domingo, 15 de janeiro de 2023

Classificação de todos os álbuns de estúdio de Luke Bryan

 Lucas Bryan

O nome Luke Bryan praticamente se tornou sinônimo de música country. A mesma pessoa que começou sua carreira trabalhando nas sombras como compositor de outros artistas famosos agora se tornou um artista que é indiscutivelmente mais famoso do que muitas das pessoas para quem ele costumava escrever. Ele atua como artista na indústria da música country desde 2001, mas não lançou seu primeiro álbum de estúdio até 2007. Até o momento, ele lançou esse e mais seis, totalizando sete álbuns de estúdio. Aqui estão todos eles, classificados do número sete ao número um. Todos eles têm um link do YouTube anexado a eles, então se você ainda não ouviu a música dele, agora é a oportunidade perfeita para sentar, relaxar e fazer exatamente isso.

7. Crash My Party (2013)


 

Este foi o quarto álbum que Bryan criou no estúdio e, embora tenha recebido críticas mistas no que diz respeito à aclamação da crítica, os fãs mal podiam esperar para comprá-lo. De fato, o single da música, que também é a faixa-título, alcançou o primeiro lugar na parada de música country da Billboard. Além disso, mais de 528.000 cópias do álbum foram vendidas apenas na primeira semana. No final de 2013, este álbum havia se tornado o terceiro álbum country mais vendido de todo o ano. Foi produzido por Jeff Stevens e lançado pela gravadora Capitol Records, com pouco mais de 44 minutos de duração. Além da música-título, também inclui outras canções populares, como "Drink a Beer" e "That's My Kind of Night".

6. Tailgates & Tanlines (2011)

O terceiro álbum de estúdio de Bryan foi um sucesso para ele. Foi lançado durante o verão de 2011 e anunciado como um álbum simplesmente para diversão, especialmente para aquelas festas de verão que aconteciam até tarde da noite. Existem 13 faixas no álbum e o próprio Bryan escreveu ou co-escreveu oito delas. O álbum estreou em primeiro lugar na parada Billboard Country, mas ainda mais impressionante, estreou em segundo lugar no Billboard Top 200. Durante a primeira semana de vendas, o álbum vendeu 145.295 cópias. Anos depois, em setembro de 2017, o álbum foi certificado como platina quádrupla, por ter vendido mais de quatro milhões de cópias. Ele também atingiu as paradas de álbuns no Canadá, algo relativamente raro para artistas da música country americana. É uma duração respeitável, com pouco mais de 47 minutos. Foi lançado pela Capitol Records e produzido por Jeff Stevens e Mark Bright. O single título do álbum foi "Country Girl (Shake It For Me)".

5. Doin' My Thing (2009)

 

Este foi apenas o segundo álbum de estúdio de Luke Bryan, mas ele já estava fazendo barulho porque estava mudando as coisas em vez de fazer outro álbum que soasse mais ou menos como outra versão do primeiro. Em vez de ficar claramente com o country, ele incluiu algumas canções country e pop para que houvesse algum cruzamento, incluindo um cover de "Apologize" que foi originalmente tocado por OneRepublicO álbum também inclui o single “Do I”, que chegou ao número 2 nas paradas da Billboard Country. Imediatamente depois disso, outro single do álbum foi lançado chamado "Rain Is a Good Thing". Foi direto para o número um nas paradas e marcou a primeira vez que ele teve um single número um. O álbum, produzido por Jeff Stevens na Capitol Records, também inclui outro single chamado "Someone Else Calling You Baby".

4. What Makes You Country (2017)


Este foi o sexto álbum de estúdio de Bryan e incluiu canções como a faixa-título junto com “ Sunrise, Sunburn, Sunset ” e “Light It Up”. Também incluía outra música intitulada "Most People Are Good". O álbum, lançado pelo selo Capitol Records, foi produzido por Jeff Stevens junto com Jody Stevens. É distintamente country tradicional por natureza e inclui 15 canções, com pouco mais de 55 minutos de duração. Apesar do fato de incluir praticamente todos os estereótipos da música country conhecidos pela humanidade, os críticos foram surpreendentemente gentis, muitas vezes chamando a composição de difícil de bater, mesmo que não fosse o tipo de música que agradaria a todos.

3. I’ll Stay Me (2007)

 

Este foi o primeiro álbum de estúdio de Bryan, lançado pela Capitol Records. Incluía três singles que eventualmente atingiram o top 40 nas paradas da Billboard Country Music. Essas músicas incluem "We Rode in Trucks", "Country Man" e "All My Friends Say". Talvez a coisa mais interessante sobre este álbum seja que existem 11 músicas no álbum e Bryan ajudou a escrever 10 delas. Também é considerado um álbum country distintamente neotradicional, algo ao qual ele não voltou desde que fez este. Como seus álbuns futuros, foi produzido por Jeff Stevens. Este álbum em particular é um pouco mais curto do que muitos de seus projetos futuros, com pouco mais de 44 minutos de duração

2. Born Here Live Here Die Here (2020)

 

Este é o sétimo álbum de estúdio de Bryan, lançado em plena pandemia. Apesar disso, tem se saído muito bem. É consideravelmente mais curto do que os outros álbuns, com apenas 33 minutos de duração. Dito isto, é um álbum que ainda é produzido pela Capitol Records por Jeff Stevens, a mesma combinação que tem sido responsável por todos os seus outros trabalhos. Até o momento, quatro singles foram lançados do álbum, que estreou em quinto lugar nas paradas da Billboard Country. Esses singles incluem canções como "Down to One", "One Margarita", "Knockin' Boots" e "What She Wants Tonight". Somente na primeira semana, o álbum vendeu 65.000 cópias. Apesar de estar no meio de uma pandemia, 48.000 dessas cópias foram em vendas diretas de álbuns. O restante dos números veio de downloads digitais.

1. Kill the Lights (2015)

 

Este é seu quinto álbum de estúdio e é responsável por nada menos que cinco singles que chegaram ao primeiro lugar na parada Billboard Country AirPlay. Esta foi a segunda vez que Luke Bryan conseguiu realizar esse feito e o tornou o primeiro artista da história a fazê-lo. O álbum, que tem pouco mais de 46 minutos de duração, foi produzido por Jeff Stevens junto com Jody Stevens e lançado pela Capitol Records. Inclui singles como "Home Alone Tonight" e "Strip It Dow"

Casais na Música




A convivência de um casal exige muita paciência, dedicação, carinho, atenção, confiança, entre outras diversas qualidades positivas que façam da união dos dois algo saudável e possível de existir. Imagina então tentar levar tudo isso para os palcos e estúdios. Vários foram os casais que fizeram sucesso no mundo da música. Alguns por muitos anos, com vários lançamentos. Outros, por breve período de tempo, com apenas um único disco. Alguns casais são clássicos, outros poucos sabem que havia um casal naquela banda. O Consultoria Recomenda de hoje resgata seis discos de bandas/artistas que são casais, passeando pelas décadas de 60, 70, 80, 90 e 2000. Use nossos comentários para indicar outros álbuns e casais que você lembre, e claro, fique a vontade para ler as opiniões de nossos consultores.




Ike & Tina Turner – River Deep – Mountain High (1966)
Recomendado por Fernando Bueno


É impossível ouvir esse disco sem lembrar de todas as histórias do relacionamento do casal Ike e Tina. Lembro que eu sabia quem era a Tina Turner somente por conta de Mad Max 3 e na época ouvi/li um comentário sobre o filme em que metade dele era falando em como ela sofreu com o ex-marido. Como pode um cara tão talentoso como músico, produtor, arranjador ser tão escroto como pessoa? Nesse disco ele deixou que Tina brilhasse mais, mas imagina a pressão sobre a moça. Impressiona é que quando se vê imagens da época ela se entrega tanto no palco que fica a certeza que era seu modo de desabafar. Até mesmo a capa entrega como estava o clima com os olhar distante de Tina em contraponto com o olhar de vigia de Ike.


Mairon: Um dos grandes discos de casais de todos os tempos, esse álbum era uma das minhas opções quando o tema foi sugerido. Ike e Tina fizeram tudo o que se podia no mundo da música, e em especial, suas gravações são pura energia, além de um talento incomensurável. Nesse álbum em especial, Ike resolveu ficar apenas na produção, dando apenas um apoio vocal em faixas rockers do porte de “Make ‘Em Wait” e “It’s Gonna Work Out Fine”. Largando sua guitarra, ele cria na produção um disco sem igual. É muito vigor exalado de “A Fool in Love”, “Oh Baby!”, “Such a Fool for You” e “You’re So Fine”. A faixa-título é um clássico, sem mais, na qual Tina solta a voz (como ela cantava), e a wall of sound de Phil Spector cria raízes. Mas quer entender o que é essa parede sonora, cai de boca no chão em “A Love Like Yours (Don’t Come Knocking Everyday)”, “Hold On Baby”,”Save the Last Dance for Me”. Mesmo quando a dupla resolve entregar-se à emoção de sons mais amenos, vide “Every Day I Have to Cry” e “I Idolize You”, a coisa arrepia até a espinha. O relançamento de 1969 trouxe mais da parede sonora em “I’ll Never Need More Than This”, Uma banda sensacional, com as Ikettes obviamente fazendo um trabalho fantástico, e um disco para ser ouvido por eras.


Ronaldo: O famoso casal Turner deveria ter mais mérito por sua contribuição para o pop do meado dos 60’s. O legado da dupla ficou para sempre pichado pelo machismo e agressividade de Ike Turner e obscurecido pelo sucesso estrondoso da carreira solo de Tina Turner a partir do fim dos anos 70. Ike era um guitarrista habilidoso, com origens no blues, e era o gerentão de um combo que mesclava com habilidade a energia do r&b junto de um girl-group envenado, cuja locomotiva era Tina e sua incrível habilidade de cantar e dançar simultaneamente. Apesar do disco ter arranjos orquestrais pomposos e um pouco exagerados, se trata de um disco bem divertido, com um clássica faixa título. Indicado para quem achava Amy Winehouse uma grande novidade.


Davi: Os bastidores desse disco devem ter sido surreal. Tanto Ike quanto Phil Spector são conhecidos por serem um tanto quanto temperamentais. Ninguém questiona as habilidades de Phil Spector enquanto produtor. Eu, particularmente, não gosto da produção dele no Let It Be (The Beatles), mas adoro o trabalho que fez com grupos como The Crystals, The Ronettes e os Righteous Brothers. Ike, enquanto pessoa, também não era nenhum exemplo, mas não há como negar suas qualidades enquanto músico. Musicalmente, lógico que a junção deu certo. Mas, que as gravações devem ter sido o que hoje se costuma chamar de tiro, porrada e bomba, não duvido nada. O disco é simplesmente delicioso. Traz aquele R&B maroto, com base na soul music, uma sonoridade alegre, mas ainda transbordando emoção. Sonoridade, simplesmente, mágica. Tina Turner já era uma cantora de mão cheia. Trabalho vocal maravilhoso. E o repertório é muito legal também. “Idolize You”, “Such a Fool For You” e “A Fool In Love” são gravações perfeitas. “River Deep, Mountain High”, então, nem se fala. Clássico absoluto. Em uma palavra: Discaço! Um dos mais legais dessa lista.


Nilo: Não eram um bom exemplo de casal, mas a química artística aqui é inegável. Se somente com Ike na mesa a tendência era a grandiosidade, com Phil Spector o negócio atingiu níveis absurdos. A voz de Tina ecoa pra todo lado, parece que gravaram num ginásio. Nenhuma canção passa dos quatro minutos, mas a sensação ao final é de ter sobrevivido a um apocalipse apaixonado. Impossível não respeitar, mesmo que não esteja alinhado com minhas preferências.


Alisson: Dois pilares sustentam o interesse pelo disco. O primeiro é a produção de Phil Spector. Se o disco ganhou a intensidade e reverência que possui atualmente, muito se deve aos arranjos orquestrais e à produção, que faz parecer uma execução gravada ao vivo de dentro de um estádio. O segundo é a entrega de Tina Turner em basicamente todas as canções. A emoção de sua voz em clássicos como “A Love Like Yours” e na faixa título talvez provaram para a própria Tina que ela poderia ser gigante sem o sofrimento excruciante que passava ao lado de Ike na época.



It’s A Beautiful Day – It’s A Beautiful Day (1969)
Recomendado por Mairon Machado


Fabulosa estreia dessa grande banda da segunda geração flower power californiano. O casal Linda (teclados) e David LaFlamme (violinos, vocais), ao lado da excepcional Patti Smith (vocais), Hal Wagenet (guitarras), Mitchell Holman (baixo, vocais) e Val Fuentes (bateria) criaram canções fantásticas nesse álbum, e o casamento do órgão com o violino vai muito bem, principalmente nas pérolas “Hot Summer Day”, “Bulgaria” e “Time Is”, além da emblemática “Bombay Calling”, faixa de qualidade acima do comum, cujo riff foi chupado sem dó nem piedade pelo Deep Purple para gravar “Child in Time”, o que levou a uma grande briga entre os dois grupos. O blues viciado de “Wasted Union Blues” é uma pequena amostra das loucuras que o LSD em excesso pode construir. Que baita faixa! Ainda temos a linda “White Bird”, talvez o maior sucesso dos americanos, e a suave “Girl With No Eyes”, Para se chapar a beira de uma praia ensolarada, com muita cerveja e batatas chips bem fritas.


Fernando: O disco iniciou com a melhor faixa do disco, “White Bird”, e fiquei com a impressão que David LaFlamme estava tentando empostar a voz para fazer um contraponto com a voz de Pattie Santos em uma tentativa de suplantar a desigualdade entre os dois. Porém essa impressão foi acabando ao longo do álbum. Também me pareceu que o disco sendo ouvido como um todo ficou um pouco repetitivo e cansativo. Mas quase todas as faixas possuem um trecho que se destaca e nos prende a atenção que vai se dissipando aos poucos novamente até que algum novo trecho nos traga de volta em um ciclo. Talvez seja uma banda para se ouvir aos poucos. “Wasted Union Blues” é linda com instrumentos e vozes se completando perfeitamente e sendo a faixa que eles se afastam um pouco da música psicodélica e caminham para o progressivo.


Ronaldo: Expoente obscurecido da psicodelia norte americana, o It’s A Beatiful Day tinha dois vocalistas, o casal LaFlamme, e trazia o pioneirismo no uso do violino (tocado por Dave LaFlamme) naquele contexto. O som da banda tinha como base o folk acústico-elétrico e composições que beiravam o pop orquestral. A interpretação da banda e a forma pouco ortodoxa com que Dave e Linda dividiam suas vozes (ora de forma descontraída e em outras dramática) trazia uma vibração densa para a música da banda. Em determinados momentos do álbum, as guitarras varrem o chão e trazem o puro acid rock da época.


Davi: Disco muito lembrado pela polêmica “Bombay Calling”. Quem está por fora, o clássico “Child In Time”, do lendário grupo Deep Purple, é uma releitura dessa canção. Não apenas a base do órgão de Jon Lord, mas também a linha vocal criada por Ian Gillan foi claramente inspirada no trabalho de órgão e violino dessa canção. Motivo que me levou a adquirir esse LP alguns anos atrás. Havia ficado curioso para ouvir um pouco mais do grupo. “White Bird” é capaz que seja lembrada por alguns, por ter aparecido em alguns episódios do popular seriado Super Máquina. Para mim, contudo, os grandes momentos ficam por conta de “Hot Summer Day” (canção traz muito do rock psicodélico de San Francisco. Não por acaso, a banda é de lá) e “Wasted Union Blues”, um dos poucos momentos onde a guitarra se sobressai. Na maior parte do tempo, quem se destaca é o casal LaFlamme. A aparição de David vai além do fato de ser a voz do grupo. Seu violino se destaca em vários momentos, assim como o trabalho de órgão e piano de sua esposa Linda. O lado B ficou voltado para as músicas maiores, mais viajadas, mais progs, onde a mais bacana é “Time Is”. No geral, considero um disco não mais do que regular. Embora bem feito, e com uma formação atípica (o que sempre se torna curioso) não tem aquela faixa que me faz querer ouvir de novo e de novo e de novo e de novo…


Nilo: Até o nome denuncia: é aquele típico rock sessentista, com flertes psicodélicos aqui, arronjos mais barrocos acolá (um deles inspiraria “Child in Time”, do Deep Purple), letras repletas de metáforas sobre a natureza… não dá pra dizer que não soa condizente com sua era, mas pessoalmente não me fisgou como um Forever Changes ou Odessey and Oracle – creio que a principal diferença é que estas encapsulavam a vibe ensolarada em canções compactas, enquanto o casal LaFlamme segue uma onda mais livre. Se sua predileção musical é a veia melódica, vá em frente que deve lhe agradar.


Alisson: Passagens psicodélicas que vão se entrecortando com o progressivo básico dos anos 60 em um disco que carrega com força o rótulo “Banda de Rock Psicodélico de San Francisco”. Tudo bem redondo, bem feito, mas parou por aí.



Delaney and Bonnie – On Tour With Eric Clapton (1970)
Recomendado por Ronaldo Rodrigues


No fim dos anos 60, Eric Clapton queria desesperadamente deixar de ser band leader e ficar tão evidenciado nos palcos. Um dos momentos em que esse objetivo foi alcançado foi na tour que ele fez em 1970 com esta brilhante dupla vocal. Os dois mostram gargantas afiadas, espertas alternâncias vocais e ótimos duetos. Os registros da tour esbanjam alto astral com um r&b quente, uma banda de alto nível e a elegância de Clapton na guitarra. As músicas e versões da dupla passeiam pelo rock básico, blues rock e pelo soul com maestria.


Fernando: As pessoas conhecem mais o Delaney and Bonnie pela sua participação na separação do Blind Faith do que pela própria banda. Eu mesmo tinha ouvido muita pouca coisa na época que conheci o Blind Faith e estava maluco pelo disco do Derek and the Dominoes. Engraçado que em uma lista de discos de casais temos aqui um “triângulo musical” demonstrado logo no título do disco. Particularmente não sou um grande entusiasta em comprar discos ao vivo, mas me parece que a versão estendida desse disco com seus 4 CDs é algo a se considerar de ter na coleção. Coisa linda! Também vi shows completos no Youtube com qualidade muito acima da média em se tratando de registros de época.


Mairon: Clássico do blues rock com cheiro de Southern Rock americano, regado pela guitarra britânica de Clapton. Nessa época, tudo o que o homem tocava virava ouro, pouco antes da depressão que levou ao incrível Derek & The Dominoes. Uma banda de apoio sensacional, com um ótimo naipe de metais, entrega aos ouvintes faixas emblemáticas e cheias de energia, do porte de “Comin’ Home”, “I Don’t Want to Discuss It”, “Only You Know and I Know”, “Things Get Better” e “Where There’s A Will There’s A Way”. Apreciei blues arrastado de “That’s What My Man Is For”, com Bonnie soltando a voz, Impossível também não vibrar pela sala com as homenagens para Robert Johnson (“Poor Elijah”) e Little Richard (“Little Richard Medley”). O disco até se assemelha ao de Ike e Tina, pela quantidade elevada de alegria e efervescência musical, e mesmo sem Clapton ser o nome principal, os seus solos ao longo da apresentação são um baita diferencial. Excelente recomendação!


Davi: Gravado em uma turnê de 7 dias na Inglaterra, esse álbum ao vivo é muito conhecido entre os fãs de Eric Clapton. A apresentação é excelente, mas se você nunca ouviu o álbum e é um fã de guitarra, vá com calma. Embora tenha seu nome grafado na capa, a participação de Clapton é discreta. Há alguns solos de guitarra bonitos no disco, sem dúvidas (dois exemplos seriam ”Poor Eliah” e “I Don´t Want To Discuss It”), mas são solos criados ‘na medida’, sem espaço para grandes improvisos. A banda de apoio é estelar e traz grandes nomes do rock como Dave Mason (Traffic) e Bobby Keys (Rolling Stones). A sonoridade mescla soul, blues e rock de maneira cativante. “Things Get Better”, “Comin´ Home” e a já citada “I Don´t Want to Discuss It” são os momentos de destaque. O casal entrega um bom trabalho vocal. Só pecam no medley formado por canções de Little Richard. Não que tenha feito feio, mas o rapaz não chega nem perto da potência e nem da emoção transmitida pelo grande Ricardinho. Esse é o único ponto baixo do álbum. Daqui, sairiam a base dos músicos que estiveram em All Things Must Pass e Layla And Other Assorted Love Songs. Trabalhos ainda mais legais e ainda mais importantes do que esse. Quem não conhece, se é que alguém não conhece, escute-os. Bacana, a lembrança desse disco.


Nilo: Sem entrar na discussão se o gênero existe ou não, o que se rotula como “blue eyed soul” raramente faz minha cabeça. Acho um som lavado demais. Este registro aqui, mesmo ao vivo e acompanhando um senhor bluesman, soa limpinho demais. Prefiro aquele soul malicioso de Curtis Mayfield e afins, mas creio que o leitor médio do site encontrará em On Tour with Eric Clapton uma boa trilha sonora para aquele churrascão de domingo.


Alisson: Ao vivo dos anos 70 mais sem energia. Execuções sem suingue nenhum, apenas um blue-eyed-soul (vulgo “soul de branco”) engessado. E dói mais ainda quando dedicam medleys à Robert Johnson e Little Richards, mas tudo parece burocrático.



John Lennon & Yoko Ono – Double Fantasy (1980) 
Recomendado por Davi Pascale


Sim, meus amigos, o ultimo álbum da carreira de John Lennon foi realizado em parceria com sua esposa Yoko Ono. O disco marcava seu retorno às gravações. Já fazia 5 anos que Lennon não lançava um trabalho, mas infelizmente o que era para ser considerado um momento de alegria para seus fãs, acabou se tornando um choque que o mundo jamais esqueceu. Em 8 de Dezembro de 1980, 2 semanas após Double Fantasy chegar às lojas, John Lennon foi assassinado nas portas do edifício Dakota. O que era para ser seu retorno, tornou-se o fim de sua trajetória. As vendas que começaram tímidas, explodiram. Quando o tema foi lançado, esse foi o primeiro álbum que me surgiu em mente. Na minha infância, costumava sair no carro acompanhado de um walkman. Uma de minhas fitinhas era uma seleção que havia criado com canções de John Lennon. “Woman” e “(Just Like) Starting Over” estavam entre elas. Não tinha como citar outro disco… Em Double Fantasy, o trabalho vocal era dividido entre John e Yoko, assim como as composições. Nunca morri de amores pelo trabalho de Yoko Ono. Nunca gostei de seu timbre de voz, nem de suas experimentações malucas, mas sua participação aqui é menos polêmica do que nos demais projetos. Afinal, buscava uma linguagem mais pop. Músicas curtas com refrão. Em alguns momentos, como “I’m Movin’ On”, “Hard Times Are Over” e “Yes, I’m Your Angel”, soa agradável. Mas o creme desse CD são mesmo as músicas de Lennon: “(Just Like) Starting Over” e “Watching The Wheels” são perfeitas. “I’m Losing You”, “Beautiful Boy” e “Woman” são clássicos absolutos. Lennon era um compositor de mão cheia e o resultado final comprova isso. Disco bem bacana!


Fernando: Fiquei com vontade de escrever sem nem ouvir. Já passei muita raiva tentando ouvir a Yoko Ono por conta da insistência do Marco Gaspari – sei que a culpe é minha querido Siri!!! Ouvi mais em respeito ao John Lennon, mesmo sabendo que ele se tornou um chato gigante depois da separação dos Beatles. Também tem a questão história, já que o álbum foi lançado dias antes do trágico assassinato de John. Fico contente de terem escolhido esse álbum do casal, pois ninguém merecia aquela capa da primeira empreitada dos dois juntos. Contente também por esse disco não ser a chatice completa que são os discos da Plastic Ono Band ou o Imagine, por exemplo. Para ser sincero desconheço como era a dinâmica da dupla ao gravar seus discos juntos. Eles apenas dividiam os vocais ou tocavam instrumentos quando o outro estava cantando? No final achei bastante positivo o resultado. John é um baita compositor e Yoko não foi totalmente Yoko. Quem sabe….


Mairon: Lançado pouco antes do assassinato de Lennon, esse álbum é uma despedida um tanto quanto melancólica para alguém do nome Lennon. O flerte com instrumentos eletrônicos, principalmente na bateria, não me agrada, e para tal exemplo, cito “(Just Like) Starting Over”, “Cleanup Time”, a cafona “Dear Yoko” e a chatérrima “Woman”. Dele escapa-se “I’m Losing You”, “Watching the Wheels” e claro, a melhor do disco, a lindíssima “Beautiful Boy (Darling Boy)”, que certamente faz muito marmanjo chorar quando apresentada no inesquecível filme Adorável Professor. Por outro lado, Yoko está sensacional, dando uma aula de canto para os anos 80 através de “Beautiful Boys”, “Kiss Kiss Kiss”, a maluquete jazzística de “Yes, I’m Your Angel”, resgatando seus vagidos na ótima “I’m Moving On” (uma resposta à “I’m Losing You”) e aproveitando-se de estripulias na curtinha “Give Me Something”. Creio que ela peque apenas no desnecessário reggae “Every Man Has a Woman Who Loves Him”. Quanto a John, é um mal que outros artistas (Bob Dylan, Joan Baez, Santana, Eric Clapton, os próprios ex-colegas beatle e por aí vai) da década de 60 sofreram nos anos 80, o que me faz torcer bastante o nariz. É uma pena que não tenham efetivamente trabalhado juntos ao longo do álbum, poderia ter sido criado algo melhor. Se fosse para escolher uma obra do casal, certamente iria indicar a primorosa delícia loucura de Two Virgins. Mas ok, é um disco que se ouve sem mais problemas.


Ronaldo: Dentro desta lista este é o disco em que mais fica transparente a personalidade individual de cada parte. Não era de se esperar algo diferente do controverso casal. Enquanto Lennon assume as rugas e os cabelos brancos, Yoko tenta ser a moderninha antenada. Sua performance como não-vocalista é no mínimo excêntrica e, constrangimentos à parte, o disco vai em banho-maria. Soa como algo que envelheceu mal.


Nilo: Mais que esperada a presença do casal mais famoso do rock neste tema. Uma pena que o disco escolhido não tenha a sinergia visceral que os tornou tão polêmicos, como em Plastic Ono Band e Two Virgins. O esquema de pílulas pop alternando entre autores de Double Fantasy passa mais a sensação de coletânea das favoritas de cada um do que propriamente um álbum, e a polidez excessiva (bateu a saudade do Phil Spector, né John?) não ajuda muito. Ruim talvez não seja o termo, mas é bem chatinho. No fim, é uma despedida problemática e com ares de utopia, condizente com o relacionamento de Lennon e Ono.


Alisson: Tudo bem redondinho e bem gravado. Até por isso o disco cansa já no começo. Não aparecem os momentos experimentais e mais selvagens da época da Plastic Ono Band, então o que resta são canções mais pops e radiofônicas que beiram o descartável.



Slowdive – Souvlaki (1993)
Recomendado por Nilo Vieira


É verdade que o casal Rachel Goswell e Neil Halstead já havia terminado o namoro. Também é fato que, sem esse rompimento, o segundo álbum do Slowdive não seria como é: entre paredes de distorção, efeitos, faixas acústicas e experimentos ambientais do mestre Brian Eno, o clima que prevalece é a melancólico, mesmo que caloroso. Algumas faixas soam como delírios jovens indecifráveis, outras são confissões límpidas e pungentes. De fato, é um disco elogiado por sites como Pitchfork (que inclusive fez um belo mini documentário sobre e você pode sair gritando que é mero hype (faça isso com tudo que você não gosta) após ter ouvido uma única vez e com preguiça. Caso insista, pode encontrar uma obra que será recorrente como apoio nos momentos mais tensos da vida. Fica a seu cargo…


Fernando: Desconhecia o grupo. Essa seara do dream pop, shoegaze não é mesmo a minha praia. Sabe aquele tipo de som que se estiver tocando não incomoda, mas dificilmente sairia da prateleira se eu tivesse o CD? Foi o sentimento que me deu. Algumas coisas lembram o Placebo, outras passagens com vocalizações quase etéreas são bem legais (thanks Brian Eno!), mas no geral não me convenceu. Surpreendeu, entretanto, a nota do disco no Rate Your Music, com impressionantes 4,07. A galera que gosta, curte mesmo.


Mairon: Confesso que nunca tinha ouvido falar dessa banda. Lembrou um pouco de My Chemical Romance aqui, um Keane acolá, talvez até um Smashing Pumpkins, por que não. É um som bastante característico, onde eu curti as incursões mais “progressivas”, com uso de sintetizadores, em faixas como “Altogether”, “Melon Yellow”, “Machine Gun”, “Here She Comes”, “Sing” e a viajante “Souvlaki Space Station”, sintetizadores esses a cargo do renomado Brian Eno. Adorei ficar “chapado ao som de”40 Days”, “Alison” e “When The Sun Hits”, outras que apreciei bastante viajar ao som delas. Fechando tudo, o violãozinho gostoso de “Dagger”, muito suave e agradável aos ouvidos. Não virei fã da banda, não vou comprar o disco, mas foi ótimo ouvir e conhecer Souvlaki.


Ronaldo: Talvez o ouvinte precise ser convencido previamente do estilo que esta banda pratica. As músicas são recheadas de uma beleza estranha e nem sempre funcionam para ouvidos não familiarizados. As harmonias ficam suspensas no ar o tempo todo. É como se fosse uma versão bastante acinzentada das melodias do synth pop, com a crueza das guitarras, em ritmos que se desenrolam vagarosamente.


Davi: Slowdive é uma banda inglesa que surgiu no final dos anos 80 nos arredores de Reading. Seu segundo álbum, Souvlaki, foi lançado em 1993 no meio da explosão do rock alternativo. Os caras apareceram no tempo certo. A sonoridade da banda não era aquela sonoridade suja estilo Mudhoney, a pegada era outra. Repleta de ecos, vocais sussurrados, melancolia, experimentações, delays… É o que os repórteres da época qualificariam como um som cósmico. Se tivesse que utilizar um dos inúmeros nomes criados para subvertentes das subvertentes, utilizaria o termo dream pop. O casal Rachel Goswell e Neil Halstead dividiam os vocais. Particularmente, não gostei da voz de Rachel. Sandy demais para o meu gosto. A voz de Neil me soa mais agradável. O disco é bem feito. Arranjos bem construídos, bem gravadinho, contudo não foi um disco que me cativou. Efeitos e experimentações em excesso. Começa bem, depois de um tempo me cansa. Vale mencionar a participação do cultuado Brian Eno nos teclados de “Here She Comes”, mas as que considerei mais bacaninhas foram “40 Days” e o single “Alisson”, que considero a melhor do disco. Curioso, mas não ouviria novamente.


Alisson: Um disco que consegue capturar a essência dos sentimentos mais íntimos do ser. Difícil não tentar associar a sonoridade do disco com outras lendas do shoegaze/dream pop, como as paredes sonoras do My Bloody Valentine ou as passagens alucinógenas do Dead Can Dance. Porém, é particularidade dessa união de diversas facetas em um disco que vai ser redescoberto por um bom tempo.


Eletric Wizard – Witchcult Today (2007)
Recomendado por Alisson Caetano


O culto à maconha e adoração ao Black Sabbath pelo Electric Wizard sempre foram muito além de cópia pura, como é comum alguns desavisados gritarem por aí. Passagens arrastadas e os riffs tétricos ganham ares de curtição e improvisação livre, enquanto que no caso do Sabbath, esse padrão estava bem formatado em estruturas bem definidas. Witchcult Today, o segundo a contar com as guitarras adicionais de Liz Buckingham, tenta repaginar seu próprio conceito. A produção, feita de maneira completamente analógica, adiciona ares climáticos setentistas ao disco, enquanto as passagens lisérgicas ganham espaço sobre as passagens de peso puro dos discos passados. Um dos últimos exemplares genuínos de criatividade no uso das convenções do gênero stoner/doom e um clássico do estilo.


Fernando: Essas bandas de stoner levam muito a sério a necessidade de soar como a principal referência do estilo. Sabemos que a principal influência para o som é o Black Sabbath, mas é necessário mesmo deixar isso tão explícito em TODAS as músicas? Nem o próprio Sabbath se leva tão a sério assim. O peso absurdo e os riffs quadradões são repetidos à exaustão e caso o ouvinte perca um pouco a atenção vai achar que ouviu uma única música de 60 minutos.


Mairon: Banda de Doom Metal com vocais carregados de distorção, assim com as guitarras e o baixo. Aliás, acho que até os lençóis do casal Liz Buckingham e Jus Oborn estão adicionados de distorção. É tanto peso e sujeira que os hipopótamos de alguns zoológicos espalhados mundo a fora passam vergonha. Um som interessante de ouvir, apesar de eu não ter conseguido destacar especificamente alguma canção, mas não foi uma tortura ouvi-lo em quase uma hora de audição.


Ronaldo: Grupo britânico de doom metal da década de 90. O casal em questão se divide nas guitarras do grupo, que consegue neste bom álbum compor alguns riffs macabros que o Black Sabbath não gravou. As músicas tem o andamento arrastado e esparsos solos, apesar das generosas passagens instrumentais. A sonoridade da banda é bem construída e os vocais se encaixam ao que estilo pede. Seguindo piamente a cartilha do estilo e usando em demasia as afinações graves, tudo se torna monocromático e tedioso depois de algum tempo de audição.


Davi: Dizem que toda banda stoner é formada por fãs devotos do Black Sabbath. É exatamente essa sensação que bate ao ouvirmos esse álbum. É inegável a influência de álbuns como Master of Reality e Vol.4 nos arranjos. Aliás, o próprio cantor, Jus Oborn, chegou a declarar que o nome da banda surgiu de 2 canções do Black Sabbath: “The Wizard” e “Electric Funeral”. Agora, a pergunta que não quer calar é: o sobrenome Oborn é para lembrar Osbourne? O disco até que é bacana. A sonoridade está de acordo com o gênero: riffs arrastados, baixo com efeito, baterista sentando a mão, vocal cantando como se estivesse de saco cheio. O casal aqui são a guitarrista Liz Buckingham e o cantor/guitarrista Jus Oborn. As guitarras são bem tocadas, mas falta um Iommi na parada. Faltam aqueles riffs que ficam na cabeça. Tony Iommi era um mestre nessa área. Se vão construir algo com uma influência tão escancarada, seria interessante que dessem valor para esse ponto. Outra questão é o vocal. Está dentro do gênero, mas muito morto o tempo todo. Seria interessante tentar cantar algumas notas mais para cima. O próprio Ozzy cantava para cima muitas vezes (ouça “Hole In The Sky”). Muitos gostam de criticar o Madman enquanto cantor, mas é nessas horas que notamos quão foda foi o cara. Talvez ele não tivesse a afinação mais impecável do mundo, mas tinha uma enorme personalidade e um timbre inconfundível. Quando ouvimos essas bandas, vemos o quão importante são essas características. Mas, como disse no início, o disco é bom. Pesado, sombrio, bem tocado. Dentre as canções apresentadas aqui é a que mais curti foi “Torquemada ´71”. Não é aquela Brastemp, mas agrada.


Nilo: Entendo quem não compre o apelo do stoner, pois também torcia o nariz. É um gênero que cultua o Black Sabbath sem pudor, admite e se diverte com isso – não é como um Greta Van Fleet da vida, que chupinha Led, tenta desmentir e se acha a última bolacha do pacote. As diferenças são semânticas: enquanto Iommi & Cia condensavam peso, groove e atmosfera em canções de estrutura pop, bandas como o Electric Wizard e Sleep (erroneamente já trucidado aqui) propõem que o formato de jam soe livre, puxando tais aspectos a níveis extremos. Este disco é um bom exemplar, onde os tons jazzísticos de Geezer e Bill dão lugar a riffs dronados e trechos psicodélicos, que ecoam até o ouvinte entrar em transe junto com os músicos. A entrada de Liz na segunda guitarra deu novo gás ao grupo e, se este não é o melhor álbum dos britânicos, está entre as homenagens mais divertidas aos pioneiros de Birmingham. Ouça sem pressa e sob a influência da marvada que entenderás…



Oh Tempo Volta para Trás os Melhores de 2018



O ano de 2018 foi bastante atrativo em termos de lançamentos. Não consegui ouvir muitos álbuns esse ano (pouco mais de 50), mas a maioria do que ouvi é de ótima qualidade. Fechar os 10 não foi uma tarefa fácil, mas depois de muitas audições, e considerações daqueles finaleiras, eis aqui minha lista de 2018, e que 2019 seja um ano de muitos lançamentos e paz à todos!


Greta Van Fleet - Anthem of the Peaceful Army


Um disco de inéditas do Led Zeppelin é covardia perto de outros tantos lançamentos desse ano. Ok que o Greta Van Fleet não é o Zeppelin de chumbo, mas seu álbum de estreia é um marco nas produções sonoras desse século. Os guris conseguiram sugar tudo o que podiam do D. N. A. de Page e Plant (principalmente), e nos colocaram diretamente nos anos 70. Que tesão me dá em escutar "Lover, Leaver", puta merda. Uma pegada meio "Whole Lotta Love", som foda do caralho! O mesmo acontece com "Brave New World", com seu cheirão de imponência, muito bem construída e de fácil agrado. Ouvir "Mountain of the Sun" e "The Cold Wind" é ter certeza de que estamos com sobras de estúdio de Physical Graffitti ou Houses of the Holy, assim como a baladaça "Watching Over", linda! "You're The One" possui D. N. A. da cruza de "Your Time Is Gonna Come" e "Thank You". "When the Curtain Falls" traz aquele sabor de jovialidade que Led Zeppelin II nos faz sentir em cada audição. "Age of Man" já é mais representativa da fase In Through The Outdoor. "Anthem" e "The New Day" brotam das sessões acústicas de III ou IV. Por trás de tudo isso, há um toque de modernidade e uma clara percepção que John Bonham e John Paul Jones são seres sobrenaturais impossíveis de serem copiados, mas cara, o que sobra é de altíssimo nível. Várias bandas já foram comparadas com gigantes. Até o Aerosmith era acusado de chupar as músicas dos Stones, e hoje, não há quem não reconheça a qualidade dos caras. Quando o GVF encontrar seus próprios caminhos, será uma banda a ser reverenciada por anos como seus ídolos zeppelianos. E viva esse grandioso disco.



Saxon - Thunderbolt


Outra grande covardia de 2018 é mais um lançamento do Saxon. Os britânicos, mesmo com a idade avançada, estão mandando ver. Thunderbolt tem homenagem à Lemmy Kilminster ("They Played Rock 'n' Roll"), aos carros "("Speed Merchants") e aos roadies ("Roadie's Song"), peso em demasia durante “Predator”, “Nosferatu (The Vampires Waltz)” e na faixa-título, referências das mitologias nórdicas (“Sons of Odin) e celtas (“A Wizard’s of Tale”), solos de guitarra para delirar (“Sniper” e “The Secret of Flight”) e uma banda afiadíssima. Não consegui ver a apresentação do grupo em São Paulo nesse ano, mas já estou com o ingresso para o show de Porto Alegre em março, que com certeza, é o mais aguardo por mim para 2019, pelo menos por enquanto.Comentei mais sobre a edição DELUXE de Thunderbolt aqui, e longa vida para os velhinhos.




El Efecto - Memórias do Fogo

O grupo carioca fez um dos grandes shows que tive oportunidade de ver esse ano, e comprovou para mim aquilo que eu já imaginava: o talento desses caras é imensurável. Seu novo álbum, Memórias do Fogo, traz uma evolução inacreditável para uma banda que parece ser um camaleão a cada disco. Se em Pedras e Sonhos os fãs acharam que o grupo havia chegado no ápice de criatividade, e com A Cantiga É Uma Arma o grupo mudou para um lado totalmente acústico, a surpresa ao ouvir canções como "Café", "O Monge E O Executivo", e principalmente, “O Drama da Humana Manada”, é digna de uma estrela azul, a mais gigante do espaço. É uma mistura de elementos musicais, sejam eles da América Latina, África, samba, rap, hard rock e muito rock pesado. As letras são um tapa na cara da sociedade hipócrita e imbecil que permeia nosso país - quiçá o mundo - nos dias de hoje, com fortes cunhos sociais e políticos. Os melhores exemplos são "Chama Negra" e "Carlos e Tereza", que retratam as lutas dos oprimidos perante a arrogância e soberania da classe alta. Para completar, "Incêndios" é tão violenta que no show citado acima, muitos foram os que fecharam a roda punk e não aguentaram a pressão da faixa. Sete canções, sete petardos, sete aulas de composição, sete espetáculos da Música Popular Brasileira, para serem reverenciados eternamente.




Merlin - The Wizard

Disco fantástico desses americanos, que unem heavy metal, progressivo, new wave, pop eletrônico, e elementos musicais que irão confundir seu cérebro. Guitarras pesadas e ácidas, vozes distorcidas e um saxofone surpreendente, entre sintetizadores e uma bateria avassaladora, devoram qualquer conceito de novidade que você possa conhecer. Dentre as faixas de destaque, "Abyss" é a que aparece de cara, com a guitarra e o saxofone mandando ver, ao lado do espetáculo sonoro de mais de dez minutos, batizado "The Wizard Suite", com certeza uma das melhores músicas que ouvi em 2018. Arrepiante de ouvir o saxofone e as viagens maluquetes de "Sage's Crystal Staff ", fazendo nos lembrar dos bons tempos do King Crimson de Lizard, mas com temperos muito mais rebuscados. Delicie-se com os sintetizadores e as notas de saxofone na sensacional "Iron Borne" e pule pela casa ao som do ritmo cavalgante de "Tarantula Hawk". Os admiradores de um som no estilo Ghost irão prestigiar "Golem" e "Gravelord". Para quem quer ser surpreendido com muita música boa, The Wizard é o álbum do ano entre as bandas novas do exterior.




Whoopie Cat - Illusion of Choice

Os australianos já haviam me conquistado em 2016 com o seu belíssimo EP de estreia. Quando finalmente lançaram Illusion of Choice, podemos comprovar que o amadurecimento do grupo é fantástico. Logo de cara, os onze minutos de "Ophidian" nos traz uma balada bluesy para deixar desde Rober Plant até David Coverdale com inveja, sendo a presença da flauta a grande atração da mesma. Os solos rasgados ("Sweet Jane" com certeza vai te fazer cair o queixo) e melódicos ("Gentle Goodbye") de Jesse Juzwin ainda estão lá, assim como a voz apaixonada de Dan Smoo (no bluesaço "Tell Me You'll Stay" e na tocante "Cicada") e a presença mais constante dos teclados ("Dissolution" e "Fear Is Blind") e vocalizações ("Sun Don't Shine II") de Jo Eileen. Porém, o grupo resolveu ampliar sua sonoridade, e como é ótimo quando banda novata explora mais do que já fazia. Discuto perfeito, que só não ficou em posições mais acima por que realmente, os que estão aí em cima são foda.



Uriah Heep - Living The Dream

O Uriah Heep é uma das raras bandas do final da década de 60 que conseguiu sobreviver ao turbilhão de lançamos pífios nos anos 80 e se renovou totalmente. Depois da entrada do vocalista Bernie Shaw, especialmente, cada novo lançamento é uma obra de arte para os fãs. Não é diferente com Living the Dream. Mick Box mantendo seu padrão de alta qualidade nas guitarras, Phil Lanzon mandando ver nos teclados, e uma cozinha impecável formam toda a cama sonora necessária para o vocalista soltar sua bela voz, e fazer o fã contente. Todas as músicas são sensacionais, mas não há como não destacar a genial "Grazed by Heaven", pancada que abre o disco com um riff violento de órgão e guitarra, e a mágica "Rocks in the Road", com mais de oito minutos hipnotizantes. Outro álbum que resenhei aqui, e que o Heep continue em ação por muitos anos.








Judas Priest - Firepower


Creio que esse é o arroz de festa nas listas aqui dos Consultores, e é justo. Mesmo com o abalo psicológico causado pela doença de Glen Tipton, o Judas manteve-se na ativa, e entregou um álbum excepcional, como tem sido desde o retorno de Halford aos vocais. Considero esse álbum melhor que Redeemer of Souls, que já era incrível, por conta de haver a jovialidade na guitarra de Richie Faulkner. O que precisei falar sobre ele, resenhei aqui, e só torço para que não seja a despedida da banda, apesar que se for, é uma despedida gloriosa.






Naxatras - III

Em 2015, a estreia desses gregos foi eleita por mim como o melhor álbum daquele ano. Agora, em seu terceiro full lenght, o trio continua mandando ver em seu som psicodélico e carregado de inspirações sabbháticas, porém tirando as distorções dos vocais em algumas faixas (vide "You Won't Be Left Alone" e "Spring Song"), flertando com outros ritmos (reggae em "Land of Infinite Time", violões acústicos e slide guitar na baladaça "White Morning") e caprichando em linhas melódicas e chapadas (a doentia "Machine" em principal), deixando o baixão de John Vagenas brilhar mais, como na dançante instrumental "On the Silver Line". Com isso, temos um desbunde sonoro, em faixas longas e muito inspiradas, sendo "Prophet" a única canção que ainda nos remete aquela anda ainda sem tanta maturidade, mas com muita categoria e competência, lá de 2015. O Naxatras para mim é a banda da década, e torço muito para que eles possam se apresentar aqui no Brasil um dia.



Orphaned Land - Unsung Prophets & Dead Messiahs

Um dos primeiros discos lançados em 2018 foi obviamente uma de minhas primeiras e agradáveis audições. Conheci o Orphaned Land numa lista de Consultoria Recomenda, e logo virei fã da banda. A mistura de elementos orientais com o peso ocidental é de fácil assimilação para meus ouvidos, e sendo assim, fico chapado quando o grupo resolve unir os instrumentos e vocalizações orientais ("Yedidi") com guitarras pesadas e uma bateria destroçante. Unsung Prophets & Dead Messiahs , aguardado depois do fracasso de All is One (será esse um daqueles Discos Que Parece Que Só Eu Gosto?) há cinco anos atrás, está longe de ser um The Neverending Way of ORwarriOR, quiçá um Mabool, mas tem seus momentos. As inspirações death floydianas em "The Cave" e “Only the Dead Have seen the End of War”, a presença de Steve Hackett na sensacional “Chains Fall to Gravity”, e as maluquices “All Knowing Eye” são os grandes momentos. Um som épico com grande tempero de antiguidade, que deve ser ouvido com atenção e dedicação.




Le_Mol - Heads Heads Heads


Conheço pouco do gênero post rock, e confesso que o pouco que conheço não é muito do meu agrado. Porém, e sempre há um porém, ouvir e conhecer o grupo austríaco Le_Mol foi uma das grandes alegrias sonoras de 2018. É difícil descrever o som da banda, mas se fosse para resumir em uma única palavra, diria experimentalismo. Piano, guitarras distorcidas, ritmos robóticos, sintetizadores malucos, peso misturado com delicadeza, passam por nossos ouvidos ao longo de pouco mais de 40 minutos, deixando-nos em uma sensação de embriaguez e dormência que dura por algumas horas. Uma segunda audição causa ainda mais chapação, acompanhada agora da necessidade urgente de tentar entender o que realmente sai das caixas de som. Nos momentos de sanidade, "Temperatures Will Drop – Pekoppa" brilha com sobras nos ouvidos. Enfim, com diversas audições, você já está viciado na música dos austríacos, mas ainda assim, entender o que eles criam é complexo demais para uma simples resenha de Melhores do Ano. Acredito que Heads Heads Heads ainda vai crescer muito em meu conceito, mas nesse momento, ele sendo responsável por fechar minha lista de 2018 é uma surpresa até para mim.

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10 Menções honrosas

Dave Matthews Band - Come Tomorrow

Rikard Sjoblom’s Gungfly – Friendship

Alice in Chains - Rainier Fog

Electric Octopus - Pipe Dream Train

The Smashing Pumpkins - Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.

Lady Gaga and Bradley Cooper – A Star Is Born

Wolftooth - Wolftooth

Mulamba – Mulamba

Roger Daltrey - As Long as I Have You

Birth of Joy – Hyper Focus



BIOGRAFIA DE Carl Perkins

 

                                             Carl Perkins

Carl Lee Perkins (Tiptonville, 9 de abril de 1932 — Jackson, 19 de janeiro de 1998) foi um cantor norte-americano de rockabilly, uma mistura de rhythm and blues e country music que desenvolveu-se na Sun Records em Memphis, Tennessee no começo dos anos 50. Foi considerado o 88º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone. 

Biografia.

Nascido em Tiptonville, Tennessee, filho de um pobre fazendeiro arrendatário, Perkins cresceu cercado pela sulista música gospel cantada pelos negros que trabalhavam nos campos de algodão. Aos 7 anos de idade ele já tocava guitarra, feita por seu pai com uma caixa, um galho e uma corda de embrulho. 

Em 1956, desesperadamente pobre, Perkins escreveu e gravou a música "Blue Suede Shoes". Produzida por Sam Phillips, a canção venderia milhões de cópias. No auge da fama da música, ele se envolveu em um acidente de carro quase fatal. Enquanto Perkins se recuperava, o astro em ascensão Elvis Presley lançou sua própria versão de "Blue Suede Shoes". O sucesso de Presley impediu Perkins de alcançar o sucesso que ele parecia estar destinado a alcançar; Perkins nunca mais conseguiria o mesmo destaque no mundo da música pop. 

Durante sua longa carreira ele gravou inúmeros compactos e álbuns, além de compor vários sucessos tanto no rock quanto na música country. Suas músicas ganharam versões dos Beatles (Perkins inclusive colaboraria com Paul McCartney, tocando guitarra rítmica em "Ebony and Ivory", um sucesso conjunto de McCartney e Stevie Wonder e também juntamente com Paul McCartney um dueto em "Get It" do álbum Tug of War de 1982). 

Quando do revival do rockabilly nos anos 80, George Harrison, Ringo Starr e Eric Clapton apareceram com ele em um especial televisivo em Londres, Inglaterra chamado ''Blue Suede Shoes: A Sessão Rockabilly". 

De volta aos estúdios da Sun em 1986, Perkins se juntou à Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e Roy Orbison para gravar o álbum Class of '55. Foi um tributo ao começo de carreira deles na Sun e em parte a reprise de uma informal jam session que ele, Presley, Cash e Lewis fizeram em 4 de dezembro de 1956 lançada como álbum com o nome Million Dollar Quartet.
   
Em 1987, o reconhecimento da contribuição de Perkins à música veio quando ele foi incluído no Hall da Fama do Rock and Roll.
 

Perkins morreu aos 65 anos de idade depois de sofrer vários derrames e foi enterrado no Ridgecrest Cemetery em Jackson, Tennessee




The Greatest Hits Of Rock N' Roll (1995)

01. Blue Suede Shoes
02. Honey Don't
03. I'm Walkin'
04. Matchbox
05. Susie Q
06. Memphis
07. Maybelline
08. Slippin' and Slidin'
09. Bebopalula
10. Roll Over Beethoven
11. Hound Dog
12. Whole Lotta Shakin' Goin' On
13. Lucille
14. Jailhouse Rock
15. All Shook Up
16. That's Alright Mama
17. Bird Dog
18. Rock Island Line


Destaque

ROCKAOR - Babylon A.D. - Lost Sessions, Fresno CA 93

  País: Estados Unidos Estilo: Hard Rock Ano: 1993 Integrantes: Derek Davis - vocals Dan De La Rosa - guitars Ron Freschi - guitars Robb Rei...