“All Odd’s” é o single de apresentação do segundo disco da banda, intitulado “Never Never”, com data de lançamento prevista para o início de 2023.
Depois do lançamento do álbum “World Wide Dance” no ano passado, o projeto português, formado por Vítor Pinto, David Félix, Diogo Barbosa e João Losa, volta a reunir-se em estúdio para apresentar ao público, “Never Never”.
O projeto Lusitanian Ghosts é um coletivo luso-sueco que pratica uma fusão, assaz singular, entre a sonoridade de instrumentos de corda populares portugueses e uma estética Folk internacional.
As violas tradicionais, como a Beiroa, a Campaniça, a Braguesa, a Terceirense ou a Amarantina, cada qual detentora de afinações e arranjos de cordas específicos, aliam-se numa simbiose única entre a música tradicional e uma vertente contemporânea, conferindo a estes instrumentos populares uma abordagem rock, baseada numa perspectiva sócio-política, com vista à criação de um mundo melhor, através de composições dirigidas à mente e ao coração.
Em Dezembro os Lusitanian Ghosts re-editam o seu segundo álbum “Exotic Quixotic” em vinil e também numa versão digital “deluxe”, expandida com novas faixas, incluindo o single “Exotic Quixotic” em versão portuguesa, cantada por Joana Negrão, A Cantadeira (ex-Dazkarieh, Seiva).
O terceiro álbum de Eminem, The Marshall Mathers LP, é a sua polémica obra-prima: provocadora, espirituosa, imaginativa.
Marshall Mathers teve uma infância pobre e conturbada (resumo Europa-América: nunca conheceu o pai, sempre às cabeçadas com a mãe). Vai saltitando de casa, mudando de escola como quem muda de camisa, para gáudio dos bullies gulosos, esfacelando a presa fácil. Na sua adolescência vive num parque de caravanas na zona mais pobre de Detroit, uma das raras famílias brancas num bairro negro. A white trash heroe is something to be…
Desde miúdo que se apaixona pelo hip-hop, a luz – ao fundo do túnel – que nunca se apaga. Detroit tem uma cena underground vibrante, célebre pelas suas battles de freestyle, onde depressa se destaca. O miúdo começa a sonhar.
Em 1996 lança Infinite, um disco competente mas pouco original, soterrado nas influências dos seus mestres (Nas à cabeça). Mathers bem faz das tripas coração para promover o álbum – percorrendo Detroit de lés-a-lés – mas não consegue vender mais do que algumas dúzias de cassetes. Hoje o LP tem um valor meramente histórico, um registo do incipiente ponto de partida (de tal forma que Eminem optou por nunca o reeditar, nem sequer nas plataformas digitais).
No ano seguinte, eureka!: encontra a sua voz própria, singularíssima. Falamos de TheSlim Shady EP, onde explora um sarcasmo inconveniente e provocador à South Park, até então inédito no hip-hop (os Beastie Boys: uns meninos de coro por comparação). Pela boca do alter-ego Slim Shady, consegue finalmente expressar o que lhe vai na alma, driblando as palavras com uma rara desenvoltura. A raiva é o seu combustível: contra os dentes da pobreza, contra a sua família disfuncional, contra todos os descrentes.
O problema é que continua a não conseguir pagar a renda. Com a filha prestes a nascer é despejado, as mobílias todas penhoradas. Desesperado, participa numa battle em Los Angeles. Ganhar o prémio de quinhentos dólares é quase uma questão de sobrevivência. Fica em segundo lugar. Doeu…
Mas um olheiro leva o EP ao Dr. Dre, e o doutor mais conhecido do gangsta rap gosta muito do que ouve. Eminem assina com uma major pela primeira vez e lança – em ’99 – o seu segundo álbum, The Slim Shady LP. Dre produz os singles, elevando a música de Eminem para um novo patamar. “My Name Is” é um sucesso instantâneo.
A obra-prima chegaria, porém, no ano seguinte. The Marshall Mathers LP aprimora o humor negro – polémico e irreverente – do disco anterior. As batidas de Eminem: mais sombrias e austeras. Os beats de Dre: mais sumarentos ainda.
O contexto é, porém, diferente: depois do sucesso de The Slim Shady LP, as vinhetas sobre a pobreza trailer park deixam de fazer tanto sentido. A mira é agora apontada para outros lugares: a indignação moralista; o oportunismo dos que antes o desprezavam; a insinuação de que, no hip-hop, menos melanina implica menos autenticidade. Acontece que Eminem não é o Vanilla Ice. Tem talento, credibilidade conquistada no underground de Detroit, e, sobretudo, uma “voz” original e singular que o coloca na liga dos melhores MCs de sempre: Tupac, Biggie, Jay-Z, Nas. “I don’t do black music / I don’t do white music / I make fight music / for high school kids”, declara Eminem com propriedade.
Espreitemos, então, alguns dos temas, hoje, canónicos.
Para explodir as pistas de dança, há a orelhuda “The Real Slim Shady”, cujo baixo líquido prescrito pelo Dr. Dre provoca espasmos de êxtase no nosso córtex auditivo.
O refrão de “Stan” é melódico mas preguiçoso, decalcando a bonita “Thank You” da britânica Dido. A sua riqueza reside noutro lado, na forma exemplar com que conta uma história, usando com engenho a troca de correspondência entre um fã stalker e o seu adorado ídolo. A obsessão patológica de Stan por Eminem – veladamente homoerótica – degrada a relação com a sua companheira grávida, culminando na morte do casal. Na missiva que por fim endereça ao seu fã, o seu tom é inesperadamente terno e sensato, num contraste absoluto com o registo demente e violento que domina o álbum. É essa uma das virtudes de The Marshall Mathers LP: a capacidade que tem de justapor na mesma obra pontos de vista contraditórios. Cruel e humano. Trágico e burlesco. Imaginativo e íntimo.
“The Way I Am” é um single anti-singles, um hino de independência inegociável. O balanço sincopado das suas rimas – cuspidas com uma raiva sincera em que acreditamos – faz girar o mundo.
Na popalhuda “Kill You” Eminem viola a sua mãe (what the fuck!) com uma leveza bem disposta de desenho animado, de maneira que a ultra-violência não choca, sabe apenas a mais uma provocação do doido arlequim.
Já “Kim” – onde Eminem mata a ex-mulher (what the fuck!, parte II) – é um caso diferente. O tom sério, com Eminem aos gritos, e Kim a chorar, aterrorizada, torna a violência insuportável. As nossas reservas não são morais: um texto criativo é um texto criativo, lugar de liberdade, para além do bem e do mal. O problema é outro: sem qualquer contrapeso a mitigar a violência, a canção causa uma repulsa estética, é too much, demasiado melodramático. O único revés, cremos, num disco quase perfeito.
À primeira vista, The Marshall Mathers LP – pela sua violência politicamente incorrecta – parece herdeiro da tradição gangsta. O facto de Eminem ter sido apadrinhado pelo Dr. Dre reforça essa ideia. Acontece que não. No gangsta há uma tentativa de esconder o processo artístico, como quem diz: não estou a inventar nada, nem tenho jeito para essa coisa das palavras, estou apenas a mostrar o gueto como ele é (e como nós, rufias valentões, somos).
Ora Eminem derruba a quarta parede com estrondo, expondo o artifício criativo que está por detrás de tudo. Não quer dizer que não haja verdade, bem pelo contrário: The Marshall Mathers LP está pejado de desabafos autobiográficos, mais ou menos distorcidos, mais ou menos exagerados. Mais importante ainda, há uma verdade emocional palpável a cada verso: a dor, o ressentimento, o amor e ódio entrelaçados. Mas a verdade é apenas um instrumento e uma matéria-prima, sempre subordinada à criação, à imaginação poética, ao sentido de humor delirante. Emimem não tenta esconder o seu virtuosismo verbal, usa e abusa dele com um prazer indisfarçável. Mais: questiona os limites da liberdade artística, ultrapassando, ufano, novas fronteiras de deselegância. Já dizia o mestre Baudelaire: “o que há de atraente no mau gosto é o prazer aristocrático que sentimos em chocar os outros.”
The Marshall Mathers LP gerou muita controvérsia na altura mas teve um sucesso retumbante, liderando o top de vendas, vendendo 11 milhões de exemplares nos Estados Unidos e 21 milhões no mundo inteiro. Estamos em crer que hoje, volvidas duas décadas, o fenómeno Eminem não seria possível. O policiamento moral da linguagem tornou-se entretanto hegemónico. Marshall Mathers seria hoje cancelado, varrido do espaço público. Com o pretexto de se combater a intolerância estamos hoje mais intolerantes. Querido mundo, o nosso Eminem tem uma mensagem para ti: get aware, wake up, get a sense of humor…
Simple Things é um disco que ficou perdido no seu tempo, afecto ao início de século e a ser música de fundo num qualquer rooftop para se observar sunsets.
Ahhhh, esse estilo de música a que se convencionou chamar chillout e que popula cafés mundo fora com a possibilidade de se ver o tempo passar, o sol a pôr-se no horizonte, enquanto se degusta um copo de rosé seco ou um mojito de maracujá. Música só para aconchegar os ouvidos, e dar o mood certo para aquele momento que vai já ser partilhado no perfil de instagram. Que interesse pode ter música que é feita para ser ouvida com a premissa de tornar a audição um sentido menos atento, dando primazia à visão e ao sabor (caso seja o caso descrito acima e as papilas apreciarem o álcool que está a ser ingerido)? Pois bem, por um momento ali no tempo, houve pertinência deste estilo. E se essa pertinência se deveu inquestionavelmente aos Air, houve mais umas bandas que ajudaram à festa, nomeadamente Kruder & Dorfmeister, Thievery Corporation, Royksopp e estes Zero 7.
Constituída por dois engenheiros de som, Henry Binns e Sam Hardaker, a banda inglesa começou por essa via a dar cartas, fazendo remixes de Radiohead e produzindo discos de Pet Shop Boys, Robert Plant, entre outros. Daí até lançar o seu primeiro disco, este Simple Things, foi um tirinho, e logo foram agraciados pelos media (sobretudo os britânicos) com prémios de banda promissora. Isto ao mesmo tempo que outros os rotulavam de serem cópia descarada dos Air. O que é facto é que é um estilo em que não existe muita amplitude de terreno e como tal a linha entre cópia e inspiração é mesmo muito ténue, pelo que percebemos ambos os pontos de vista. O que é facto é que, visto à distância de vinte anos, este disco parece bastante inócuo, enquanto que Moon Safari se mantém cristalino e intacto.
Mas, por um momento ali no tempo, até que deu para degustar os Zero 7, tanto este Simple Things, como o álbum seguinte, When it Falls. O esquema de chill out songs instrumentais, misturadas com outras com participação de vocalistas convidados, casos de Sia, Sophie Barker e Mozez, serviu de alternativa numa altura em que o rock ainda estava a tratar de se recompor – Is This It? só seria lançado seis meses depois. Canções como “Destiny”, “In the Waiting Line” e “Give it Away” ainda servem de um bom petisco quando nos apetece limpar o palato para o prato principal que escolhemos. Como um bom sorvete de limão com vodka num copo de flute, para manter o registo de bebidas sofisticadas neste texto. Se não exigirmos mais dos Zero 7, a degustação será boa.
Memória afetiva é algo deveras interessante e (certamente) objeto de muito estudo pela psicologia e hoje também pelas ciências mercadológicas. Volta e meia estou aqui neste nosso sagrado espaço a discorrer sobre minhas experiências musicais vinculadas a um período muito interessante na minha vida e decisivo para minha formação. No final dos anos 70 cumpri um programa de intercâmbio em Iowa, nos EUA, durante um ano. Apesar de ainda estar dando meus primeiros passos no mundo do rock, já era um fanático. E, acredite, levei muita informação e ajudei a fazer a cabeça de muito jovem americano (ainda mais no meio rural), levando até eles minhas preferências. Mas também aprendi muito e pude desenvolver lá uma predileção por shows de rock, pois foi onde assisti aos meus primeiros concertos. Nunca mais fui o mesmo em todos os sentidos.
Gastei o primeiro parágrafo apenas para justificar porque gosto do cantor, compositor e multi instrumentista Bob Seger, um artista de muita repercussão na América do Norte e muitíssimo pouco badalado por essas bandas. Na época ele dominava as paradas de sucesso ianques ao lado de nomes como Bruce Springsteen, Boston, Ted Nugent, The Runaways, entre outros (todos já resenhei aqui com esse viés de meu período como jovem forasteiro no primeiro mundo da era Jimmy Carter). Pois bem, Seger era queridíssimo do público americano e não só de rock. Era presença constante nas rádios (ainda AM). Como era natural de Michigan, estado vizinho a Iowa, era nome forte da música nas bandas onde este humilde escriba se deslumbrava com uma cultura tão diferente.
Influenciado diretamente por Little Richard e o rei Presley, Bob Seger começou a perambular por diversas bandas ainda no final dos anos 50, a tocar em eventos regionais, escolas, etc. Em 66 gravou seu primeiro álbum a bordo dos teclados grupo The Omens. Já se destacava e logo em seguida cria sua própria banda, Bob Seger & The Last Heard, com quem grava vários singles pela gravadora Cameo. Em 1969, assina com a major Capitol Records e inicia uma carreira de muito sucesso.
No mesmo ano lança seu primeiro grande êxito em escala nacional, The Ramblin’ Gamblin’ man. Curiosamente, resolve se afastar do meio musical para estudar, mas os apelos para voltar aos palcos vêm de todos os lados, dado ao seu grande talento. Em 1972 retoma a carreira atuando em gravadoras menores, mas sempre fazendo algum sucesso, até que em 1975 retorna à Capitol e desponta de vez. O LP Beatiful Looser é sucesso nacional e Seger passa a ser cotado para inúmeros shows e festivais. Seu cachê ganha uma monstruosa valorização. A fama passa a ser tamanha que no ano seguinte ele despeja no mercado um energético duplo live que arrebenta nas vendagens. No mesmo ano, Night Moves é lançado e mantém a ótima performance musical, crítica e nas vendas. O ano de 1978 marca sua estreia no topo das paradas com Stranger in Town.
Multi premiado, famoso, rico, o melhor ainda estava por vir. Against the Wind, de 1980, é seu maior sucesso (meu predileto) e Seger extrapola as fronteiras americanas e passa a despontar no topo das paradas europeias. Dono de uma voz vigorosa, guitarrista e tecladista de mão cheia, seus shows são sold out, seu carisma é gigantesco e sua inspiração parece não ter fim. A nova década ainda reservaria grandes momentos para Seger, que segue (sic) produzindo em alta escala e com sucesso com seu rock and roll melódico com forte influência do country, do blues e com temperos psicodélicos.
Em seu período no auge, Seger esteve sempre acompanhado da banda Silver Bullet. De 1982 a 1994 sua carreira registra um hiato, mas é retomada com força, embora sem a mesma pegada, e com outros direcionamentos. O sucesso já não é tão estrondoso, os tempos são outros, mas o cara continuava com moral. Recebe prêmios, participa de trilhas sonoras, enfim, se mantém no metiê. Ele segue gravando discos regularmente de maior ou menor inspiração e continua cotado para shows, especialmente no forte mercado do meio oeste americano. Seu último lançamento é Ride Out, de 2014. Ano passado ele completou 72 anos e continuava firme nos palcos, demonstrando energia e alegria digna dos grandes artistas. Precisou cancelar boa parte da turnê nacional por problemas de coluna, mas as notícias são de que está recuperado e pronto para voltar à ativa. Um típico herói americano.
Ultimate Hits: Rock Аnd Roll Never Forgets (Coletânea 2011)
01. Old Time Rock And Roll (3:16) 02. Hollywood Nights (5:03) 03. Night Moves (5:26) 04. Mainstreet (3:44) 05. Roll Me Away (4:41) 06. Turn The Page (5:14) 07. Her Strut (3:54) 08. Still The Same (3:25) 09. You'll Accomp'ny Me (4:01) 10. We've Got Tonight (3:41) 11. Like A Rock (5:58) 12. Fire Lake (3:34) 13. Tryin' to Live My Life Without You (4:09)
CD 2.
01. Rock And Roll Never Forgets (3:54) 02. Against The Wind (5:34) 03. Ramblin' Gamblin' Man (2:30) 04. The Fire Down Below (4:28) 05. Travelin' Man (Live) (5:00) 06. Beautiful Loser (Live) (3:42) 07. Shakedown (4:03) 08. Shame On The Moon (4:56) 09. Katmandu (5:00) 10. Little Drummer Boy (3:31) 11. Wait For Me (3:43) 12. Hey Hey Hey Hey (Going Back to Birmingham) (2:07) 13. Downtown Train (4:00)
O Grupo Função Públika iniciou o seu projecto musical em 1991. Implantando e desenvolvendo uma organização em regime profissional (contemplando áreas de coreografia musical e técnica), como plataforma de desenvolvimento do projeto, o Função Públika tem assistido a um crescimento acentuado do nível do seu espetáculo e conseguido concretizar em grande parte os objectivos a que se tem proposto. Para isso tem contribuído certamente o rigor e empenho que todos os elementos da banda aplicam no desempenho das suas funções em busca da qualidade. Ao longo dos mais de 20 anos da sua existência, foram vários os artistas que contribuíram para o desenvolvimento do projeto e que desde já aproveitamos para lhes agradecer. Sediados na cidade de Chaves, fomos pioneiros na introdução do palco móvel em camião, no desenvolvimento da área coreográfica, envolvendo bailarinas e cantores que, permitiram ao grupo a criação de um espetáculo musical de entretenimento capaz de proporcionar diversão e alegria ao público que assiste aos seus concertos. Envolvendo um total de 20 profissionais distribuídos pela área, musical, coreográfica e técnica, elementos estes que, vivem dedicados unicamente à música, proporcionando à banda um rótulo de compromisso e garantia de qualidade. O Função Públika, pelo seu trabalho desenvolvido ao longo da sua carreira constitui um marco muito importante no desenvolvimento do espetáculo em Portugal. Sempre a pensar no público e nos seus fãs (razão da nossa existência) pretende continuar a trabalhar com um sentido bem claro de vos proporcionar momentos de paz, alegria e felicidade, preservando naturalmente o estilo original que definiu e construiu a imagem do Função Públika
Mais conhecido por ser primo do famoso John Lee Hooker, Earl Hooker é, no entanto, um talentoso guitarrista cuja influência no rock será certa. Nascido em 1930 no Condado de Quitman, Mississippi, mudou-se muito cedo com seus pais para Chicago, numa época em que muitos trabalhadores afro-americanos deixavam as áreas agrícolas do Sul na esperança de encontrar sua fortuna no milagre urbano e industrial do Norte. Migração que marcará a curta carreira discográfica do guitarrista.
Com efeito, depois de ter percorrido as ruas, as discotecas, tendo sido sideman de vários bluesmen e gravado cerca de 45 voltas, Earl Hooker editou o seu primeiro álbum a solo em 1968, The Genius Of Earl Hooker pela Cuca, disco feito a partir de sessões em Sauk City, Wisconsin entre 1964 e 1967 com músicos de identidade desconhecida (baterista, baixista, órgão, piano, saxofone…). Uma estreia discográfica muito tardia face ao seu primo que já conta com mais de vinte Lp.
Este disco com a sua magnífica capa é inteiramente instrumental, escolha provavelmente ligada ao facto de Earl Hooker sofrer de uma gagueira pronunciada. Composto por 12 faixas, começa com os funky 5 minutos de “Two Bugs In A Rug” um pouco exótico com um órgão por vezes avassalador mas sobretudo um seis cordas com uma sonoridade estranha. Observe que é o órgão que irá definir a cena acompanhando uma atraente guitarra de blues.
Como resultado, deleitamo-nos com o rhythm & blues ("Hold On... I'm Coming", "Off The Hook") que se transforma numa atmosfera jazz através do saxofone ("Dust My Broom", "Hot And Heavy ", "The Screwdriver", "The Foxtrot", "Hooker Special"). Earl Hooker oferece country blues (“Walking The Floor”), stoner (“End Of The Blues”), bem como baladas (a lânguida “Bertha” e “Something You Ate” na conclusão).
Resumindo, um LP que não chega a ser revolucionário, mas que mostra um guitarrista com um feeling incrível tanto nos solos quanto nas partes do bootlneck, com um estilo mais aberto que o de John Lee Hooker, se fosse para fazer uma comparação. Um disco que tem apenas um defeito: a ausência de vocais. Earl Hooker terá rapidamente a oportunidade de alcançá-lo.
Títulos: 1. Two Bugs In A Rug 2. Hold On… I’m Coming 3. Off The Hook 4. Dust My Broom 5. Hot And Heavy 6. The Screwdriver 7. Bertha 8. The Foxtrot 9. End Of The Blues 10. Walking The Floor 11. Hooker Special 12. Something You Ate
Nascido em 8 de fevereiro de 1899 em Nova Orleans, Lonnie Johnson estudou violino e violão quando criança. Em 1917, participou de uma turnê pela Inglaterra com uma crítica musical. Na década de 1920, Lonnie Johnson fez aparições em gravações de Hot Five de Louis Armstrong e da Duke Ellington Orchestra. Ao tocar solos de guitarra nota por nota em um estilo inovador, ele dá ao violão o papel de um instrumento solo no jazz.
No entanto, a carreira de Lonnie Johnson costuma oscilar, o que às vezes o leva a se desviar da música. Entre dois grandes eventos musicais, vê-se obrigado a trabalhar como servente, porteiro ou numa fundição.
Sua grande carreira musical começou em 1958 ao assinar com o selo Bluesville. Em 1960 lançou seu 3º LP, Blues & Ballads . Acompanhado ao violão por Elmer Snowden e contrabaixo por Wendell Marshall, Lonnie Johnson, que fornece guitarra elétrica e voz, nos oferece um trabalho intimista para um excelente álbum de folk blues.
Composto por 10 canções, este 33rpm alterna composições de Lonnie Johnson como "Haunted House" na abertura, "I Found a Dream", "He's a Jelly Roll Baker" na conclusão mas também covers como "Backwater Blues" de Bessie Smith. Elmer Snowden também contribuiu com 'Elmer's Blues' e 'Blues for Chris'. Com exceção de "St. Louis Blues" e "Savoy Blues" de ritmos mais altos, este disco é repousante, feito de baço e cheira a grandes espaços abertos. A harmonização de elétrica e acústica é excelente, os solos de guitarra são cheios de sentimento. Quanto à voz de Lonnie Johnson, é suave e desencantada.
Lonnie Johnson morreu em 16 de junho de 1970 após complicações de um acidente de carro no ano anterior.
Titulos : 1. Haunted House 2. Memories Of You 3. Blues For Chris 4. I Found A Dream 5. St. Louis Blues 6. I’ll Get Along Somehow 7. Savoy Blues 8. Back Water Blues 9. Elmer’s Blues 10. Jelly Roll Baker