sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Bandas Raras de um só Disco

 

                       Cosmic Dealer - Crystallization (1971)

Cinco músicos formaram uma banda em Dordrecht, Holanda, no ano de 1968, chamada The Floating Fudge Featuring The Cosmic Dealer.

Em 1970 eles mudaram o nome para Cosmic Dealer. Em 1971 lançaram dois singles, "The Scene / Child of the Golden Sun" e "Head in the Clouds / Find Your Way", mas ambos não fizeram sucesso.

Logo depois do lançamento dos singles é lançado o álbum de estreia “Crystallization”, o disco apresenta uma mistura de música psicodélica e progressiva, completada com o bom peso do Hard Rock, possuindo grandes canções, enriquecidas com flauta, fortes harmonias vocais e o belo trabalho de guitarra.

A banda chegou a fazer apresentações em um programa de TV, mas o álbum não vendeu bem. No mesmo ano Bas van der Pol deixou a banda (que infelizmente faleceu) e foi substituído por Leen Leendertse, com ele, eles gravaram uma demo com algumas faixas.

Um pouco mais tarde Angelo Santoro deixou a banda. Cosmic Dealer ainda tentou permanecer por mais um ano, até encerrar suas atividades no ano de 1973.

A banda é uma dos melhores grupos de Psych/ Progressivo Holandês dos anos 60, juntamente com o Group 1850.


Integrantes.
 
Franz Poots - Flute, Percussion, Saxophone and Vocals.
Bas Van der Pol - Guitar and Vocals.
Angelo Noce Santoro - Bass Guitar and Vocals.
Jan Reijnders - Guitar and Vocals.
Ad Vos - Drums and Percussion.
 
 
01. Daybreak
02. If There Is Nothing Behind The Thrills
03. Child Of The Golden Sun
04. Swingin' Joe Brown
05. I Had A Friend
06. Crystallization
07. The Scene
08. The Fly
09. One Night
10. Find Your Way
11. Flyind In The Winter
12. Head In The Clouds
13. Illusions
Bonus Tracks.
14. The Scene (Single Mix) 
15. Child Of The Golden Sun (Single Mix) 
16. Head In The Clouds (Single Mix) 
17. Winter Wind
18. Don't You Know
19. Child Of Sorrow
20. Sinner's Confession


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

DE RECORTES & RETALHOS

 

                                  Jornal Expresso - Delfins "U outro lado existe" / Ricardo Saló 1988



                         Musica&Som Nº 70 - Banco de Ensaio, Foreigner "4" / Jaime Fernandes 1982



(abrir em novo separador para ampliar)



                                                            Jornal Blitz Nº 29 CAPA / TOP`S 1985










                                      Musica&Som Nº 70 - Young Marble Giants / Ana Rocha 1982





Resenha - Antonius Rex – Zora

 


Banda: Antonius Rex
Disco: Zora
Ano: 1977
Selo: Tickle
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. The Gnome – 6′16
2. Necromancer – 6′30
3. Spiritualist Seance – 10′07
4. Zora – 7′42
5. Morte Al Potere – 6′12

Formação:
Antonio Bartoccetti – voz e guitarras
Doris Norton – teclados e vocais
Albert Goodman – bateria


Resenha:
1. The Gnome
Espacial, um sintetizador fazendo o vento, uma bateria quase ‘dance’ (risos) e um baixo numa linha bem legal. O vocal de Antonio é simples e melódico.
Cheio de melodias nos teclados e um ‘vento’ que passeia o tempo todo. Lá pelos 3 minutos solos de violão dobrados fazem um melodia bem diferente.
O tema tem sua estrutura pesada, não no sentido Rock, e sim no sentido dark.
Depois de uma longa parte instrumental que hora faz menção a Disco Music ora ao gótico dark e sombrio, interessante mistura.

2. Necromancer
O Progressivo italiano tem uma característica básica, o vocal, em muitos momentos nas bandas italianos vocais como esse inicial são usados. Uma narrativa, normalmente em tom melancólico, triste ou pesaroso.
Depois dessa pequena introdução, os teclados é que mandam, muitas síncopas com paradas estratégicas e uma guitarra invocada também.
Daí pra frente é quase um free-jazz ferrado, num solo de piano e teclado longo, e depois ainda temos a guitarra solando também, num timbre quase limpo, na verdade duas guitarras também. Até o fim é o que se escuta, com uma linha de baixo e bateria excelentes segurando toda a música.
Destaque para Doris Norton pelos teclados.

3. Spiritualist Seance
Mais uma vez a maluquice impera, aqui a coisa complica, além dos vocais narrativos, passos e sons de (o que eu imagino ser) um castelo.
O que se segue é a melodia de órgão mais bonita que eu já vi, digna de figurar em qualquer filme sobre religiosidade (se bem que… ah deixa pra lá).
Numa seqüência melódica pra lá de mágica Doris construiu um belíssimo tema épico.
Perto dos 6 minutos e meio uma vocalização feminino encarna outro personagem, deixando a faixa com um clima ainda mais pesado.
Como se fosse o povo reclamando os direitos na rua, ainda mais quando mais vocais se juntam a voz inicial.
A coisa quase volta com a guitarra alucinada de Antonio, mas tudo já tinha sido traçado. E como gostinho de quero mais no finalzinho o órgão volta…. e em seguida para (risos).

4. Zora
Dessa vez temos um progressivo ‘convencional’ com tempo diferente, melodias rebuscadas, e muita quebradeira.


Depois da introdução um quase típico vocal italiano, daqueles melódicos e bonitos.
A melodia que segue é bonita, um violão dedilhado, o teclado sempre presente, e uma interessante linha de baixo. No solo seguinte muita maluquice em linhas de guitarras interessantes.
Na parte final o vocal volta a ativa em sua melodia inicial cheia de efeitos. Este seria o fim do (curto) disco numa melodia mais Progressiva novamente (com a excelente bateria de Albert Goodman) mas essa versão tem um som extra.

5. Morte Al Potere
Por aqui a guitarra pega pra valer em variados solos e com um vocal feminino.
A temática é obscura como no resto do disco, com melodias acessíveis, mas sempre com caídas para a melancolia ou tema dark.
Os teclados enveredam pelos órgãos, que são perfeitos pro clima que eles precisavam. Soturno!
E doido até o fim! (Especialmente no fim).

Raro? Provavelmente! Nem mesmo o projeto mais ‘conhecido’ de Antonio, o Jacula é fácil de encontrar. No entanto raro não significa bom.


BIOGRAFIA DE Captain Beefheart

 

Captain Beefheart

Com uma voz grave, que uivava e gritava à maneira de um de seus primeiros heróis, o bluesman Howlin' Wolf, Captain Beefheart tornou-se em uma figura grandemente influencial na música rock. 

Artistas como Tom Waits, Nick Cave, Franz Ferdinand, Oasis, Red Hot Chili Peppers e The White Stripes estão entre os que o citaram como influência. 

Depois, sob seu nome real Don Van Vliet, ele tornou-se um pintor aclamado. 

Ele nasceu em 1941 no subúrbio de Glendale, Califórnia, onde seu pai dirigia uma van de uma padaria. Ele era filho único e seus avós moravam ao lado. Sua família indulgiu seus talentos artísticos - ele começou a esculpir aos 4 anos de idade. 

Na adolescência, ele descobriu o blues junto com o amigo de infância Frank Zappa, que permaneceu um amigo e rival por toda a vida.
Juntos em Lancaster, Califórnia, no deserto Mojave, Zappa e Van Vliet criaram o nome Captain Beefheart e o mesmo formou uma banda de blues, His Magic Band, no meio da década de 1960. 

Apesar do nome da banda ter ficado com Beefheart por mais de duas décadas, os membros da banda mudavam frequentemente. 

Depois de estabelecerem-se com um número pequeno mas devoto de seguidores, a banda, aumentada pela presença de um guitarrista de slide chamado Ry Cooder, fizeram o primeiro álbum, "Safe as Milk" em 1967. 

Apesar de inspirado por blues, o álbum refletiu a era da psicodelia com suas tendências surrealistas. E também dava indícios da avant-garde que acabaria virando a marca registrada de Captain Beefheart. 

Várias gravadoras quiseram estabeleceram Captain Beefheart como uma alternativa americana às bandas de blues britânicas dos anos 60 ou como uma banda pop rival aos Beatles. 

Mas Van Vliet não permitiria que limitassem sua expressão artística e com isto houve frequentes separações. 

Muitos fãs consideram sua obra-prima o álbum de 1969, "Trout Mask Replica", uma mistura dadaísta de blues, jazz "livre", rock e poesia beat. 

Às vezes louco, sempre imprevisível, o álbum foi às vezes considerado "impenetrável". Ainda assim, para os fãs, o trabalho mostrou-se como sendo uma mistura complexa de metáfora e uso de trocadilhos. "Um brincalhão verbal" era como o DJ britânico John Peel descrevia Beefheart. 

O álbum foi produzido por Frank Zappa que deu a seu amigo controle artístico completo. "Se tivesse sido produzido por qualquer profissional ou produtor famoso", Zappa disse depois, "teria havido um número de suicídios". 

John Peel descreveu Beefheart como sendo "motivado pela perseguição à música até o limite entre desequilíbrio e gênio". 

Ele sofria constantemente de ataques de ansiedade. Para o "Trout Mask Replica" ele manteve os músicos em uma casa pelos oito meses que levaram para escrever o álbum duplo, só permitindo que eles saíssem uma vez por semana para comprar comida. 

Havia pouco dinheiro, suficiente apenas para as provisões mais básicas. As condições foram descritas por um membro da banda como "quase um culto". Quando Zappa finalmente gravou o álbum, levou menos de 5 horas. As letras não faziam sentido e eram surreais, e os membros da banda ganharam apelidos como Mascara Snake, Zoot Horn Rollo e Rockette Morton. 

O álbum tinha uma batida regular de rock, constantemente mudando o tempo das canções. "Eu não gosto de hipnose", disse Beefheart, "eu quero que coisas mudem como as formas e sombras que caem do Sol". 

Seu próximo álbum, "Lick My Decals Off, Baby" foi igualmente de natureza experimental, mas outros trabalhos como The Spotlight Kid e Clear Spot ficaram bem mais comercialmente viáveis. 

O comportamento frequentemente errante de Beefheart causou problemas sem fim com as gravadoras e na década de 1970 ele envolveu-se em várias disputas legais que plecludiram sua habilidade de sair em tour. Isso deprivou audiências de um dos melhores atos ao vivo daquela era. 

Ele também demonstrou ser um chefe duro demais para os membros da banda e assim havia constantes entradas e saídas. 

Seus próximos dois álbuns, "Unconditionally Guaranteed" e "Bluejeans and Moonbeams" foram acusados pelos fãs de serem comerciais demais, mas depois "Bat Chain Puller" e "Ice Cream for Crow" foram aclamados. 

Durante sua carreira musical, Captain Beefheart manteve uma sequência prolífica de esboços e pinturas. Ele finalmente foi persuadido que, se era para ele ser um artista levado a sério e não somente visto como um músico que pinta, ele deveria desistir da música. 

Ele voltou para sua casa perto do deserto de Mojave no sul da Califórnia e tornou-se recluso. Ele ficou mais e mais renomado como um expressionista abstrato cujo trabalho, como sua música, é visto como original e inovador. E alcança preços altos. 

No final, Captain Beefheart/Don Van Vliet não pôde mais pintar depois de contrair esclerose múltipla. 

Seu trabalho, tanto na música como no desenho, nunca foi "mainstream" e somente ganhou um número relativamente pequeno de seguidores, mas ele era um personagem "maior do que a vida" que empurrou os limites de sua arte em uma maneira que influenciou muitos que o seguiram. Faleceu em 17 de dezembro de 2010, vítima de complicações ligadas à esclerose múltipla.



The Spotlight Kid (1972)

01. I'm Gonna Booglarize You Baby
02. White Jam
03. Blabber 'n Smoke
04. When It Blows Its Stacks
05. Alice In Blunderland
06. The Spotlight Kid
07. Click Clack
08. Grow Fins
09. There Ain't No Santa Claus on the Evenin' Stage
10. Glider


ESQUINA PROGRESSIVA

 

The Samurai of Prog - On We Sail (2017)



Um ano após o lançamento do seu último disco, o projeto liderado pelo multi-instrumentista Marco Bernard está de volta e o melhor de tudo, sem se mostrar desgastado no sentido artístico. O disco se trata de um conjunto belíssimo e perfeitamente equilibrado de sessenta e cinco minutos do que de melhor o rock progressivo sinfônico pode oferecer. Existem elementos clássicos do gênero que nos remetem a bandas como Kansas, Yes, Genesis e Emerson, Lake & Palmer em excelentes ritmos, surpresas harmônicas e sons orquestrais maravilhosos. Ás vezes a sonoridade pode ir de dramática à algo mais poderoso com bastante movimentação e energia. Um disco onde tudo é bem distribuído e direcionado, mostrando músicos que sabem de onde vieram e para onde vão, sem que em momento algum se percam em instrumentações confusas.

O álbum tem início com a faixa título, “On We Sail”, através de um sintetizador vintage aliado com elementos modernos de neo progressivo. Logo, a seção de ritmo perspicaz de grave e bateria aumenta as camadas profundas que a banda utiliza através da música e do álbum como um todo. Melodias de violino também entram se juntam a canção. Possui um vocal ao estilo Gentle Giant que está sempre em perfeita harmonia com o pano de fundo instrumental. Também tem uma passagem instrumental extremamente enraizada na linha neo progressiva. Apesar de uma composição fortemente amarrada, seu solo num breve momento mais brando gelifica a canção de forma bastante introspectiva. Excelente maneira de começar um álbum.

“Elements of Life” começa com uma flauta isolada em uma mistura que lembra Camel, mas também um pouco de Jethro Tull, adicionando uma marca de música clássica. Em seguida ganha um direcionamento orquestral mais exuberante antes que um baixo profundo apareça seguido de um instrumental melódico. É uma faixa que em si carrega uma profunda estética musical clássica no seu decorrer. Tem uma passagem instrumental que oferece uma excelente trilha para os vários elementos climáticos da experiência humana. Isso é perfeitamente combinado com o conteúdo lírico da música.

“Theodora” é uma faixa feita pra quem gosta de Annies Halsam do Renaissance. Michelle Young se destaca como um verdadeiro tesouro nos vocais, cantando com uma voz muito sensual e bastante alma. Essa faixa também coloca uma grande ênfase em assinaturas de tempos e progressões de acordes. Possui uma bela troca de vocais femininos e masculinos. Os coros de apoio são fortemente sinfônicos em sua natureza. Há algumas pausas agradáveis entre linhas vocais que permitem que a música respire para que o ouvinte possa assumir o propósito completo da obra.

“Ascension” é uma faixa instrumental e tem sua abertura com uma orquestração atmosférica criada pelo teclado e que logo é apanhada em melodia com uma linha sutil, mas brilhante de baixo. Depois tem uma progressão de acordes funk/fusion com uma flauta que acentua a melodia instrumental. A guitarra se apresenta em uma cama mais profunda. Interessante ver como nesta faixa a banda parece tocar tão naturalmente e de esforço mínimo, mas com um resultado formidável. Também possui um piano que permite que elemento clássico esteja presente na música.

“Ghost Writen” inicia-se com uma linda passagem de guitarra que é aprimorada com o som sutil da flauta e vocais. Uma configuração perfeita para uma ótima história. Carrega grandes melodias e camadas de violões e flautas, juntamente com as seções de cordas de guitarra e teclado. Tudo dá uma certa atmosfera celta a música. A seção rítmica é muito bem ancorada fazendo com que todos os instrumentos envolvidos tenha o seu “lugar ao sol”. Pra citar duas bandas que se pode notar os elementos aqui eu diria que Camel e Caravan. Uma canção bastante edificante e liricamente sábia onde os vocais são nitidamente influenciados pela I.Q. The Samurai of Prog tem uma habilidade muito inteligente para permitir que cada canção respire para que todos os instrumentos brilhem e esta música é um exemplo bastante claro disso.

“The Perfect Black” tem uma linha mais obscura. Começa com uma seção de ritmo profundo, juntamente com um órgão hammond de estilo atmosférico. Possui um excelente título devido a progressões de acordes imprevisíveis. Apesar de também ser instrumental, tem melodias capazes que criar no ouvinte imagens épicas como a de um capitão de um navio velejando em alto mar ou filmes com histórias que possuem grandes batalhas. A espinha dorsal dessa música é fortemente de natureza clássica dando uma capacidade maior ainda de absorver as imagens anteriormente citadas. O piano apresentado em determinada parte soa como se Bach ou Mozart estivessem tocando rock progressivo. Também tem um grande trabalho de violão de influência latina.

Impossível não remeter os primeiros segundos de “Growing Up” ao Jethro Tull, grande parte da introdução na verdade. A banda faz um excelente trabalho em contar histórias com o conteúdo lírico. A flauta influenciada por Ian Anderson é o herói desconhecido da música. A bateria permite que a flauta e os instrumentos de cordas tenha a oportunidade de envolver o ouvinte em vários níveis. No geral essa é uma canção bastante divertida.

“Over Again” é uma peça belíssima de piano influenciada por grandes da música clássica como Beethoven e Bach. Um ótimo momento de transição que funciona principalmente ao vivo onde os demais membros da banda ganham um breve período de descanso. Essa faixa também é bastante suave que permite que o ouvinte “digira” o que foi apresentado até agora e emenda com a faixa que vai fechar o álbum.

“Tigers” é a última faixa do álbum. Se inicia com alguns elementos de piano e violino dando um peso a música antes que ela assente em um piano isolado que acompanha os vocais. Essa música é um rock progressivo tradicional. Tem peso nos teclados e flauta e violino que adicionam maior profundidade as camadas sonoras e que é uma marca registrada da banda. Destaco aqui também os vocais bastante emotivos e executados com muita convicção, não servindo apenas como um caixeiro de história, mas atingem cada nota com perfeição a medida que a música evolui. Tem um solo de guitarra de grande profundidade e emoção seguida por uma seção rítmica não menos marcante e agradável. Sem dúvida que através de sua última faixa, o disco finaliza sua jornada melódica de maneira soberba.

Adoro como a The Samurai of Prog sempre deixa espaço para o ouvinte absorver e digerir cada álbum de acordo com suas personalidades individuais. Também provam mais uma vez que ainda existe um grande mercado progressivo tradicional, onde nada parece ser forçado e carregam consigo uma consciência inteligente para incorporar elementos mais novos que podem atrair a nova sem decepcionar a velha guarda. 



Track Listing

1.On We Sail - 6:21
2.Elements of Life - 7:54
3.Theodora - 5:55
4.Ascension - 5:19
5.Ghost Written - 9:40
6.The Perfect Black - 9:30
7.Growing Up - 5:42
8.Over Again - 4:06
9.Tigers - 10:34


Navegando para a América: a tentativa de invasão saxônica nos EUA

 

É muito comum bandas com longas carreiras terem fases bem distintas com discos que fogem um pouco, ou em alguns casos até completamente, do direcionamento musical do início. Isso pode ocorrer por diversos motivos: questões comerciais, evolução técnica dos músicos, mudanças de formações, interesses pessoais, etc…

Depois da saída de Peter Gabriel o Genesis se desenvolveu para uma banda com total direcionamento pop. Os Beatles foram evoluindo, absorvendo diversas influências e gravaram discos muito diferentes e bem mais elaborados do que os seus primeiros registros. Faltou então um exemplo de mudança por questões comerciais. E o escolhido foi o Saxon.

Antes de mais nada é preciso dizer que para muita gente a diferença entre o metal mais tradicional e o hard rock, ou o hard heavy, talvez não seja tão evidente. Principalmente para as bandas que nasceram na New Wave of British Heavy Metal esses padrões ainda não estavam bem definidos então todas aquelas bandas bem diferentes entre si como Venon, Diamond Head e Def Leppard eram considerados simplesmente heavy metal. O Scorpions, por exemplo, foi considerado uma banda de heavy metal até direcionar seu som para o hard rock. Serão essas nuances que vão permear esse texto.

Quando lemos a história de uma banda europeia é raro não nos depararmos em algum momento sobre o tema “conquistar o mercado americano” – alguém aí lembrou de “Hello America” do Def Leppard? Apesar do sucesso em terras europeias trazer prestígio e reconhecimento, era nos Estados Unidos que esses objetivos vinham acompanhados de grana. E fazer dinheiro só com o sucesso na Europa sempre pareceu não ser suficiente.

O Saxon já havia feito algumas turnês americanas desde 1982 após ser lançado o ao vivo The Eagle Has Landed. Voltaram quando Power & the Glory vendeu alguns milhares de exemplares por lá. Porém as vendagens nunca foram satisfatórias. Chegaram até a ter um contrato interrompido por conta desses baixos números. Desse modo alguma coisa tinha que mudar.

Alguns fãs consideram que Crusader já tinha tido uma mudança em relação aos discos anteriores. Claro que essas opiniões acabam sendo abafadas por conta da ótima e épica faixa título, considerada por muitos a melhor de sua carreira, que tinha tudo o que o Saxon havia feito até então, mas basta ouvir “Rock City” para perceber isso. Há até uma faixa chamada “Sailing to America”, que nos diz muito sobre as intenções do grupo (sacaram o título da matéria?). A turnê de Crusader nos EUA foi acompanhando os então novatos do Motley Crüe e o já consagrado Iron Maiden em sua histórica World Slavery Tour.

Mas foi com o sucessor de Crusader que as coisas ficaram mais na cara. Innocence Is No Escuse já começa pela capa com uma bela garota comendo uma maça fazendo alusão ao pecado original. Mulher bonita sempre ajuda a vender. Some-se a isso a mudança de gravadora (lembram do contrato interrompido?) depois de um processo jurídico. Inicialmente ficariam na EMI, a gravadora do Iron Maiden, e eles tinham mais esperança de ter uma melhor divulgação, mas acabaram ficando mesmo com a Parlophone, uma subdivisão da própria EMI, justamente pela atenção que a primeira dava para o Iron Maiden, o que deixava outras bandas em segundo plano. Innocence Is No Excuse foi o terceiro disco de uma formação que havia se estabilizado com Biff Byford nos vocais, Paul Quinn e Graham Oliver nas guitarras, Steve Dawson no baixo e Nigel Glocker na bateria, este último o único que não era um dos fundadores. Para produzir o álbum foi chamado Simon Hanhart, que já havia trabalhado com David Bowie, Elton John, Marillion e Bryan Adams, mas o plano A era ‘Mutt’ Lange (uma espécie de tutor de Hanhart), que havia feito fortuna com o Def Leppard. Não podemos esquecer de um detalhe muito importante para quem queria se estabelecer no mercado americano, os cabelos armados de laquê não poderiam faltar, como você podem comprovar nas fotos que permeiam esse texto.

Gravado todo na Holanda, Innocence Is No Excuse abre com a scorpiana “Rockin´Again”, que tem um andamento cadenciado e refrão cheio de backings, algo que se repetiu ao longo de todo o disco. Aliás, os alemães devem ter sido uma referência bastante utilizada para o álbum. Porém a escolha para abertura com essa música foi da gravadora, já que a banda queria que fosse “Back On The Streets”, que é realmente a melhor e aquela que fará o fã comprar o álbum. Dei uma olhada em set lists mais recentes e vi que a música não é lembrada mais. Gostaria de ouví-la com uma pegada mais heavy metal. Acredito que ficaria ótima. Ouçam também uma versão chamada “Back On the Streets (12’’ Club Mix)”, com claro apelo pop. Outras faixas de destaque são “Call of the Wild” e “Gonna Shout”.

Biff diz que o clima do álbum se deve ao fato que as músicas foram compostas basicamente por ele e o baixista Dawson. Assim, segundo ele, faltaram guitarras mais agressivas, mais riffs. Se a idéia era ganhar o mercado americano eles até que conseguiram bons resultado, já que o disco chegou ao seu maior posto no país até então, #133. Porém na Inglaterra, onde costumavam figurar sempre entre os 20 mais, fizeram um modesto #36.

Antes de começar a gravar o próximo álbum o baixista Steve Dawnson deixa a banda, segundo a história, por problemas familiares. Paul Johnson, que até então não tinha passado por nenhuma banda minimamente conhecida, foi o escolhido para substituir Steve e integrou à banda já em fase avançada de gravação de Rock the Nations, apareceu em todas as fotos nos créditos, mas acabou não tocando. Biff, que já tinha sido baixista em épocas pré-Saxon, acabou acumulando a função. Prestem atenção à capa do álbum e veja que a bandeira brasileira está lá. A banda nunca tinha se apresentado por aqui e talvez a repercussão mundial do Rock in Rio tenha incentivado a lembrança.

Desses discos que apresento nessa matéria Rock the Nations é o que menos tinha tido contato até então. Foi o que mais ouvi com cuidado. As guitarras cortantes a la Accept da faixa título nos engana em indicar que o álbum teria uma maior pegada que o anterior, o que me faz lembrar da impressão passada por Biff que teria faltado agressividade em Innocence Is No Excuse. Não há como negar que esse disco possui músicas mais direcionadas ao riffs e solos (ouçam “Battle Cry”), e isso é um ponto positivo, mas no todo o álbum é inferior aos outros dois. Os destaques musicais são os dois singles “Waiting For the Night” e “Northern Lady”, mas o fator relevante mesmo para esse disco se tornar especial é a participação de um Cavaleiro do Império Britânico, Sir Elton John, descrito pelos integrantes do Saxon como “a true rocker”, mesmo que isso faça os radicais tirarem as cuecas pela cabeça.  (Nota: em 1986, Elton John ainda não tinha sido nomeado Sir, isso ocorreu apenas em 1997). O pianista gravou passagens para a semi-balada “Northern Lady” e “Party Till You Puke”, talvez a faixa mais rock and roll do Saxon. O resultado de Rock the Nations foi a posição #149 nas paradas americanas (inferior à do álbum anterior) e um #34 na Inglaterra (ligeiramente melhor).

Nigel Glocker resolve participar da união dos guitarristas Steve Howe e Steve Hackett, o GTR, que deveria ter sido um deleite para os fãs de progressivo, e saiu da banda. Assim quem gravou o sucessor de Rock the NationsDestiny, foi seu xará Nigel Durham. Glocker voltaria para o Saxon alguns meses depois muito provavelmente pelo fracasso do GTR. Em 1999 ele abandonou novamente o grupo para voltar em 2005 e não sair mais. Destiny já foi dissecado por Diogo Bizotto aqui para a Consultoria do Rock para a sessão I Wanna Go Back, onde ele comenta sobre bandas que adotam uma sonoridade mais AOR. E é justamente esse ponto que vou pegar para o meu comentário. Após dois discos bem mais hard rock o Saxon fez a maior mudança nesse terceiro, que foi o último pela gravadora EMI. Isso é um sinal de que o grupo e seus empresários estavam satisfeitos com aquela mudança musical. Afinal o que mais acontece com grupos que fazem uma guinada de direcionamento e não obtém sucesso é a tal volta às origens. Continuar na mesma toada significa que o plano estava dando certo.

Iniciar um álbum com um cover, “Run Like the Wind”, ainda mais com uma música de Christopher Cross um cantor/compositor de soft rock, é algo ousado. Mas o bom resultado acabou premiando os ingleses pela ousadia por mais que os críticos tenham falado que a faixa tenha sido um risco calculado para ganhar posições nas paradas. Falei dos backing vocals presentes em Innocence Is No Escuse e em Destiny eles estão ainda mais marcantes. O single “I Can´t Wait Anymore” é provavelmente o incentivo que fez Diogo Bizotto resenhar o álbum para uma sessão de AOR. Todas as idiossincrasias do gênero estão lá, incluindo aí o timbre da bateria que chama bastante atenção. Em “Calm Before the Storm” há a adição de teclados que ao meu ver podiam ter sidos limados.

Não era novidade a adição de elementos AOR em bandas da NWOBHM. O Demon é um dos maiores exemplos, mas outros como o Lionheart – do ex-Iron Maiden Dennin Stratton e Jess Cox do Tygers of Pan Tang –, do já citado Def Leppard e o Magnum, que surgiu na mesma época, mas que poucos incluem com um dos participantes do movimento.

Um detalhe que passa um pouco despercebido em Destiny é que eles não usaram o logotipo da banda, mas isso acaba passando batido porque o “S” estilizado de seu logo é usado como um ícone gigante. Em relação as paradas o álbum foi o que obteve posições mais baixas desses três avaliados aqui no texto. Nos Estados Unidos não conseguiu entrar entre os 200 primeiros e na Inglaterra obteve um modesto #49. Isso provavelmente acabou acelerando o rompimento do contrato com a EMI.

É bom dizer que a banda refuta essa história de que a preocupação com as vendas tenha sido fundamental para a mudança de seu som. No encarte da edição resmaterizada de Innocence Is No Excuse eles falam exatamente isso. Aliás, essas edições dos discos do Saxon valem muito a pena para quem curte a banda (foram relançados praticamente todos os discos). Além de ler a versão da banda sobre o que estava acontecendo com eles na época de cada disco, todos eles têm muitos bônus, como faixas que só tinham saído como lado B em singles, versões diferentes para a rádio ou gravações ao vivo para as principais músicas do álbum. Alguns deles tem bônus até demais com muitas versões de uma mesma música fazendo a audição ficar um pouco enfadonha.

Quando falamos das bandas oriundas da NWOBHM, o Saxon é citado como um de seus principais expoentes, mas quando avaliamos o mercado musical como um todo não dá para compará-los com bandas como Iron Maiden e Judas Priest em termos de sucesso e importância mundial. Claro que eles possuem muitos fãs e alguns deles podem até preferí-los em detrimento dos outros citados, mas não dá para negar que sua influência é restrita à um nicho mais seleto de fãs.

O Saxon conseguiu aumentar suas vendas e se tornar mais conhecido nos Estados Unidos, porém os números e o reconhecimento foram inferiores aos esperados, assim fica a critério do leitor julgar se isso foi ou não uma boa. Normalmente essa é a fase que os fãs menos ouvem, mas ao meu ver tem discos melhores no todo que alguns mais recentes por exemplo. Um bom argumento para esse meu julgamento é que depois de três discos mais hard rock eles voltaram ao metal tradicional em Solid Ball of Rock, mas o retorno ao metal não significou uma volta da qualidade de discos como Wheels of Steel ou Denim and Leather, acredito que isso aconteceu só em 1997 com Unleash the Beast.

You wanna rock around the clock tonight, baby ?

 

Nada mais é novo. It’s only rock’n roll, que catzo importa isso! o sonho acabou, o pop virou pesadelo medieval pós-moderno ou estacas franki. A única coisa que sempre será nova é a memória, somos o monte de recordações que juntamos. Cada vez que pedimos with a little help from my friends a ela, vem o que se queria lembrar, mas sempre diferente, sempre uma versão nova, nunca a mesma memória mas sempre da mesma coisa.

Contudo, aconteceu. Ao menos, lembro que cheguei lá naqueles dias de Londres meados dos 1970: na semana que saiu o disco Let it be, que estreou o filme Let it be, do comunicado da Apple que Lennon, McCartney, Harrison e Starkey acordavam para seus solos. Se foi assim como aconteceu, sim, foi assim, bom, a memória só me garante o que aconteceu: esse ‘que’ chamando o ‘como’ pra curtir rock do bom, falar do rock que a memória quase lembra.

foto2O que vai se passar aqui não vai mudar este mundo nestes tempos, principalmente brazukas, tão opostos estúpidos cruelmente aos valores, princípios, honestidade lyrics and music; uma ética praticada desde o grande patriarca negro de todos os rocks, o Blues; mais família, soul, spiritual, gospel, jump blues, country, folk, Chicago Blues, boogie-woogie, R&B; e descendentes, rockabilly, soft rock, progressive, metal, heavy metal etc.. E o enfant gaté que assumiu o sangue negro do patriarca, casou com todas as cores do som, e continuou rock — o mimado, curtido, velho rock n’roll & cia. iltda., esse patriarca forever young.

Rock, pedra, não pára aí, saiu rolando arranjos para vários significados semânticos. A origem ninguém sabe, todos lembram a cor, negra. O preto puro que inventou o negro que nunca mais largou sua alma musical negra, atéia mas eterna, desde as noitadas de Memphis e New Orleans. E no sétimo dia o negro pariu o rock no meio da luta contra o racismo.

Debaixo do sol e da chuva, construindo as ferrovias sulistas, mantinham outro ritmo nas batidas de seus martelos na pedra. Nesse arranjo para rochas, no fim de cada verso, improvisado (outro rock dali a pouco) ou não, eles balançavam seus martelos para furar e aumentar mais o buraco. Os caras que se ocupavam das pontas de aço dos pregos-patrão, esses ‘shakers’ balançavam os cravos pra frente e pra trás, os ‘rolavam’, girando o prego-patrão, corrigindo e aumentando a ‘mordida da broca’. Embalou celeiros, cheap-saloons, tavernas; martelo e prego-patrão viravam guitarras, baixos, baterias, pianos; e voz, berros, gritos (o Fab4 teve aulas de grito com Little Richard; George ficou em dependência e Ringo em 2a. época).

foto3Os cantores negros gospel falavam ‘rock, rocking’ para significar o êxtase espiritual. O verbo ‘to roll’ vem de metáfora do medievo (waal!), para ter relações sexuais. Séculos utilizando expressões como ‘They had a roll…’  (Eles tinham um rolo …, ‘She rolled me in…’, Ela transou comigo no… — ambas, na gíria moderna). Os termos também eram utilizados juntos – rocking-and-rolling – para descrever aquele mover, balançar o corpo para frente e para trás de lado a lado, com cuidado, suavemente, e com emoção. O duplo sentido musical e sexual foi se plasmando pela década dos 40, ficou. ‘Rocking-and-rolling’ (balançando e rolando) conforme gíria negra conforme a circunstância, para a dançar ou fazer sexo, aparece em gravações desde 1922, popularizou-se.

Em 1954, com a entrada dos brancos Bill Haley and His Comets encaretou semanticamente quando gravaram “Rock Around the Clock”, hit menor usado na sequência de abertura do filme “Blackboard Jungle”. Um ano mais e estourou, passa a definir o início do auge do rock’n roll como movimento, agora, também no sentido para o conjunto de ações e corrente de pensamento de um grupo com os cabelos crescendo que se mobilizam, se identificam, curtem aquele som e seu carisma de liberdade. A canção se torna um dos maiores sucessos, até hoje, na história da música pop. Mais que uma moda, um espaço nada metafórico para todas as músicas de rock and roll. Se tudo veio lançando antes as bases, “Clock” introduziu a música para um público global . Elvis, the Pelvis, traz o significado de volta aos palcos, metade, só no movimento da dança, todos pensam que o copyright é dele, ele usou, e bem.

Um salto quântico do terror: na guerra do Vietnã, o termo “Let’s Rock and Roll” era a ordem para o pelotão, ao mesmo tempo, apertar o gatilho do fuzil-metralhadora M-16, colocando e apoiando a arma no quadril feito uma guitarra. Enquanto Bob Dylan, por exemplo, mandava ver sua voz de taquara rachada contra a estupidez, e alguma juventude americana consciente rasgava o certificado militar, e fugia para o Canadá.

You wanna rock around the clock tonigth, baby? Quer transar a noite inteira, baby? Quer transar o tempo todo de noite, baby?

Mexer o corpo, transar com e sem música; (vale também para balançar, embalar, vai dar no ‘embalo’, hoje). Um toque para antes e depois do rock: durante o primeiro movimento, com música e sem música, depois só os movimentos acompanhando a respiração do desejo: dois movimentos, os negros sempre sabem das coisas.

foto4Música primária, deriva em parte do blues e folk, marcada por batida com forte sotaque numa estrutura simples, frases musicais repetitivas. Nada disso dessa música vai mudar o mundo. O rock deu somente sua maneira melhorada, esquecida hoje, principalmente musicalmente. Quase mudou nos quase 20 anos se metendo onde não era chamado mas era ouvido no mundo, deixou sua marca nos corações e mentes. Por causa desse quase — socialmente e economicamente, psicologicamente e filosoficamente, poeticamente e musicalmente: Logo, Culturalmente — entrou para a história da música. Quando se acerta o tom, riffs sempre novos, inventado um som com todas as cores, regala uma moda para todas as cores, que volta e meia vira moda, cria um público inexistente antes, a juventude. Fazendo o mundo mexer o corpo e a mente acompanhando o compasso da história, e faz crescer o cabelo: o hippie abre as portas da percepção e entra na História, passa a valer no legado da humanidade. Quem diria, its’ only rock’n roll, but I like it. Pois é, mas a gente gosta. Paz e amor.

Rock around the clock, ôba, hi, men, nice meet you.


Eddie Vedder – Earthling

 

Cercado por estrelas da música pop e do rock, Eddie Vedder apresenta Earthling, seu terceiro álbum solo

Passados onze anos do lançamento de Ukulele Songs (2011), Eddie Vedder, vocalista e líder do Pearl Jam, retoma sua discografia solo com Earthling, álbum de inéditas que veio à luz na primeira metade de fevereiro. A produção ficou a cargo do requisitado Andrew Watt, jovem produtor e compositor que coleciona no currículo trabalhos para Ozzy Osbourne, Elton John, Post Malone, Dua Lipa, Miley Cyrus, Justin Bieber e outros.

O núcleo central que acompanhou Vedder na composição e execução da maioria das faixas é formado por Chad Smith (baterista do Red Hot Chili Peppers), Josh Klinghoffer (ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers) e Andrew Watt. O álbum também conta com as participações especiais de Elton John, Stevie Wonder, Ringo Starr, Benmont Tench (tecladista com passagem pela Tom Petty and the Heartbreakers), David Campbell (renomado maestro e compositor de trilhas sonoras que já trabalhou com Carole King, Kiss, Adele etc.) e Abe Laboriel Jr (baterista da banda de Paul McCartney).

Em Earthling, Vedder explora muitos estilos que contribuíram para sua formação musical, quais sejam: rock clássico, folk rock, country, punk rock e pós-punk. As letras compostas pelo artista exploram questões fortemente emocionais, traço característico presente em toda carreira dele.

O álbum abre com a otimista “Invincible”, um pop rock agradável que faz lembrar os melhores momentos dos irlandeses do U2. Em “Power of Light”, o álbum toma uma nova guinada descambando para a simplicidade do punk, mesmo caminho seguido em “Good and Evil” e “Try”, faixa que ganha um tempero especial com a participação de Stevie Wonder na gaita.

Vedder presta tributo ao saudoso Tom Petty em “Long Way”, uma canção repleta de guitarras e violões de 12 cordas. Seguindo a tradição do rock clássico americano, o artista traz à baila influências da fase oitentista de Bruce Springsteen em “The Dark”.

O lado mais sutil se manifesta na bela balada folk “The Haves” e no pop rock acústico “Fallout Today”.

“Brother the Cloud” e “Rose of Jericho” cairiam bem num álbum do Pearl Jam. A primeira delas, ao que parece, evoca em sua letra uma reflexão sobre os suicídios de Chris Cornell e Kurt Cobain.

“Picture” é um dueto country com o popstar Elton John. De outro lado, “Mrs. Mills” resgata a sonoridade dos Beatles da fase Sgt. Peppers, mais precisamente das canções compostas por Paul McCartney, como “Eleanor Rigby”, o ex-beatle Ringo Starr colabora tocando bateria.

“On My Way” apresenta um emocionante dueto virtual realizado entre o cantor e seu falecido pai biológico, figura que foi ausente na vida do artista. Trata-se de uma espécie de acerto de contas permeado pelo sentimento de perdão. 

Além de liberar toda a sua energia criativa, fica claro que Eddie Vedder também quis homenagear alguns de seus heróis. O saldo é um álbum admirável, honesto e intenso. (Por Álvaro Silva)

FICHA TÉCNICA

Artista: Eddie Vedder

Álbum: Earthling

Produção: Andrew Watt

Data de lançamento: 11 de fevereiro de 2022

Duração: 48m03s

Gravadora: Republic Records/Universal Music Group

Faixas:

01. Invincible (Klinghoffer/Vedder/Watt)

02. Power of Right’ (Klinghoffer/Vedder/Watt)

03. Long Way (Klinghoffer/Smith/ Vedder/Watt)

04. Brother The Cloud (Klinghoffer/Smith/ Vedder/Watt)

05. Fallout Today (Klinghoffer/Smith/ Vedder/Watt)

06. The Dark (Klinghoffer/Smith/ Vedder/Watt)

07. The Haves (Klinghoffer/Vedder/Watt)

08. Good and Evil (Klinghoffer/Smith/ Vedder/Watt)

09. Rose of Jericho (Klinghoffer/Smith/ Vedder/Watt)

10. Try (Klinghoffer/Smith/ Vedder/Watt)

11. Picture (Elton John/Vedder/Watt)

12. Mrs. Mills (Klinghoffer/Vedder/Watt)

13. On My Way (Klinghoffer/Vedder/Watt)

Clique aqui para ouvir Earthling.

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