quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Conhecendo o rock progressivo: uma viagem em 52 músicas


 Durante muito tempo, o rock progressivo passou por um período de desvalorização junto a mídia e em diferentes nichos musicais. Ainda que resistisse bravamente, o estilo passaria anos estigmatizado como música de "velho" e "maluco", ou carinhosamente reconhecido pela imprensa como "a fase mais nauseabunda do rock" (André Barcinski), que se estenderia até os primeiros anos do século XXI.


As críticas, contudo, mesmo muitas vezes exageradas e agressivas, não foram de todo incoerentes.

Sim, o estilo ofereceu algumas bandas tecnicamente impecáveis, mas com pouco feeling, lançando trabalhos pretensiosos e vazios; e, sim, muitos músicos e (principalmente) fãs adotaram uma postura pedante e elitista, colocando o gênero como uma espécie de “rock superior”, o que atraiu (e atrai) antipatias desnecessárias para o gênero.

Mas, apesar de alguns equívocos, o estilo ofereceu também trabalhos de qualidade e discos importantes para o desenvolvimento e evolução do rock a partir dos anos 1960.

Demorou, mas o filé mignon do gênero está novamente recebendo uma avaliação mais generosa e não tão agressiva da mídia musical norte-americana, europeia e, em menor medida, brasileira (não contando a inserção do seu grupo mais bem-sucedido, Pink Floyd, na cultura pop).        

O que caracterizaria o rock progressivo?

O consenso é difícil, mas alguns acabaram sendo absorvidos pelos fãs e crítica: filhote da psicodelia da segunda metade dos anos 1960, o mesmo consiste em bandas com influência da música clássica/erudita, jazz e do "avant-garde", usando alguns conceitos desses estilos em sua música, além de outras características como, por exemplo, longas faixas e quebras de tempo.

Ressalta-se também que o estilo teve várias facetas: o que foi apresentado na Inglaterra diferiu do que foi produzido na Alemanha e Japão, sendo que muitos fãs e críticos, durante os anos 1970 e 1980, pra complicar mais as coisas, colocavam todas essas propostas num mesmo saco.

Resolvi, aproveitando que o estilo está sendo lentamente redescoberto, e pensando nos leigos e fãs iniciantes que querem conhecer algo além dos medalhões (mas aviso, vários estarão listados), fazer uma lista de 52 músicas na qual apresento uma jornada sobre a evolução e principais derivações do gênero.

N.A.: O critério escolhido para a divisão dos tópicos baseou-se em classificações realizadas pela crítica musical e em espaços localizados na web, subdivisões essas visíveis, por exemplo, no link da Wikipédia sobre o estilo.  A playlist completa pode ser visualizada aqui.    

Origens

Entre 1966-69, o rock, em sua versão psicodélica, começava a expandir seu horizonte musical. Nesse período, bandas como Beach Boys, Beatles, Nice, Procol Harum, Pink Floyd, Grateful Dead, entre outros, arriscaram uma inter-relação do rock com outros estilos, usando de efeitos e truques que os estúdios da época ofereciam (ecos das vertentes vanguardistas francesa e alemã em voga nos anos 1960).

Moody Blues – Nights in the White Satin (1967)

Um dos exemplos da psicodelia que, em breve, despontaria para o rock progressivo.

The Who – Pinball Wizard (1969)

Ponto alto de “Tommy”, um dos precursores dos álbuns conceituais, mostrando um The Who mais ousado, amadurecido, e sem perder o feeling característico.    

Consolidação

King Crimson – 21st Century Schizoid Man (1969)


Para muitos o “marco zero” do rock progressivo, vindo de um inquieto quinteto londrino com poucos meses de existência.

Soft Machine – Out-Bloody-Rageous (1970)

Oriundos da (nos anos 1960) efervescente cidade de Canterbury, o grupo foi um dos precursores do rock progressivo de vanguarda, transitando entre o rock, free jazz e fusion.

Progressivo regional

Jethro Tull -  Locomotive Breath (1971)


Do quarto disco, Aqualung, que fez do Jethro o primeiro grupo progressivo a entrar no hall dos medalhões, a canção mescla, com eficiência, uma sonoridade folk com elementos do Hard Rock.

Sinfônico

O carro-chefe do rock progressivo. Aqui o estilo obteve maior notoriedade, sucesso comercial, e os piores ataques dos punks e imprensa musical.  

O subgênero, nos últimos anos, recebeu avaliações mais amistosas, nas quais não são ignorados alguns erros, mas os acertos são valorizados.

Focus – Hocus Pocus (1971)

Sinfônico pode ser relacionado a orquestração e elementos eruditos? Pode. Mas nossos amigos holandeses mostram que o subgênero também pode ter pegada e peso.   

Yes – Heart Of the Sunrise (1972)



A melhor formação da banda (Rick Wakeman, Chris Squire, Jon Anderson, Steve Howe e Bill Brufford), na minha opinião, mostrando sua qualidade sonora.

Gentle Giant –The Advent of Panurge (1972)

Pretensiosos, muitas vezes arrogantes, mas que compensavam misturando, de forma agressiva, diferentes estilos e propostas musicais.

Genesis –Firth of fifth (1973)


Um dos momentos de melhor coesão da formação clássica do Genesis (Peter Gabriel, Mike Rutherford, Tony Banks, Steve Hackett e Phill Collins).

Emerson Lake & Palmer – Karn Evil 9 – 1st impression – Parte 2 (1973)

Canção produzida no ápice criativo do grupo, evidenciando seu entrosamento (e ambições).

Renaissance - Carpet of the Sun (1973)

Canção na qual se destaca o bom gosto dos arranjos e o vocal de Annie Haslam.

Camel – Freefall (1974)


Representativa canção de um dos grupos ícones do subgênero.

Änglagård – Jordrök  (1992)

Quando o progressivo sinfônico entrou em crise no fim dos setenta, foi parcialmente recuperado no que foi chamado de “novo sinfônico”, percebido em bandas suecas nos anos 1990.

Oriundo dessa cena, o Änglagard é um dos poucos grupos de rock sinfônico pós anos 1970 que merece ser ouvido.

Progressivo espacial

Hawkwind – Silver Machine (1972)


Faixa que melhor captou a proposta musical da banda, que misturava passagens lisérgicas e experimentais com pesadas pegadas no hard rock. Destaque para o potente baixo de Lemmy Kilmister.

Gong – Master Builder (1974)

A fase espacial da banda, centralizada na trilogia Radio Gnome (1973-74), tem nessa canção doses bem administradas de fusion e experimentalismo.

Pink Floyd – Shine on You Crazy Diamond (1975)


A bela e melancólica homenagem da banda a seu fundador, Syd Barrett, está entre os melhores trabalhos que o Floyd produziu.

Eloy - Poseidon’s Creation (1977)


O grupo alemão transitou entre diferentes vertentes, do hard-rock ao progressivo sinfônico. A faixa acima é uma das melhores da fase espacial do grupo, centralizada no disco Ocean.    

Neoprogressivo

Os anos 1980 foram, no geral, barra pesada para o rock progressivo. Mas uma molecada corajosa resolveu unir elementos progressivos com o pop, synth rock e o new wave da época. Os resultados, no geral, foram medianos, mas houveram exceções.

Marillion - Incommunicado (1987)

Único grupo neoprog a (merecidamente) ter obtido sucesso comercial na década de 1980, o Marillion teve alguns hits, como “Kayleigh”, “Lavender” e a faixa acima .

IQ – The Narrow Margin (1997)

IQ foi outra banda neoprog a oferecer bons trabalhos nos anos 1980 e 1990. Narrow Margin é o ponto alto do melhor disco do grupo, Subterranea.

Novas propostas para antigas ideias

After Crying - Megalázottak és Megszomorítottak (1992)

Grupo que uniu elementos do progressivo sinfônico com a musicalidade regional húngara (em especial Béla Bartók), proposta essa bem recebida pela cena progressiva nos anos 1990.

Spocks Beard – At the End of the Day (2000)

O Spocks Beard apresentou boas opções de renovação tanto para o neoprogessivo quanto para o sinfônico, além de revelar o vocalista Neal Morse, atualmente ligado a música gospel.

Transatlantic – Duel With the Devil (2002)


Grandioso projeto unindo Mike Portnoy (Dream Theater), Neal Morse (Spocks Beard), Pete Trewavas (Marillion) e Ronnie Stolt (Flower Kings), onde não falta virtuosismo em suas canções.

Porcupine Tree – Anesthetize (2007)

Os anos 1990 revelaram o talentoso Steven Wilson, que, com o Porcupine, serviu de ponte entre o progressivo clássico e estilos musicais mais modernos, ajudando a renovar o gênero.

Krautrock ou rock chucrute

Alemanha: um país dividido, tendo uma relação ambígua com a ocupação e cultura estadunidense, somados a um clima político instável (que eclodiria em grupos terroristas como Baader-Meinhof),  e experimentos da música concreta francesa e dos compositores nativos Stockhausen e Koenig com considerável repercussão.

Foi nesse ambiente que a cena psicodélica da antiga Alemanha ocidental estava inserida, que desembocaria numa proposta progressiva diferenciada e experimental, chamada pela crítica musical da época de Rock Chucrute (Krautrock).

Can – Spoon (1972)


Grupo com dois ex-alunos de Stockhausen (Holger Czukay e Irmin Schmidt), além do vocal caótico de Damo Suzuki, apresenta diversificadas influências musicais, do funk a pitadas da música vanguardista alemã.  

NEU! – After Eight (1975)

Do duo Klaus Dinger e Michael Rother, evidencia o lado agressivo, quase punk do grupo, explicando sua posterior influência nas cenas pós-punk e alternativa (vistas, por exemplo, no Joy Division e Sonic Youth).

Eletrônico

Tangerine Dream – Phaedra (1974)

Climática, Phaedra foi um dos trabalhos da banda mais influentes e reconhecidos no meio eletrônico (seguido por outros bons álbuns durante os anos 1970).

Kraftwerk - Autobahn (1974)

Música de transição, onde o Kraftwerk se afastava do som experimental/ Krautrock e sinalizava a sonoridade eletrônica que consagraria a banda nos anos 1980.

Jean Michel Jarre – Equinoxe parte 5 (1979)

Faixa que apresenta a proposta musical oferecida pelo tecladista francês.  

Ambiente

Steve Roach – Reflections In Suspension (1984)

Brian Eno, principal precursor do subgênero, seria a escolha óbvia, mas indico um de seus mais talentosos pupilos, com um trabalho referência tanto para a música ambiente quanto para meditação.

Itália

Ao desbravar a cena italiana, ouvi duas opiniões divergentes: de um lado, que o progressivo sinfônico da Itália rivalizou, e por vezes até superou, o produzido na Inglaterra; e de outro, que a cena foi irregular, com muitas bandas medianas ou de folego curto.  

Pra evitar entrar na polêmica, indico dois bons exemplos sobre esse cenário.

Premiata Forneria Marconi – Impressioni Di Settembre (1972)



Canção que mostra o porquê do PFM ser considerado o principal ícone italiano do progressivo.

Banco del Mutuo Soccorso -  La Conquista Della Posizione Eretta  (1972)


Do segundo disco da banda, o conceitual “Darwin!”, a canção prima pelo bom gosto dos arranjos e o vocal de Francesco Di Giacomo.

Rock progressivo de vanguarda

Em março de 1978, em Londres, e em abril e setembro de 1979, respectivamente na Itália e Suécia, eram realizados os festivais “Rock In Opposition”, que apresentavam um conjunto de bandas que seguiram por uma proposta artística, comercial, sonora e política contrária a que alguns grupos “medalhões” progressivos seguiam.

Dessa cena saíram músicos (por exemplo, Fred Frith e Chris Cutler) que participaram de diferentes propostas vanguardistas europeias e norte-americanas, chegando a manter relações com músicos punks, em cenários ligados a No-Wave.   

Henry Cow –  Industry (1979)


Do último trabalho em estúdio do grupo ícone do Rock In Opposition, de difícil digestão, mas que merece ser ouvida.   

Univers Zero – La Faulx (1979)

O grupo belga ofereceu ideias interessantes, como, por exemplo, unir elementos do avant-garde com a música neoclássica, em especial Stravinski. A canção acima apresenta muito da proposta oferecida pela banda.

Naked City – Batman / The Sicilian Clan (1990)

Com misturas que vão do jazz ao grindcore, o projeto foi liderado pelo saxofonista John Zorn, importante nome da vanguarda estadunidense nos anos 1990 e 2000.

Magma – Mëkanïk Kömmandöh (1973)

O baterista francês Christian Vander, no fim dos anos 1960, começou a desenvolver uma interessante proposta musical que unia psicodelia, música neoclássica (em particular Carl Orff) e elementos jazzísticos, contando a história do planeta Kobaia, cantada na língua, construída por Vander, “Kobaïan”.

A proposta atingiria sua maturidade e coesão em seu terceiro disco de estúdio, Mëkanïk Dëstruktïẁ Kömmandöh,  considerado uma das principais obras do subgênero.         

Ruins – Guamallapish (2000)

Entre os seguidores de Vander, cita-se o prolífico baterista japonês Tatsuya Yoshida, que com o Ruins e outros projetos paralelos, uniu o Zeuhl ao avant-garde, math-rock e noise-rock, revitalizando o estilo.  

Acid Mothers Temple – Pink Lady Lemonade (2008)

Liderado pelo guitarrista Kawabata Makoto, o Acid Mothers Temple é um projeto que busca unir diferentes músicos vanguardistas japoneses e, ocasionalmente, trabalhando em conjunto com artistas progressivos europeus e norte-americanos. A faixa acima é um dos trabalhos mais acessíveis da banda.   

Rock progressivo e o Hard Rock

O rock progressivo paquerou com o hard rock desde os primórdios de 1970. Mas, na maioria das vezes, os resultados finais ficavam apenas nos flertes, ou em trabalhos não tão inspirados. Porém, hoveram exceções.

Uriah Heep – Easy Livin' (1972)


A melhor formação do Uriah Heep em um de seus melhores momentos em estúdio.  

Queen – Bohemian Rhapsody (1975)

Uma das músicas que melhor mostrou as ambições artísticas do grupo, e onde suas várias influências (T-rex, Led Zeppelin, Cream, Slade, Yes) conseguem ser ouvidas.    

Rush – Red Barchetta (1981)

O trio canadense apresentando considerável interação e boa forma.   

Rock progressivo e o heavy metal

Foi no metal progressivo (ou prog metal), a partir dos anos 1990, que mais pessoas se tornariam adeptas ao progressivo. Porém, o subgênero também sofre críticas de ser uma diluição do que foi o “verdadeiro” rock progressivo.

Atualmente, a inserção do prog metal na seara progressiva está consolidada, sendo que alguns grupos clássicos (Yes, King Crimson) já excursionaram com bandas do subgênero.   

Queensryche – Eyes of a Stranger (1988)

Faixa que encerra a saga do drogado e assassino Nikk no disco conceitual Operation Mindcrime, mostrando que o heavy metal e o rock progressivo poderiam ter uma parceria, trocando informações e influências.    

Dream Theater – Pull me Under (1992)

Da profícua, porém irregular, carreira do grupo, a ótima canção é um porto seguro para conhecer a banda.

Cynic – Textures (1993)

Atheist foi o precursor, mas o Cynic foi quem consolidou a junção entre o death metal e o progressivo, num trabalho pesado, virtuoso e técnico.

Symphony X - Evolution (The Grand Design) (2000)

Com um tema relacionado a civilização Atlântida, e incursões na música clássica em partes da obra, a canção evidencia o potencial artístico da banda.    

Opeth – Blackwater park (2001)

Representativa canção do grupo que melhor realizou a junção entre o death metal e o progressivo, graças, em parte, ao talento do seu líder Mikael Åkerfeldt.  

Derivações ou influências

Muito da reavaliação do progressivo nos anos 1990 deve-se as cenas do rock alternativo e indie, que, não escondendo influências no krautrock, space rock e ambiente, incluiu elementos progressivos em sua sonoridade.   

Primus - Jerry Was a Race Car Driver (1991)

Diretamente influenciados pelo King Crimson dos anos 1980, o grupo foi um dos primeiros a arriscar uma junção entre o alternativo e o progressivo.

Radiohead – Paranoid Android (1997)

Um dos melhores momentos do Radiohead, mostrando qual sonoridade teria sido obtida se Pink Floyd e Queen tivessem unido forças com o Nirvana e Pixies. 

Godspeed You! Black Emperor -  Sleep (2000)

Ótimo ponto de partida para conhecer o post rock, sendo um bom resumo de suas várias virtudes (e alguns vícios).

The Mars Volta – Cygnus…Vismund Cygnus (2005)


Há um certo consenso em classificar o som do Mars Volta como progressivo, apesar de, ironicamente, suas diferentes misturas sonoras dificultarem uma classificação mais precisa pro grupo.  “Cygnus” evidencia essa (bem vinda) confusão musical.

Muse – Resistance (2009)

Outra banda que a crítica sofre para classificar (já foi rotulada tanto de “New Alternative” quanto de “New prog”), o que não impediu que tivesse sucesso comercial e oferecesse bons trabalhos, como, por exemplo, a canção acima.

Menções honrosas

Mike Oldfield – Tubular Bells (1973)


O multiplatinado Tubular, primeiro disco do produtivo multi-instrumentista inglês, até hoje surpreende pela sofisticação sonora e a ousada mistura entre o rock e a música minimalista.   

Van Der Graaf Generator – La Rossa (1976)


Um dos pouquíssimos grupos de progressivo poupados, e até elogiados, pelo movimento punk nos anos 1970, o VDGG destoa um pouco dos medalhões, seja pelo instrumental enxuto, seja pelas letras do vocalista Peter Hammill.   

Brasil e América Latina acabaram ausentes nessa lista, e ficarão para uma próxima oportunidade. Senta aqui do lado, fica a vontade para elogios, críticas ou sugestões sobre a lista nos comentários.

RING OF FIRE - GRAVITY (2022)

 

Como os Ring Of Fire não lançaram um álbum de estúdio desde Battle Of Leningrad de 2014 , precisamos fazer algumas atualizações. Ring Of Fire é um projeto do vocalista de metal de longa data Mark Boals (que fará 63 anos ). O nome da banda vem de seu segundo álbum solo de mesmo nome, Ring Of Fire, lançado em 2000. Começando com The Oracle de 2001, Boals e companhia lançariam dois álbuns de estúdio adicionais e um álbum ao vivo rapidamente até 2004. Caso contrário, as gravações têm sido esporádicas. Mas Boals é um músico ocupado. Além de seu projeto Ring Of Fire, Boals tem vários outros shows: Dio Disciples, Dramatica, Shining Black, só para citar alguns.
Oito anos depois do álbum anterior, Gravity é a última e quinta gravação de estúdio dos Ring Of Fire. Mais uma vez, Boals e seus amigos regressam às suas raízes no heavy metal neoclássico (graças em grande parte ao trabalho de Boals com Yngwie Malmsteen desde meados dos anos oitenta). Mais uma vez Boals é acompanhado pelo teclista Vitalij Kuprij, mas o guitarrista Tony MacAlpine foi substituído pelo produtor e guitarrista dos Secret Sphere, Aldo Lonobile.
Com sua extensa experiência vocal e alcance dramático de soprano, a voz de Boals permanece na vanguarda (literalmente) de Ring Of Fire. No entanto, o que coloca o neoclássico no som dos Ring Of Fire são as partes de guitarra e teclado, principalmente este último. Com uma audição deste álbum, tu podes ouvir o significativo treino na música clássica de Kuprij no seu trabalho de teclado. Além disso, Lonobile não é desleixado quando se trata de shredding. Ao longo deste álbum, estes dois músicos tocam um com o outro, dando ao arranjo da música um dueto de magia neoclássica. Isso é vivenciado em Storm Of The Pawns, King Of Fools, Run For Your Life, entre outros. Quanto à contribuição de Boals, para esses ouvidos, ele soa um pouco furioso, mais assertivo do que o normal, quase se tornando gritante. Numa frase, enquanto eu ouvia, minha própria garganta doía enquanto ele cantava. Gravity.

01. The Beginning (07:48)
02. Storm of the Pawns (06:08)
03. Melanchonia (04:41)
04. Gravity (06:24)
05. King of Fools (05:35)
06. Sky Blue (04:59)
07. 21st Century Fate Unknown (06:22)
08. Another Night (06:41)
09. Run for Your Life (04:58)
10. Sideways (04:55)

Vitalij Kuprij Keyboards
Mark Boals Vocals
Stefano Scola Bass
Alfonso Mocerino Drums
Aldo Lonobile Guitars
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AFROJACK E JAMES ARTHUR LANÇAM NOVO SINGLE “LOSE YOU”


BIOGRAFIA DOS Bliss

Bliss

Mesa, no Arizona, dificilmente pode ser considerada como uma meca psicodélica, mas as raízes da Bliss, e sua primeira encarnação como The Sect, começaram justamente neste lugar. Tudo começou quando, em 1966, os alunos Brad Reed (que tinha apenas 15 anos), Rusty Martin e Corky Aldred se reuniram e formaram uma banda, The Sect, contando com a presença eventual de Tom Smith no baixo e J.R. Lara no pandeiro e vocais. Eles fizeram um show em uma boate e gravaram duas músicas em áudio, mas, no final de 1968, com o fim do ano escolar, o The Sect terminou.

Porém, em 1969, agora com o nome de Bliss, Martin, Reed e Aldred, mais velhos e mais experientes, se uniram novamente, contando com o lendário produtor Hadley “Madley” Murrell, para gravar um álbum completo. Com o nome de Bliss, lançado pela Canyon Records, este LP oferece uma mistura de musicalidade psicodélica com contribuições dos três membros. Curiosamente, tendo como base a capa, que mostra um cálice e um jovem, um padre raivoso, a expectativa inicial é de um LP de rock cristão. Porém, esta expectativa é dissolvida pela abertura, "Ride the Ship of Fool", que mistura uma bela melodia com harmonias doces e uma letra repleta de críticas à religião, e "Cry for Love". Os sentimentos religiosos são mantidos em cheque e envolvidos em uma sequência de faixas saborosas. Alimentado pela bateria poderosa de Aldred e a guitarra fuzz de Reed (confira "Visions" e seu cover de Joe Tex "I Want To Be Free"), este é simplesmente um grande LP! Infelizmente, o álbum na época passou quase despercebido, mas com o passar do tempo inúmeros colecionadores começaram a redescobrir - ló.

Um segundo álbum, Return to Bliss, saiu um pouco depois, com Murrell escrevendo letras brilhantes, assim como Reed and Aldred. Do início ao fim este é um álbum fantástico, pelas letras, pelos vocais, pela musicalidade! Vale destacar dois inesquecíveis rocks psicodélicos: “Music Train” and “Hippies, Cops and a Bunch of Rocks”.

Integrantes.

Rusty Martin (Baixo)
Brad Reed (Guitarra, Vocais)
Corky Aldread (Bateria, Vocais)

Return To Bliss (1969)

01. Hotche Blues (4:18)
02. Music Train (3:22)
03. Nothing In My Life (1:53)
04. Fear Of Fears (4:04)
05. Reach Out And Touch You (5:01)
06. City Woman (3:19)
07. Hippies, Cops And A Bunch Of Rocks (3:54)
08. Sandbox Symphony (2:25)
09. Simply Sunday (By The Sect) (1:40)
10. Just Can’t Win (By The Sect) (2:10)


 

25 DE ABRIL DISCOS

 NÃO DEIXES QUE CALEM MAIS A TUA VOZ


ORFEU - ATEP 6573

Não Deixes Que Calem Mais A Tua Voz - O Sol Que Vem Da Serra - Menina Dança, Dança - Ó Ramos Hoje Cá Estamos



FATO DE GANGA ?!?!


CRAVOS DE ABRIL - edição de autor (s/data)

Fato de Ganga (Maria Etelvina Dias/Grândola) - Boneca (Mário Castrim/Fado Margaridas) - Direitos da Criança (Bruno dos Santos/Fado Alberto)



25 ABRIL: FESTA


Edição da Associação 25 de Abril - s/data

Lado A

Quem Constói O Mundo Somos Nós (José Beato, Jorge Palma, Fernando Tordo, José Mário Branco) - Mais Alguém (Jorge Palma) - Foi Apenas Ontem (Maria Guinot, Pedro osório) - Vou-me Embora (Vitorino)

Lado B
Quantos É que Nós Somos? (José Mário Branco, Tózé Brito e Tino Flores) -Na Raiz Da Memória (Adelaide Ferreira) - Palavras Minhas (Fernando tordo) - Catarina e Eu (Bombo da Festa)



25 ABRIL: AS VOZES


IMAVOX - IMLS 30 002

Manuel Alegre, Joaquim Furtado, Luís Filipe Costa, Eugénio Corte Real, Jaime Fernandes, Alfredo Alvela, Jorge Dias, Fernando Pires, Mário Pereira, José Ribeiro.

General Luz Cunha, brigadeiro Junqueira dos Reis, major Costa Neves.



CRONICA - TANGERINE DREAM | Ricochet (1975)

 

Em 1975 o trio Edgar Froese, Peter Baumann e Chris Franke decidiu fazer uma digressão por França e Inglaterra com uma visita memorável à Catedral de Reims, de que o clero local ainda fala. Das 50 horas de gravação ao vivo, o grupo reterá os melhores momentos captados em Bordéus e Londres para a produção de Ricochet . Este é o primeiro álbum ao vivo do Tangerine Dream.

Este disco revela outra faceta do combo germânico que é a capacidade de improvisar em palco. Muito obrigado, porque de cidade em cidade, de sala de concerto em sala de concerto transformada em igreja cósmica, os músicos tiveram que reprogramar seus sintetizadores, mellotrons e outros sequenciadores. Em suma, um concerto do Tangerine Dream nunca foi igual e a complexidade do equipamento eletrónico impossibilitou a reprodução em palco dos títulos feitos em estúdio. Assim o espectador viveu um momento único, imerso em uma experiência eletro.

Estamos em um momento crucial. Ricochet  seria um ponto de virada na música dos sonhos em mandarim e definiria o estilo pelos próximos 40 anos. Se encontrarmos as passagens de flauta que remetem a Phaedra  e Rubycon , este LP é mais rítmico, as pulsações são mais regulares e as sequências têm timbres mais cristalinos, claros, límpidos. O Tangerine Dream não está mais navegando em águas turbulentas para um resultado menos experimental na aparência, mas mais comercial. De fato, "Ricochet" será um sucesso que permitirá aos alemães obter reconhecimento internacional, mas também uma obra-prima.

Composto por duas faixas, Ricochet  nos convida a uma viagem espacial que ultrapassa a velocidade da luz. Começa em uma atmosfera escura onde um sintetizador alonga algumas notas graves. O andamento é lento, Edgar Froese com sua guitarra esculpe um ácido e um solo árabe apoiado na bateria de Chris Franke enquanto Peter Baumann improvisa com seus sintetizadores e mellotrons. Então acelera. As sequências são maravilhosas. Eles se cruzam e colidem admiravelmente. Eles estão vestidos com um mellotron celestial, um stoner elétrico de seis cordas, percussões convulsivas, teclados com delírios orientais e climas nebulosos.

Na segunda parte, o grupo procura fundir um piano melodioso, um momento de flauta e um mellotron desencantado. Quando sem aviso, um loop inebriante e interestelar nos leva ao outro extremo do universo para uma viagem tecnóide e futurista. Sons industriais nos mergulham no medo. Mas é de curta duração. Rapidamente um mellotron nos acorda deste pesadelo para nos mergulhar de volta em um transe galáctico onde os loops sobem crescendos até esta aterrissagem suave para aplaudir uma constelação estrelada.

Títulos:
1. Ricochete Parte.1
2. Ricochete Parte.2

Músicos:
Edgar Froese: teclados, sintetizadores, guitarra, baixo
Chris Franke: teclados, sintetizadores, percussão
Peter Baumann: teclados, sintetizadores

Produção: Tangerine Dream

FADOS do FADO ... letras de fados ...

 

O Chico do cachené

Linhares Barbosa / Miguel Ramos *fado helena*
Repertório de Fernando Farinha

Certa vez, foi á noitinha
O Chico do cachené
Chamou-me e disse, Farinha
Vou contar-te a vida minha
Para saberes como é

Bem criado e malfadado / Os meus pais, tinham de seu
Por eles era adorado
Instruído e educado / Cheguei a andar no liceu

Eu era menino e moço / Simples como uma donzela
Mas um dia, que alvoroço
Passei à Rua do Poço / Vi a Micas, gostei dela

Vivi com ela dez anos / Duas vezes lhe puz casa
Mas os seus olhos tiranos
Vadios como dois ciganos / Fugiram, bateram asa

Hoje não tenho um afago / Um carinho, uma afeição
Sou um esquecido mal pago
E é no vinho que eu apago / O fogo deste paixão

Depois de contar-me a vida / O Chico pôs-se de pé
Pediu mais uma bebida
E uma lágrima atrevida / Caiu-lhe no cachené





Pede-me tudo

Jorge Rosa / Georgino de Sousa *fado georgino*
Repertório de Fernando Maurício 

Pede-me a luz das estrelas 
O seu doce cintilar 
Que eu farei por conseguir; 
Escolher entre todas elas 
As que mais podem brilhar 
As que mais sabem luzir 

Pede-me o brilho da lua 
Do sol radioso e quente / O soalheiro calor 
Logo a lua será tua 
Do astro-rei, num repente / Terás também o fulgor

Pede-me o sal, as marés 
As ondas, a cor do mar / Da alva espuma, a cambraia
Pronto verás a teus pés
Oceanos desmaiar / Tal e qual como na praia

Tudo o mais que te apeteça 
Sentirás ao teu dispor / Se me pedires te darei 
Só não peças que te esqueça 
Acredita meu amor / Como fazê-lo, não sei


Raízes

Sidónio Muralha / Henrique Lourenço *fado cigana*
Repertório de Amália

Velhas pedras que pisei 
Saiam da vossa mudez 
Venham dizer o que sei; 
Venham falar português 
Sejam duras como a lei 
E puras como a nudez 

Minha lágrima salgada 
Caíu no lenço da vida / Foi lembrança naufragada 
E para sempre perdida 
Foi vaga despedaçada / Contra o cais da despedida 

Visitei tantos países 
Conheci tanto luar/ Nos olhos dos infelizes 
E porque me hei-de gastar 
Vou ao fundo das raízes / E hei-de gastar-me a cantar



CRONICA - RINGO STARR | EP3 (2022)

 

Ringo Starr parece ter agora definitivamente adotado o formato EP como seu formato preferido. Como o nome sugere, EP3 é seu terceiro EP em dois anos. Isso leva mais ou menos a forma do anterior, Change The World . Um título composto pela dupla à frente de Toto (Lukather e Joseph Williams), um pela ex 4 Non Blondes Linda Perry, uma composição de Ringo com seu produtor Bruce Sugar. A única diferença é que em vez de um cover temos direito a outra composição do produtor, desta vez com a cumplicidade de Sam Hollander.

Inquestionavelmente, "World Go Round" é o irmão mais novo do excelente "Let's Change The World". Mais ou menos os mesmos truques de Steve Lukather e Joseph Williams, ainda eficazes mesmo que o refrão esteja um pouco abaixo. Mas lamentamos especialmente que a dupla não tenha composto para o baterista durante os anos 80. Talvez a carreira de Ringo naquela época tivesse sido diferente... "Everyone And Everything", título de Mrs Perry, bom o Rock aéreo dos anos 90 de a beleza. Ringo acrescenta sua indiferença habitual que atinge o alvo. Não é um título extraordinário, deve-se admitir, mas não desagradável, como seu intérprete. Mais sedutora é "Let's Be Friend", um título de Soul agradavelmente oscilante cujo refrão se encaixa em Ringo como uma luva e acaba sendo bastante cativante.

Então aqui está um EPzinho despretensioso que faz bem por onde passa sem mudar nem um pouco a cara do Mundo que, como diz a música, vai continuar girando. Algo para agradar os fãs. Os demais continuarão a ignorar cuidadosamente a carreira solo do mais simpático dos bateristas. Quando é a próxima?

Títulos:
1. World Go Round
2. Everyone And Everything
3. Let’s Be Friend
4. Free Your Soul

Músicos:
Ringo Starr: Vocais, Bateria
Steve Lukather: Guitarra
Linda Perry: Guitarra
Billy Molher: Guitarra, Baixo
José Antonio Rodríguez: Guitarra Clássica
Nathan East: Baixo
Bruce Sugar: Teclados
Joseph Williams: Teclados
Damon Fox: Teclados
Dave Koz: Saxofone

Produção: Bruce Sugar, Ringo Starr e Linda Perry

GRAVETOS & BERLOQUES (BLUES PILLS-HOLY MOLY! (2020))

                                                                         BLUES PILLS-HOLY MOLY! (2020)


E a tão aguardada sequência para 'Lady In Gold', após a inesperada saída de Dorian Sorriaux no topo da exposição midiática da banda, para uma carreira solo dedicada à...folk music (?!), finalmente veio à luz. Agora, contando com a migração de Zach Anderson para as 6 cordas e a aquisição de Kristoffer Schander para pilotar o baixo, o combo liderado ppela poderosa voz de Elin Larsson e contando ainda com o endiabrado André Kvarnström nos tambores, fez seu trabalho mais pesado, e panfletário, até o momento.
Abrindo com a incendiária e libertária 'Proud Woman', 'Holy Moly!' emenda a quase hardcore -por mais estranho que este termo soe para uma banda com o padrão sonoro da Blues Pills- 'Low Road'. Mas sabe aqueles baladões blues rock? Pois é...estão em profusão por aqui, da sofreguidão da lindíssima 'Wish I'd Know' à psicodelia fuzzy de 'Dust' e minha prediletaça 'California', digna de uma Jefferson Airplane e com uma interpretação arrebatadora de Larssön, e o peso muito bem dosado de 'Song From A Mourning Dove'. E o que dizer das surpreendentemente sacolejantes, mas nem por isso menos pesadas, 'Rhythm In The Blood' e a psychdelic rock'n'soul 'Kiss My Past Goodbye'?
Quer saber? A verdade é que 'Holy Moly!'...é bom pra caralho!!! Pronto...falei!!!



OUÇA MUITO ALTO!!!





JUMP - A MAN WAS MADE (2004)


JUMP (UK)
''A MAN WAS MADE''
JANUARY 1 2004
49:16
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01 - Jimmy Dies 04:23
02 - A Man Was Made 05:11
03 - People In The West 05:09
04 - Drinking In The Darkness 04:21
05 - Such Sweet Sorrow 05:04
06 - Free At Last 04:55
07 - Don't Be Sad 05:22
08 - Soul Proprietor 03:37
09 - The Curtain Call 04:00
10 - The Hard Sell 07:09
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Andy Barker / drums
Mo / keyboards
Hugh Gascoyne / bass
Steve Hayes / guitars
Pete Davies / guitars
John Dexter Jones / vocals



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