“Songs of sorrow and despair”, novo disco de Levi Martins, tem edição marcada para a próxima sexta-feira, 13 de Janeiro, nas plataformas digitais.
A sua apresentação ao vivo aconteceu no passado sábado, na Sociedade Filarmónica 1.º de Dezembro, Montijo, no âmbito do Aniversário da Mascarenhas-Martins. Criado ao longo de 2022 de forma caseira, espontânea, num encontro consigo e com os seus instrumentos, “Songs of sorrow and despair” é o quinto disco de originais de Levi Martins — o anterior, “If you can’t beat them”, foi lancado em 2013.
“O desejo de regressar aos discos era antigo, mas o quotidiano impôs-se. Dirigir uma companhia não é, como se diz em inglês, um passeio no parque. Foi preciso passar por uma crise grave, um esgotamento, para ser obrigado a parar e recorrer a uma das minhas mais antigas terapias: dedilhar uma guitarra sem objectivo. Essa deambulação juntou-se a uma frase que tinha começado a instalar-se há uns tempos, que dá início à primeira canção deste disco — It all began with a love song.
Esta frase apareceu a certa altura porque na realidade nunca pensei em desistir de escrever canções e tinha pensado que se fizesse um novo disco seria uma espécie de ponto da situação. No meio de uma dessas deambulações musicais a frase reapareceu enquanto gatilho para as frases, melodias e acordes que se seguiram, até darem forma a nove canções e um impasse instrumental.” Levi Martins
2023 começa com o primeiro disco de COBRADO, o projecto a solo de Pedro Cobrado, às vezes Gaza. Para quem não conhece, o Pedro Cobrado toca baixo nos Men Eater e integrou bandas como Besta e If Lucy Fell.
“Música para plantas de exterior que vivem no interior” é o primeiro volume de uma série de canções gravadas em Fostex 280, com os seus companheiros de vida, velhos e novos amigos. Todas as músicas foram gravadas em cassete, por isso, toda e qualquer imperfeição no produto final é perfeita.
Disponível numa edição limitada de 80 unidades (40 verdes e 40 brancas).
Pedro Cobrado lança este disco na vã esperança de se reconciliar com o passado e com o futuro. Claro que não consegue nem o conseguirá.
“Nez txada skúru dentu skina na braku fundu” estreia já na próxima sexta-feira 13 de Janeiro em streaming, download e com disponibilização de edição física vinil LP nas seguintes semanas.
O segundo longa duração e sucessor de “Un Kuza runhu” [Uma coisa ruim] de 2020, é composto por 11 temas, conta com as participações de Cachupa Psicadélica, Henrique Silva (Acácia Maior), O GAJO e tem o artwork assinado pelo artista visual mindelense Alan Alan.
“Nez txada skúru dentu skina na braku fundu” [Nesta achada escura na esquina num buraco fundo] é um trabalho conceptual, que assenta toda uma base de inspiração nas dinâmicas sociais do espetro urbano, estabelecendo um paralelismo direto entre as conjunturas do ambiente contemporâneo e os fraturantes movimentos revolucionários panafricanistas.
Este disco é pontuado por sonoridades experimentais, batidas pujantes, baixos distorcidos e samples que contam histórias sempre sob uma omnipresente tutela afro.
The Studioz , banda escocesa , que editou um single e uma cassette , pela editora Warm Records. Em Portugal houve duas edições do single homonimo , uma com capa (a que está na foto) e outra edição só com paper sleeve. A sonoridade dos Studioz andava muito pelo sintetizadores new wave.
Eis uma das melhores capas editadas em exclusivo em Portugal , é capa única , esta dos The Vapors , com o tema Jimmie Jones (um tema que fala do tal reverendo Jim Jones que pôs mais de 900 pessoas a beber cianeto na Guiana Francesa em 1978).
Boomtown Rats também tiveram direito a capa única em Portugal , design tuga para um dos singles de sucesso dos BR , "Rat Trap".
E finalmente a capa do single dos The 45's , este sim é mesmo uma raridade a nível planetário , isto porque o single só saiu em Inglaterra (sempre sem capa) e em Portugal. Este single dos 45's fica também na história da Stiff Records (a editora que lançou o disco) como o maior fracasso de vendas. Falando do single , é um registo com algum interesse para quem goste de puro powerpop , na linha de uns Any Trouble (mas para melhor) , The Distractions .
Tentar encontrar registos new wave antes do boom do rock Português é tarefa hercúlea, antes de 1980 pouca coisa foi feita em Portugal dentro da new wave. Há os Corpo Diplomático e pouco mais, hoje deparei-me com um single da Gabriela Schaaf, com um grafismo naif, mas chamativo, a rodela de vinil desvenda-nos uma new wave simples e directa, o tema "Homem muito brasa" foi retirado do album de 1979 "Video", gravado em Zurique. Os arranjos são obra de um músico suiço com cartas dadas no Jazz e na música electrónica, Bruno Spoerri.
Após uma pesquisa exaustiva a um molho de revistas do inicio dos anos 80, deparo-me com uma entrevista a Johnny Warman, conhecia os discos de os ver nas feiras a preços módicos. Ao ler a entrevista, fiquei a saber que Johnny Warman era o músico por detrás do grupo 00.3 Minutes, banda que lançou um bom single "Autmatic Kids" em 1980 pela Rocket.
Single que oscilavam entre uma new wave cósmica e um powerpop preciso e eficaz. Johnny Warman já vinham de um album a solo, "Hour Glass" editado em 1979, onde a sonoridade não fugia muito aquilo que os 00.3 tinham posto em vinil. Os 00.3 acabam como começaram, num ápice. No entanto durante o pouco tempo de existência os 00.3 minutes, empreenderam uma tour com os Vapors e tocaram ainda uns quantos concertos com os XTC, tudo bandas que já tinham o seu pedestal garantido. Finada a aventura dos 00.3 Minutes, Johnny Warman segue a sua vida e lança em 1981 o seu disco mais pomposo, "Walking into Mirrors".
Um disco conceptual onde os sintetizadores e respectiva electrónica emanada, serviram de paradigma para uma Pop que se queria moderna e fantasista. O disco conta com o backing vocals do Peter Gabriel no tema "Screaming Jets", um dos temas de proa do disco. Outo tema forte do LP tem curiosamente o título "3 minutes", um tema forte onde impera um powerpop com sentido e orientação, reminiscência da antiga banda, conquanto o mesmo não tenha sido composto na altura dos 00.3 Minutes.
Durante a promoção ao "Waking into the Mirrors", Johnny Warman fez uma digressão promoção ao disco, promoção essa feita em programas de TV em vários países, Espanha, Suécia entre outros.
Portugal também fez parte dessa rota de promoção. Johnny tocou no programa de variedades, "Festa é Festa" em Janeiro de 1982 perante uma multidão de pessoas atentas e sequiosas. No final da sua actuação no programa, o carro onde seguia Johnny Warman foi inundado por uma imensidão de pessoas que queriam ver o artista mais de perto. Johnny Warman voltaria uns meses mais tarde a Portugal para tocar no Algarve na discoteca "Kiss", mas isso já são contas de outro rosário.
Em 1979 a cultura Mod é exportada de Inglaterra para vários países da Europa , a servir de incentivo , esteve o filme "Quadrophenia" , filme que aliciou muita da juventude que já não via no Punk um escape para as suas vidas. Esta introdução bem pode servir para retratar o ressurgimento (ou em alguns casos o inicio) da cultura Mod em alguns países , e Espanha é um dos exemplos.
A movida madrilena tinha quebrado as barreiras do franquismo , e foi determinante no desenvolver do movimento mod espanhol , especialmente em Madrid.
No começo dos anos 80 surgem as primeiras bandas Mod revival , em Madrid , Los Elegantes , Los Flequillos (depois dariam origem aos Los Escandalos) , em Barcelona , os Brighton 64 , os Sprays , os Telegrama e osKamenbert.
Os Elegantes foram uma das bandas mais importantes da cena mod , tendo editado em 1982 o seu primeiro single , "Me debo marchar" , que cedo tornou-se num hino mod , ao longo dos anos 80 foram editando vários singles e Lp's. Panico Speed banda conterranea dos Los Elegantes , tiveram a oportunidade de tocar fora de Espanha , em Turim em 1985 num evento Mod. Os Panico Speed tinham influencias rythm blues , de bandas como , Dr Feelgood , Nine Below Zero , deixam para a história um Lp "Manera de ser" , não logrando o sucesso pretendido , a banda deixa de existir. Em Barcelona uma editora Flor y Nata serviu de base a algumas bandas Mod revival , Brighton 64 editam o seu primeiro EP na Flor y Nata "Barcelona Blues" de 1983 , um ano antes já os Telegrama tinha editado o seu single "Chica del Metro" , single que foi um sucesso , tendo esgotado os 1000 exemplares da edição num ápice. Os Sprays outra banda de Barcelona também editou o seu único single pela Flor y Nata , "Te vere la diez" , um dos melhores singles de mod revival editados em Espanha.
Mas das bandas mod de Barcelona há que destacar sem dúvida os Brighton 64 , banda formada pelos irmãos Ricky Gil e Albert Gil , foram uma das bandas com maior impacto no movimento Mod e não só , também na cultura pop espanhola. Com alguns singles , Maxis e Lp's os Brighton 64 são hoje em dia uma referencia.
Enquanto isso , em madrid os Mods começam a eleger os seus lugares de eleição para conviver e ouvir música , um dos locais preferidos dos mods , era a sala Rock-ola , que foi palco da maioria das festas mods da altura e de concertos memoráveis de bandas estrangeiras.
Um dos concertos mais marcantes foi o concerto dos Secret Affair em 1982. Os The Lambrettas também chegaram a tocar em Espanha em 1981 em Madrid , um concerto que defraudou as expectativas , tendo sido um autentico fiasco a julgar pelas criticas ao concerto. Mas o concerto que mobilizou mais Mods em Madrid foi o concerto da banda inglesa The Truth (ex Nine Below Zero) no ano de 1985.
A juventude da época um pouco à imagem do filme "Quadrophenia" , e não só , à imagem dos antepassados dos anos 60's , foi alimentando a "velha" rivalidade , de Mods vs Rockers. Rivalidade essa bastante intensa em Madrid , sendo comum noites de violência à porta dos bares , com a necessidade de se impor perante a ameaça "Rockers" os mods , bem a imagem dos seus congéneres ingleses (ex. Glory Boys) , começam a formar os seus gangs.
A rivalidade atinge o seu pior momento em 1985 , à porta da sala de concertos , Rock-ola , uma refrega entre Mods e Rockers , salda-se com a morte de um rocker. Os media dão algum destaque ao acontecimento com muita desinformação sobre o que eram os Mods , a sala Rock-ola acaba por fechar , tendo sido este episódio um ponto de viragem do movimento Mod , muito dos mods mais violentos abandonam o movimento , e os mods que se mantém vêem a necessidade de purificar o movimento , voltando às raízes dos 60's , com as festas mais voltadas ao northern soul e ska , também surgem os primerios scooters clubs . Em Espanha nos dias de hoje a cultura Mod está de boa saúde e recomenda-se , com vários festivais (ex. Purple Weeekend) , vários clubs mods , várias bandas (ex. Chicos del Sabado).
Sempre que me referia aos TV Personalities, e em especial ao disco "Mummy your not watching me", associava a excelsitude de um disco Pop, daqueles em que a matriz está tão polida que é possível ver o rosto do nosferatu reflectida, banhado num recipiente cheio de ácido. Pode parecer à primeira vista uma associação mais que previsível atendendo ao passado farmacêutico de Dan Treacy, mentor dos TvP's. Mas tudo não passa do uso a avulso de uma analogia, talvez, fruto unicamente da música produzida pelo grupo, pondo de lado o uso e abuso de substâncias ilícitas.
Escutando "Mummy your not watching me" os nervos sensoriais são assomados por sentimentos díspares. Se podemos sentir algum conforto com o sunshine pop dos sixties degenerado num género (ou géneros) que ainda estava para ser inseminado, Twee ou C86 dizem eles. Sentimentos (o que referi anteriormente e os que vou referir mais adiante) esses que vão ganhando expressão em temas como "Where the rainbow ends" ou "Mummy Your Not Watching Me".
Outros sentimentos, como o estremecimento, são provocados por uma amálgama de quietude orgânica, um híbrido de new age com psicadelismo esfarelado que se sente a cada passagem da agulha pelas estrias de "Mummy Your Not Watching Me". Sintomas acicatados por composições muzakianas, como "David Hockney's Diaries" ou "Adventure Playground". Duas urdiduras sonoras capazes de instigar motins em espaços fechados. Resultado de uma cadência quase febril onde uma escaleta lança as quotas de destruição para cada amotinado.
Mas não pensemos que tudo é metafísico em "Mummy....". Já que também é nos posto à disposição músicas de corpo inteiro, com refrões orelhudos, "Paint by Numbers" é disso um exemplo. Tema que podemos colocar na prateleira do Powerpop ou mesmo do Mod Revival. Também há temas que alimentam a alma, "'Scream Quietly", consegue na perfeição estofar almas vazias e prepará-las para o difícil dia-a-dia.
O imaginário dos 60's televisivo, que tanto pode ir desde o "Doctor Who" ao "Captain Scarlet" é algo que circula pelo disco à mesma velocidade que circula as substancias ilícitas pelo sangue. Os pozinhos dos sixties surgem sob a forma de jingle de fecho de programa infanto-juvenil em "Lichtenstein Painting", ou "Brian's magic car", música com todos apetrechos para acompanhar um seriado de aventuras e desaventuras urbanas.
A catarse chega sob a forma de um amor perdido, "Where the rainbow ends". Registo que tem todo o direito em figurar numa colectanea romântica low budget, bem enfiada no meio do alinhamento, seria um tema que passaria bem, por engano do assistente de produção claro está, numa edição do "Oceano Pacífico" na RFM.
Já borrei a pintura, mas como falo na terceira enviusada pessoa, foi como tivesse sido outro a proferir tais encómios, volto mais tarde com um texto sobre o barroco pop.
Lisboa, final de tarde, Inverno de 2007, numa breve passagem por uma loja de discos, por entre muito lixo vinílico, deparo-me com "Mummy your not watching me", sim não estava em Excelente estado, muito menos em Muito Bom estado. Pode-se dizer que o disco adquiriu por osmose toda a acidez revigorante da música dos TV Personalities. Riscos que só por si dão valor ao objecto em causa (disco de vinil), num género de "quanto mais me riscas mais eu toco melhor", se fosse um disco dos Squeeze de certeza que a agulha do gira-discos saltaria do "Cool for Cats" para ir logo para "Up to Junction", mas como estamos a falar de Tv Personalities o disco segue o seu caminho impávido e sereno, abençoado disco.
Este é um quarteto da Filadélfia criado em 1967 e que tem em suas fileiras um certo Todd Rundgren na guitarra, pau para toda obra e exímio melodista.
Também cercando-se de Carson Van Osten no baixo, Robert "Stewkey" Antoni nos teclados e Thom Mooney na bateria, o grupo se autodenominou Nazz após "The Nazz Are Blue" do Yardbird e tocou como banda de abertura para The Doors quando o último ir para Filadélfia.
Em 1968, lançou sua primeira obra intitulada simplesmente Nazz . Ao contrário da maioria das formações norte-americanas que produzem acid rock blues em jams sem fim, o Nazz é orientado para o pop britânico.
Em 1969, o quarteto pretende produzir um álbum duplo, Fungo Bat (que é o nome de uma marca de taco de beisebol). Mas finalmente o projeto resultará em um disco simples (sem o conhecimento dos músicos) lançado em abril pela gravadora SCG.
Intitulado Nazz Nazz , este último revelará composições mais complexas, mais coloridas e mais variadas onde o domínio das harmonias vocais é perfeito.
A influência dos Beatles é particularmente evidente em "Hang On Paul". Os quatro membros oferecem um arauto do rock do power pop que estourará nos anos 70 como ELO, Supertramp, Queen, Spark, Sweet, mas também Cheap Trick (Carson Van Osten colaborará com este último mais tarde) emprestando do rock progressivo para oferecer uma pop bem lambido. Para se convencer disso, basta ouvir a contundente “Forget All About It” com seus sinos e “Not Wrong Long” que dão a impressão do que o grupo de Roger Hodgson fará. Exceto que a música de Nazz é um pouco maluca e psicodélica.
E depois há a terrível "Under The Ice", hard rock à vontade onde Todd Rundgren se mostra sangrando com seus riffs e solos pistoleiros.
O grupo não esquece as suas origens americanas com Keddie Boy” muito blues de Chicago e “Feather Bedding Lover” com um andamento mais pesado.
Mas a peça escolhida é sem contexto "A Beautiful Song", principalmente instrumental. Esta suíte progressiva de mais de onze minutos com melodias caprichadas é uma bela mistura de jazz, rock sinfônico com uma atmosfera cinematográfica apoiada por uma orquestra que evoca o Moody Blues. Também aqui, Todd Rundgren se supera nas seis cordas elétricas, revelando um enorme potencial.
Mas este último, irritado com o fato de o álbum duplo não ter sido lançado, partirá para a carreira solo e embarcará na produção.
O resto de seus companheiros de banda lançaria um terceiro ensaio menos inspirado ("Nazz III") com o que restava de Fungo Bat . Então chegará o tempo das separações.
Se Nazz Nazz pode sofrer de falta de coerência e momentos de fraqueza (“Gonna Cry Today” uma balada entediante que lembra uma pausa de verão), mas também de um cover kitsch, ainda assim permanece amigável e cativante.
Títulos: 1. Forget All About It 2. Not Wrong Long 3. Rain Rider 4. Gonna Cry Today 5. Meridian Leeward 6. Under The Ice 8. Hang On Paul 9. Kiddie Boy 10. Featherbedding Lover 11. Letters Don’t Count 12. A Beautiful Song
Os anos 70 estão chegando ao fim, mas não é por isso que Stormwatch significará o fim de uma era para Jethro Tull. É que marcará o fim de um grupo unido - apesar de algumas pequenas modificações - desde o início da década. Primeira rachadura que rachou o prédio, o estado de saúde do baixista John Glascock que o impede de estar no seu melhor, consequentemente, ele só jogará em três títulos, Ian Anderson aproveitando o baixo para gravar os demais. Songs From The Wood foi inspirado no livro do cantor de mitos e lendas celtas, temas agrícolas de Heavy Horses originados de sua configuração country, Stormwatchvê sua gênese na propriedade que Anderson acaba de se oferecer na ilha escocesa de Skye. O álbum costuma ser considerado o último de uma trilogia Folk Rock. Porém, é preciso admitir que ele já está se afastando do estilo praticado em Songs From The Wood e Heavy Horses para voltar a um tom muito mais Rock, talvez inspirado pela boa recepção dada ao vivo Bursting Out .
Outro tema que vai percorrer o álbum, para além desta Escócia que tanto fascina Anderson pela sua história, pelas suas lendas e pela sua atmosfera, é a ecologia. Apesar da inação criminosa dos governantes por mais de quarenta anos, a consciência ecológica já está presente há anos e Anderson é particularmente sensível a ela (lembre-se de “Bafo de Locomotiva”, uma metáfora para seu medo do crescimento populacional). Assim, “North Sea Oil” condena, por exemplo, a exploração marítima de petróleo (e mesmo a exploração petrolífera em geral). Mas, como sempre, Anderson transmite assuntos sérios com um tom leve, e o ouvinte que não ouvir a letra deixar-se-á levar por este refrão saltitante de Folk Rock conduzido pela flauta do cantor e pela guitarra de um Martin Barre que temos a alegria de reencontrar tão loquaz. "Orion", ao contrário, oferece um tom melancólico e atmosferas quase pop e, infelizmente, um pouco açucaradas às vezes (os arranjos de David Palmer). Felizmente, a guitarra também tem seus momentos de glória. Da mesma forma, os arranjos de cordas sufocam o que poderia ter sido com "Home", uma bela balada acústica. Eu já disse isso muitas vezes, as cordas costumam ser supérfluas na música de Jethro Tull, que já é bastante rica (e original) sem. Felizmente, a guitarra também tem seus momentos de glória. Da mesma forma, os arranjos de cordas sufocam o que poderia ter sido com "Home", uma bela balada acústica. Eu já disse isso muitas vezes, as cordas costumam ser supérfluas na música de Jethro Tull, que já é bastante rica (e original) sem. Felizmente, a guitarra também tem seus momentos de glória. Da mesma forma, os arranjos de cordas sufocam o que poderia ter sido com "Home", uma bela balada acústica. Eu já disse isso muitas vezes, as cordas costumam ser supérfluas na música de Jethro Tull, que já é bastante rica (e original) sem.
Com “Dark Ages”, chegamos ao topo deste disco. Encontramos o lado Prog (Hard) Rock do grupo que havia desaparecido um pouco desde Minstrel In The Gallery. Por vezes misterioso, conquistador e até mesmo guerreiro quando o ritmo aumenta. Mais uma vez, Martin Barre tem permissão para mostrar seus talentos muitas vezes ocultos como guitarrista, e o cara não se priva disso para nosso maior prazer. Sem dúvida o melhor título épico do grupo desde "Minstrel In The Gallery", ainda que registe menos que este último como obrigatório em concerto. A instrumental "Warm Sporran" nos surpreenderá com seu lado Jazz Rock (principalmente a linha de baixo de Anderson) misturado à música celta. Isso provavelmente não agradará a todos, mas devemos admitir que é bastante original. Os nostálgicos dos primórdios vão se deliciar, pelo contrário, com "Something's On The Move" que lembra o Blues Rock que o grupo tocava na época das Festas Beneficentes eAqualung . Longe de soar acalorado, o resultado é particularmente jubiloso e permite-nos encontrar os grandes riffs de guitarra a par das acrobacias da flauta. Quanto às partes de bateria de Barriemore Barlow, elas inegavelmente puxam a coisa toda (minhas desculpas a Clive Bunker…).
As cordas são um pouco menos perturbadoras no feliz rock medieval "Old Ghosts", especialmente porque a guitarra elétrica continua a manter seu lugar de escolha. Finalmente, "Dun Ringil" é o único título que pode reivindicar a bandeira Folk. Esta é uma bela balada com voz de guitarra como Anderson já vinha compondo há alguns anos. A originalidade está na mistura de camadas de guitarras e vozes além de alguns efeitos sonoros que conferem um tom levemente fantasmagórico particularmente adequado ao tema. “Flying Dutchman” é a outra peça épica do álbum e também retoma certos elementos da estrutura inicial de “Dark Ages”. Só que ao invés de se transformar em um Hard Rock galopante, migra mais para uma valsa Folk Rock mais calma do que para um gabarito alegre. Prova da estima que Ian Anderson tinha por David Palmer (além de convidá-lo a integrar um grupo que facilmente poderia se contentar com John Evan no lado dos teclados), a presença deste instrumental composto pelo músico em homenagem ao pai falecido recentemente. Convenhamos, teríamos dispensado essa balada de inspiração renascentista, certamente fofa, mas um pouco doce demais, para fechar o álbum. Em vez disso, teríamos preferido a inclusão de "King Henry's Madrigal", uma adaptação para o rock com molho Jethro Tull de um clássico da música renascentista inglesa que teria sido composta por Henrique VIII. Esta, gravada após o lançamento de a presença deste instrumental composto pelo músico em homenagem ao pai recém-falecido. Convenhamos, teríamos dispensado essa balada de inspiração renascentista, certamente fofa, mas um pouco doce demais, para fechar o álbum. Em vez disso, teríamos preferido a inclusão de "King Henry's Madrigal", uma adaptação para o rock com molho Jethro Tull de um clássico da música renascentista inglesa que teria sido composta por Henrique VIII. Esta, gravada após o lançamento de a presença deste instrumental composto pelo músico em homenagem ao pai recém-falecido. Convenhamos, teríamos dispensado essa balada de inspiração renascentista, certamente fofa, mas um pouco doce demais, para fechar o álbum. Em vez disso, teríamos preferido a inclusão de "King Henry's Madrigal", uma adaptação para o rock com molho Jethro Tull de um clássico da música renascentista inglesa que teria sido composta por Henrique VIII. Esta, gravada após o lançamento deStormwatch , estará presente como bônus em algumas reedições.
Se provavelmente falta um single em potencial, se os arranjos de David Palmer são muito intrusivos e doces em certos títulos, ainda é um álbum muito bonito que Jethro Tull nos deu com Stormwatch. Além da qualidade geral das composições, vamos apreciar o forte retorno da guitarra elétrica, permitindo que o talentoso Martin Barre pudesse se expressar como há muito não tinha oportunidade em estúdio. Infelizmente, é também o canto do cisne da formação clássica de Jethro Tull. A morte prematura de John Glascock levará à saída de Barriemore Barlow, que não havia apreciado a forma como Ian Anderson tratou seu baixista, no final da turnê. Quanto à posição dos demais músicos, ela se veria perigosamente comprometida pelos novos desejos de seu líder...
Títulos: 1. North Sea Oil 2. Orion 3. Home 4. Dark Ages 5. Warm Sporran 6. Something’s On The Move 7. Old Ghosts 8. Dun Ringill 9. Flying Dutchman 10. Elegy
Músicos: Ian Anderson: Vocais, flauta, baixo (exceto 2,9,10), violão Martin Barre: Guitarra elétrica e clássica, bandolim John Evan: Teclados David Palmer: Teclados, arranjos Barriemore Barlow: Bateria John Glascock: Baixo (2 ,9,10)