quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

O nome é o mesmo, mas a sonoridade, quanta diferença




 Hoje, Mairon resolveu tirar uma com os nomes de algumas bandas famosas que já foram usadas por outras mais antigas (e não por vezes, com mais qualidade dos que as mais atuais, a exemplo de uma certa banda de moleques cabeludos dos anos 90). A sonoridade, ah, muita diferença mesmo. Conhece mais algumas bandas antigas cujos nomes foram surrupiados (intencionalmente ou não) por outras mais novatas que se tornaram mais famosas que as originais? Recomende nos comentários.


Skid Row – 34 Hours [1971]

Mairon: Lembro até hoje da primeira vez que ouvi esse disco. Sabia que não era o Skid Row do Sebastian Bach, mas não imaginava que por trás desse nome havia um hard rock tão visceral. Gary Moore, o famoso guitarrista irlandês, está assessorado por Brush Shiels (vocais, baixo) e Noel Bridgeman (bateria), e esse power trio detona quase que o tempo inteiro.Os mais de nove minutos da faixa de abertura, “Night of the Warm Witch”, são um tour de force para qualquer aficcionado do estilo já ficar apaixonado pela banda na primeira audição. O vocal potente de Shiels, a guitarra ácida e virtuosa de Moore e o incansável ritmo de Bridgeman sobressaem imediatamente. O hardão também se sobressai em “Go, I’m Never Gonna Let You, Pt. 1”, uma paulada onde as linhas de guitarra e baixo comandam, e nas quatro partes de “Love Story”. É interessante ver as inspirações hippies dos irlandeses, principalmente em “Mar”, a qual parece saída de algum álbum de Cat Stevens, porém, com a contribuição essencial de um fantástico solo de Moore. Ainda temos o rockaço “First Thing in the Morning”, que em dois minutos coloca a casa para baixo, na melhor linha de outros power trios como Cream ou Mountain, e a brincadeira country de “Lonesome Still”, único deslize de um disco fantástico, muito melhor do que toda a obra da banda mais famosa.

André: Como a ideia do Mairon foi fazer graça com os nomes das bandas famosas das quais existiam homônimos mais antigos, vou cair na brincadeira. Pois é, parece que a turma de Sebastian Bach andou tomando uns ácidos a mais quando fez este disco. Um belíssimo disco da primeira banda do Gary Moore, cuja guitarra já transparece toda a qualidade que ele sempre demonstrou em toda a carreira. Além disso, Moore parece também bem a vontade em usar diferentes pedais para tantos efeitos (tem fuzz, wah-wah e mais alguns). Aliás, o baixo de Brush Shiels também está em alto volume, dando uma encorpada no som muito bem vinda. Não tem o que reclamar aqui, é rockão setentista clássico para quem gosta de Thin Lizzy, Budgie e Bad Company. Não conhecia, amei e recomendo.

Davi: Segundo e último álbum desse primeiro Skid Row. Na época, a banda não foi um enorme sucesso comercial, mas hoje esses álbuns tornaram-se cultuados por conta da presença ilustríssima de Gary Moore. E realmente, ele era o grande destaque do álbum com riffs e solos fortes. A cozinha de Noel Bridgeman e Brush Shiels também era bem eficiente. Brush construía linhas de baixo inteligentes e seguras, enquanto Noel demonstrava paixão e enorme feeling na bateria. O som do grupo era basicamente um hard rock com pegadas de blues, country (mais perceptível na balada “Lonesome Still”) e um pouco de prog. O ponto baixo, para mim, fica pela interpretação vocal de Brush. O cara não era ruim, mas era um cantor comum para os padrões da época. Se tivessem investido em um cantor foda, acredito que teriam ido mais longe. Trabalho interessante, mas ainda prefiro o Skid Row do Sebastian Bach. Faixa de destaque: “Go, I´m Never Gonna Let You”.

Ronaldo: A fórmula de blues pesado embebido em psicodelia era aplicada pela maioria das bandas de rock entre 1970-1971. Mesmo analisando uma certa “saturação” de lançamentos com essa pegada no período, é possível perceber os grupos que se destacavam nesta abordagem. Com o baixo pouco ortodoxo de Brush Shiels e a bateria insana Noel Bridgeman, um jovem e ainda desconhecido Gary Moore tentava ampliar as fronteiras do blues-rock reinante da época, sob a égide do Skid Row. O disco tem uma certa urgência e um certo desleixo, que trazem ao mesmo tempo uma singularidade e também algum incômodo, fazendo o ouvinte se perguntar se o que boas canções, como “Mar” e “The Love Story”, poderiam se tornar caso tivessem sido mais apuradas nos arranjos e na qualidade da gravação. “Night of the Warm Witch” e “Go, I’m Never Gonna Let You” são rocks pulsantes e com ótimas ideias, e que não devem ser preteridos por ninguém.


Nirvana – The Existence of Chance Is Everything and Nothing While the Greatest Achievement Is the Living of Life, and so Say ALL OF US [1968]

Mairon: Uma das grandes bandas do British Pop psicodélico da década de 60, o Nirvana se apoiava em uma estrutura sonora similar ao Wall of Sound de Phil Spector, mas do outro lado do Atlântico. Poderia ter escolhido o belíssimo disco de estreia, The Story of Simon Simopath, mas é com esse seu segundo álbum que o Nirvana chega na maturidade. Afinal, ele possui uma musicalidade tão grande quanto seu nome. É impossível não se impressionar com a qualidade dos arranjos de “Rainbow Chaser”, uma das primeiras canções da história a trazer o phasing em uma gravação, a sutileza da flauta e do violoncelo na instrumental “The Show Must Go On”, a mistura de cordas e dedilhado de violão em “Trapeze” ou o hipnotizante canto vocal de “You Can Try It”. E isso é o que mais me chama a atenção. Quase todas as canções possuem arranjos orquestrais primorosos, mas também os vocais são super bem encaixados. “Frankie the Great”, “The Touchables (All of Us)” e “St. John’s Wood Affair” são ótimos exemplos disso. A delicadeza musical de “Tiny Goddess” e “Melanie Blue” sempre me emocionam. E claro, há aqueles elementos mais “britânicos”, tais como “Girl in the Park”, e outros menos atrativos, como “Miami Masquerade” e “Everybody Loves the Clown” (parece uma “The Laughing Gnome” mas sem grife). Uma banda que eu comparo ao Nirvana é o Aphrodite’s Child, já que os teclados de Alex Spyropoulos lembram muito os de Vangelis na fase inicial dos gregos, mas nunca consegui encontrar algo que realmente afirmasse influências advindas da Inglaterra para Vangelis e Roussos. É uma injustiça que o grupo seja conhecido apenas por ter processado Kurt Cobain e cia., já que seu som é de altíssima qualidade.

André: O que aconteceu com Kurt Cobain aqui? Acho que ele andou escutando pop barroco demais. Bom disco do Nirvana, pega aquele estilo de pop aparentemente influenciado pelos Beatles do Sargento Pimenta elevado a enésima potência. As vezes o disco dá uma exagerada e soa meio cafona (aquela meio infantil “Everybody Loves the Clown”), mas canções como a animadinha “Trapeze” e a divertida “Girl in the Park” jogam o disco para cima. Apesar de ter certeza que alguns instrumentos como o naipe de metais e o violoncelo são reais, eu tive a impressão que algumas orquestrações eram na base do mellotron, não?

Davi: Esse foi o que mais gostei da lista. É, certamente, o trabalho mais pop entre os indicados, mas os arranjos são muito bem construídos, é muito bem tocado e muito bem cantado. Os garotos faziam uma sonoridade bem típica desse fim de anos 60. Tratava-se de um pop/rock meio psicodélico com bastante orquestração, vozes com efeitos, uns fraseados bem influenciados pela fase psicodélica dos Beatles (ouça “Trapeze” com atenção e você entenderá o que quis dizer). O lado A é mais forte do que o lado B, mas mesmo assim, trata-se de um bom LP. Minhas faixas preferidas ficam por conta de “Rainbow Chaser”, “The Touchables”, “Trapeze” e “Girl In The Park”. Altamente recomendado para fãs de The Zombies, Love e Electric Light Orchestra.

Ronaldo: Se considerado o que está escrito na capa, talvez este disco seja um dos recordistas em tamanho do nome de um álbum. Trata-se de um pop barroco tal qual a cartilha da época – boas melodias, refrões, arranjos repletos de elementos orquestrais e algumas tímidas pinceladas psicodélicas na produção. Com claras influências dos Beatles, algumas canções são realmente bastante agradáveis, mas outras passam batido. O disco é bastante datado e se você não for flechado por alguma melodia em específico, dificilmente se fixará atentamente ao disco. Trabalho coerente, mas um tanto maçante e previsível.


Iron Maiden – Maiden Voyage [1998]

Mairon: Toda vez que alguém me pergunta: “Você é fã de Iron Maiden”, eu sempre respondo “sim”. Automaticamente, a pergunta seguinte é “qual a melhor música para você? ‘Fear of the Dark’? ‘The Number of the Beast’? ‘Powerslave’? E eu respondo: “Cara, com certeza é ‘Liar’. A cara do fã bitolado tentando encontrar a canção no meio do vasto repertório do grupo do titio Harris é hilária, e então explico que o Iron Maiden de verdade, que eu sou fãzão, é o quarteto inglês sessentista que lançou algumas canções que tornaram-se, no final dos anos 90, essa cultuada coletânea. “Liar”, a faixa em questão, é um petardo de doze minutos, que lembra muito o UFO da fase pré-Schenker, com solos de guitarra e baixo, bateria alucinada, vocalizações e muita lisergia, em um Space Rock para viajar pelo cosmos sem gasolina (parafraseando Nei Lisboa). Mas não é só isso. O baixo galopante de Barry Skeels, virtude presente em quase todo Maiden Voyage, é a força do boogie “C. C. Rider”, com uma harmônica sensacional. O mesmo baixo une-se e as grandes vocalizações de “Falling”, com um riff de guitarra inspirado em música clássica, mostrando quão avançados eram esses garotos para sua época. As baladaças “Plague” e “Ritual” parecem saídas de algum trabalho perdido do Animals, mas muito bem trabalhadas e viajantes, com efeitos malucos e baita solos de guitarra (e dê-lhe baixo cavalgante). As faixas mais curtas, “Ned Kelly” e “God of Darkness”, demonstram ainda mais a virtude dos ácidos solos de Trevor Thoms. E falando em baladas, “Ballad of Martha Kent” poderia muito bem embalar bailinhos e jovens casais junto a baladas de Stones e Beatles, não fosse a doideira propiciada pelo quarteto na sua segunda metade. Que LOUCURA! Maiden Voyage é hard rock dos mais pesados e densos que você já ouviu, junto a um trabalho instrumental que beira o progressivo e também pequenas doses de psicodelia. Ou seja, bom pra caralho!!

André: É uma banda que seria boa caso se empenhassem mais em suas próprias composições no caso de lançarem um disco (do qual nunca fizeram). Com as canções que tinham, não conseguiriam competir contra Moby Grape, Jefferson Airplane e Iron Butterfly por um espaço nas gravadoras. “Falling” talvez seja a única que faça frente às grandes bandas. “Liar” e um longo solo de baixo parece uma coincidência daquelas quando se trata de donzelas de ferro. As outras precisam dar uma boa retrabalhada para soarem boas. O vocalista, apesar de soar diferente, não me incomoda. Creio que um bom produtor poderia dar uma azeitada no grupo e nas composições. Nada marcante mas foi bacana conhecer.

Davi: Interessante notarmos quantas e quantas bandas reutilizaram nome de grupos do passado e, em muitos casos, não vale aquela velha máxima de que o original é sempre melhor. Esse é um caso clássico. Sim, são estilos e épocas diferentes, sem dúvidas, mas o Iron Maiden de Steve Harris foi um divisor de águas no heavy metal, criaram um estilo próprio. Esse Iron Maiden do final dos anos 60 era uma banda mediana para os padrões da época. Os caras apostavam em um rock psicodélico que até era redondinho, mas nada além disso. O guitarrista Trev Thoms era o melhor músico do grupo. Curiosamente, embora essas músicas tenham sido lançadas em compactos (esse CD é meio que uma coletânea dos compactos), as músicas em sua maioria eram longas. Em se tratando de composição, “Falling” é minha preferida. “God of Darkness” conta com um riff bacana, mas deixa explicita a limitação vocal. Uma pena… Foi bacana ouvir pela curiosidade, mas não foi uma banda que me cativou.

Ronaldo: É de se lamentar que esta banda não tenha gravado nada oficialmente. O álbum indicado é uma compilação de material de arquivo. Instrumental caprichado e uma banda que desenvolvia um rock “pesado” ainda envolto nas raias psicodélicas, mas com determinação e ideias consistentes. Talvez não soe pesado na audição por mera precariedade dos instrumentos, amplificadores e/ou da gravação, já que em termos de construção musical o material do Iron Maiden se assemelha aos momentos mais distorcidos do Jethro Tull pré-Aqualung. Impressiona a relação entre bateria, baixo e guitarra, fazendo muito com poucos elementos. Os vocais também são interessantes e as melodias vocais são bastante apreciáveis. Por não ser um material oficial a qualidade de gravação fica a desejar a medida que o disco avança, mas analisando pelo aspecto musical, as composições tendem a agradar o filão de fãs que se interessam por bandas pós-psicodélicas.


Possessed – Exploration [2006]

Mairon: Discaço representante da geração hard setentista, de uma banda enigmática, tão obscura quanto sua história, repleta de curiosidades (ligadas principalmente ao Judas Priest e ao Led Zeppelin) e tragédias. O trio apoia-se em uma linha vocal grudenta, belos riffs de guitarra e uma cozinha fantástica, conforme atestam “All Night Long”, uma faixa classicamente hard, “Climb the Wooden Hills”, com um brilhante solo de slide, “Darkness, Darkness”, destacando o poderoso refrão, “I See The Light” e seus momentos de pura intrincação, além da faixa-título, com o baixo esbofeteando a cara do ouvinte sem piedade. Mas também temos espaço para uma aula de violão acústico nos moldes de Jimmy Page em “Exploration Pt. II”, o swing de “The Love That You Gave” e “Reminiscing”, e pancadaria comendo solta em “Thunder & Lightning”, com uma boa sequência de solos. As melhores faixas para mim são “Dream”, maluquíssima, repleta de variações e com um arranjo vocal arrepiante, além de um solo de guitarra para sair pulando pela casa, a baladaça acústica “Love ‘em or Leave ‘em” e “Disheartened & Disillusioned”, na qual os solos de guitarra são a grande atração. Em uma comparação bem sutil, podemos dizer que é uma mistura de Grand Funk Railroad com Led Zeppelin, mas tendo um certo peso de Black Sabbath. Uma ácida combinação de peso, lisergia e rock’n’roll, em nada próxima ao death dos xarás americanos. Alguns irão reclamar da voz aguda de Mike Vernon, mas isso é o de menos perto da qualidade musical de uma grande banda, que infelizmente, não chegou a ver seu álbum nas lojas, como conto nesse texto aqui.

André: Gostei bastante desse trabalho, é como se misturasse o peso do Zeppelin e do Sabbath e chamassem Barry Gibb, dos Bee Gees, para fazer os vocais (praticamente todo o disco em falsete). E claro, com uma pitadona de ácido na sonoridade. Daqui, destaco o peso de “Darkness Darkness” e os ótimos solos de guitarra de “Climb the Wooden Hills”. De fato, reconheço que não é um disco para todos principalmente em relação aos vocais, mas eu particularmente curti o jeitão descompromissado deles.

Davi: Esse foi um álbum que ficou engavetado por mais de 30 anos. Embora tenha sido gravado na década de 70, somente viu a luz do dia em 2006. Impressionante que tenha sido lançado, tendo em vista que essa é uma banda que nunca aconteceu. O som deles era bem pesado para a época. Faziam um hard rock, com um ‘q’ de prog e psicodelia. O trabalho de guitarra é bacana, parte rítmica é eficiente. A parte instrumental é, de fato, o grande destaque. Sim, acho que eles pecam no vocal. Com uma audição mais atenta é perceptível alguns deslizes, mas o grande problema não é nem esse. O problema é que o cara insiste em cantar meio que no falsete o tempo todo, acho que o sonho dele era ser uma espécie de Geddy Lee, só que a voz dele não era tão forte quanto. Tem horas que ele soa como um gato no cio. Infelizmente, o trabalho vocal torna a audição cansativa. Essa é mais uma banda que se tivesse contratado um cantor (quem canta aqui é o guitarrista), poderiam ter ido mais longe. Interessante, mas cansa um pouquinho. Faixas de destaque: “Darkness, Darkness” e “Reminiscing”. Recomendado aos fãs de Budgie e Humble Pie.

Ronaldo: Material de arquivo de uma obscura banda inglesa ativa durante os pesados anos iniciais da década de 70. Seguindo a cartilha do nascente hard/heavy rock da época, o disco e a banda tem lá seus bons momentos – há bons riffs e algumas levadas sacolejantes, tão típicas do rock pesado da época, que não negava um swingue. Porém, as músicas soam apressadas e as ideias ensanduichadas em músicas curtas. Soa como uma banda que precisava de um bom produtor para aparar as arestas, mas que decidiu fazer as coisas ao estilo “do it yourself”. Os vocais se concentram muito nos agudos, com excessos de vocais dobrados; também há a impressão de que a banda quis ousar um bocado e tocar coisas mais complexas musicalmente do que era capaz de executar com segurança, já que é nítido algumas momentos de imprecisão entre a bateria e as guitarras. Fico imaginando o que algumas dessas músicas poderiam se tornar caso músicos do naipe de Cozy Powell, Roger Glover ou Mick Box estivessem envolvidos. A banda tinha criatividade, mas faltou pista e torre de controle para o avião decolar.


Hanson – Now Hear This [1973]

Mairon: Lembro até hoje de quando um amigo meu chegou e me falou: “Cara, tu já ouviu Hanson?”. Ri, gargalhei, e debochei com a pergunta, e então esse meu amigo falou: “Senta aí e ouve, duvido tu continuares rindo”. Para minha sorte, ele nunca tinha ouvido “Mmmbop”, e falava especificamente de uma talentosa banda inglesa que fez um dos grandes sons da década de 70 em seus dois únicos álbuns. Now Hear This é a estreia do quarteto comandado pelo genial guitarrista e vocalista Junior Hanson, e que estreia. “Love Knows Everything” é uma canção bem diferente no repertório, até por que é a única que conta com uma formação diferente das demais, sendo uma faixa dançante e com a guitarra de Hanson comandando o baile. No mais, é uma sonzeira raiz. Se quiser entender o que é Now Hear This, pule direto para os magníficos dez minutos instrumentais de “Smokin’ To The Big “M”, daquelas faixas que não tem explicação, onde a inspiração brota em cada segundo do sulco do vinil, e só o que resta é curtir. Ou então, deixe rolar desde o início, e duvido que você se segure com os embalos de “Traveling Like A Gypsy”, sonzeira para deixar a Family Stone com um sorriso nas orelhas. Uma obra que possui um baixo tão gingado quanto o de Clive Chaman em “Gospel Truth” com certeza necessita de uma atenção especial. Adoro muito a sensualidade do órgão de Jean Roussel e da guitarra em “Catch That Beat”, “Rain” e “Take You Into My Home”, essas últimas com solos sensacionais de guitarra. Até Chris Wood (flauta) da o ar da graça em “Mister Music Maker”, baladaça para se agarrar na companheira no próximo dia 12, e curtir junto a um bom vinho. O som possui forte influência funk, com elementos de hard, algo mais pop aqui e acolá, umas pitadas de psicodelia, e é agradável do início ao fim, com diversas partes dignas de nota dez. Lembra muito Trapeze pós-Glenn Hughes. Mais uma daquelas obscuridades que começaram a surgir ao mundo graças aos MP3s da vida. Como curiosidade final, Neil Murray participou como baixista da banda no álbum seguinte, tão bom quanto esse!!!

André: Outro disco muito bom desta lista. Fazem um som mais funkeado e muito, mas muito legal. A flauta em “Mister Music Maker” me soa como se o Jethro Tull fosse dar um passeio nas comunidades afro-americanas da década de 60. Junior Marvin é um guitarrista muito conceituado lá no Reino Unido (embora seja jamaicano, fez praticamente toda a sua carreira lá). Mairon me lembrou que eu preciso tirar um tempo para me aprofundar na sonoridade de bandas como Funkadelic, Parliament e Sly & The Family Stone.

Davi: “Hmmm-bop-dia-badiu-ba-ieeee-iee”. Brincadeira! Esse é um outro Hanson. Liderado pelo guitarrista jamaicano Donald Hanson Marvin Kerr Richards Jr, ou simplesmente Junior Marvin, o rapaz até hoje é lembrado pelo trabalho que realizou ao lado de Bob Marley nos The Wailers, mas seu currículo vai mais além. Ele era um daqueles guitarristas que todo mundo estava de olho na época. Já ouvi dizer que quando se juntou ao Wailers, ele teve que optar entre ir tocar com Bob Marley ou ir para a banda de Stevie Wonder. É mole? Não preciso dizer que o trabalho de guitarra aqui é bom, né? Bastante influência de Hendrix, um ‘q’ de Santana. Os garotos faziam um som bem interessante aqui mesclando a sonoridade blues-rock com a pegada do funk, basicamente. Há bastante daquele sentimento de ‘jam’, portanto, os músicos de plantão irão se deliciar com essa audição, especialmente na faixa que fecha o álbum, “Smokin´ To Big M”. Minhas preferidas, contudo, ficam por conta de “Traveling Like a Gipsy”, “Catch That Beat” e “Gospel Truth”. Álbum muito bacana.

Ronaldo: Banda inglesa, que orbitava em torno do guitarrista e vocalista Junior Marvin’s Hanson, e que executava uma música 100% norte-americana. O som é absolutamente baseado na ala mais sofisticada do funk/soul produzido nos EUA, com muito destaque para a parte instrumental. Há qualidade musical e grooves lancinantes em todas as faixas de Now Hear This, o primeiro álbum da banda. O baixista Neil Murray (famoso posteriormente por ter tocado com Black Sabbath, Whitesnake, Colosseum II, dentre outros), fez parte da segunda formação da banda. “Gospel Truth” é um dos principais destaques, com sua batida contagiante e excelentes passagens de teclados e guitarras.




BIOGRAFIA DOS Cargoe


                                                   Cargoe

Cargoe, é banda de southern rock formada em Tulsa, Oklahoma no final da década de 1960. 

Lançou seu primeiro e excelente álbum "Cargoe" em 1972, partindo em turnê o que ocasionou o álbum "Live in Memphis!", lançado somente em 2004. 

Em 2010 voltaram ao estúdio e gravaram o álbum "Twenty Ten"



Twenty Ten (2010)

01. Who Do You Think
02. Take Me Out Tonight
03. Rut
04. Stay
05. Games
06. Seasons
07. Sizzlin'
08. It Won't Be Wrong
09. Believe In Me
10. Together
11. Hurry Up & Wait!
12. Sailing
13. I Don't Want To Lose
14. Do It!
 


Crítica ao disco de Trettioåriga Kriget - 'Till Horisonten' (2021)

 Trettioåriga Kriget - 'Till Horisonten'

(26 de março de 2021, Mellotronen)

Trettioåriga Kriget - 'Till Horisonten

Hoje estamos satisfeitos porque os ilustres veteranos do rock progressivo sueco de TRETTIOÅRIGA KRIGETEles voltam aos ringues com um novo álbum intitulado “Till Horisonten”, o mesmo que foi lançado de forma independente em 25 de março. É o álbum de estúdio nº 10 em seu catálogo. Seguindo o álbum muito bom “Seaside Air” por cinco anos, o quinteto composto por Robert Zima [vocal principal], Stefan Fredin [baixo, guitarra base, backing vocals e ocasionais vocais principais], Dag Lundquist [bateria, violino e backing vocal vocais], Christer Åkerberg [violões e guitarras] e Mats Lindberg [teclados] oferecem-nos agora um trabalho musical mais exuberante com uma elaboração mais rica de atmosferas para os arranjos que definem os núcleos melódicos de cada peça. Este grupo realmente sabe como conservar suas energias criativas desde sua ressurreição (como podemos esquecer o impacto de seus álbuns no início do milênio "Elden Av År" e "I Början Och Slutet"!), e definitivamente, “Till Horisonten” é uma prova convincente disso. No repertório deste novo álbum, quase todas as peças se sucedem em um continuum. O material aqui contido foi gravado no HOME Studios, localizado em Saltsjöbaden, nos arredores de Estocolmo, entre novembro de 2019 e março de 2020. O processo de mixagem foi feito pelo baterista Dag Lundquist, enquanto a masterização foi realizada posteriormente. por Peter In de Betou na Tailor Maid Productions, Estocolmo, no mês de novembro, já quando as condições mundiais de convivência social haviam mudado drasticamente. Sendo o quinto álbum de estúdio destas lendas vivas do rock progressivo sueco da sua fase do novo milénio, podemos dizer que é um muito bom sinal que este coletivo saiba manter viva a sua essência estética e ímpeto criativo. Sem ser propriamente um álbum conceptual no sentido mais estrito da expressão, a sua linha temática geral centra-se nas reflexões e memórias da história do grupo e da vida individual dos seus membros. Bem, agora vamos ver os detalhes estritamente musicais do repertório “Till Horisonten”.

A breve 'Intro', com seus efeitos de sintetizador atrevidos através de um cenário de metrô subterrâneo, inaugura o surgimento de 'In Memoriam', uma música suave que está patentemente repleta de lirismo gracioso e envolvente. No início, os guitarristas constroem solidamente o groove básico enquanto a dupla rítmica adiciona uma dose efetiva de vigor ao swing básico relativamente simples. Uma vez que o rugido do rock diminui um pouco, o canto começa a esculpir para abrir caminho para vibrações mais reflexivas. O terreno está preparado para gerir variantes dentro do desenvolvimento temático sem romper com a placidez melódica dominante. 'Tidigt' segue estabelecendo uma aura um pouco mais distante, que serve para aprofundar a faceta reflexiva já presente na peça anterior. As poucas pulsações do baixo, Harmonias de guitarra espartanas e camadas de sintetizador sobressalentes estabelecem um clima de expectativa inicial que, na segunda metade da música, dá lugar a um motivo de tempo médio. A inclusão de um breve interlúdio com um belo solo de guitarra ajuda a trazer uma variedade sonora saudável para a música. 'Staden' exibe um dinamismo de rock desde o ponto de partida, bem como uma sofisticação refrescante na fórmula de compasso. Os momentos em que os riffs se tornam mais ferozes e também aqueles em que o mellotron faz sentir a sua presença imponente trazem uma vivacidade muito musculada à matéria, que é crucialmente acentuada no clímax final sob a orientação da guitarra. Aqui está um primeiro destaque do álbum, um híbrido de URIAH HEEP e YES sob a bandeira de TRETTIOÅRIGA KRIGET. 'Till En Vän' é uma balada outonal cujo esquema melódico é dominado por um ambiente delicadamente sóbrio, enquanto é adequadamente decorado com um pródigo interlúdio em um típico tom progressivo-sinfônico. Delicadeza contemplativa em estado quimicamente puro. 'En Gång' e 'Brevet' são duas canções curtas; juntos, eles ocupam um espaço de 4 ¼ minutos. A primeira é uma balada folk-rock cuja instrumentação é baseada na harmonização de guitarras acústicas e elétricas, enquanto a segunda se concentra em uma exibição de brilho melódico progressivo com uma parcela apropriada de punch rock. Talvez merecesse ser um pouco mais longo. 'En Gång' e 'Brevet' são duas canções curtas; juntos, eles ocupam um espaço de 4 ¼ minutos. A primeira é uma balada folk-rock cuja instrumentação é baseada na harmonização de guitarras acústicas e elétricas, enquanto a segunda se concentra em uma exibição de brilho melódico progressivo com uma parcela apropriada de punch rock. Talvez merecesse ser um pouco mais longo. 'En Gång' e 'Brevet' são duas canções curtas; juntos, eles ocupam um espaço de 4 ¼ minutos. A primeira é uma balada folk-rock cuja instrumentação é baseada na harmonização de guitarras acústicas e elétricas, enquanto a segunda se concentra em uma exibição de brilho melódico progressivo com uma parcela apropriada de punch rock. Talvez merecesse ser um pouco mais longo.

'Vägen Till Horisonten' é a maratona do álbum com duração de pouco menos de 14 minutos. Desenvolvendo e organizando um bem concentrado desperdício de energia através das ligações sofisticadas entre os diferentes motivos e esquemas rítmicos que se sucedem, o grupo elabora um sólido exercício de majestade progressiva. Há um papel equilibrado compartilhado entre os momentos explicitamente endurecidos pela batalha e outros mais sutis. Na maioria das vezes, as transições de uma seção para outra não são muito dramáticas, mas é notável como a bateria traz seu vigor eclético para suportar o tecido sonoro geral: isso é particularmente crucial para o clímax duplo, que começa languidamente. pomposo onde o Genesiano e o Floydiano convergem, e conclui com uma vivacidade explosiva cujo brilho sonoro parece convincentemente nítido. Ao longo deste extenso tema, as partes vocais limitam-se a pequenos arranjos corais colocados em locais estratégicos. Sem dúvida, temos aqui o ápice definitivo e fundamental do álbum. A peça homónima é a que fecha precisamente o álbum, e também não se perde: é uma balada marcada por um clima sereno centrado num cristalino calor melódico, algo que nos remete para um híbrido entre o PROCOL HARUM e a GÉNESE do estágio 70-72. 'Till Horisonten' encerra com uma disposição reflexiva a partir da qual o grupo promove um efetivo contraponto à patente e enérgica magnificência da peça precedente. Uma bela canção que reforça a intencionalidade contemplativa que percorreu este belo álbum. Como balanço, temos que o povo de TRETTIOÅRIGA KRIGET mostrou-se sólido e solvente com a gestação de “Till Horisonten”, dando amplas amostras de seu bom comércio, produto tanto de sua antiguidade quanto da iluminação de suas musas particulares. É claro para nós que esses senhores continuam a estabelecer um lugar de genuína validade dentro da atual cena do rock progressivo: este álbum consegue reforçar de forma convincente seu horizonte particular dentro dela e, portanto, declaramos que é totalmente recomendável para uma boa coleção progressiva.


- Amostras de 'Till Horisonten':

Staden:

Til En Vän:

Vägen Till Horisonten:

Crítica ao disco de Bend the Future - 'Without Notice' (2021)

Bend the Future - 'Without Notice'
(16 de abril de 2021, Tonzonen Records)

Dobre o futuro - sem aviso prévio (1)

Bend the Future é uma banda muito nova, nascida em 2019 em Grenoble, França, formada atualmente por Piel Pawlowski (bateria), Samy Chëbre (piano e sintetizadores, Rémi Pouchain (baixo), Pierre-Jean Ménabé (saxofone alto), Nemo Pawlowski (saxofone soprano) e Can Yildirim (vocais, guitarras, baixo adicional e sintetizador).

Este sexteto francês criou peças instrumentais de qualidade no seu álbum de estreia, ' Pendellösung ' (2019), que lhes permitiu atrair a atenção de uma grande editora europeia como a Tonzonen Records .

O segundo álbum do francês mostra influências do jazz e do rock, mas se tivermos que identificar para onde apontam as origens estilísticas de Bend the Future , fica claro que não podemos ignorar a influência de Magma , assim como do Krautrock , mas também há pequenas influxos de camelos e caravanas .

Antes de lançar esta crítica, decidi ouvir o trabalho anterior de Bend the Future para poder comparar os dois álbuns. Pendellösung ' é um bom álbum com boas ideias e uma base correcta para trabalhar, mas há claramente uma evolução ao nível das texturas e nuances proporcionadas pelos seis músicos que na segunda placa se integram muito melhor com tudo.

Por outro lado, neste segundo álbum há mais espaço para solos e exibições pessoais, mas que contribuem e se agregam sem perder a naturalidade. Aliás, se neste novo trabalho há muito Krautrock e Zeuhl , a estreia musical afasta-se e tem mais Canterbury Scene.

Parece que esta foi uma espécie de evolução que deveríamos ter visto desde a publicação de ' Pendellösung ', onde o país de origem da banda os levaria inevitavelmente a conhecer o Magma e consequentemente o Krautrock e sonoridades mais ecléticas.

Indo fundo nos temas, a abertura do trabalho com ' Lost In Time ' que abre nossas mentes com a guitarra de Can Yildirim , que é a base da composição, que nos conquista com seus riffs e solos nas seis cordas.

Meramente ', a terceira faixa não fica muito atrás. É simplesmente um turbilhão de instrumentos, mudanças de ritmo, que te envolve e te conquista. É difícil prestar atenção em apenas uma coisa e isso nos mostra o entendimento que existe entre os músicos tornando o conjunto o mais importante.

À medida que avançamos, a intensidade vai diminuindo, no entanto isso não faz com que ' Without Notice ' perca o seu apelo, dá-lhe variáveis ​​e mostra como o Bend the Future consegue lidar com diferentes registos, sem deixar a sua capacidade composicional, fazendo de cada faixa uma viagem .

A melhor faixa para mim é ' We Aim Higher ', que abre com uma cativante linha de saxofone. Mas então o caminho se abre e nos permite ver todo o panorama. Uma composição repleta de momentos instrumentais de qualidade com solos de saxofone e guitarra que mostram até onde pode ir o grupo francês, que não esgotou recursos nesta faixa. Devemos também destacar a voz feminina de Ananya Panwar (NYSZA) .

Bend the Future é um grupo que mostra uma evolução muito convincente desde o seu primeiro álbum e que com este segundo álbum, 'Without Notice', mostram que o caminho que os espera é muito auspicioso com a sua música cheia de nuances instrumentais e a qualidade técnica ao apontado pelos seis músicos dos quais não nos surpreendemos que no futuro possam trazer material muito melhor. 

Crítica ao disco de Godspeed You! Black Emperor - 'G_d's Pee at State's End!' (2021)

 

Godspeed você!  Imperador Negro - 'G_d's Pee at State's End

Hoje temos o imenso prazer de apresentar o  álbum do lendário e atual conjunto canadense GODSPEED YOU! IMPERADOR NEGRO, o sétimo longa-metragem de sua carreira: este se intitula “G_d's Pee at State's End!” e foi lançado em 2 de abril pela gravadora Constellation, tanto em CD quanto em vinil. Os instrumentistas que compõem a formação do GY!BE são Aidan Girt [bateria], David Bryant [guitarras elétricas e sintetizador MG-1], Efrim Manuel Menuck [guitarras elétricas, sintetizador OP-1 e efeitos de rádio], Mauro Pezzente [baixo] , Michael Moya [guitarras elétricas], Sophie Trudeau [violinos e órgão], Thierry Amar [baixo e contrabaixo] e Timothy Herzog [bateria e glockenspiel]. O grupo inclui oficialmente Karl Lemieux e Philippe Leonard, projecionistas de filmes de 16mm, como membros do grupo. Este álbum sucede “Luciferian Towers” ​​por quase quatro anos e, em vários aspectos, encarna um regresso às abordagens sonoras gestadas nas suas primeiras gravações (“F♯ A♯ ∞”, “Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven” e “Yanqui UXO”, entre 1997 e 2002), embora sem renunciar à estilização reforçada que marcou sua linha pós-rock de forma recorrente desde o fim de seu hiato entre 2003 e 2012. O material contido em “G_d's Pee at State's End!” foi gravado ao vivo no estúdio Thee Mighty Hotel2Tango, entre os dias 6 e 11 de outubro de 2020. De 12 a 18 de outubro, o grupo editou e overmixou, concluindo o processo de masterização logo após no estúdio Greymarket sob a direção de Harris Newman. . Nas palavras dos próprios membros do grupo, a música para este novo álbum foi composta principalmente enquanto ele ainda podia fazer uma turnê: “depois gravamos ele usando máscaras, afastados durante a segunda onda da pandemia. Era outono e o sol da tarde estava incrivelmente gordo e laranja. Tentamos fazer um relato mais brilhante aqui, agachados em vários estados de inquietação, preocupação e admiração. O grupo apresenta também um severo manifesto de cariz cívico e político, tal como no álbum anterior. No caso presente, o manifesto é este: “Este álbum é sobre todos nós à espera do fim. Todas as formas atuais de governo falharam. Este álbum é sobre todos nós esperando pelo novo começo e é informado pelas seguintes demandas: 1) as prisões devem ser esvaziadas; 2) devemos tirar o poder da polícia para entregá-lo aos bairros que eles próprios aterrorizam; 3) Fim das guerras sem fim e outras formas de imperialismo; 4) você tem que regular os impostos sobre os ricos até que eles próprios fiquem empobrecidos.” É um novo passo dentro da concepção pós-moderna e anarquista próxima das questões políticas e sociais que o coletivo GY!BE sempre teve como credo conceitual para suas inspirações musicais. Bem, agora vamos revisar os detalhes estritamente musicais de “G_d's Pee at State's End!”.

Com pouco mais de 20 ¼ minutos, a maratona quádrupla 'A Military Alphabet (Five Eyes All Blind) (4521.0kHz 6730.0kHz 4109.09kHz) / Job's Lament / First Of The Last Glaciers / Where We Break How We Shine (ROCKETS FOR MARY ) '. Tudo começa com uma atmosfera minimalista e distante atravessada por vozes de rádio instrutivas, sendo estas que impulsionam a chegada de efeitos de sintetizador com os quais o ar abstracto deste prólogo tem de ser reforçado. O clima distante torna-se crepuscular quando algumas notas graves de contrabaixo instalam um solo denso e espartano, o mesmo que anuncia com misteriosa solenidade a chegada iminente do primeiro corpo central, baseado em sóbrias escalas de guitarra sobre as quais um denso motivo em 6/ 8. O enquadramento rítmico instala-se pouco antes de chegar à fronteira do oitavo minuto após um crescendo onírico e muito subtil, e é agora que a atmosfera geral do conjunto se torna feroz, acrescentando uma aura nebulosamente intensa que tem algo de carácter bélico. Um pouco mais adiante, o frenesi expressionista aumenta por um curto espaço de tempo, criando uma ponte para a seção seguinte que, por sua particularidade, é capaz de proporcionar um clímax explosivo com personalidade própria. A nova secção a que nos referimos anteriormente desenvolve-se num groove mais rítmico, muito típico do que o conjunto GY!BE fez nos seus três primeiros discos, clássicos já perenes do pós-rock: uma mistura de standards Floydianos e Crimsonianos com uma abordagem cinematográfica e um uso estrategicamente disperso de desenvolvimentos melódicos. Nos últimos minutos, o enclave cerimonial já estabelecido torna-se contemplativo e sereno: após os últimos ataques dos violeiros e do violino, alguns efeitos percussivos dispersos marcam o final da peça. Algo como uma canção simbólica para os últimos momentos em que o Sol é visto ao entardecer. Terminada esta esplêndida aventura sonora, é a vez de 'Fire at Static Valley', uma peça sistematicamente centrada num lirismo envolvente onde o onírico e o furioso parecem fundir-se como uma única corrente de turvas águas comunicativas. As sutis dedilhadas de uma das guitarras e as linhas elegíacas do violino dirigem o reforço constante do motivo central, enquanto os dois percussionistas sustentam o bloco geral com um suingue tanático e despojado. o enclave cerimonial já estabelecido torna-se contemplativo e sereno: após os últimos ataques dos violonistas e do violino, alguns efeitos percussivos desintegrados marcam o final da peça. Algo como uma canção simbólica para os últimos momentos em que o Sol é visto ao entardecer. Terminada esta esplêndida aventura sonora, é a vez de 'Fire at Static Valley', uma peça sistematicamente centrada num lirismo envolvente onde o onírico e o furioso parecem fundir-se como uma única corrente de turvas águas comunicativas. As sutis dedilhadas de uma das guitarras e as linhas elegíacas do violino dirigem o reforço constante do motivo central, enquanto os dois percussionistas sustentam o bloco geral com um suingue tanático e despojado. o enclave cerimonial já estabelecido torna-se contemplativo e sereno: após os últimos ataques dos violonistas e do violino, alguns efeitos percussivos desintegrados marcam o final da peça. Algo como uma canção simbólica para os últimos momentos em que o Sol é visto ao entardecer. Terminada esta esplêndida aventura sonora, é a vez de 'Fire at Static Valley', uma peça sistematicamente centrada num lirismo envolvente onde o onírico e o furioso parecem fundir-se como uma única corrente de turvas águas comunicativas. As sutis dedilhadas de uma das guitarras e as linhas elegíacas do violino dirigem o reforço constante do motivo central, enquanto os dois percussionistas sustentam o bloco geral com um suingue tanático e despojado. após os últimos ataques de violão e violino, alguns efeitos percussivos desintegrados marcam o final da peça. Algo como uma canção simbólica para os últimos momentos em que o Sol é visto ao entardecer. Terminada esta esplêndida aventura sonora, é a vez de 'Fire at Static Valley', uma peça sistematicamente centrada num lirismo envolvente onde o onírico e o furioso parecem fundir-se como uma única corrente de turvas águas comunicativas. As sutis dedilhadas de uma das guitarras e as linhas elegíacas do violino dirigem o reforço constante do motivo central, enquanto os dois percussionistas sustentam o bloco geral com um suingue tanático e despojado. após os últimos ataques de violão e violino, alguns efeitos percussivos desintegrados marcam o final da peça. Algo como uma canção simbólica para os últimos momentos em que o Sol é visto ao entardecer. Terminada esta esplêndida aventura sonora, é a vez de 'Fire at Static Valley', uma peça sistematicamente centrada num lirismo envolvente onde o onírico e o furioso parecem fundir-se como uma única corrente de turvas águas comunicativas. As sutis dedilhadas de uma das guitarras e as linhas elegíacas do violino dirigem o reforço constante do motivo central, enquanto os dois percussionistas sustentam o bloco geral com um suingue tanático e despojado. Algo como uma canção simbólica para os últimos momentos em que o Sol é visto ao entardecer. Terminada esta esplêndida aventura sonora, é a vez de 'Fire at Static Valley', uma peça sistematicamente centrada num lirismo envolvente onde o onírico e o furioso parecem fundir-se como uma única corrente de turvas águas comunicativas. As sutis dedilhadas de uma das guitarras e as linhas elegíacas do violino dirigem o reforço constante do motivo central, enquanto os dois percussionistas sustentam o bloco geral com um suingue tanático e despojado. Algo como uma canção simbólica para os últimos momentos em que o Sol é visto ao entardecer. Terminada esta esplêndida aventura sonora, é a vez de 'Fire at Static Valley', uma peça sistematicamente centrada num lirismo envolvente onde o onírico e o furioso parecem fundir-se como uma única corrente de turvas águas comunicativas. As sutis dedilhadas de uma das guitarras e as linhas elegíacas do violino dirigem o reforço constante do motivo central, enquanto os dois percussionistas sustentam o bloco geral com um suingue tanático e despojado. uma peça sistematicamente centrada num lirismo envolvente onde o onírico e o furioso parecem fundir-se como uma única corrente de águas turvas e comunicativas. As sutis dedilhadas de uma das guitarras e as linhas elegíacas do violino dirigem o reforço constante do motivo central, enquanto os dois percussionistas sustentam o bloco geral com um suingue tanático e despojado. uma peça sistematicamente centrada num lirismo envolvente onde o onírico e o furioso parecem fundir-se como uma única corrente de águas turvas e comunicativas. As sutis dedilhadas de uma das guitarras e as linhas elegíacas do violino dirigem o reforço constante do motivo central, enquanto os dois percussionistas sustentam o bloco geral com um suingue tanático e despojado.

A segunda metade do álbum começa com outro mamute musical de quatro partes, desta vez ocupando um espaço de 19 minutos; é sobre '«GOVERNMENT CAME» (9980.0kHz 3617.1kHz 4521.0 kHz) / Cliffs Gaze / Cliffs' Gaze At Empty Waters' Rise / ASHES TO SEA or NEARER TO THEE'. Como a outra peça monumental do álbum, os efeitos sonoros abrem a música, desta vez com vozes de rua que soam como se emanassem de um lugar fantasmagórico. Uma vez que as guitarras e o violino iniciam a intervenção instrumental, tudo começa com um fluxo livre onde as intervenções aleatórias da bateria e do baixo fornecem sólidos recursos desconstrutivos a esta seção inundada por um ar expectante. Depois de um tempo, um motivo reconhecível é instalado na forma de um blues psicodélico em um tom tipicamente pós-rock. Pouco depois da passagem do sétimo minuto e meio, enquanto o andamento é preservado, os violeiros caminham para vibrações mais obscurantistas. Passando assim de um espírito contemplativo a um pessimista e azedo, prepara-se o terreno para que sejam lançadas as bases para uma próxima secção minimalista com clima cósmico pouco antes de chegar à fronteira do décimo primeiro minuto. Agora parece que tudo evoca o paradigma exploratório dos primeiros anos de TANGERINE DREAM e KLUSTER enquanto os mantos sonoros ostentam uma espécie de perturbação celeste enquanto explora os espaços mais cavernosos da sua faceta introspectiva. Em algum momento, quando surgem alguns arpejos calmos de guitarra, uma última seção que não vemos chegando está tomando forma, muito vibrante e brilhante que mistura o vigor mecanicista de NEU! e a densidade esmagadora de MOGWAI. Tanto a personalidade jovial do motivo atual como o swing entusiástico criado para a ocasião apontam para sonhos comemorativos de um triunfo futuro, uma magnificência que nos espera no horizonte próximo. Os efeitos de sinos jubilosos que surgem nos momentos finais reforçam essa intuição. Terminada esta segunda suíte, quando o eco daquela folia ainda ressoa em nossas mentes, 'OUR SIDE HAS TO WIN (For DH)' surge como o fechamento do repertório do álbum. Sem intervenções percussivas de qualquer tipo, todo o esquema de som é deixado para as camadas evocativas de guitarras duplas, violino e contrabaixo. Quanto ao estritamente estrutural, este epílogo do álbum ostenta tons fluviais onde as notas se sustentam ao longo do seu fluxo imparável;

Tudo isso foi “G_d's Pee At State's End!”, a trilha sonora da hecatombe cívico-política que o povo de GODSPEED YOU! BLACK EMPEROR percebe como um legado perpétuo e perigoso do ideal político moderno. No que diz respeito ao estritamente musical, é um álbum que conjuga na perfeição a musculatura ácida e obscurantista da primeira fase com as preocupações introspectivas exploradas nas abordagens predominantes que se refletiram nesta, a sua segunda fase. Uma grande obra fonográfica que mantém esse grupo como protagonista da história e presente do rock de vanguarda em sua vertente pós-rock.


- Amostras de 'G_d's Pee at State's End!':

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