística enquanto ouvimos em plano de fundo o som de sapateado. Apesar de todo este caos a segunda parte da canção transforma-a numa espécie de banda sonora de filmes clássicos da Disney.

Acredito que Home, Before and After não ficará destacado na história da carreira da artista, mas não deixa de ser um agradável álbum para se ouvir que nos transporta para o mundo mais ou menos encantado de Regina Spektor.

Blood Red Shoes na Dança do Som

 





Dão-se pelo nome de Blood Red Shoes. São apenas dois. Novinhos e humildes. Mas bons. Muito bons.



Corria o ano de 2004 quando Laura Mary-Carter (uma morena menineira e super indie) que ansiava ter nascido espanhola e Steven Ansell (um loiraço com ar de menino ingénuo), o eterno sonhador, davam início à banda que já passou pelo nosso país mais do que uma vez.

Detentores de uma energia fantástica e de uma presença em palco que inveja muitos veteranos, os Blood Red Shoes não tinham nem noção que teriam toda esta fama e sucesso passados uns anos.

Quando tudo começou nem um nem o outro se conheciam tão bem assim para darem início a um projecto que exige confiança e cumplicidade. Mas segundo Laura Mary-Carter “existia uma química no ar que se tornou positiva e permitiu que tudo se unisse e desse certo”.

No dia em que a primeira canção foi escrita (ainda sem a melodia), alguém lhes pediu para a tocarem em duas semanas. Tanta pressão obrigou-os a, noite após noite, trocarem dezenas de e-mails para tentarem encontrar alguma coerência e descobrirem um nome que se enquadrasse com as suas personalidades. Finalmente encontraram-se e mais duas canções foram escritas “em cima do joelho”. Resultou e muito bem, diga-se de passagem.

Estes senhores, detentores de dois álbuns de estúdio e um EP, escondem segredos que só o Som À Letra vos irá desvendar. Da próxima vez que se sentirem crianças por adorarem chocolate, bolos, infantilidades, zombies, filmes de terror, chazinho pela tarde dentro, de danças ou dos Ursinhos Carinhosos, não entrem em pânico. Os Blood Red Shoes também gostam e não deixam de ser quem são.


Syd – Fin (2017)


 

O disco de estreia de Syd, Fin, é uma pérola esquecida do R&B contemporâneo.

Syd começou como DJ nos Odd Future, o colectivo de hip-hop underground – e iconoclasta! – por onde passaram nomes como Tyler, the Creator, Frank Ocean e Earl Sweatshirt. Até que em 2014 fundou os The Internet, banda de R&B alternativo, onde canta, escreve, produz e enrola joints para o pessoal. Até que, em 2017, com vinte e quatro anos, decide estrear-se a solo. Em boa hora o fez porque Fin é um bonito disco de soul moderno, com doze canções irrepreensíveis, 37 minutos de classe e elegância.

Não há pachorra para artistas contemporâneos que fingem que são o Otis Redding e a Aretha Franklin, fossilizando a música negra americana. Fin não cai nessa armadilha, com o seu travo fresco a século XXI, como os salpicos trap que atravessam o disco. Ao mesmo tempo, não tropeça na cilada de sentido contrário, de renegar a (inescapável) herança que a precede. Quando vem a calhar, pisca o olho, sem qualquer pudor, e bem, ao neo-soul jazzístico de Erykah Badu ou ao R&B maroto de Aaliyah (com as suas batidas sumarentas à Timbaland). É nesse equilíbrio entre modernidade e tradição que Fin se passeia.

A produção é esparsa e depurada, sempre de fino bom gosto, colocando a bonita voz de Syd no centro de tudo: negra e doce, íntima e sensual, rouca e aveludada ao mesmo tempo. Não é um prodígio técnico, com não sei quantas escalas de amplitude, mas dribla maravilhosamente as suas limitações, com uma contenção refinada que diz muito com muito pouco.

Syd actualiza uma tradição vetusta no R&B: o soul de cama, há décadas a promover o fabrico de novas crianças. O seu falsete sussurrante e sedutor cumpre esse serviço público inestimável. Não interessa que o ponto de vista seja o de uma mulher desejando outras mulheres, há qualquer coisa de universal na tusa humana. Nem há nada de abertamente político nas suas letras queer, apenas a expressão natural e descomplexada dos seus afectos. O R&B lânguido e charmoso só ganha com estes novos cambiantes de sensualidade.

Syd passa grande parte do disco alternando entre a bazófia cool e a luxúria sexy. Mas no último tema, “Insecurities”, baixa a guarda e assume uma inédita vulnerabilidade. A sua voz, antes distanciada e blasé, é agora intensa e sofrida. Como se nos confessasse que a anterior bravata não passava de um verniz que agora estala. Este epílogo, de uma comovedora honestidade emocional, torna todo o álbum mais humano. Um disco que acaba em xeque-mate obriga-nos a reapreciar todas as jogadas anteriores…

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Drug Couple – Stoned Weekend (2022)

É com muito prazer que se ouve Stoned Weekend. O sabor de uma certa América chega-nos através das vozes e das guitarras de Becca e Miles, os Drug Couple de serviço. Pode até acontecer que passemos a tê-los como novos amigos de estimação.

A história conta-se como tantas outras. Becca e Miles conheceram-se quando este último produziu um disco da banda em que  ela tocava. O resto é como em certos filmes. Engraçaram um com o outro, começaram a fazer música e são hoje um casal. Tão simples quanto isto. Mas, como não é de estranhar em quem é artista, continuaram com vontade de fazer mais música e é assim que tudo termina (ou inicia, uma vez este é o primeiro longa duração da dupla), com a feitura de Stoned Weekend, o disco que aqui vos trazemos. No entanto, Becca e Miles já haviam gravado dois mini-álbuns (ou dois EPs, se preferirem), o primeiro em 2019 (Little Hits) e o segundo no ano seguinte, Choose Your Own Apocalypse. Surge então, como dissemos, a decisão do passo seguinte, e pelo que escutámos, Stoned Weekend não resultou de um qualquer lost weekend à maneira antiga. Mas, segundo consta, parece que algum lsd consumido moderadamente terá causado um determinado efeito. Certo psicadelismo não engana e é sempre bom darmos pela sua presença. Há muito groove nos dez temas do disco, algum rock de pendor mais alternativo e boas malhas, algumas delas de exceção. Becca e Miles merecem ser ouvidos, isso parece-nos certo. O nome da banda e o título do álbum, convenhamos, também nos faz sorrir, aguçando-nos o apetite de ouvintes. Não resistimos, e foi o que, em boa hora, fizemos.

“Stoned Weekend”, a faixa inicial, começa logo por ser reveladora do tal psicadelismo anteriormente referido. O som relaxado lembra alguns temas antigos dos saudosos R.E.M., o que já não é dizer pouco. Cantam-se, entrou outros, os versos “Spent my whole life stoned / Spent it all alone / But I finally found a friend / And I hope this weekend never ends”, o que só vem provar que “coisa mais importante no mundo não há”, isso de ter amigos. “Missed Our Chance”, o segundo tema, é rock honesto com boas e estridentes guitarras pelo meio, vibrante, e dura até a chegada de “Lemon Tree”, o single do álbum, bonito, lânguido, luminoso nas suas elegantes harmonias. É uma canção sobre a mudança, mudança de vida, de lugar, mudança de capítulo rumo a uma nova etapa. Se há riscos em começar de novo, haverá também a esperança de um tempo melhor por vir. Stoned Weekend vai-se repartindo entre toadas diferentes, umas mais tranquilas, outras com mais sangue na guelra, como provam os temas “Linda’s Tripp” e “Our December” (com distorções em grande plano e estilo, fazendo pensar em Yo La Tengo ou Guided By Voices, por exemplo). Por outro lado, quando um certo tom mais sonhador e etéreo ocupa o centro das composições, destacam-se, para além das mencionadas “Stoned Weekend” e “Lemon Tree”, os temas “Little Do I Know”, “Blue Water” e “Wyld Chyld”, esta última carregada de mistério, densa e perturbante (“She got born too soon / The doctors came at night /…/ She got thinner / (Uh huh, uh huh) / Skipped her dinner / (Uh huh, uh huh) /…/ Her flowers never bloomed / Her thumb turned black”). O disco termina com uma espécie de remake do tema inicial (“Still Stoned”), dando conta de uma certa circularidade do trabalho. Ou, se quisermos ser mais curtos e grossos, dando a impressão de que a droga era boa e duradoura.

Stoned Weekend ouve-se com muito agrado, e por isso apetece voltar a ele de quando em vez. Não será difícil imaginar quem possa ouvi-lo com um copo de bourbon na mão, tendo ao lado uma garrafa quase vazia de Jack Daniel’s. Isso e um cinzeiro com claras marcas de quem fumou algo para fintar a consciência dos dias.


“RIPPLES ON THE SURFACE” É O NOVO ÁLBUM DE TIAGO SOUSA

 

Ranking de todos os álbuns de estúdio dos Backstreet Boys

Backstreet Boys 

Os Backstreet Boys foram formados por Nick Carter, Howie Dorough, AJ McLean, Brian Littrell e Kevin Richardson em 1993 em Orlando, Flórida. Três anos depois, eles foram catapultados para o centro das atenções com o lançamento de seu álbum de estréia auto-intitulado. No final da década de 1990 , eles eram a maior boy band do planeta. Avance 20 anos, e eles já venderam mais de 100 milhões de discos em todo o mundo, tornando-os um dos artistas musicais mais vendidos de todos os tempos. Aqui, vamos dar uma olhada nos altos e baixos de sua carreira enquanto classificamos todos os álbuns dos Backstreet Boys do pior ao melhor.

9. Unbreakable


Lançado em 30 de outubro de 2007, como o primeiro álbum após a curta saída de Kevin Richardson e o primeiro sem a orientação dos produtores de longa data Max Martin e Kristian Lundin, Unbreakable pode ter sido um sucesso comercial, mas como diz o yahoo.com , parece estar faltando um certo “je ne sais quoi”. A tentativa deles de soar menos como uma boy band e mais como uma man band simplesmente não funcionou, resultando em um álbum sem graça e um pouco chato com poucos, se algum, momentos memoráveis.

8. This Is Us

 

Após a decepção de Unbreakable, a banda recrutou os serviços do colaborador de longa data Max Martin para This Is Us. A intenção era criar seu melhor disco desde Millenium. Mas, apesar da ajuda de Martin e outros grandes colaboradores como Ryan Tedder, do OneRepublic, o álbum vacilou no primeiro obstáculo. Há uma boa dispersão de músicas cativantes, mas há pouca originalidade preciosa, enquanto algumas das faixas (She's a Dream e PDA, em particular) se destacam por todas as razões erradas. Não é desagradável, mas também não vale a pena dar uma segunda volta.

7. Never Gone

 

Após um hiato de dois anos, os Backstreet Boys se reuniram em 2005 para seu quinto álbum de estúdio, Never Gone. A intenção era afastá-los do pop adolescente de seus álbuns anteriores para um território mais adulto, algo que realmente não conseguiu. Apesar de vender mais de 3 milhões de álbuns internacionalmente, a resposta crítica ao álbum foi quase esmagadoramente negativa. O material não é necessariamente ruim, mas a entrega é quase dolorosamente séria. Ele nunca atinge as alturas vertiginosas dos sucessos anteriores e nunca chega longe o suficiente em direção a um novo território, resultando em um de seus lançamentos menos essenciais.

6. In a World Like This

 

In a World Like This foi o primeiro álbum a apresentar todos os cinco membros originais desde Never Gone de 2005. Compreensivelmente, as expectativas estavam em alta. Comercialmente, o álbum entregou as mercadorias, estreando no número cinco na Billboard 200 dos EUA e tornando os Backstreet Boys a única boy band na história a ter nove álbuns no top 10 dos EUA. Embora a recepção crítica tenha sido mista, a maioria das críticas foi positiva, com All Music chamando-o de um álbum surpreendentemente maduro e o LA Times dizendo que provava que a banda tinha o talento de um homem adulto para ir além da tarifa de clube contemporânea usual.

5. ADN


Para seu último álbum de estúdio, os Backstreet Boys abandonaram seus produtores e amigos de longa data Max Martin e Kristian Lundin e pediram ajuda externa a uma equipe de colaboradores que incluía Ryan Tedder, Ross Copperman e The Stereotypes. Lançado em janeiro de 2019, DNA foi um grande sucesso, estreando em primeiro lugar na Billboard 200 dos EUA para se tornar o primeiro número um da banda desde Black & Blue, de 2000, e o terceiro no total. Nem todos gostaram ( godisinthetvzine.co.uk descreve-o como "embaraçoso" e "desagradável"), mas na maioria das vezes foi bem recebido, com muitos críticos elogiando sua incorporação de pop eletrônico e synth pop contemporâneo na banda. harmonias clássicas.

4. Backstreet Boys


Os Backstreet Boys lançaram seu álbum de estreia homônimo em 6 de maio de 1996. Da noite para o dia, eles passaram de um grupo de desconhecidos para uma das maiores bandas do planeta... ou na maior parte do planeta, pelo menos. O álbum não foi lançado nos EUA até o ano seguinte, mas provou ser um enorme sucesso na Europa, Canadá e Ásia, estreando em primeiro lugar em Taiwan, Suíça, Malásia, Hungria, Alemanha, Canadá e Áustria. . Consistindo em uma combinação de números de dança pesados ​​e baladas, é um prazer espumoso com charme suficiente para levá-lo até os momentos mais fracos.

3. Black and Blue

 

Seguir um grande sucesso como o Millenium nunca seria fácil. Enquanto Black and Blue não atinge as alturas vertiginosas de seu antecessor, ainda é um esforço impressionante, com baladas suaves, grooves estrondosos e muitas cantigas de dança de ritmo acelerado. As faixas de destaque incluem Everyone, Shining Star e o irresistível single de sucesso, Shape of My Heart. Lançado em novembro de 2000, vendeu mais de 1 milhão de cópias apenas na primeira semana, tornando-se o álbum mais vendido internacionalmente da história. Desde então, vendeu mais de 15 milhões de cópias em todo o mundo.

2. Backstreet's Back

 

Após o sucesso de sua estréia, os Backstreet Boys provaram que não eram maravilhas de um álbum com seu segundo álbum, Backstreet's Back. Brilhante, liso e repleto de músicas dançantes e baladas doces, é um pedaço de pop adolescente tão perfeito quanto qualquer um poderia desejar. Os principais destaques incluem As Long As You Love Me, Quit Playin' Games (With My Heart) e Everybody (Backstreet's Back). Lançado em 11 de agosto de 1997, foi um grande sucesso, entrando no top 10 em inúmeros países e certificando diamante no Canadá.

1. Millennium

 

Millennium foi o primeiro álbum da banda a ser lançado simultaneamente nos Estados Unidos e internacionalmente, levando a um enorme chute promocional e grandes números de vendas. Nos EUA, vendeu quase meio milhão de cópias apenas na primeira semana, tornando-se o álbum mais vendido de 1999. As vendas mundiais atingiram mais de 24 milhões, tornando-se um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos. Descrito pela Spin como a “mistura mais desleixada dos timbres dos cinco vocalistas até hoje, e muito bonita além disso”, é uma audição extremamente agradável que resistiu aos anos que se passaram notavelmente bem.

Destaque

Luther Allison Live in Chicago 1995

  DISCO 1 01. Intro 02. Soul Fixin' Man 03. Cherry Red Wine 04. Move From the Hood 05. Bad Love 06. Put Your Money Where Your Mouth Is 0...