domingo, 8 de janeiro de 2023

BIOGRAFIA DOS Caravan

 

Caravan

Caravan é uma banda britânica de rock psicodélico, rock progressivo e jazz rock (Canterbury Scene). O grupo alcançou sucesso depois de anos fazendo parte do movimento musical de Canterbury (o que caracteriza o som das bandas desse movimento é a mistura de psicodelia, jazz e o que mais vier à cabeça). O Caravan ainda existe, trabalhando principalmente em apresentações ao vivo. 

Atualmente, a banda conta com Pye Hastings nos vocais e guitarra; Richard Coughlan na percussão; Geoffrey Richardson na viola, flauta, guitarra, e outros; Jan Schelhaas nos teclados; Jim Leverton no baixo e Mark Walker na bateria e percussão. 

História.

O Caravan foi originalmente formado no começo de 1968 das cinzas do lendário grupo The Wilde Flowers. Todos os quatro membros iniciais chegaram a trabalhar nessa banda. O Caravan foi uma enorme mudança nos rumos musicais. A primeira composição do Caravan foi uma peça intitulada "Where But For Caravan Would I", co-escrita por Brian Hopper, de uns 10 minutos de duração e cheia de variações. Ela apareceu no primeiro álbum da banda, auto - intitulado, sendo que as outras faixas eram músicas mais suaves com toques psicodélicos. 

Já no segundo disco, If I Could Do It All Over Again, I'd Do It All Over You (1970), grande parte do material foi organizado em suítes, sendo que a mais notável é o clássico "For Richard", escrita por David Sinclair e dedicada ao seu primo. O irmão mais velho de Pye, Jimmy Hastings, fez uma grande contribuição como flautista e saxofonista e também viria a participar da maioria dos próximos projetos do Caravan, apesar de que ele nunca foi um membro permanente da banda. O material era uma mistura original de estilos, em uma amalgama muito bem sucedida de pop, jazz e música clássica, ficando muito próximo do que as bandas de Rock Progressivo faziam na época, mas soando muita mais britânica do que a maior parte delas. 

O Caravan teve a sorte de possuir em suas fileiras dois dos mais talentosos vocalistas da época, Pye Hastings e Richard Sinclair, além de David Sinclair, o primo de Richard, que conseguia fazer velozes solos de órgão e compor peças musicais longas, complexas e cuidadosamente arranjadas. Essa receita foi usada com sucesso no próximo disco, "In The Land Of Grey And Pink".

Basicamente, a gravação era dividida em duas partes: o primeiro lado do disco continha apenas composições de Richard Sinclair (com exceção da pop "Love To Love You", feita por Pye Hastings), enquanto o segundo consistia em uma única suíte intitulada "Nine Feet Underground", totalmente composta por David Sinclair. Essas composições deram ao Caravan o status definitivo de originalidade. Uma vez mais, os solos foram compartilhados entre o órgão de Sinclair e a instrumentação selvagem de Jimmy Hastings, enquanto os vocais eram divididos entre Pye e Richard. Este é simplesmente um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. 

Aparentemente, Dave Sinclair sentiu que o Caravan já tinha chegado no limite e decidiu sair em agosto de 1971. A banda nunca mais seria a mesma, nunca mais alcançado uma estabilidade e gradualmente foi rumando em direção de um material mais acessível e comercial, sob a influência de Pye Hastings, que sempre se considerou mais um cantor do que guitarrista (ele raramente fazia solos). 

Mesmo assim, a influência de Richard Sinclair é clara no primeiro lado de "Waterloo Lily", que deu um grande passo em direção ao jazz. A escolha do pianista Steve Miller (não muito habilidoso nos órgãos que virarão a marca registrada da banda), para substituir Dave Sinclair já seria um bom sinal, mas o álbum ainda contou com a participação do saxofonista Lol Coxhill e do guitarrista Phil Miller (irmão de Steve) em "Nothing At All", que ao lado de "Waterloo Lilly", de Richard Sinclair, que ocupa a maior parte do lado A, mostrava que o som não era muito ao estilo do Caravan. Não havia nem mesmo as músicas pop de Pye Hastings. A única conexão entre este trabalho com os anteriores é a longa suíte "The Love In Your Eye", com arranjos de cordas e um belo solo de flauta de Jimmy Hastings. 

Naturalmente, quando Richard Sinclair e Steve Miller tiveram a oportunidade de se unirem a Phil Miller em uma nova banda com o baterista Pip Pyle, eles aceitaram de cara, participando da formação do Hatfield And The North e abandonaram o Caravan, e Hastings e Coughlan decidiram reorganizar a banda. A primeira decisão foi contratar o violinista Geoff Richardson, para trazer novos ares ao som da banda, fato inicialmente não muito bem recebido pelos fãs (Richardson mais tarde viria a adicionar flauta e guitarra à sua instrumentação). Dois novos membros, Derek Austin e Stuart Evans, ficaram temporariamente, saindo logo na turnê seguinte, antes que as gravações de um quinto disco começassem. O baixista John G. Perry aceitou o convite, mas como nenhum tecladista foi encontrado, Hastings e Coughlan convidaram Dave Sinclair para participar do disco, e eventualmente permanecer (por razões puramente financeiras) para a turnê promocional. Aparentemente, Sinclair começou a se sentir confortável na nova formação, e decidiu voltar permanentemente. 

"For Girls Who Grow Plump In The Night" foi um ótimo retorno, mesmo continuando a estar distante do estilo clássico do Caravan. Pye Hastings escreveu todo o material, com exceção de algumas seções da suíte "A Hunting We Shall Go", que encerra o disco, sendo que uma dela é uma versão cover de uma música do Soft Machine, Backwards (do disco Third, de 1970). Ainda que o som continuava numa direção mais comercial, "For Girls Who Grow Plump In The Night" é muito bom. 

Em outubro de 1973, o Caravan foi convidado para tocar em um show especial no Drury Lane Theatre em Londres, com o acompanhamento de uma orquestra. Excertos da apresentação foram compilados no disco "Caravan and the New Symphonia", que foi lançado em abril de 1974, algumas semanas antes de John G. Perry decidir sair, sendo substituído por Mike Wedgwood, do Curved Air. 

Com essa formação, o Caravan gravou "Cunning Stunts", beneficiado por uma política de composição mais democrática: David Sinclair compôs a longa suíte "The Dabsong Con-Shirt-Toe" e também "The Show Of Our Lives" (cantada por Mike Wedgwood) com seu colega John Murphy; Wedgwood também escreveu duas músicas mais comerciais, "Lover" e "Welcome The Day"; Pye Hastings compôs apenas duas. Cunning Stunts foi marcado por um afastamento do estilo britânico do Caravan, aproximando-se mais de um som californiano em termos de produção e arranjos, possivelmente sob influência do Steely Dan. 

Porém, logo após o lançamento do disco, David Sinclair decidiu deixar o grupo mais uma vez com a intenção de dedicar a outros projetos, que infelizmente não deram muito certo. Ele foi substituído por Jan Schelhass, um ótimo tecladista que, infelizmente, quase não chegou a participar do processo criativo. Consequentemente, o álbum seguinte, "Blind Dog At St. Dunstans", não é tão bom quanto o anterior, apesar de ter mais consistência. Hastings compôs praticamente tudo, exceto uma música de Wedgwood. No geral, o álbum era mais pop, mesmo contendo duas suítes de duração média, "A Very Smelly, Grubby Little Oik" e a lírica "All The Way", que conta com Jimmy Hastings na flauta, na clarineta e no sax. 

Entre novembro e dezembro de 1976 o Caravan partiu para uma longa turnê inglesa e europeia para promover a coletânea "The Canterbury Tales", lançada pela Decca. David Sinclair retornou brevemente para essa ocasião, compartilhando os duetos de teclado com Schelhaas, mais notavelmente na releitura de "Nine Feet Underground". A apresentação na França colocou o Caravan ao lado de dois outros veteranos de Canterbury, o Soft Machine e seu ex-membro Kevin Ayers. Essa seria a última turnê com Mike Wedgwood na banda - ele viria a se mudar para a América e seria substituído em fevereiro de 1977 por Dek Messecar (ex- Darryl Way's Wolf). 

Com produção de Tony Visconti, "Better By Far" foi lançado em setembro de 1977. Infelizmente, o título não apresentava música de boa qualidade, já que a maior parte do disco consistia em canções mais simplórias, com apenas duas composições mais ambiciosas. No geral, "Better By Far" deixou os ouvintes se questionando se essa ainda era a mesma banda que deixou sua marca no início da década de 70 no cenário musical de Canterbury. Mesmo assim, o Caravan prosseguiu em turnê pela Inglaterra e pela Europa em 1977. Mas uma viagem européia no início de 1978 viria a ser a última dentro de quase dois anos. A conta bancária do empresário da banda, Miles Copeland, estourou e o Caravan acabou tendo que encarar dívidas enormes. Não havia mais nada a fazer a não ser terminar a banda. Em 1978 e 1979, Pye Hastings trabalhou em projetos solo, Richard Coughlan tocou em algumas bandas locais de Canterbury, Geoff Richardson trabalhou com a Penguin Cafe Orchestra e com John G. Perry, enquanto Schelhaas e David Sinclair se uniram a Richard Sinclair no Camel para a turnê promocional de "Breathless". Schelhaas acabou permanecendo no Camel (até 1981). 

Em outubro de 1979, o Caravan se reuniu com a mesma formação, com exceção de David Sinclair. O ano seguinte teve o lançamento de "The Album", com o mesmo estilo pop do anterior, apesar do processo criativo ter sido mais coletivo. Há várias músicas vindas de projetos inacabados de David Sinclair feitos no meio da década de 70, com destaque para "Piano Player". 

Mais turnês inglesas e europeias se seguiram, até o início dos planos para um novo disco solo. Aparentemente, Richardson e Messecar não estavam disponíveis, estão Richard Sinclair voltou mais uma vez, recriando a "magia" da formação original. O resultado, "Back To Front", teve momentos grandiosos como "Back To Herne Bay Front", "All Aboard" e "Proper Job", mas também possui músicas bem fracas. 

Não houve turnê para promover o disco, mas o Caravan reformulou sua formação para duas apresentações em Marquee em julho de 1983 (formação com Hastings, Richardson, Schelhaas, Sinclair e Coughlan) e uma reunião no Canterbury Festival no ano seguinte. Ninguém mais ouviria falar de Caravan até o ano de 1990... 

A banda foi convidada para se reunir, com a formação original mais Jimmy Hastings para um show especial para TV a ser exibido pela Central TV. Depois de um show de aquecimento em Canterbury, a banda gravou uma apresentação que consistia basicamente em composições dos seus álbuns clássicos, "If I Could..." e "In The Land Of Grey And Pink", incluindo "For Richard" e "Nine Feet Underground" na íntegra. Um CD desse show foi lançado em 1993 pela Demon Records. 

O Caravan continuou se apresentado nos próximos dois anos, viajando principalmente pela Inglaterra e pela Itália. Aparentemente, Pye Hastings ficou cansado de só tocar material antigo, e começou a trabalhar em um disco solo. Richard Sinclair se concentrou nas suas atividades pessoais com sua banda, a Caravan Of Dreams. Eventualmente, Hastings desistiu de seu projeto solo e decidiu, ao invés disso, gravar um novo disco do Caravan. Em 1994, Pye, David Sinclair e Jimmy Hastings se uniram a Geoff Richardson, Richard Coughlan e o baixista britânico veterano Jimmy Leverton para gravar "The Battle Of Hastings", uma ótima coleção de canções com apelo pop mantendo o som clássico do Caravan (órgão, violino, flauta, sax e os vocais intimistas de Hastings), lançada pela HTD Records em setembro de 1995. O título, segundo Pye, se referia a "batalha" entre ele e as gravadoras, ao longo dos anos. 

Quando os planos de uma nova turnê tiveram que ser arquivados, Pye Hastings e Geoff Richardson começaram a trabalhar em um novo disco contendo versões acústicas dos clássicos do Caravan, lançado, eventualmente, como um trabalho da banda (mesmo que David Sinclair e Richard Coughlan só apareceram em uma ou duas faixas cada um) sob o título de "All Over You". Músicas da era "clássica" (1968-1973) ganharam um tratamento "moderno" com resultados variados. 

Os planos de uma série de apresentações acabaram se tornando realidade entre outubro e novembro de 1996. Infelizmente Geoff Richardson estava muito ocupado em turnê com o cantor francês Renaud e foi substituído pelo guitarrista Doug Boyle (ex-Robert Plant Band), enquanto um percussionista, Simon Bentall, também foi adicionado. As músicas escolhidas para essa mini - turnê iam desde clássicos como "Nine Feet Underground", "For Richard" (com um novo e controverso arranjo), "Place Of My Own", "The Dog, The Dog, He's At It Again", "Hoedown", "Memory Lain, Hugh" e "Behind You" até a maioria das músicas de The Battle Of Hastings. Em Setembro de 1997, o Caravan caiu na estrada novamente para uma apresentação em Londres e uma nova mini-turnê, dessa vez com Richardson e também Boyle e Bentall. Nessa ocasião, "Place Of My Own" saiu do setlist e foi substituído por "Cold As Ice" do "The Battle Of Hastings". 

Em 1998, Pye Hastings começou a trabalhar em um projeto solo, continuando a tocar com o Caravan em shows, passando pela Inglaterra e pela Holanda. Hastings deixou o tal projeto de lado e começou a trabalhar em um segundo volume de clássicos do Caravan re - arranjados, lançado no outono de 1999 sob o título de "All Over You Too", contando com seu colegas (sendo este o primeiro trabalho de estúdio com Doug Boyle na banda), além de Hugh Hopper, com que havia tocado nos Wilde Flowers e no primeiro trabalho solo de Hopper, de 1984. 

O ano de 2000 viu o reinício das atividades, com numerosas apresentações, com passagem inclusive pela França, após 20 anos sem passar pelo país.

Também houve o lançamento de uma antologia dupla em CD, "Where But For Caravan Would I", que inclui material não lançado e raro - anunciando um ambicioso relançamento de todo o catálogo da banda pela Universal. Em fevereiro de 2001, todos os discos, de "If I Could..." até "Cunning Stuns" foram relançados com faixas bônus e cuidadosamente remasterizados. Em destaque ficaram "For Girls...", agora com 25 minutos de material de estúdio nunca ouvido, feito pela formação "perdida" contendo Derek Austin e Stuart Evans; e também "...New Symphonia", com todo o concerto restaurado e com o trecho sem orquestra, além do bis, "A Hunting We Shall Go". Um ano depois, foram as vezes do primeiro disco, que leva o nome da banda (com uma sonorização totalmente melhorada) e do "Live At Fairfield Hall", antes lançado como "The Best Of Caravan Live" e somente na França. 

Seguiram-se apresentações em 2002 incluindo uma turnê italiana em abril e passagens por festivais norte-americanos entre junho e julho. Durante todo o tempo o Caravan esteve ocupado trabalhando em um novo disco de estúdio que incluía uma nova gama de sons, grande parte por Dave Sinclair. No entanto, em outubro, um press release anunciando a saída de Dave chocou a todos. Mais uma vez Pye e Dave não concordaram com a direção musical, e mais uma vez Jan Schelhaas disse que não podia substitui-lo. O novo disco acabou surgindo em 2003, "The Unauthorised Breakfast Item", consistindo basicamente em músicas de Pye Hastings com contribuições de Doug Boyle e Geoff Richardson, e uma música de Dave Sinclair, "Nowhere To Hide", das sessões iniciais. O disco teve boa receptividade da parte da crítica e foi promovido por uma longa excursão ao longo de 2003 (França em fevereiro, Japão em abril e Inglaterra e Europa no outono). Em 2004 houveram passagens por Paris e também pelos EUA.

Em 2010, Pye Hastings anunciou que a banda tinha retomado sua atividade em antecipação de uma gravação de concerto único no Metropolis Studios para a ITV, que aconteceu em dezembro de 2010. O novo material foi escrito para uma performance de estreia da banda e foi acompanhado por Mark Walker na bateria e percussão, pois Richard Coughlan, ainda membro da banda, estava muito doente para viajar com o grupo. O DVD deste show foi lançado em maio de 2011 e a gravação foi mostrada na ITV como parte da série Legends. 

Em janeiro de 2013, a banda completou uma turnê de sucesso pelo Reino Unido para celebrar o 40º aniversário do álbum “For Girls Who Grow Plump In The Night”. Isto foi seguido no final do ano com o anúncio de um novo álbum, “Paradise Filter”. O álbum foi financiado por uma campanha PledgeMusic, agendado para lançamento em 24 de fevereiro de 2014. Hastings declarou: “Agora você pode ser parte de todo o processo, comprometendo-se a apoiar este projeto”.

Em 1º de dezembro de 2013, Coughlan faleceu, depois de um longo tempo doente. Seu funeral ocorreu em Canterbury em 20 de dezembro. Um comunicado da banda afirmou que “o seu estilo único de tocar e de caráter maravilhoso fará muita falta.” Caravan encabeçou o festival Rosfest na Pensilvânia entre 2 e 4 de maio de 2014.

Integrantes.

Atuais.

Pye Hastings (Guitarra, Vocais, 1968-1978, 1980-1985, 1990-1992, desde 1995)
Geoffrey Richardson (Guitarra, Viola, Violino, 1972-1978, 1980-1981, 1995-1996, desde 1997)
Jan Schelhaas (Teclados, 1975-1978, desde 2002)
Jim Leverton (Baixo, desde 1995)
Mark Walker (Bateria, Percussão, desde 2010)
 

Ex - Integrantes.  

Richard Coughlan (Bateria, Percussão, 1968-1978, 1980-1985, 1990-1992, 1995-2013, R.I.P 2013)
Richard Sinclair (Baixo, Vocais, 1968-1972, 1981-1985, 1990-1992)
Dave Sinclair (Teclados, 1968-1971, 1973-1975, 1980-1985, 1990-1992, 1995-2002)
Steve Miller (Teclados, 1971-1972)
Derek Austin (Teclados, 1972-1973)
Stuart Evans (Baixo, 1972-1973)
John Perry (Baixo, 1973-1974)
Mike Wedgwood (Baixo, 1974-1976)
Dek Messecar (Baixo, 1976-1978, 1980-1981)
Doug Boyle (Guitarra, 1996-2007)
Simon Bentall (Percussão, 1996-1997)
Jimmy Hastings (Flauta, Saxofone, 1996-1997)




Better By Far (1977)

01. Feelin' Alright (3:31)
02. Behind You (5:05)
03. Better By Far (3:28)
04. Silver Strings (3:59)
05. The Last Unicorn (5:52)
06. Give Me More (4:40)
07. Man In A Car (5:43)
08. Let It Shine (4:27)
09. Nightmare (6:24)

Canterbury Tales: The Best Of Caravan, 1968-1975 (1994)
CD 1.

01. Place of My Own (4:02)
02. Magic Man (4:04)
03. Hello Hello (3:50)
04. If I Could Do It All Over Agai (3:07)
05. And I Wish I Were Stoned/Don't (8:18)
06. Can't Be Long Now/Francoise/Fo (14:26)
07. Love To Love You (And Tonight) (3:06)
08. Golf Girl (5:01)
09. Nine Feet Underground (22:45)
10. Songs And Signs (3:40)
11. The World Is Yours (3:43)
 

CD 2.

01. Memory Lain, Hugh (4:53)
02. Headloss (4:21)
03. The Dog, The Dog, He's At It A (5:57)
04. Be All Right/Chance Of A Lifet (6:34)
05. L'auberge Du Sanglier/A Huntin (10:07)
06. The Love In Your Eye (12:14)
07. For Richard (14:14)
08. Stuck In A Hole (3:10)
09. Lover/No Backstage Pass (9:40)
10. The Show Of Our Lives (5:51)

CRONICA - HARMONIUM | Si On Avait Besoin d’Une Cinquième Saison (1975)

 

Atenção obra-prima! Um marco do rock progressivo que vai muito além da cena de Quebec.

Após o sucesso do primeiro álbum, os guitarristas/cantores Serge Fiori e Michel Normandeau, assim como o baixista Louis Valois engrossam as fileiras da Harmonium para a turnê que segue com as chegadas do flautista/saxofonista Pierre Daigneault e do tecladista Serge Locat que acabam de retornar. de Londres com um mellotron. Aliás, Serge Fiori está em busca de novas sonoridades para enriquecer o repertório do grupo. No início de 1975, essa nova formação se fechou no Studio Six em Montreal por um mês e ofereceu um excelente álbum de folk progressivo pelo selo Quality Record/Celebration.

Intitulado If We Need A Fifth Season , é o casamento perfeito de folk com prog como a ilustração produzida pelo artista quebequense Louis-Pierre Bougie onde observamos um grupo de indivíduos imersos em um prado florido contemplando montanhas subliminares ao longe, a menos que sejam ondas ilusórias. Chamado As Cinco Estações, esta nova obra produzida sem bateria conta a vida de Montreal atravessada pelas estações. Começa com a primavera em "Vert" com esta flauta vaporosa que nos convida à meditação. Depois vem a voz de Serge Fiori que como sempre nos leva às entranhas com estas harmonias e estas guitarras acústicas sonhadoras e cheias de frescura. O verão segue com a alegre “Dixie” inspirada em dixieland, onde o frenético solo de clarinete foi capturado em uma escada. “Since Autumn…” ultrapassando os 10 minutos é a onde Maternot interpretada por Marie Bernard (futuro Et Cetera) que introduz esta faixa dando um aspecto perturbador. A preocupação rapidamente se dissipou pela voz cheia de emoção de Serge Flori às palavras das aspirações soberanistas do Quebec na época. Outonal e pairando,O Relógio . Com efeito, é necessário ouvir desde os 7 minutos de “Since Autumn…” esta delicada passagem ao piano que estranhamente se assemelha à introdução de “Circles” na abertura de The Watch . No frio do inverno, "En Pleine Face" é um passeio que dá vontade de se aconchegar perto de uma lareira, ouvir o acordeão quente de Michel Normandeau e admirar uma bela noite estrelada pela janela.

Mas para Harmonium 4 temporadas não são suficientes. O grupo imagina uma quinta temporada no instrumental "Histoire Sans Parole" superior a 17 minutos com alguns vocais fornecidos por Judi Richards. Bela peça sinfónica, serena, rica em melodia, vagamente perturbadora em alguns pontos, irreal quando ouvimos as ondas e as gaivotas.

Les Cinq Saisons rapidamente teve grande sucesso e se tornou uma das mais importantes da história da música de Quebec. Ele atualiza o óbvio: Quebec é o lugar mais atraente para a cena progressiva do continente americano. Ele permite que os artistas de Quebec tenham sua própria identidade para se distinguir do pop anglo-saxão. Em 2015, a revista Rolling Stone classificou este álbum entre os 50 melhores discos de rock progressivo. Leve-o para uma ilha deserta.

Titulos :
1. Vert
2. Dixie
3. Depuis L’Automne
4. En Pleine Face
5. Histoires Sans Paroles

Músicos:
Serge Fiori: Vocal, Violão de 6 e 12 cordas, Flauta, Bandolim, Percussão
Michel Normandeau: Voz de apoio, Violão de 6 cordas, Acordeão, Dulcimer
Louis Valois: Voz de apoio, Baixo, Piano
Pierre Daigneault: Clarinete , Recorder , Flauta, Piccolo, Saxophone
Serge Locat: Piano, Mellotron, Sintetizador
+
Marie Bernard: Ondes Martenot
Judi Richards: Backing vocals

Produção: Peter Burns


CRONICA - FLEUR DE LIS | Facing Morning (1971)

Eles são um grupo obscuro de estudantes do ensino médio de Skive, no nordeste da Dinamarca. No início dos anos 1970, o baterista Kaj Olesen e o guitarrista/cantor Leif Nielsen experimentaram várias bandas locais como The Fog e The False Image até conhecerem o organista Svend Thomsen, o baixista Peder Pedersen e o guitarrista Bjarne Pedersen. Chamando-se Fleur De Lis, o quinteto rapidamente percorreu vários clubes dinamarqueses. Em 1971, os músicos entraram em estúdio para imprimir 500 cópias de um 33-rpm para a gravadora Quali-Sound com a participação de um trio de coros feminino/masculino, Pat Funell, Else Kristiansen e Inge Kristiansen.

Intitulado Facing Morning , este primeiro ensaio é composto por 8 faixas num total que mal ultrapassa os 32 minutos. Este é um álbum psicodélico entre o krautrock e o acid rock. Reina uma atmosfera melancólica e o conjunto é acompanhado por guitarras difusas e muitas vezes improvisadas, órgão quase religioso, vozes desencantadas e bateria de andamento médio. Começa com os 8 minutos de "Home Of Mind", uma balada com uma introdução ameaçadora, guitarra com riffs sincopados e vocais um tanto melancólicos para um final de blues pesado. Ficamos no registo da balada blues com “Har I Set”, cantada em dinamarquês e salpicada de vocalizações angelicais. Chega o título homônimo, uma bela peça folk com vocais femininos dando lugar a “In Love” um pesado e furioso rhythm & blues instrumental.

O lado B começa com a celestial e angustiante “Why” e a maconheira “Bad Loser”. Aceleramos um pouco com “Sympathic Attitude” um tom mais pop e dramático. O LP termina com a breve (um minuto apenas) e triste "Sneen". Em 1973 chegará o tempo das desilusões e separações. Ninguém sabe o que aconteceu com os músicos.

Títulos:
1. Home Of Minds
2. Har I Set
3. Facing Morning
4. In Love
5. Why
6. Bad Loser
7. Sympathetic Attitude
8. Sneen

Músicos:
Peder Pedersen: Baixo
Kai Olesen: Bateria
Bjarne Pedersen: Guitarra
Svend Thomsen: Órgão
Leif Nielsen: Vocais, Guitarra
+
Backing Vocals: Pat Funell, Else Kristiansen, Inge Kristiansen

Produção: Flor de Lis

Crítica ao disco de Frost* - 'Day and Age' (2021)

 Frost* - 'Day and Age'

(14 de maio de 2021, InsideOut)

Frost - dia e idade

Frost* , a banda formada hoje por Jem Godfrey (vocal e teclado), John Mitchell (guitarra e vocal), Nathan King (baixo) lançou seu terceiro disco, ' Day And Age ', no dia 14 de maio deste ano , na Who contou com vários bateristas convidados: Pat Mastelotto do King Crimson , Kaz Rodriguez e Darby Todd . Por outro lado, o renomado ator, Jason Isaacs, empresta sua voz para a música ' The Boy Who Stood Still '.

Para compreender também o perfil e a sonoridade que emana deste novo trabalho, refira-se que os arranjos finais de ' Day And Age ' foram gravados numa torre da Guarda Costeira remodelada que se encontra a nove metros do solo junto ao mar, perto de uma usina nuclear e um farol no inverno sombrio de East Sussex, no sul da Inglaterra, de frente para o Canal da Mancha.

O álbum abre com a música que dá nome ao álbum. Uma música de 11 minutos em que me surpreendi com o ritmo implacável que Rodriguez e King lhe dão , que soa encantador com os arpejos que Mitchell executa . Mas, apesar da energia da bateria e do som da guitarra, são os teclados de Godfrey que dão à combinação seu caráter sombrio. Logo de cara encontramos uma das composições mais atraentes da nova obra de Frost* .

Na segunda faixa somos recebidos por ' Terrestrial ', um dos dois singles lançados anteriormente. Nesta música, o riff contundente é combinado com um baixo grosso e penetrante para nos dar um metal progressivo sombrio , mas não perde sua energia, embora às vezes se afaste do rock e abrace o eletrônico e o ambiente.

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A terceira faixa é ' Waitin for the Lie ' a que mais se concentra no piano e sintetizador de Godfrey que só são vistos embelezados por sua voz em uma música minimalista que é embelezada com sons orquestrais e arranjos que a tornam uma montanha de emoções russas ao qual são adicionadas as baterias de Darby Todd .

No final da primeira metade de ' Day And Age ', a voz de Jason Isaacs inicia a quarta música: ' The Boy Who Stood Still ', numa composição que o ator acompanha numa viagem sonora ambiente que por vezes lembra ' Voyage 34 ' de Porcupine Tree . O intrincado baixo de King também está envolvido , o que acompanha a paisagem sonora que Isaacs e Godfrey criam com seus teclados.

A segunda metade do álbum começa com ' Island Life ' e ' Skywards '. A primeira é enérgica, acessível com momentos orquestrais que produzem emoção junto com os teclados que junto com os demais instrumentos geram um tema altamente imersivo. A segunda é lenta, relaxada, sustentada pelos acordes depressivos de John Mitchell e pela bateria de tempo irregular de Pat Mastelotto . Acredito que ambos não são entendidos separadamente e que se complementam para que possamos apreciá-los plenamente.

Kill the Orchestra ' é a segunda música mais longa com 9 minutos e 27 segundos onde temos uma seção solitária com o desenvolvimento do piano, para depois mergulhar no metal com uma linha de seis cordas altamente agressiva que contrasta com os teclados que criam um som mais pensado . A guitarra surge quando menos se espera e gera um espaço encorajador e ameaçador, dando lugar a sons mais sinistros e arrepiantes com uma voz distorcida que diz ' Está tudo bem. Relaxe... divirta-se '. Há que destacar o solo ao Gilmour de John Mitchell .

Imediatamente, como se fosse uma única música, passamos para a última música ' Repeat to Fade ' em que Masetelotto é monstruoso batendo em sua bateria com uma força incalculável. Além disso, o baixo soa tão denso e dominante, assim como os sons gerados pelo sintetizador. As letras são cativantes, os sons convidam a mexer a cabeça e a repetir o álbum e esta última música, vezes sem conta.

Este é um tremendo álbum, que poderia ser um pouco mais longo, mas nenhuma música abala o trabalho do trio inglês. Day And Age ' é satisfatório combinando técnica, melodias envolventes e um estilo inconfundível, criando uma coleção de faixas sólidas.

Destaque

Circus "Surface Tension" (1993)

  "A atmosfera cultural da cidade sempre foi propícia ao desenvolvimento da música eclética." Essa afirmação foi feita em 2010 por...